Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
EFEMÉRIDES
DIA 21/07: 202.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1620, nascia Jean Picard, astrónomo francês, o primeiro a medir o raio da Terra com um grau de precisão razoável (6328,9 km, 0,44% mais pequeno que o valor moderno).
Em 1961, Gus Grissom, pilotando a cápsula Liberty Bell 7 da Mercury 4, torna-se o segundo americano a entrar em órbita à volta da Terra.
Em 1969, Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin tornam-se nos primeiros humanos a andar na Lua, durante a missão Apollo 11 (20 de julho na América do Norte).
No mesmo dia, a sonda soviética Luna 15 colide com a superfície da Lua ao tentar aterrar.
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 4. Alcança Marte em fevereiro de 1974. No entanto, a sonda falha a entrada em órbita. Mesmo assim, consegue enviar alguns dados e imagens.
Em 2011, termina o programa do Vaivém Espacial da NASA, com a aterragem do vaivém Atlantis durante a missão STS-135. HOJE, NO COSMOS:
Perto do final do lusco-fusco, procure, a cerca de um punho à distância do braço esticado para cima da Lua, a estrela Denébola, Beta Leonis. Assinala a ponta da cauda de Leão. A constelação está a dizer adeus ao céu noturno.
DIA 22/07: 203.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1784, nascia Friedrich Bessel, astrónomo e matemático alemão, o primeiro a determinar a distância do Sol até outra estrela usando o método da paralaxe.
Em 1962, a Mariner 1 voa erraticamente durante vários minutos após o lançamento, acabando por ter que ser destruída.
Em 2019, lançamento da Chandrayaan 2, a segunda missão lunar indiana. Consiste de um orbitador, um módulo de aterragem e de um rover. HOJE, NO COSMOS:
Um desafio - aviste a Lua Crescente a oeste-sudoeste mais ou menos 30 minutos depois do pôr-do-Sol. Procure Vénus a cerca de três punhos à distância do braço esticado para baixo e para a sua direita. O mais ténue planeta Mercúrio, a ainda mais ténue estrela Régulo e o pequeno Marte formam uma linha diagonal um pouco acima de Vénus. A linha mede cerca de punho e meio, desde em baixo à direita para cima à esquerda.
DIA 23/07: 204.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1928, nascia Vera Rubin, astrónoma americana que fez trabalho pioneiro sobre a velocidade de rotação das galáxias. Descobriu a discrepância entre o movimento angular previsto das galáxias e o movimento observado, ao estudar as curvas de rotação de galáxias. Este fenómeno veio a ser conhecido como o problema de rotação das galáxias.
Em 1972, os Estados Unidos lançavam o satélite Landsat 1.
Em 1995, é descoberto o Cometa Hale-Bopp e torna-se visível a olho nu quase um ano depois.
Em 1999, lançamento da STS-93, do vaivém Columbia, com o Observatório de raios-X Chandra a bordo.
Em 2015, a NASA anuncia a descoberta de Kepler-452b, a primeira super-Terra na zona habitável de uma estrela parecida com o Sol. HOJE, NO COSMOS:
A fase Crescente é uma das mais interessantes para explorar o terminador da Lua com um telescópio. E esta noite, para cima e para a esquerda do nosso satélite natural, a cerca de dois graus, está a estrela de terceira magnitude Gamma Virginis (Porrima), um bom binário telescópico. Os seus componentes estão este ano separados por 3,3 segundos de arco, orientados quase norte-sul. Têm ambas magnitude 3,5.
DIA 24/07: 205.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969, a Apollo 11 regressava à Terra em segurança. A cápsula com os astronautas cai no Oceano Pacífico. HOJE, NO COSMOS:
Estamos no final de julho... de modo que será que consegue avistar o nascer heliacal de Rigel e da Cintura de Orionte? Ainda muito longe da sua estação principal, baixa a este ao amanhecer?
Terá este exoplaneta um "irmão" que partilha a mesma órbita?
Esta imagem, obtida pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro, mostra o jovem sistema planetário PDS 70, situado a quase 400 anos-luz de distância da Terra. O sistema possui uma estrela no seu centro, em torno da qual orbita o planeta PDS 70 b (assinalado pelo círculo amarelo com linha sólida). Na mesma órbita de PDS 70b, indicada por uma elipse amarela, os astrónomos detetaram uma nuvem de detritos (marcada por um círculo amarelo a tracejado) que poderá ser formada pelos blocos constituintes de um novo planeta ou os restos de um planeta já formado. A estrutura em forma de anel que domina a imagem trata-se de um disco circumstelar de material, a partir do qual se estão a formar planetas. Há ainda outro planeta neste sistema: PDS 70c, que podemos ver na posição das 3 horas junto ao interior do disco. Ver aqui a imagem sem anotações.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO) /Balsalobre-Ruza et al.
Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos descobriram o possível "irmão" de um planeta que orbita uma estrela distante. A equipa detetou uma nuvem de detritos que pode estar a partilhar a órbita deste planeta e que se pensa ser formada pelos blocos constituintes de um novo planeta ou os restos de um planeta já formado. A ser confirmada, esta descoberta corresponderá à evidência mais concreta encontrada até à data de que dois exoplanetas podem partilhar uma mesma órbita.
"Há duas décadas, a teoria previa que pares de planetas de massa semelhante poderiam partilhar a mesma órbita em torno da sua estrela, os chamados planetas troianos ou co-orbitais. Agora, e pela primeira vez, parece que encontrámos indícios concretos que favorecem esta teoria", disse Olga Balsalobre-Ruza, estudante de doutoramento no Centro de Astrobiologia em Madrid, Espanha, que liderou o estudo publicado na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.
Os troianos, corpos rochosos na mesma órbita de um planeta, são comuns no nosso próprio Sistema Solar, sendo o exemplo mais famoso os asteroides troianos de Júpiter - mais de 12.000 corpos rochosos que se encontram na mesma órbita em torno do Sol que o gigante gasoso. Os astrónomos previram que os troianos, em particular os planetas troianos, poderiam também existir em torno de outras estrelas que não o nosso Sol, mas as evidências da sua existência têm sido escassas. "Até agora, os exotroianos (planetas troianos exteriores ao nosso Sistema Solar) têm sido uma espécie de unicórnios, ou seja, apesar da teoria permitir que existam, nunca foram detetados", disse o coautor Jorge Lillo-Box, investigador no Centro de Astrobiologia, em Madrid.
Agora, com o auxílio do ALMA, do qual o ESO é um parceiro, uma equipa internacional de cientistas descobriu a mais forte evidência observacional encontrada até à data de que os planetas troianos podem, de facto, existir no sistema PDS 70. Esta jovem estrela é conhecida por albergar dois planetas gigantes, semelhantes a Júpiter, PDS 70b e PDS 70c. Ao analisar observações ALMA deste sistema, retiradas do arquivo científico, a equipa detetou uma nuvem de detritos no local da órbita de PDS 70b onde se espera que existam planetas troianos.
Os troianos ocupam as chamadas zonas lagrangeanas, duas regiões extensas na órbita de um planeta onde a atração gravitacional combinada da estrela e do planeta pode reter material. Ao estudar estas duas regiões da órbita de PDS 70b, os astrónomos detetaram um sinal ténue vindo de uma delas, o que poderá indicar que uma nuvem de detritos com uma massa até cerca de duas vezes a da nossa Lua existe nesse local.
A equipa pensa que esta nuvem de detritos possa indicar a presença de um mundo troiano existente neste sistema ou mesmo a de um planeta em processo de formação. "Quem poderia imaginar dois mundos que partilham a duração do ano e as mesmas condições de habitabilidade? O nosso trabalho apresenta a primeira evidência de que tais mundos poderão existir", diz Balsalobre-Ruza. "Podemos imaginar facilmente um planeta a partilhar a sua órbita com milhares de asteroides, como é o caso de Júpiter, mas para mim é extraordinário pensar que dois planetas ou mais possam partilhar a mesma órbita".
"O nosso trabalho de investigação é um primeiro passo no sentido de procurarmos planetas co-orbitais muito jovens, ou seja, muito cedo desde a sua formação", diz a co-autora Nuria Huélamo, investigadora no Centro de Astrobiologia de Madrid. "Este trabalho levanta novas questões sobre a formação dos troianos, como é que estes objetos evoluem e quão frequentes serão em diferentes sistemas planetários", acrescenta Itziar De Gregorio Monsalvo, Diretora do Gabinete de Ciência do ESO no Chile, que também contribuiu para este trabalho de investigação.
Para confirmar sem margem de dúvida esta deteção, a equipa terá de aguardar até 2027, altura em que utilizará o ALMA para investigar se tanto PDS 70b como a sua nuvem de detritos "irmã" se deslocam em conjunto de forma significativa na sua órbita em torno da estrela, o que "corresponderia a um enorme avanço no campo dos exoplanetas", diz Balsalobre-Ruza.
"O futuro deste tópico é muito excitante e aguardamos com expetativa as capacidades mais alargadas do ALMA, planeadas para 2030, as quais melhorarão drasticamente a capacidade da rede para caracterizar troianos em muitas outras estrelas", conclui De Gregorio Monsalvo.
Webb vê grãos de poeira ricos em carbono nos primeiros mil milhões de anos do tempo cósmico
Pela primeira vez, o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA observou a assinatura química de grãos de poeira ricos em carbono no desvio para o vermelho ~7, o que equivale aproximadamente a mil milhões de anos após o nascimento do Universo. Assinaturas observacionais semelhantes foram observadas no Universo muito mais recente, atribuídas a moléculas complexas à base de carbono conhecidas como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs). No entanto, não se pensa que seja provável que os HAPs se tenham desenvolvido nos primeiros mil milhões de anos do tempo cósmico.
Esta imagem destaca a localização da galáxia JADES-GS-z6 numa porção de uma área do céu conhecida como GOODS-South, que foi observada como parte do levantamento JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey).
Esta galáxia, juntamente com outras nesta região, fizeram parte de um estudo do Webb realizado por uma equipa internacional de astrónomos, que observou a assinatura química de grãos de poeira ricos em carbono no desvio para o vermelho ~7, o que equivale aproximadamente a mil milhões de anos após o nascimento do Universo.
A investigação da equipa indica que esta galáxia em particular mostrou um obscurecimento significativo de poeira e sofreu um enriquecimento substancial de metal em relação a galáxias com massa semelhante no mesmo desvio para o vermelho. A equipa também pensa que o gradiente de cor visível da galáxia pode indicar um alinhamento geométrico peculiar de estrelas e poeira.
Nesta imagem, o azul, o verde e o vermelho foram atribuídos aos dados da NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb a 0,9, 1,15 e 1,5 micrómetros; 2,0, 2,77 e 3,55 micrómetros; e 3,56, 4,1 e 4,44 micrómetros (F090W, F115W e F150W; F200W, F277W e F335M; e F356W, F410M e F444W), respetivamente.
A galáxia é mostrada com zoom numa região que mede cerca de 1x1 segundos de arco, que é uma medida de distância angular no céu. Um segundo de arco é igual a 1/3600 de um grau (a Lua cheia tem um diâmetro angular de cerca de 0,5 graus). O tamanho real de um objeto que cobre um segundo de arco no céu depende da sua distância ao telescópio.
Crédito: ESA/Webb, NASA, ESA, CSA, B. Robertson (UC Santa Cruz), B. Johnson (Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian), S. Tacchella (Universidade de Cambridge, M. Rieke (Universidade do Arizona), D. Eisenstein (Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian), A. Pagan (STSCI)
(ver aqui a imagem sem inserção)
Por isso, esta observação sugere a excitante possibilidade do Webb ter observado uma espécie diferente de molécula à base de carbono: possivelmente minúsculos grãos de grafite ou diamante produzidos pelas primeiras estrelas ou supernovas. Esta observação sugere interessantes vias de investigação sobre a produção de poeira cósmica e as primeiras populações estelares do nosso Universo, e foi possível graças à sensibilidade sem precedentes do Webb.
Os espaços aparentemente vazios do nosso Universo não são, na realidade, vazios de todo, mas ocupados por nuvens de gás e poeira cósmica. Esta poeira consiste em grãos de vários tamanhos e composições que são formados e ejetados para o espaço de várias maneiras, incluindo por eventos de supernova. Este material é crucial para a evolução do Universo, uma vez que as nuvens de poeira acabam por formar os berçários de novas estrelas e planetas. No entanto, também pode ser um obstáculo para os astrónomos: a poeira absorve a luz estelar em certos comprimentos de onda, tornando algumas regiões do espaço muito difíceis de observar. Um aspeto positivo, no entanto, é que certas moléculas absorvem ou interagem de forma muito consistente com comprimentos de onda específicos da luz. Isto significa que os astrónomos podem obter informações sobre a composição da poeira cósmica observando os comprimentos de onda da luz que esta bloqueia. Uma equipa internacional de astrónomos utilizou esta técnica, combinada com a extraordinária sensibilidade do Webb, para detetar a presença de grãos de poeira ricos em carbono apenas mil milhões de anos após o nascimento do Universo.
Joris Witstok, da Universidade de Cambridge, o principal autor deste trabalho, explica: "Os grãos de poeira ricos em carbono podem ser particularmente eficientes na absorção de luz ultravioleta com um comprimento de onda de cerca de 217,5 nanómetros, que pela primeira vez observámos diretamente nos espectros de galáxias muito antigas."
Esta caraterística proeminente de 217,5 nanómetros foi anteriormente observada no Universo local e muito mais recente, tanto na nossa Galáxia, a Via Láctea, como em galáxias até ao desvio para o vermelho ~3. Foi atribuída a dois tipos diferentes de espécies à base de carbono: hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs) ou grãos de grafite de tamanho nanométrico. Os HAPs são moléculas complexas e os modelos modernos preveem que a sua formação deve demorar várias centenas de milhões de anos. Seria surpreendente, portanto, se a equipa tivesse observado a assinatura química de uma mistura de grãos de poeira que inclui espécies que provavelmente ainda não se formaram. No entanto, de acordo com a equipa científica, este resultado é a assinatura direta mais antiga e mais distante deste tipo particular de grão de poeira rico em carbono.
A resposta pode estar nos pormenores do que foi observado. Como já foi dito, a característica associada à mistura de poeira cósmica de HAPs e pequenos grãos de grafite está a 217,5 nanómetros. No entanto, a característica observada pela equipa atingiu um máximo de 226,3 nanómetros. Um nanómetro é a milionésima parte de um milímetro e esta discrepância de menos de dez nanómetros pode ser explicada por um erro de medição (todas as medições científicas - incluindo as efetuadas a partir de observações e as previstas por modelos - terão um erro associado. Isto deve-se ao facto de existirem sempre fontes de incerteza. Se uma medição se situa dentro dos limites do erro esperado, significa que ainda pode ser exata: neste contexto, isso significa que a característica de 226,3 nanómetros ainda pode representar a mesma mistura de poeira cósmica que a representada pela característica de 217,5 nanómetros). De igual modo, poderia também indicar uma diferença na composição da mistura de poeira cósmica dos primórdios do Universo que a equipa detetou.
"Esta ligeira mudança no comprimento de onda onde a absorção é mais forte sugere que podemos estar a ver uma mistura diferente de grãos, por exemplo, grãos semelhantes a grafite ou diamante", acrescenta Witstok. "Isto também pode ser potencialmente produzido em curtas escalas de tempo por estrelas Wolf-Rayet ou material ejetado por supernovas."
A deteção desta caraterística no Universo primitivo é surpreendente e permite aos astrónomos postular sobre os mecanismos que poderiam criar uma tal mistura de grãos de poeira. Para tal, é necessário recorrer aos conhecimentos existentes a partir de observações e modelos. Witstok sugere que os grãos de diamante se formaram na ejeção de supernovas porque os modelos sugeriram anteriormente que os nano-diamantes poderiam ser formados desta forma. As estrelas Wolf-Rayet são sugeridas porque são excecionalmente quentes no final das suas vidas, e as estrelas muito quentes tendem a viver rapidamente e a morrer jovens; dando tempo suficiente para que gerações de estrelas tenham nascido, vivido e morrido e assim distribuir grãos ricos em carbono na poeira cósmica circundante em menos de mil milhões de anos. Os modelos também mostraram que os grãos ricos em carbono podem ser produzidos por certos tipos de estrelas Wolf-Rayet e, igualmente importante, que esses grãos podem sobreviver às mortes violentas dessas estrelas. No entanto, é ainda um desafio explicar completamente estes resultados com o conhecimento atual da formação inicial da poeira cósmica. Por conseguinte, estes resultados servirão de base para o desenvolvimento de modelos melhorados e para futuras observações.
Antes do Webb, as observações de múltiplas galáxias tinham de ser combinadas para obter sinais suficientemente fortes para fazer deduções sobre as populações estelares nas galáxias e para saber como a sua luz era afetada pela absorção de poeira. É importante notar que os astrónomos estavam limitados a estudar galáxias relativamente antigas e maduras, que tinham tido muito tempo para formar estrelas e poeira. Este facto limitava a sua capacidade de identificar as principais fontes de poeira cósmica. Com o advento do Webb, os astrónomos podem agora fazer observações muito detalhadas da luz de galáxias anãs individuais, vistas nos primeiros mil milhões de anos do tempo cósmico. O Webb permite finalmente o estudo da origem da poeira cósmica e do seu papel nas primeiras fases cruciais da evolução das galáxias.
"Esta descoberta foi possível graças à melhoria sem paralelo da sensibilidade da espectroscopia no infravermelho próximo proporcionada pelo Webb e, especificamente, pelo seu instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph)", salientou Roberto Maiolino, membro da equipa, da Universidade de Cambridge e da University College London. "O aumento de sensibilidade proporcionado pelo Webb é equivalente, no visível, à atualização instantânea do telescópio de 37 milímetros de Galileu Galilei para o VLT (Very Large Telescope) de 8 metros (um dos mais poderosos telescópios óticos modernos)."
O NIRSpec foi construído para a ESA por um consórcio de empresas europeias liderado pela ADS (Airbus Defence and Space), tendo o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA fornecido os seus subsistemas de detetor e microdisparador. O principal objetivo do NIRSpec é permitir grandes levantamentos espectroscópicos de objetos astronómicos, como estrelas ou galáxias distantes. Isto é possível graças ao seu potente modo de espetroscopia multiobjecto, que utiliza microdisparadores. Este modo é capaz de obter espectros de até cerca de 200 objetos em simultâneo, num campo de visão de 3,6x3,4 minutos de arco - a primeira vez que esta capacidade é possível a partir do espaço. Este modo permite uma utilização muito eficiente do valioso tempo de observação do Webb.
A equipa está também a planear mais investigações sobre os dados e sobre este resultado. "Planeamos continuar a trabalhar com teóricos que modelam a produção e o crescimento de poeira nas galáxias", partilha Irene Shivaei, membro da equipa, da Universidade do Arizona/Centro de Astrobiologia (CAB). "Isto irá lançar luz sobre a origem da poeira e dos elementos pesados no Universo primitivo".
Estas observações foram feitas como parte do levantamento JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey), que dedicou cerca de 32 dias de tempo de telescópio a descobrir e a caracterizar galáxias fracas e distantes. Este programa permitiu a descoberta de centenas de galáxias que existiam quando o Universo tinha menos de 600 milhões de anos, incluindo algumas das galáxias mais longínquas conhecidas até à data. O número e a maturidade destas galáxias ultrapassam de longe as previsões das observações efetuadas antes do lançamento do Webb. Este novo resultado de grãos de poeira do início do Universo contribui para a nossa crescente compreensão da evolução das populações estelares e das galáxias durante os primeiros mil milhões de anos do tempo cósmico.
"Esta descoberta implica que as galáxias infantis no início do Universo se desenvolvem muito mais depressa do que alguma vez previmos", acrescenta Renske Smit, membro da equipa, da Universidade John Moores de Liverpool, no Reino Unido. "O Webb mostra-nos uma complexidade dos primeiros locais de nascimento de estrelas (e planetas) que os modelos ainda não conseguem explicar".
IXPE entusiasma os astrónomos com novas descobertas no blazar Markarian 421
O Universo contém muitos e poderosos buracos negros supermassivos que criam fortes jatos de partículas altamente energéticas, produzindo fontes de brilho extremo na vastidão do espaço. Quando um desses jatos aponta diretamente para a Terra, os cientistas apelidam ao sistema que contém o buraco negro de blazar.
Para compreender por que razão as partículas do jato se movem com grandes velocidades e energias, os cientistas voltam-se para o IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA, que foi lançado em dezembro de 2021. O IXPE mede uma propriedade especial da luz de raios-X chamada polarização, que tem a ver com a organização das ondas eletromagnéticas nas frequências de raios-X.
Esta semana, uma equipa internacional de astrofísicos publicou novas descobertas do IXPE sobre um blazar chamado Markarian 421. Este blazar, localizado na direção da constelação da Ursa Maior, a cerca de 400 milhões de anos-luz da Terra, surpreendeu os cientistas com evidências de que, na parte do jato onde as partículas estão a ser aceleradas, o campo magnético tem uma estrutura helicoidal.
Esta ilustração da NASA mostra a estrutura do jato de um buraco negro, tal como inferido por observações recentes do blazar Markarian 421 pelo IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer). O jato é alimentado por um disco de acreção, mostrado na parte inferior da imagem, que orbita e cai no buraco negro ao longo do tempo. O jato é atravessado por campos magnéticos helicoidais. As observações do IXPE mostraram que os raios-X devem ser gerados num choque originado no material que espirala em torno dos campos magnéticos helicoidais. A inserção mostra a frente de choque propriamente dita. Os raios-X são gerados na região branca mais próxima da frente de choque, enquanto as emissões óticas e de rádio devem ter origem em regiões mais turbulentas, mais afastadas do choque.
Crédito: NASA/Pablo Garcia
"Markarian 421 é um velho amigo dos astrónomos de alta energia", disse a astrofísica da Agência Espacial Italiana Laura Di Gesu, autora principal do novo artigo. "Tínhamos a certeza de que o blazar seria um alvo interessante para o IXPE, mas as suas descobertas foram além das nossas melhores expetativas, demonstrando com sucesso como a polarimetria de raios-X enriquece a nossa capacidade de sondar a complexa geometria do campo magnético e a aceleração de partículas em diferentes regiões de jatos relativistas."
O novo estudo que detalha as descobertas da equipa do IXPE em Markarian 421 está disponível na última edição da Nature Astronomy.
Jatos como o que irradia de Markarian 421 podem estender-se por milhões de anos-luz. São especialmente brilhantes porque, à medida que as partículas se aproximam da velocidade da luz, libertam uma enorme quantidade de energia e comportam-se de formas estranhas que Einstein previu. Os jatos dos blazares são extra brilhantes porque, tal como a sirene de uma ambulância soa mais alto à medida que se aproxima, a luz apontada na nossa direção também parece mais brilhante. É por isso que os blazares podem ofuscar todas as estrelas das galáxias que habitam.
Apesar de décadas de estudo, os cientistas ainda não compreendem totalmente os processos físicos que determinam a dinâmica e a emissão dos jatos dos blazares. Mas a inovadora polarimetria de raios-X do IXPE - que mede a direção média do campo elétrico das ondas de luz - dá-lhes uma visão sem precedentes destes alvos, da sua geometria física e da origem das suas emissões.
Os modelos de investigação para o fluxo típico dos poderosos jatos apresentam normalmente uma estrutura helicoidal em espiral, semelhante à forma como o ADN humano está organizado. Mas os cientistas não esperavam que a estrutura em hélice contivesse regiões de partículas a serem aceleradas por choques.
O IXPE encontrou uma surpreendente variabilidade no ângulo de polarização durante três observações prolongadas de Markarian 421 em maio e junho de 2022.
"Tínhamos previsto que a direção da polarização pudesse mudar, mas pensámos que grandes rotações fossem raras, com base em observações óticas anteriores de muitos blazares", disse Herman Marshall, físico investigador do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge e coautor do artigo. "Por isso, planeámos várias observações do blazar, com a primeira a mostrar uma polarização constante de 15%."
Notavelmente, acrescentou, a análise inicial dos dados de polarização do IXPE parecia mostrar que a polarização tinha caído para zero entre a primeira e a segunda observação.
"Depois reconhecemos que a polarização era na verdade quase a mesma, mas a sua direção deu literalmente uma volta, rodando quase 180 graus em dois dias", disse Marshall. "Depois voltou a surpreender-nos durante a terceira observação, que começou um dia mais tarde, ao observarmos que a direção da polarização continuava a rodar ao mesmo ritmo."
Mais estranho ainda é que as medições simultâneas no visível, no infravermelho e no rádio não mostraram qualquer alteração na estabilidade ou na estrutura - mesmo quando as emissões de raios-X polarizados se desviaram. Isto significa que uma onda de choque pode estar a propagar-se ao longo de campos magnéticos em espiral no interior do jato.
O conceito de uma onda de choque que acelera as partículas do jato é consistente com as teorias acerca de Markarian 501, um segundo blazar observado pelo IXPE que levou a um estudo publicado no final de 2022. Mas o seu primo Markarian 421 mostra evidências mais claras de um campo magnético helicoidal contribuindo para o choque.
Di Gesu, Marshall e colegas estão ansiosos por realizar mais observações de Markarian 421 e de outros blazares para aprender mais sobre estas flutuações do jato e com que frequência elas ocorrem.
"Graças ao IXPE, é uma altura empolgante para o estudo dos jatos astrofísicos", disse Di Gesu.
O IXPE é uma colaboração entre a NASA e a Agência Espacial Italiana com parceiros e colaboradores científicos em 12 países. O IXPE é dirigido pelo Centro de Voo Espacial Marshall da NASA em Huntsville, Alabama. A Ball Aerospace, com sede em Broomfield, no estado norte-americano do Colorado, gere as operações da nave espacial juntamente com o Laboratório de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, em Boulder. As observações de Markarian 421 pelo IXPE foram complementadas com dados recolhidos por observatórios parceiros nos Estados Unidos, França, Japão, Espanha e na ilha de Creta.
Hubble observa pedregulhos a escaparem do asteroide Dimorphos (via ESA)
Os astrónomos, tirando partido da extraordinária sensibilidade do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, descobriram um enxame de rochas que foram possivelmente sacudidas do asteroide Dimorphos quando a NASA bateu deliberadamente com a nave espacial DART, de meia tonelada, contra Dimorphos a cerca de 22.500 km por hora. A DART impactou intencionalmente Dimorphos no dia 26 de setembro de 2022, alterando ligeiramente a trajetória da sua órbita em torno do asteroide maior Didymos. Ler fonte
Antigo rio está a ajudar o rover Perseverance a fazer o seu trabalho (via NASA)
O rover Perseverance Mars da NASA selou o tubo que continha a sua 20.ª amostra no dia 23 de junho (o 832.º dia marciano, ou sol, da missão) e a equipa científica da missão está entusiasmada com o seu potencial. Isto porque esta amostra foi perfurada pelo rover a partir de um afloramento composto por pequenos pedaços de outras rochas que foram transportadas de outros locais por um rio num passado distante e depositadas aqui, onde foram cimentadas. Aglomerados como este (apelidado de "Lago Esmeralda" pela equipa) contêm muita informação sobre locais que o rover nunca poderá visitar, sendo que cada novo fragmento de rocha representa uma história geológica a ser contada. Ler fonte
O puzzle da galáxia sem matéria escura (via IAC)
Uma equipa de cientistas, liderada pelo investigador do IAC e da Universidade de La Laguna Sebastién Comerón, descobriu que a galáxia NGC 1277 não contém matéria escura. Esta é a primeira vez que uma galáxia massiva (tem uma massa várias vezes superior à da Via Láctea) não apresenta indícios deste componente invisível do Universo. "Este resultado não se enquadra nos modelos cosmológicos atualmente aceites, que incluem a matéria escura", explica Comerón. Ler fonte
Álbum de fotografias Via Láctea Acima do Observatório de La Palma
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.
Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.