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  Astroboletim #2077  
  02/02 a 05/02/2024  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 02/02: 33.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1964, a sonda norte-americana Ranger 6 chegava à Lua. 
Em 2004 é detetado pela primeira vez oxigénio e carbono na atmosfera de um exoplaneta, HD 209458b.
No mesmo ano, os picos de Columbia Hills em Marte recebem os nomes dos sete astronautas que morreram no desastre do Columbia (STS-107) de 1 de fevereiro de 2003.

O rover Spirit passou vários anos a explorar Columbia Hills até deixar de funcionar em 2010.
HOJE, NO COSMOS:
Há três meses que Júpiter passou a sua oposição de 2 de novembro, de modo que está a viajar para este novamente, contra o fundo de estrelas (movimento prógrado, em vez de retrógrado).
Assim que anoitecer completamente, note a linha curva que Júpiter faz com Hamal (de Carneiro) e Mothallah (de Triângulo) para cima e para a sua direita. Essa linha era quase reta no início do ano, quando Júpiter estava no seu ponto estacionário. Observe a linha a ficar cada vez mais curva à medida que Júpiter continua a sua viagem para este durante o resto do inverno.
Lua em Quarto Minguante, pelas 23:18.

 

DIA 03/02: 34.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1966, a sonda soviética Luna 9, não tripulada, faz a primeira aterragem assistida com motores na Lua e, por isso, a primeira em qualquer outro corpo planetário que não a Terra.

Em 1984, lançamento da missão STS-41-B do vaivém espacial Challenger.
Em 1994, lançamento da STS-60, do vaivém Discovery, com o primeiro cosmonauta russo a bordo desta nave americana. Foi também a primeira missão do programa Shuttle-Mir
Em 1995, a astronauta Eileen Collins torna-se na primeira mulher a pilotar o vaivém espacial na missão STS-63, a partir do Centro Espacial Kennedy na Flórida, EUA.
Em 2005, o novo olho sensível do AreciboAlfalfa, começa a fazer um gigantesco levantamento do céu.
Em 2006, a equipa da Deep Impact da NASA divulga as primeiras evidências de gelo cometário. 
HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce a este-sudeste pouco antes das 01:30. Está para baixo de Espiga.

 

DIA 04/02: 35.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1600, Tycho Brahe e Johannes Kepler encontram-se no castelo Benátky, a nordeste de Praga.
Em 1906 nascia Clyde Tombaugh, famoso pela descoberta, em 1930, de Plutão

Também descobriu muitos asteroides.
Em 1932 era descoberto o asteroide 1239 Queteleta por Eugène Joseph Delporte.
Em 1934 era descoberto o asteroide 2824 Franke por Karl Wilhelm Reinmuth.
Em 2010, a equipa do Telescópio Espacial Hubble divulga novas imagens de Plutão e supreendem todos com alterações na superfície do planeta anão.
HOJE, NO COSMOS:
O dia de hoje representa o meio do inverno; atravessamos o ponto médio entre o solstício de dezembro e o equinócio de março às 03:06.

 

DIA 05/02: 36.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1924, o Observatório Real de Greenwich começa a emissão dos sinais horários conhecidos como o Sinal de Greenwich.
Em 1937 nascia Alar Toomre, astrónomo estónio-americano cuja investigação se focou na dinâmica das galáxias. 
Em 1963, Maarten Schmidt descobre enormes desvios para o vermelho em quasares. Schmidt deu ao objeto 3C 273 o termo objeto "quasi-estelar" ou quasar; milhares foram descobertos desde então. 
Em 1967, a Lunar Orbiter 3 é lançada a partir de Cabo Canaveral, com o objetivo de descobrir locais de aterragem para as Surveyor e Apollo
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 fazia a sua alunagem.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Em 1974, passagem da Mariner 10 por Vénus. A sonda mostra que as nuvens contornam o planeta em apenas 4 dias terrestres, embora o planeta propriamente dito demore 243 dias terrestres a completar uma rotação sobre o seu eixo.
Em 2002, o observatório solar RHESSI (Reuven Ramaty High Energy Solar Spectroscopic Imager) finalmente chega ao espaço, a bordo de um foguetão Pegasus. 
HOJE, NO COSMOS:
Sirius brilha intensamente a sul depois da hora de jantar. Para baixo e para a esquerda de Sirius, a cerca de um punho à distância do braço esticado, está o triângulo composto por Adhara, Wezen e Aludra (da direita para a esquerda). Formam a parte traseira da constelação de Cão Maior. Ou alternativamente, a parte interior e "pega" do asterismo do Cutelo.

 
 
   
Equipa desvenda os mistérios da formação e evolução planetária num sistema solar distante
 
Uma representação artística da estrela anã TOI-1136 mostra como os exoplanetas em órbita próxima são impactados e moldados pela radiação e pelas erupções estelares, afetando as suas atmosferas. Os investigadores da UCI (Universidade da Califórnia em Irvine) dizem que a variabilidade magnética em torno da estrela cria ruído, dificultando as medições das massas dos exoplanetas.
Crédito: Rae Holcomb e Paul Robertson/UCI
 

Um sistema solar recentemente descoberto, com seis exoplanetas confirmados e um possível sétimo, está a melhorar o conhecimento dos astrónomos sobre a formação e evolução planetária. Recorrendo a um arsenal de observatórios e instrumentos espalhados pelo mundo, uma equipa liderada por investigadores da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), compilou as medições mais precisas até à data das massas, propriedades orbitais e características atmosféricas dos exoplanetas.

Num artigo científico publicado na revista The Astronomical Journal, os investigadores partilham os resultados do TKS (TESS-Keck Survey), fornecendo uma descrição completa dos exoplanetas que orbitam TOI-1136, uma estrela anã a mais de 270 anos-luz da Terra. O estudo é um seguimento da observação inicial da estrela e dos exoplanetas feita pela equipa em 2019, utilizando dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. Esse projeto forneceu a primeira estimativa das massas dos exoplanetas através do registo das variações do tempo de trânsito (VTT), uma medida da atração gravitacional que os planetas em órbita exercem uns sobre os outros.

Para o estudo mais recente, os investigadores juntaram os dados VTT a uma análise da velocidade radial da estrela. Utilizando o telescópio APF (Automated Planet Finder) do Observatório Lick, no Monte Hamilton, no estado norte-americano da Califórnia, e o instrumento HIRES (High-Resolution Echelle Spectrometer) do Observatório W.M. Keck, no Mauna Kea, Hawaii, conseguiram detetar ligeiras variações no movimento estelar através do desvio para o vermelho e para o azul do efeito Doppler - o que os ajudou a determinar leituras da massa planetária com uma precisão sem precedentes.

Para obter informação tão exata sobre os planetas deste sistema, a equipa construiu modelos informáticos usando centenas de medições de velocidade radial sobrepostas a dados VTT. O autor principal, Corey Beard, candidato a doutoramento em física da UCI, disse que a combinação destes dois tipos de leituras forneceu mais conhecimentos sobre o sistema do que nunca.

"Foram necessárias muitas tentativas e erros, mas ficámos muito satisfeitos com os nossos resultados depois de desenvolvermos um dos modelos de sistema planetário mais complicados da literatura exoplanetária até à data", disse Beard.

De acordo com o coautor Paul Robertson, professor associado de física e astronomia da UCI, o grande número de planetas é um factor que inspirou a equipa a realizar mais investigações.

"Vimos TOI-1136 como sendo altamente vantajosa do ponto de vista da investigação, porque quando um sistema tem múltiplos exoplanetas, podemos controlar os efeitos da evolução planetária que dependem da estrela hospedeira, e isso ajuda-nos a focar nos mecanismos físicos individuais que levaram a que estes planetas tivessem as propriedades que têm", disse.

Robertson acrescentou que quando os astrónomos tentam comparar planetas em sistemas solares diferentes, há muitas variáveis que podem diferir com base nas propriedades distintas das estrelas e nas suas localizações em partes diferentes da Galáxia. Disse que a observação de exoplanetas no mesmo sistema permite o estudo de planetas que passaram por uma história semelhante.

Pelos padrões estelares, a estrela TOI-1136 é jovem, com apenas 700 milhões de anos, outra característica que tem atraído caçadores de exoplanetas. Robertson disse que as estrelas jovens são "difíceis e especiais" de trabalhar porque são muito ativas. O magnetismo, as manchas estelares e as erupções são mais prevalentes e intensas durante esta fase do desenvolvimento de uma estrela, e a radiação resultante impacta e molda os planetas, afetando as suas atmosferas.

Os exoplanetas confirmados de TOI-1136, TOI-1136 b a TOI-1136 g, estão classificados como "sub-Neptunos" pelos especialistas. Robertson disse que o mais pequeno tem mais do dobro do raio da Terra, e os outros têm até quatro vezes o raio da Terra, comparáveis aos tamanhos de Úrano e Neptuno.

Segundo o estudo, todos estes planetas orbitam TOI-1136 em menos do que os 88 dias que Mercúrio leva a dar a volta ao nosso Sol. "Estamos a colocar um sistema solar inteiro numa região, à volta da estrela, tão pequena que todo o nosso Sistema Solar, aqui, estaria para lá dela", disse Robertson.

"São planetas estranhos para nós porque não temos nada exatamente como eles no nosso Sistema Solar", disse a coautora Rae Holcomb, candidata a doutoramento em física na UCI. "Mas quanto mais estudamos outros sistemas planetários, mais parecem ser o tipo de planeta mais comum na Galáxia".

Outra componente estranha deste sistema solar é a possível presença, ainda não confirmada, de um sétimo planeta. Os investigadores detetaram alguns indícios de outra força ressonante no sistema. Robertson explicou que quando os planetas estão a orbitar perto uns dos outros, podem atrair-se gravitacionalmente uns aos outros.

"Quando ouvimos um acorde tocado num piano e nos soa bem, é porque existe ressonância, ou mesmo espaçamento, entre as notas que estamos a ouvir", disse ele. "Os períodos orbitais destes planetas são espaçados de forma semelhante. Quando os exoplanetas estão em ressonância, os puxões são sempre na mesma direção. Isto pode ter um efeito desestabilizador ou, em casos especiais, pode servir para tornar as órbitas mais estáveis".

Robertson observou que, longe de responder a todas as perguntas da sua equipa sobre os exoplanetas deste sistema, o levantamento fez com que os investigadores quisessem obter conhecimentos adicionais, particularmente sobre a composição das atmosferas planetárias. Essa linha de investigação seria melhor abordada através das capacidades de espetroscopia avançada do Telescópio Espacial James Webb da NASA, acrescentou.

"Estou orgulhoso que tanto o Observatório Lick como os Observatórios Keck tenham estado envolvidos na caracterização de um sistema realmente importante", disse Matthew Shetrone, diretor-adjunto dos Observatórios da Universidade da Califórnia. "Ter tantos planetas de tamanho moderado no mesmo sistema permite-nos realmente testar cenários de formação. Quero mesmo saber mais sobre estes planetas! Será que vamos encontrar um mundo de rocha fundida, um mundo de água ou um mundo de gelo, todos no mesmo sistema solar? Quase parece ficção científica".

// Universidade da Califórnia em Irvine (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
ScienceDaily

TOI-1136:
ipac
Wikipedia
TOI-1136 b (NASA)
TOI-1136 b (Exoplanet.eu)
TOI-1136 c (NASA)
TOI-1136 c (Exoplanet.eu)
TOI-1136 d (NASA)
TOI-1136 d (Exoplanet.eu)
TOI-1136 e (NASA)
TOI-1136 e (Exoplanet.eu)
TOI-1136 f (NASA)
TOI-1136 f (Exoplanet.eu)
TOI-1136 g (NASA)
TOI-1136 g (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

Variação de tempo de trânsito (VTT):
Wikipedia

TKS (TESS-Keck Survey):
Universidade da Califórnia em Irvine
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)

APF (Automated Planet Finder):
Observatório Lick
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia
HIRES (Universidade do Hawaii)

 
   
Astrónomos detetam 18 buracos negros que devoram estrelas próximas
 
Cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology) identificaram 18 novos eventos de perturbação de marés (com a sigla inglesa "TDEs", "tidal disruption events") - casos extremos em que uma estrela próxima é atraída para um buraco negro e dilacerada. As deteções mais do que duplicam o número de TDEs conhecidos no Universo próximo.
Crédito: MIT
 

Os buracos negros, destruidores de estrelas, estão por todo o lado no céu, se soubermos como os procurar. É esta a mensagem de um novo estudo efetuado por cientistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology), publicado na revista The Astrophysical Journal.

Os autores do estudo relatam a descoberta de 18 novos eventos de perturbação de marés (com a sigla inglesa "TDEs", "tidal disruption events") - casos extremos em que uma estrela próxima é atraída para um buraco negro e dilacerada. Enquanto o buraco negro se alimenta, emite uma enorme explosão de energia em todo o espetro eletromagnético.

Os astrónomos detetaram eventos de perturbação de marés anteriores procurando explosões características no visível e em raios X. Até à data, essas pesquisas revelaram cerca de uma dúzia de eventos de destruição estelar no Universo próximo. Os novos TDEs da equipa do MIT mais do que duplicam o catálogo de eventos deste tipo conhecidos no Universo.

Os investigadores descobriram estes eventos anteriormente "ocultos" através da observação numa banda não convencional: o infravermelho. Para além de emitirem explosões no visível e em raios X, os TDEs podem gerar radiação infravermelha, particularmente em galáxias "poeirentas", onde um buraco negro central está envolto em detritos galácticos. A poeira nestas galáxias normalmente absorve e obscurece a luz ótica e de raios-X, e qualquer sinal de TDEs nestas bandas. No processo, a poeira também aquece, produzindo radiação infravermelha que é detetável. A equipa descobriu que as emissões infravermelhas podem, portanto, servir como sinal de eventos de perturbação de marés.

Ao olhar para a banda do infravermelho, a equipa do MIT detetou muitos mais TDEs, em galáxias onde tais eventos estavam anteriormente escondidos. Os 18 novos eventos ocorreram em diferentes tipos de galáxias, espalhadas pelo céu.

"A maioria destas fontes não aparece nas bandas óticas", diz a autora principal Megan Masterson, estudante do Instituto Kavli para a Astrofísica e Investigação Espacial do MIT. "Se quisermos compreender os TDEs como um todo e usá-los para sondar a demografia dos buracos negros supermassivos, temos de olhar para a banda do infravermelho".

Outros autores do MIT incluem Kishalay De, Christos Panagiotou, Anna-Christina Eilers, Danielle Frostig e Robert Simcoe, e a professora assistente de física do MIT Erin Kara, juntamente com colaboradores de várias instituições, incluindo o Instituto Max Planck de Física Extraterrestre na Alemanha.

Pico de calor

A equipa detetou recentemente o evento de perturbação de marés mais próximo de sempre, através de observações infravermelhas. A descoberta abriu uma nova via, baseada no infravermelho, pela qual os astrónomos podem procurar buracos negros que se alimentem ativamente.

Essa primeira deteção levou o grupo a procurar mais TDEs. Para o seu novo estudo, os investigadores analisaram observações de arquivo efetuadas pelo NEOWISE - a versão renovada do WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA. Este telescópio espacial foi lançado em 2009 e, após uma breve paragem, continuou a analisar todo o céu em busca de "transientes" infravermelhos, ou surtos breves.

A equipa analisou as observações arquivadas da missão utilizando um algoritmo desenvolvido pelo coautor Kishalay De. Este algoritmo identifica padrões nas emissões infravermelhas que são provavelmente sinais de uma explosão transiente de radiação. A equipa cruzou então as referências dos transientes assinalados com um catálogo de todas as galáxias próximas conhecidas num raio de 200 megaparsecs, ou 600 milhões de anos-luz. Descobriram que os transientes infravermelhos podiam ser localizados em cerca de 1000 galáxias.

Em seguida, debruçaram-se sobre o sinal do surto infravermelho de cada galáxia para determinar se era originário de uma fonte que não um TDE, como um núcleo galáctico ativo ou uma supernova. Depois de excluírem estas possibilidades, a equipa analisou os restantes sinais, procurando um padrão infravermelho característico de um evento de perturbação de marés - nomeadamente, um pico acentuado seguido de uma descida gradual, refletindo o processo pelo qual um buraco negro, ao despedaçar uma estrela, aquece subitamente a poeira circundante até cerca de 1000 K, antes de arrefecer gradualmente.

Esta análise revelou 18 sinais "limpos" de eventos de perturbação de marés. Os investigadores fizeram um levantamento das galáxias em que cada TDE foi encontrado, e verificaram que ocorreram numa série de sistemas, incluindo galáxias poeirentas, em todo o céu.

"Se olhássemos para o céu e víssemos um monte de galáxias, os TDEs ocorreriam de forma representativa em todas elas", diz Masterson. "Não é que estejam a ocorrer apenas num tipo de galáxia, como se pensava com base apenas em estudos óticos e de raios X."

"É agora possível espreitar através da poeira e completar o censo de TDEs próximos", diz Edo Berger, professor de astronomia na Universidade de Harvard, que não esteve envolvido no estudo. "Um aspeto particularmente excitante deste trabalho é o potencial de estudos de seguimento com grandes levantamentos infravermelhos, e estou entusiasmado por ver que descobertas irão produzir."

Uma solução poeirenta

As descobertas da equipa ajudam a resolver algumas questões importantes no estudo dos eventos de perturbação de marés. Por exemplo, antes deste trabalho, os astrónomos tinham visto TDEs sobretudo num tipo de galáxia - um sistema "pós-formação estelar explosiva" que tinha sido anteriormente uma fábrica de formação de estrelas, mas que, entretanto, se estabilizou. Este tipo de galáxia é raro, e os astrónomos ficaram intrigados com a razão pela qual os TDEs pareciam estar a aparecer apenas nestes sistemas mais raros. Acontece que estes sistemas são também relativamente desprovidos de poeira, o que torna as emissões óticas ou de raios X de um TDE naturalmente mais fáceis de detetar.

Agora, ao olhar para a banda do infravermelho, os astrónomos conseguem ver TDEs em muitas mais galáxias. Os novos resultados da equipa mostram que os buracos negros podem devorar estrelas numa série de galáxias, e não apenas em sistemas pós-formação estelar explosiva.

Os resultados também resolvem um problema de "energia em falta". Os físicos previram teoricamente que os TDEs deveriam irradiar mais energia do que a que foi efetivamente observada. Mas a equipa do MIT afirma agora que a poeira pode explicar a discrepância. Descobriram que, se um TDE ocorre numa galáxia poeirenta, a própria poeira pode absorver não só as emissões óticas e de raios-X, mas também a radiação ultravioleta extrema, numa quantidade equivalente à presumível "energia em falta".

As 18 novas deteções estão também a ajudar os astrónomos a estimar a taxa de ocorrência de TDEs numa dada galáxia. Quando se comparam os novos eventos de perturbação de marés com as deteções anteriores, estima-se que uma galáxia tenha um TDE a cada 50.000 anos. Este ritmo aproxima-se das previsões teóricas dos físicos. Com mais observações no infravermelho, a equipa espera resolver a taxa de TDEs e as propriedades dos buracos negros que os alimentam.

"Os cientistas estavam a encontrar soluções muito exóticas para estes puzzles e agora chegámos a um ponto em que podemos resolvê-los a todos", diz Kara. "Isto dá-nos a confiança de que não precisamos de toda esta física exótica para explicar o que estamos a ver. E temos um melhor controlo da mecânica por detrás da forma como uma estrela é despedaçada e engolida por um buraco negro. Estamos a compreender melhor estes sistemas".

// MIT (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
PHYSORG
Inverse
ScienceDaily
Newsweek

Buraco negro:
Wikipedia
Evento de perturbação de marés ou TDE - "Tidal disruption event" (Wikipedia)

Galáxia "starburst" (com formação estelar explosiva):
Wikipedia

WISE (ou NEOWISE):
NASA
ipac
Wikipedia

 
   
"Pesando" um buraco negro no Universo primordial
 
Um monstro cósmico: impressão artística de um quasar cuja região central foi literalmente posta em movimento no Universo primitivo. Nessa altura, enquanto as galáxias se fundiam frequentemente umas com as outras, grandes quantidades de matéria eram lançadas para o centro das galáxias. Quando a matéria orbita o buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia, é libertada energia, o que explica o enorme brilho de uma galáxia ativa. O quasar pode, portanto, ser observado ainda hoje a uma grande distância.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
 

Com o atualizado instrumento GRAVITY do VLTI (Very Large Telescope Interferometer) do ESO, uma equipa de astrónomos liderada pelo Instituto Max Planck de Física Extraterrestre determinou a massa de um buraco negro numa galáxia apenas 2 mil milhões de anos após o Big Bang. Com 300 milhões de massas solares, o buraco negro é, de facto, pouco massivo em comparação com a massa da sua galáxia hospedeira. Os investigadores têm algumas suspeitas do que está a acontecer aqui.

No Universo mais local, os astrónomos observaram relações íntimas entre as propriedades das galáxias e a massa dos buracos negros supermassivos que residem nos seus centros, sugerindo que as galáxias e os buracos negros coevoluem. Um teste crucial seria sondar esta relação nos primeiros tempos do cosmos, mas para estas galáxias longínquas os tradicionais métodos diretos de medição da massa do buraco negro são impossíveis ou extremamente difíceis. Apesar destas galáxias brilharem frequentemente com muita intensidade (foram apelidadas de "quasares" ou "objetos quase estelares" quando descobertas na década de 1950), estão tão distantes que não podem ser detetadas pela maioria dos telescópios.

"Em 2018, fizemos as primeiras medições inovadoras da massa de um buraco negro de um quasar com o GRAVITY", diz Taro Shimizu, cientista da equipa do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre. "No entanto, este quasar estava muito próximo. Agora, chegámos a um desvio para o vermelho de 2,3, o que corresponde a observar 11 mil milhões de anos para trás no tempo." O GRAVITY+ abre agora um caminho novo e preciso para estudar o crescimento dos buracos negros nesta época crítica, frequentemente designada por "meio-dia cósmico", quando tanto os buracos negros como as galáxias estavam a crescer rapidamente.

 
Ilustração das observações GRAVITY+ de um quasar no Universo primordial. A imagem de fundo mostra a evolução do Universo desde o Big Bang, com o quasar J0920 (impressão de artista) há 11 mil milhões de anos. As observações foram possíveis graças à combinação dos quatro telescópios do VLT.
Crédito: T. Shimizu; imagem de fundo - NASA/WMAP; ilustração do quasar - ESO/M. Kornmesser; VLT - ESO/G. Hüdepohl
 

"Esta é realmente a próxima revolução na astronomia - podemos agora obter imagens de buracos negros no Universo inicial, 40 vezes mais nítidas do que é possível com o telescópio James Webb", salienta Frank Eisenhauer, diretor do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, que lidera o grupo que desenvolve o instrumento GRAVITY e as melhorias do GRAVITY+. O GRAVITY combina interferometricamente os quatro telescópios de 8 metros do VLT do ESO, criando essencialmente um telescópio virtual gigante com um diâmetro de 130 metros.

A equipa foi capaz de resolver espacialmente o movimento das nuvens de gás em torno do buraco negro central da galáxia SDSS J092034.17+065718.0, à medida que giram num disco espesso. Isto permite uma medição direta da massa do buraco negro. Com 320 milhões de massas solares, a massa do buraco negro é, de facto, inferior à da galáxia que o acolhe, que tem uma massa de cerca de 600 mil milhões de massas solares. Este facto sugere que a galáxia hospedeira cresceu mais depressa do que o buraco negro supermassivo, indicando, em alguns sistemas, um atraso entre o crescimento da galáxia e o do buraco negro.

"O cenário provável para a evolução desta galáxia parece ser um forte 'feedback' de supernova, no qual estas explosões estelares expulsam o gás das regiões centrais antes que este possa atingir o buraco negro no centro galáctico", afirma Jinyi Shangguan, cientista do mesmo grupo de investigação. "O buraco negro só pode começar a crescer rapidamente - e a acompanhar o crescimento global da galáxia - quando a galáxia se tiver tornado suficientemente massiva para reter um reservatório de gás nas suas regiões centrais, mesmo contra o 'feedback' de supernova." Para determinar se este cenário é também o modo dominante da coevolução de outras galáxias e dos seus buracos negros centrais, a equipa vai fazer um acompanhamento com mais medições altamente precisas da massa de buracos negros no Universo primitivo.

// Sociedade Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Quasar:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

VLT:
ESO
Wikipedia
VLTI (ESO)
GRAVITY (ESO)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Uma "super-Terra" na zona habitável (via NASA)
Uma "super-Terra", merecedora de mais investigação, orbita uma pequena estrela avermelhada que, segundo os padrões astronómicos, está bastante perto de nós - a apenas 137 anos-luz de distância. O mesmo sistema pode também albergar um segundo planeta da dimensão da Terra. O planeta maior, denominado TOI-715 b, tem cerca de uma vez e meia o diâmetro da Terra e orbita dentro da zona habitável "conservadora" da sua estrela-mãe. Ler fonte
     
  O céu de raios X abre-se ao mundo (via Instituto Max Planck de Física Extraterrestre)
O consórcio alemão eROSITA divulgou os dados relativos à sua parte do primeiro levantamento de todo o céu efetuado pelo telescópio de raios X suaves a bordo do satélite SRG (Spectrum-RG). Com cerca de 900.000 fontes distintas, o eRASS1 (first eROSITA All-Sky Survey) produziu o maior catálogo de raios X alguma vez publicado. Juntamente com os dados, o consórcio publicou uma série de artigos científicos que descrevem novos resultados, desde estudos sobre a habitabilidade dos planetas até à descoberta das maiores estruturas cósmicas. Com base apenas nos primeiros seis meses de observações, o eROSITA já detetou mais fontes do que as conhecidas nos 60 anos de história da astronomia de raios X. Agora disponíveis para a comunidade científica mundial, os dados irão revolucionar o nosso conhecimento do Universo a altas energias. Ler fonte
     
  Lua em contração causa sismos e falhas perto do polo sul lunar (via NASA)
À medida que a NASA continua a fazer progressos no sentido de enviar astronautas para a região polar sul da Lua com a sua campanha Artemis, os dados de um estudo financiado pela NASA estão a ajudar os cientistas a compreender melhor esta parte estratégica do nosso satélite natural. O estudo apresenta evidências de que os sismos e as falhas geradas à medida que o interior da Lua arrefece e encolhe gradualmente também se encontram perto e dentro de algumas das áreas que a agência identificou como regiões candidatas à aterragem da missão Artemis III, a primeira missão Artemis tripulada. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Orionte Visto por uma Câmara

(clique na imagem para ver versão maior; aqui para ver a versão anotada)
Crédito: Marcin Ślipko
 
Qual o aspeto do nascer de Orionte quando visto por uma câmara? Durante esta altura do ano, a famosa constelação é visível a sudeste, logo após o pôr do Sol. A partir da maioria dos locais terrestres, o padrão estelar e familiar de Orionte, realçado pelas três estrelas da cintura, ergue-se lateralmente. Uma secção inteira do céu noturno, que inclui Orionte, foi fotografada a elevar-se sobre Śnieżka, uma montanha na fronteira entre a Polónia e a Chéquia. A exposição de longa duração destaca muitas características ténues, incluindo as Nebulosas de Orionte e da Chama, ambas englobadas pela curva do Loop de Barnard. A composição da câmara de grande angular também captou outros ícones do céu noturno, incluindo o enxame azul das Plêiades no topo da imagem e a avermelhada Nebulosa Roseta à esquerda de Orionte. Estrelas famosas na imagem incluem Sirius, Betelgeuse, Rigel e Aldebarã. Orionte aparecerá sucessivamente mais alto no céu ao pôr do Sol durante os próximos meses.
 
   
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