OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA Data: 20 de janeiro de 2024 Hora: 10:00
Neste dia realiza-se a sessão de observação do sol perto do estacionamento na parte traseira do Mercado Municipal em Tavira pelas 10:00. A sessão é gratuita. Participe!
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 19/01: 19.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1747 nascia Johann Bode, autor da Lei de Titius-Bode, uma progressão quase geométrica das distâncias dos planetas a partir do Sol.
Também determinou a órbita de Úrano e sugeriu o nome do planeta.
Em 1851 nascia Jacobus Kapteyn, que estudou a distribuição e o movimento de meio milhão de estrelas e criou o primeiro modelo moderno do tamanho e estrutura da Via Láctea.
Em 2006, era lançada a sonda New Horizons, a primeira missão a Plutão. A maior aproximação ocorreu no dia 14 de julho de 2015, a 12.472 km da superfície. HOJE, NO COSMOS:
Depois do anoitecer, vire-se para este e olhe para cima. A brilhante estrela aí é Capella, da constelação de Cocheiro. Para a sua direita, a um par de dedos à distância do braço esticado, está um pequeno triângulo estreito de estrelas de terceira e quarta magnitudes conhecido como "as Crianças". Não são exatamente apelativas, mas formam um asterismo com Capella.
DIA 20/01: 20.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.
De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1775 nascia André-Marie Ampère, físico e matemático francês que é geralmente reconhecido como um dos principais fundadores da ciência do eletromagnetismo clássico, que ele referia como "eletrodinâmica". A unidade SI da medição da corrente elétrica, o ampere, tem o seu nome.
Em 1930, nascia Buzz Aldrin, astronauta americano e a segunda pessoa a pisar a Lua.
Em 1961, a agência soviética Tass anunciava que a cadela Strelka, que havia tripulado a Spacecraft II em agosto de 1960, tinha dado à luz 6 cachorros.
Em 2016, investigadores do Caltech encontram evidências de um nono planeta a mover-se no que chamam de "órbita altamente alongada e bizarra" no Sistema Solar exterior. HOJE, NO COSMOS:
Sirius brilha a sudeste, por baixo de Orionte, depois da hora de jantar. Por volta das 21 horas, dependendo da sua localização, Sirius brilha precisamente para baixo de Betelgeuse, o ombro do Caçador. Quão precisamente consegue determinar a hora deste evento, talvez usando o lado de um prédio? Das duas, Sirius lidera ao início da noite. Betelgeuse lidera mais tarde.
Continue a linha de Betelgeuse até Sirius, e passa pelas costas de Cão Maior até à estrela que assinala a sua traseira: Delta Canis Majoris, ou Wezen.
DIA 21/01: 21.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1908, nascia Bengt Strömgren, astrónomo e astrofísico dinamarquês, famoso por desenvolver a teorias das nebulosas difusas (regiões H II) como as nebulosa Trífida e de Orionte.
Em 1960, a nave Mercury, Little Joe 1B, levantava voo a partir de Wallops Island, com Miss Sam, uma fêmea de macaco a bordo.
Em 2004, a NASA "perdia" contato com o rover Spirit, um problema de gestão de memória "flash" que viria a ser resolvido remotamente a partir da Terra a 6 de fevereiro.
Em 2018, o Electron da Rocket Lab torna-se o primeiro foguetão a alcançar órbita terrestre usando um motor alimentado a eletricidade e lança três CubeSats. HOJE, NO COSMOS:
A estrela de magnitude zero, Capella, bem alta no céu, e a igualmente brilhante estrela Rigel no pé de Orionte, têm quase a mesma ascensão reta. Isto significa que atravessam o meridiano do céu do observador quase exatamente à mesma hora: por volta das 22 horas, dependendo de quão para este ou oeste o observador vive. Assim sendo, sempre que Capella passa na sua posição mais alta, Rigel assinala sempre o sul verdadeiro, e vice-versa.
DIA 22/01: 22.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1968, a Apollo 5 levantava voo transportando o primeiro módulo lunar para o espaço.
Em 1992, Roberta Bondar tornava-se a primeira mulher canadiana no espaço a bordo da STS-42.
Em 1998, o vaivém espacial Endeavour é lançado na missão STS-89 para atracar com a estação espacial russa Mir. HOJE, NO COSMOS:
Os Gémeos situam-se de lado nestas noites de janeiro, para a esquerda de Orionte. As estrelas correspondentes às suas cabeças, Castor e Pollux, estão o mais longe de Orionte, uma sob a outra (Castor é a estrela de cima). Os pés da figura do gémeo Castor estão logo à esquerda do topo da "moca" do Caçador.
Webb mostra que muitas das primeiras galáxias se pareciam com pranchas de surf ou "noodles" de piscina
Investigadores, que analisaram galáxias distantes que aparecem no levantamento CEERS do Telescópio Espacial James Webb da NASA, encontraram uma série de formas estranhas quando o Universo tinha apenas 600 milhões a 6 mil milhões de anos. A ampliação no canto superior esquerdo mostra uma galáxia que se parece mais com uma esfera, e é a forma menos comum nos resultados do Webb, juntamente com um exemplo de uma galáxia que aparece como um disco visto de lado, mas que pode ser melhor classificada como alongada. As formas alongadas são uma das mais comuns identificadas até agora no estudo do Webb.
Crédito:
NASA, ESA, CSA, Steve Finkelstein (Universidade do Texas em Austin), Micaela Bagley (Universidade do Texas em Austin), Rebecca Larson (Universidade do Texas em Austin)
Investigadores, que analisaram imagens do Telescópio Espacial James Webb da NASA, descobriram que as galáxias no início do Universo são frequentemente planas e alongadas, como pranchas de surf e "noodles" de piscina (ou esparguete de natação) - e raramente são redondas, como bolas de voleibol ou frisbees. "Cerca de 50 a 80% das galáxias que estudámos parecem ser achatadas em duas dimensões", explicou o autor principal Viraj Pandya, um bolseiro Hubble da NASA na Universidade de Columbia em Nova Iorque. "As galáxias que se parecem com 'noodles' de piscina ou pranchas de surf parecem ser muito comuns no início do Universo, o que é surpreendente, uma vez que não são comuns nas nossas proximidades."
A equipa concentrou-se num vasto campo de imagens no infravermelho próximo fornecidas pelo Webb, conhecido como Levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science), que permite identificar galáxias que se estima existirem quando o Universo tinha entre 600 milhões e 6 mil milhões de anos.
Enquanto as galáxias mais distantes se parecem com pranchas de surf e esparguetes de natação, outras têm a forma de frisbees e bolas de voleibol. As "bolas de voleibol", ou galáxias em forma de esfera, parecem ser o tipo mais compacto no "oceano" cósmico e foram também as menos frequentemente identificadas. Aquelas parecidas a frisbees são tão grandes como as galáxias em forma de prancha de surf - e de "noodle" de piscina - ao longo do "horizonte", mas tornam-se mais comuns mais perto da "costa" no Universo próximo (compare-as nesta ilustração).
Em que categoria se enquadraria a nossa Galáxia, a Via Láctea, se pudéssemos andar para trás no tempo milhares de milhões de anos? "O nosso melhor palpite é que poderia ser mais parecida com uma prancha de surf", disse o coautor Haowen Zhang, candidato a doutoramento na Universidade do Arizona em Tucson, EUA. Esta hipótese baseia-se em parte nas novas evidências do Webb - os teóricos "voltaram atrás no tempo" para estimar a massa da Via Láctea há milhares de milhões de anos, o que se correlaciona com a sua forma nessa altura.
Estes são exemplos de galáxias distantes fotografadas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA no seu levantamento CEERS. As galáxias aparecem frequentemente planas e alongadas, como esparguete de natação ou pranchas de surf (linha superior). As galáxias finas e circulares, em forma de disco, que se assemelham a frisbees, são o grande grupo seguinte (visto no canto inferior esquerdo e no centro). As galáxias que têm a forma de esferas, ou bolas de voleibol, constituem a mais pequena fração das suas deteções (em baixo à direita). Estima-se que todas estas galáxias tenham existido quando o Universo tinha apenas 600 milhões a 6 mil milhões de anos.
Crédito:
NASA, ESA, CSA, Steve Finkelstein (Universidade do Texas em Austin), Micaela Bagley (Universidade do Texas em Austin), Rebecca Larson (Universidade do Texas em Austin)
Estas galáxias distantes são também muito menos massivas do que as espirais e elípticas próximas - são precursoras de galáxias mais massivas como a nossa. "No início do Universo, as galáxias tinham tido muito menos tempo para crescer", disse Kartheik Iyer, coautor e bolseiro Hubble da NASA, também da Universidade de Columbia. "A identificação de categorias adicionais para as primeiras galáxias é excitante - há muito mais para analisar agora. Podemos agora estudar a relação entre a forma das galáxias e o seu aspeto e projetar melhor a sua formação com muito mais pormenor."
A sensibilidade do Webb, as imagens de alta resolução e a especialização no infravermelho permitiram à equipa caracterizar rapidamente muitas galáxias do CEERS e modelar as suas geometrias 3D. Pandya diz ainda que o seu trabalho não seria possível sem a extensa investigação que os astrónomos têm feito com o Telescópio Espacial Hubble da NASA.
Durante décadas, o Hubble impressionou-nos com imagens de algumas das galáxias mais antigas, começando com o seu primeiro "campo profundo" em 1995 e continuando com um levantamento seminal conhecido como CANDELS (Cosmic Assembly Near-infrared Deep Extragalactic Legacy Survey). Levantamentos do céu profundo como estes permitiram estatísticas muito maiores, ajudando os astrónomos a criar modelos 3D robustos de galáxias distantes ao longo de todo o tempo cósmico. Atualmente, o Webb está a ajudar a melhorar estes esforços, acrescentando uma grande quantidade de galáxias distantes para lá do alcance do Hubble e revelando o início do Universo com muito mais pormenor do que era possível anteriormente.
As imagens do Universo primitivo, obtidas pelo Webb, atuaram como uma "tempestade no mar" - fornecendo novas ondas de evidências. "O Hubble há muito que mostrava um excesso de galáxias alongadas", explicou o coautor Marc Huertas-Company, cientista do Instituto de Astrofísica das Canárias. Mas os investigadores ainda se interrogavam: será que os pormenores adicionais apareceriam melhor com a sensibilidade à luz infravermelha? "O Webb confirmou que o Hubble não deixou escapar quaisquer características adicionais nas galáxias que ambos observaram. Além disso, o Webb mostrou-nos muitas outras galáxias distantes com formas semelhantes, todas com grande pormenor."
Ainda há lacunas no nosso conhecimento - os investigadores não só precisam de uma amostra ainda maior do Webb para aperfeiçoar as propriedades e localizações precisas das galáxias distantes, como também terão de passar muito tempo a ajustar e a atualizar os seus modelos para refletir melhor as geometrias precisas das galáxias distantes. "Estes são os primeiros resultados", disse a coautora Elizabeth McGrath, professora associada do Colby College em Waterville, Maine, EUA. "Precisamos de aprofundar os dados para perceber o que se está a passar, mas estamos muito entusiasmados com estas primeiras tendências."
Astrónomos detetam o buraco negro mais antigo alguma vez observado
A galáxia GN-z11, fotografada pelo Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: NASA, ESA e P. Oesch (Universidade de Yale)
Os investigadores descobriram o buraco negro mais antigo alguma vez já observado, que remonta aos primórdios do Universo, e verificaram que está a "comer" até à morte a galáxia que o hospeda.
A equipa internacional, liderada pela Universidade de Cambridge, utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para detetar o buraco negro, que remonta a 400 milhões de anos após o Big Bang, ou seja, há mais de 13 mil milhões de anos. Os resultados que o autor principal, o professor Roberto Maiolino, afirma serem "um salto gigantesco", foram divulgados na revista Nature.
O facto deste buraco negro surpreendentemente massivo - com alguns milhões de vezes a massa do nosso Sol - existir tão cedo no Universo desafia os nossos pressupostos sobre a forma como os buracos negros se formam e crescem. Os astrónomos pensam que os buracos negros supermassivos, que se encontram no centro de galáxias como a Via Láctea, cresceram até ao seu tamanho atual ao longo de milhares de milhões de anos. Mas o tamanho deste buraco negro recém-descoberto sugere que podem formar-se de outras maneiras: podem "nascer grandes" ou podem "comer" matéria a um ritmo cinco vezes superior ao que se pensava ser possível.
De acordo com os modelos padrão, os buracos negros supermassivos formam-se a partir dos remanescentes de estrelas mortas, que colapsam e podem formar um buraco negro com cerca de cem vezes a massa do Sol. Se crescesse da forma esperada, este objeto recém-detetado demoraria cerca de mil milhões de anos a atingir a dimensão observada. No entanto, o Universo ainda não tinha mil milhões de anos quando foi detetado.
"É demasiado cedo no Universo para ver um buraco negro tão massivo, por isso temos de considerar outras maneiras de os formar", disse Maiolino, do Laboratório Cavendish de Cambridge e do Instituto Kavli de Cosmologia. "As galáxias muito antigas eram extremamente ricas em gás, por isso teriam sido como um buffet para os buracos negros."
Como todos os buracos negros, este está a devorar material da sua galáxia hospedeira a fim de alimentar o seu crescimento. No entanto, com muito mais vigor do que os seus irmãos em épocas posteriores.
A jovem galáxia hospedeira, chamada GN-z11, brilha devido ao buraco negro incrivelmente energético no seu centro. Os buracos negros não podem ser observados diretamente, mas são detetados pelo brilho revelador de um disco de acreção rodopiante, que se forma perto da orla de um buraco negro. O gás no disco de acreção torna-se extremamente quente e começa a brilhar e a irradiar energia na gama do ultravioleta. Este forte brilho é a forma como os astrónomos conseguem detetar os buracos negros.
GN-z11 é uma galáxia compacta, cerca de cem vezes mais pequena do que a Via Láctea, mas o buraco negro está provavelmente a prejudicar o seu desenvolvimento. Quando os buracos negros consomem demasiado gás, também o empurram para longe como um "vento" ultrarrápido. Este "vento" pode parar o processo de formação estelar, "matando" lentamente a galáxia, mas também matará o próprio buraco negro, uma vez que lhe cortará a fonte de "alimento".
Maiolino diz que o gigantesco salto em frente proporcionado pelo JWST faz com que esta seja a altura mais excitante da sua carreira. "É uma nova era: o salto gigantesco na sensibilidade, especialmente no infravermelho, é como passar do telescópio de Galileu para um telescópio moderno de um dia para o outro", disse. "Antes da entrada em funcionamento do Webb, pensei que talvez o Universo não fosse tão interessante quando se vai para além do que conseguimos ver com o Telescópio Espacial Hubble. Mas não foi esse o caso: o Universo tem sido bastante generoso naquilo que nos mostra e isto é apenas o começo."
Maiolino comenta que a sensibilidade do JWST significa que podem ser encontrados buracos negros ainda mais antigos nos próximos meses e anos. Ele e a sua equipa esperam utilizar as futuras observações do JWST para tentar encontrar "sementes" mais pequenas de buracos negros, o que os poderá ajudar a desvendar os diferentes métodos de formação dos buracos negros: se começam já grandes ou se crescem rapidamente.
Gémeas, trigémeas, quadrigémeas e mais: observações mostram que as estrelas massivas nascem, de facto, em grupos
Imagem, em cores falsas, da região de formação estelar massiva G333.23-0.06 a partir de dados obtidos com o Observatório ALMA. As inserções mostram regiões em que Li et al. conseguiram detetar sistemas múltiplos de protoestrelas. Os símbolos pretos indicam a posição de cada uma das estrelas recém-formadas. A imagem abrange uma região com 0,62 por 0,78 anos-luz (que no céu corresponde a uns meros 7,5 x 9,5 segundos de arco).
Crédito: S. Li, Instituto Max Planck de Astronomia/J. Neidel; dados - Observatório ALMA
Há muito que se pensa que as estrelas massivas nascem como gémeas, trigémeas ou em grupos ainda maiores. Mas, até agora, havia poucas evidências observacionais que confirmassem a multiplicidade do nascimento das estrelas massivas. Isto mudou com as observações aqui apresentadas: um estudo detalhado, utilizando o Observatório ALMA, encontrou quatro protoestrelas binárias, um sistema triplo, um quádruplo e um quíntuplo num grande enxame estelar. Os novos resultados, publicados na revista Nature Astronomy, confirmam a nossa compreensão atual da formação de estrelas massivas: estas nascem, de facto, em grupos.
É raro os seres humanos nascerem em grupos. Tipicamente, menos de 2% de todos os nascimentos envolvem gémeos ou trigémeos. Por outro lado, no caso das estrelas massivas, há muito que se pensa que o nascimento múltiplo seja a norma. Este facto foi demonstrado por simulações que traçaram o colapso de nuvens gigantes de gás e poeira desde o início até à formação de estrelas separadas no seu interior: um processo hierárquico em que porções maiores da nuvem se contraem para formar núcleos mais densos, e em que regiões mais pequenas dentro desses "núcleos natais" colapsam para formar as estrelas separadas: estrelas massivas, mas também várias estrelas menos massivas. De facto, o nosso Sol formou-se como uma protoestrela de baixa massa num enxame de estrelas do género.
As estrelas massivas, que têm mais de oito vezes a massa do nosso Sol, são de particular interesse para os astrónomos: são estas as que dão azo às estrelas de neutrões e aos buracos negros, buracos negros estes que se podem fundir uns com os outros e emitir grandes quantidades de ondas gravitacionais. Além disso, as estrelas massivas são muito brilhantes, até um milhão de vezes mais brilhantes do que o nosso Sol, pelo que são estas as que vemos noutras galáxias.
Até agora, embora houvesse uma boa compreensão teórica da formação de estrelas nestas circunstâncias, faltavam-nos evidências fundamentais: é muito difícil observar regiões de formação estelar em detalhe suficiente. Até à data, as observações tinham sido capazes de mostrar apenas alguns isolados candidatos a sistemas múltiplos em enxames estelares massivos, mas nada que se parecesse com a população prevista pelas simulações.
Apontando o ALMA para um enxame de estrelas massivas
Para confirmar ou descartar os modelos atuais da formação de estrelas massivas, era clara a necessidade de observações mais detalhadas. Isto tornou-se possível quando o observatório ALMA, no Chile, ficou operacional. Na sua forma atual, o ALMA combina até 66 antenas de rádio para agir como um único gigantesco radiotelescópio, permitindo observações que mostram detalhes extremamente pequenos. Um grupo de astrónomos, liderado por Patricio Sanhueza, do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) e da Universidade para Estudos Avançados em Tóquio, e incluindo vários investigadores do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg, propôs-se observar 30 promissoras regiões de formação estelar massiva com o ALMA entre 2016 e 2019.
A análise dos dados revelou-se um desafio considerável e demorou vários anos. Cada observação separada produz cerca de 800 GB de dados e a reconstrução de imagens a partir das contribuições de todas as diferentes antenas é um processo complexo. O resultado que foi agora publicado baseia-se na análise de uma das regiões de formação estelar, que tem o número de catálogo G333.23-0.06. A análise foi liderada por Shanghuo Li, do Instituto Max Planck de Astronomia, que é também o autor principal do artigo científico agora publicado na revista Nature Astronomy. As imagens reconstruídas resultantes são notáveis: mostram detalhes até cerca de 200 UA (1 UA, ou unidade astronómica, corresponde à distância Terra-Sol) para uma grande região com cerca de 200.000 UA de diâmetro.
Estrelas múltiplas em exposição
Os resultados são excelentes notícias para o quadro atual da formação de estrelas massivas. Em G333.23-0.06, Li e os seus colegas encontraram quatro protoestrelas binárias, um sistema triplo, um sistema quádruplo e um sistema quíntuplo - consistentes com as expetativas. De facto, as observações dos ambientes reforçam um cenário particular para a formação de estrelas de massa elevada: fornecem evidências da formação estelar hierárquica, onde a nuvem de gás se fragmenta primeiro em "núcleos" de maior densidade de gás e onde cada núcleo se fragmenta depois num sistema protoestelar múltiplo.
Henrik Beuther, que lidera o grupo de Formação Estelar no departamento de Planetas e Formação Estelar do Instituto Max Planck de Astronomia, afirma: "Finalmente, conseguimos observar em pormenor o rico conjunto de sistemas estelares múltiplos numa região de formação estelar massiva! Particularmente excitante é o facto de as observações irem ao ponto de fornecer evidências de um cenário específico para a formação de estrelas de massa elevada."
Shanghuo Li acrescenta: "As nossas observações parecem indicar que, quando a nuvem colapsa, os sistemas múltiplos formam-se muito cedo. Mas será que é mesmo esse o caso? A análise de outras regiões de formação estelar, algumas delas mais jovens do que G333.23-0.06, deverá dar-nos a resposta". Especificamente, os astrónomos estão atualmente a trabalhar numa análise semelhante para as 29 regiões adicionais de formação estelar massiva que observaram - às quais se juntarão em breve mais 20, com novas observações ALMA lideradas por Li. Isso deverá permitir obter estatísticas de maior alcance sobre as propriedades dessas regiões e compreender a evolução dos sistemas múltiplos. Mas mesmo com os resultados atuais, o papel dos sistemas múltiplos na formação de estrelas massivas está agora firmemente ancorado na observação.
Hubble descobre a estranha "casa" da mais longínqua FRB (via ESA/Hubble)
Uma FRB (Fast Radio Burst) é uma explosão fugaz de energia que pode - durante alguns milissegundos - ofuscar uma galáxia inteira. Nos últimos anos foram detetadas centenas de FRBs. Ssurgem por todo o céu como uma espécie de "flashes de câmara num estádio", mas as fontes por detrás destas intensas explosões de radiação permanecem incertas. Esta FRB é particularmente estranha porque irrompeu a "meio de caminho" do Universo, o que a torna a mais distante e mais poderosa detetada até à data. E como se isso não fosse suficientemente estranho, tornou-se ainda mais estranha com base nas observações do Hubble que se seguiram à sua descoberta. A FRB surgiu num local que parece improvável: um grupo de galáxias que existiam quando o Universo tinha apenas 5 mil milhões de anos. As FRBs anteriores foram encontradas em galáxias isoladas. Ler fonte
Planeta da dimensão da Terra descoberto no "nosso quintal solar" (via Universidade de Wisconsin-Madison)
Uma equipa de astrónomos descobriu um planeta mais semelhante e mais jovem do que qualquer outro mundo da dimensão da Terra até agora identificado. Trata-se de um mundo extraordinariamente quente, cuja semelhança com o nosso planeta e com uma estrela como o nosso Sol constitui uma oportunidade única para estudar a evolução dos planetas. O planeta é conhecido como HD 63433d e é o terceiro encontrado em órbita de uma estrela chamada HD 63433, situada a 73 anos-luz. HD 63433 tem aproximadamente o mesmo tamanho e é do mesmo tipo de estrela que o nosso Sol, mas (com cerca de 400 milhões de anos) não tem sequer um décimo da idade do nosso Sol. Ler fonte
Cientistas descobrem uma estrela invulgar que sugere uma nova forma de morte estelar (via Universidade de Chicago)
Os cientistas descobriram uma estrela diferente de qualquer outra conhecida - o que pode mudar a nossa imagem de como as estrelas morrem. Esta estrela invulgar, a 13.000 anos-luz de distância, tem uma composição elementar que sugere que foi formada no rescaldo da explosão de uma estrela mais massiva, de uma forma que nenhuma teoria existente parece explicar. De acordo com tudo o que sabemos, a estrela original deveria ter-se transformado num buraco negro. Ler fonte
DES publica resultados definitivos da maior, mais profunda e mais uniforme amostra de supernovas (via NOIRLab)
Utilizando o instrumento DEC, montado no Telescópio Víctor M. Blanco de 4 metros no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, o DES (Dark Energy Survey) obteve a maior amostra de supernovas utilizando um único telescópio. Ao analisar mais de 1500 supernovas distantes, a colaboração DES colocou as mais fortes restrições à expansão do Universo alguma vez obtidas usando supernovas e encontrou indícios de que a densidade da energia escura do Universo pode variar com o tempo. Ler fonte
Álbum de fotografias A Constelação de Orionte Como Quase a Consegue Ver
Reconhece esta constelação? Embora seja um dos grupos de estrelas mais reconhecíveis do céu, este é um Orionte mais completo do que aquele que conseguimos ver - a constelação de Orionte apenas revelada através de imagens de longa exposição, obtidas por câmaras digitais, e com pós-processamento. Aqui, a gigante vermelha e fria Betelgeuse assume uma forte tonalidade laranja como a estrela mais brilhante no canto superior esquerdo. São várias as estrelas azuis e quentes de Orionte, com a supergiganteRigel a equilibrar Betelgeuse no canto inferior direito, e Bellatrix no canto superior direito. Alinhadas na cintura de Orionte, estão três estrelas, todas a cerca de 1500 anos-luz de distância, nascidas das bem estudadas nuvens interestelares da constelação. Logo abaixo da cintura de Orionte está uma mancha brilhante, mas difusa que também pode parecer familiar - o berçário estelar conhecido como Nebulosa de Orionte. Finalmente, quase invisível a olho nu, mas bastante impressionante, temos o Loop de Barnard - uma enorme nebulosa de emissão que rodeia a Cintura e a Nebulosa de Orionte, descoberta há mais de 100 anos pelo pioneiro fotógrafo de Orionte, E. E. Barnard.
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