NOITES ASTRONÓMICAS EM FARO -
OBSERVAÇÃO DA LUA Data: 22 de março de 2024 Hora: 19:00-21:00
Em conjunto com o Centro Ciência Viva Tavira iremos realizar esta sessão de observação astronómica pelas 19:00, na Marina de Faro, junto ao Jardim Manuel Bivar.
A sessão é gratuita. Participe! Local: Marina de Faro, junto ao Jardim Manuel Bívar
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 15/03: 75.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1713, nascia Nicolas Lacaille, cujas medições confirmaram o bojo equatorial da Terra; deu nome a 14 constelações do Hemisfério Sul.
Em 1972, a NASA anunciava o seu programa do Vaivém Espacial.
Em 2004, foi anunciada a descoberta de 90377 Sedna, um dos objetos naturais mais longínquos já observados no Sistema Solar (além dos cometas de longo-período).
Em 2009, lançamento da missão STS-119. HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Maior brilha alta a nordeste por estas noites, apoiando-se na sua "pega". Provavelmente já sabe que as duas estrelas que formam a frente da "frigideira" são as estrelas-guia: apontam para a Estrela Polar, atualmente para a sua esquerda.
E provavelmente também sabe que se seguir a curva da "pega da frigideira" de Ursa Maior vai ter a Arcturo, da constelação de Boieiro.
Mas sabe que se seguir as estrelas-guia na direção oposta, chega a Leão?
Desenhe uma linha diagonal que passa no início da "frigideira" da Ursa Maior e continue até chegar a Gémeos.
Forme uma linha com as duas estrelas que formam a abertura da "frigideira" e chega a Capella.
DIA 16/03: 76.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1750, nascia Caroline Herschel, astrónoma e irmã de William Herschel, com quem trabalhou. A sua maior contribuição para a astronomia foi a descoberta de vários cometas e em particular o cometa periódico 35P/Herschel-Rigollet. Foi a primeira mulher a ser remunerada pela sua contribuição à ciência e recebeu vários prémios e honras internacionais.
Em 1918, nascia Frederick Reines, físico americano que recebeu em 1995 o Prémio Nobel da Física pela sua codeteção do neutrino juntamente com Clyde Cowan. Pode muito bem ser o único cientista na história "tão intimamente ligado à descoberta de uma partícula elementar e consequente investigação das suas propriedades fundamentais".
Em 1926, o foguete lançado pelo físico Robert H. Goddard torna-se no primeiro a combustível líquido; demonstra a praticabilidade dos foguetões e convence Goddard de que um dia estes serão capazes de fazer aterrar seres humanos na Lua.
Goddard lança o seu aparelho num voo de dois segundos e meio a partir de um campo pertencente à sua tia Effie perto de Auburn, Massachusetts, EUA. Viaja 56 metros a uma velocidade de 96,6 km/h e alcança uma altitude de apenas 12,5 metros.
Em 1942, primeiro lançamento de teste do foguetão V-2. Explode na descolagem.
Em 1966 era lançada a Gemini 8 - o primeiro acoplamento de dois veículos espaciais no espaço (com Agena).
Em 1999, a equipa da Lunar Prospector no Centro de Pesquisa Ames da NASA anuncia descobertas que confirmam que a massa da Lua é na sua maioria material ejetado da Terra aquando do impacto com um objeto do tamanho de Marte.
Em 2005, a sonda Cassini descobre a atmosfera de Encélado. HOJE, NO COSMOS:
A estrela logo acima da Lua é Beta Tauri, ou Elnath, de magnitude 1,6. Mais para baixo encontra-se Aldebarã, e um pouco mais baixo e para a direita, o enxame aberto M45 (Plêiades). O ponto brilhante para baixo de M45 é o planeta Júpiter.
DIA 17/03: 77.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1958 era lançada a primeira sonda a energia solar, a Vanguard 1.
Transportava um sensor de medição de temperatura e um transmissor de rádio. O seu sistema de energia parou em 1964, embora se pensasse que continuaria a orbitar a Terra e a transmitir dados durante 1000 anos.
Em 2013, o maior meteorito (desde que a NASA começou a observar a Lua em 2005) atinge a Lua. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 04:11.
Procure a estrela Arcturo, a Estrela da Primavera, muito baixa a este-nordeste após o anoitecer e, mais tarde, alta a este. Arcturo tem magnitude visual -0,05, o que a torna a quarta estrela mais brilhante do céu noturno. Só é ultrapassada por Sirius, Canopus e Alpha Centauri (contando a luz combinada de Alpha Cen A e B; parecem uma única estrela a olho nu). Mas para nós, que vivemos no hemisfério norte e que nunca podemos ver Canopus ou Alpha Centauri, Arcturo só é ultrapassada por Sirius, que agora brilha a sul-sudoeste depois do cair da noite. No entanto, Vega e Capella ficam muito perto, em termos de brilho.
DIA 18/03: 78.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.
Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento, no Cosmódromo de Plesetsk, matando 50 pessoas.
Em 2011, inserção orbital da sonda MESSENGER em Mercúrio. HOJE, NO COSMOS:
A primavera está quase a chegar, pelo que Orionte está alto a sul-sudoeste assim que as estrelas começam a aparecer. Está a começar a sua longa inclinação primaveril e despedida a oeste - à medida que as horas passam durante a noite e à medida que as semanas passam com o avançar da estação.
Tchim-tchim! Webb encontra etanol e outros ingredientes gelados para planetas
Esta imagem, obtida pelo MIRI (Mid-InfraRed Instrument) do Webb, mostra uma região paralela à protoestrela massiva conhecida como IRAS23385.
IRAS 2A e IRAS23385 (não visível nesta imagem) foram alvos de um esforço de investigação recente por parte de uma equipa internacional de astrónomos que utilizou o Webb para descobrir que os ingredientes chave para criar mundos potencialmente habitáveis estão presentes em protoestrelas na sua fase inicial, onde os planetas ainda não se formaram.
Com a resolução espetral e a sensibilidade sem precedentes do MIRI, o programa JOYS+ (James Webb Observations of Young ProtoStars) identificou individualmente moléculas orgânicas que se confirmou estarem presentes em gelos interestelares. Isto inclui a deteção robusta de acetaldeído, etanol, formiato de metilo e provavelmente ácido acético, na fase sólida.
Crédito: ESA/Webb, NASA, CSA, W. Rocha et al. (Universidade de Leiden)
Uma equipa internacional de astrónomos, utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, descobriu uma variedade de moléculas, desde as relativamente simples, como o metano, até compostos complexos, como o ácido acético e o etanol, em protoestrelas na sua fase inicial, onde os planetas ainda não se formaram. Estes são ingredientes chave para criar mundos potencialmente habitáveis.
A presença de moléculas orgânicas complexas (MOCs) na fase sólida das protoestrelas foi prevista pela primeira vez há décadas, a partir de experiências laboratoriais, e foram feitas deteções preliminares destas moléculas por outros telescópios espaciais. Isto inclui o programa Ice Age ERS (Early Release Science) do Webb, que descobriu diversos gelos nas regiões mais escuras e frias de uma nuvem molecular medidas até à data.
Agora, com a resolução espetral e sensibilidade sem precedentes do MIRI (Mid-InfraRed Instrument) do Webb, como parte do programa JOYS+ (James Webb Observations of Young ProtoStars), estas MOCs foram identificadas individualmente e confirmadas como estando presentes nos gelos interestelares. Isto inclui a deteção robusta de acetaldeído, etanol (aquilo a que chamamos álcool), formiato de metila e provavelmente ácido acético (o ácido do vinagre), na fase sólida.
"Esta descoberta contribui para uma das questões mais antigas da astroquímica", disse o líder da equipa, Will Rocha, da Universidade de Leiden, nos Países Baixos. "Qual é a origem das MOCs no espaço? São produzidas no estado gasoso ou em gelo? A deteção de MOCs em gelo sugere que as reações químicas em fase sólida, nas superfícies de grãos de poeira fria, podem construir tipos complexos de moléculas".
Dado que várias MOCs, incluindo as detetadas na fase sólida nesta investigação, foram anteriormente detetadas na fase gasosa quente, pensa-se agora que têm origem na sublimação de gelos. A sublimação consiste em passar diretamente de um sólido para um gás sem se tornar um líquido. Assim, a deteção de moléculas orgânicas complexas em gelos deixa os astrónomos esperançosos quanto ao desenvolvimento de uma melhor compreensão das origens de outras moléculas ainda maiores no espaço.
Harold Linnartz, que faleceu subitamente em dezembro de 2023 e cujos presentes resultados lhe foram dedicados, dirigiu o Laboratório de Astrofísica de Leiden durante muitos anos e coordenou as medições dos dados utilizados neste estudo. Ewine van Dishoeck, da Universidade de Leiden, uma das coordenadoras do programa JOYS+, partilhou: "Harold estava particularmente feliz por, nas tarefas MOC, o trabalho de laboratório poder desempenhar um papel importante, uma vez que se demorou muito tempo a chegar aqui".
Uma equipa internacional de cientistas, utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, identificou uma grande quantidade de moléculas complexas contendo carbono (orgânico) em torno de duas protoestrelas. Este gráfico mostra o espetro de uma das duas protoestrelas, IRAS 2A. Inclui as impressões digitais de acetaldeído, etanol, metilformato, e provavelmente ácido acético, na fase sólida. Estas e outras moléculas aí detectadas pelo Webb representam ingredientes chave para a criação de mundos potencialmente habitáveis.
Crédito: NASA, ESA, CSA, L. Hustak (STScI)
Os cientistas estão também interessados em explorar até que ponto estas MOCs são transportadas para planetas em fases muito posteriores da evolução da protoestrela. As moléculas orgânicas complexas em gelo são transportadas mais eficazmente para os discos de formação planetária do que o gás das nuvens. Estas MOCs geladas podem, portanto, ser herdadas por cometas e asteroides que, por sua vez, podem colidir com planetas em formação. Nesse cenário, as MOCs podem ser entregues a esses planetas, fornecendo potencialmente os ingredientes para o florescimento da vida.
A equipa científica também detetou moléculas mais simples, incluindo metano, ácido fórmico (que faz com que a picada das formigas seja dolorosa), dióxido de enxofre e formaldeído. O dióxido de enxofre, em particular, permite à equipa investigar o orçamento de enxofre disponível nas protoestrelas. Além disso, é de interesse pré-biótico porque a investigação existente sugere que os compostos contendo enxofre desempenharam um papel importante na condução de reações metabólicas na Terra primitiva. Foram também detetados iões negativos; estes fazem parte de sais que são cruciais para o desenvolvimento de uma maior complexidade química a temperaturas mais elevadas. Isto indica que os gelos podem ser muito mais complexos e requerem mais investigação.
De particular interesse é o facto de uma das fontes investigadas, IRAS 2A, ser caracterizada como uma protoestrela de baixa massa. IRAS 2A pode, portanto, ter semelhanças com as fases primordiais do nosso próprio Sistema Solar. Se for esse o caso, as espécies químicas identificadas nesta protoestrela podem ter estado presentes nos primeiros estágios de desenvolvimento do nosso Sistema Solar e foram mais tarde entregues à Terra primitiva.
Todas estas moléculas podem fazer parte de cometas e asteroides e, eventualmente, de novos sistemas planetários quando o material gelado é transportado para o interior dos discos de formação de planetas à medida que o sistema protoestelar evolui", disse van Dishoeck. "Estamos ansiosos por seguir este rasto astroquímico passo a passo com mais dados do Webb nos próximos anos."
Outros trabalhos recentes de Pooneh Nazari, do Observatório de Leiden, também aumentam as esperanças dos astrónomos de encontrar mais complexidade nos gelos, na sequência das tentativas de deteção de cianeto de metilo e cianeto de etilo a partir dos dados do instrumento NIRSpec do Webb. Nazari diz: "É impressionante como o Webb nos permite agora sondar a química do gelo até ao nível dos cianetos, ingredientes importantes na química pré-biótica".
Outrora apenas um ponto de luz, foi agora revelada como a maior galáxia conhecida no início do Universo
Gz9p3, a fusão galáctica mais brilhante conhecida nos primeiros 500 milhões de anos do Universo (observada pelo JWST). Esquerda: a imagem direta mostra um núcleo duplo na região central. À direita: os contornos do perfil de luz revelam uma estrutura alongada produzida pela fusão das duas galáxias.
Crédito: NASA, ESA, CSA; Boyett et al., 2024
Os astrónomos estão atualmente a desfrutar de um período frutífero de descobertas, investigando os muitos mistérios do Universo primitivo. O lançamento bem-sucedido do Telescópio Espacial James Webb (JWST), um sucessor do Telescópio Espacial Hubble da NASA, alargou os limites do que podemos ver.
As observações estão agora a entrar nos primeiros 500 milhões de anos após o Big Bang, quando o Universo tinha menos de cinco por cento da sua idade atual. Para os humanos, este tempo colocaria o Universo na fase de bebé. No entanto, as galáxias que estão a observar não são certamente infantis, com novas observações que revelam galáxias mais massivas e maduras do que o anteriormente esperado para tempos tão precoces, ajudando a reescrever a compreensão da formação e evolução galáctica.
Uma equipa internacional de investigação, da qual fazem parte astrónomos da Universidade de Melbourne, fez recentemente observações detalhadas e sem precedentes de uma das mais antigas galáxias conhecidas - designada Gz9p3, agora publicadas na revista Nature Astronomy. O seu nome deriva da colaboração GLASS (o nome da equipa internacional de investigação) e do facto de a galáxia se encontrar a um desvio para o vermelho de z=9,3, sendo o desvio para o vermelho uma forma de descrever a distância a um objeto - daí G e z9p3.
Há apenas alguns anos, Gz9p3 aparecia como um único ponto de luz através do Telescópio Espacial Hubble. Mas, utilizando o Telescópio Espacial James Webb, podemos observar este objeto tal como era 510 milhões de anos após o Big Bang, há cerca de 13 mil milhões de anos. Os astrónomos descobriram que Gz9p3 era muito mais massiva e madura do que o esperado para um Universo tão jovem, contendo já vários milhares de milhões de estrelas. De longe o objeto mais massivo confirmado desta época, calculou-se que é 10 vezes mais massiva do que qualquer outra galáxia encontrada tão cedo no Universo.
Combinados, estes resultados sugerem que, para a galáxia atingir esta dimensão, as estrelas devem ter-se desenvolvido muito mais depressa e eficazmente do que se pensava.
A fusão de galáxias mais distante no Universo primitivo
Não só é Gz9p3 massiva, como a sua forma complexa a identifica imediatamente como uma das mais antigas fusões galácticas alguma vez observadas. A imagem da galáxia obtida pelo JWST mostra uma morfologia tipicamente associada a duas galáxias em interação. E a fusão também não terminou porque ainda vemos dois componentes. Quando dois objetos massivos se juntam desta forma, deitam fora alguma da sua matéria no processo. Assim, esta matéria descartada sugere que o que observaram é uma das fusões mais distantes jamais vistas.
De seguida, o seu estudo observou mais profundamente, para descrever a população de estrelas que compõe as galáxias em fusão. Usando o JWST, puderam examinar o espetro da galáxia, dividindo a luz da mesma forma que um prisma divide a luz branca num arco-íris.
Quando se utiliza apenas imagens, a maioria dos estudos destes objetos muito distantes mostra apenas estrelas muito jovens, porque as estrelas mais jovens são mais brilhantes e, por isso, a sua luz domina os dados de imagem. Por exemplo, uma população jovem e brilhante, que surgiu da fusão de galáxias com menos de alguns milhões de anos, ofusca uma população mais velha, com mais de 100 milhões de anos. Utilizando a técnica de espetroscopia, os cientistas podem produzir observações tão pormenorizadas que as duas populações podem ser distinguidas.
Novos modelos do Universo primitivo
Não se previa uma população tão madura, tendo em conta o quão cedo as estrelas se teriam formado para terem envelhecido o suficiente nesta altura cósmica. A espetroscopia é tão detalhada que podemos ver as características subtis das estrelas antigas que nos dizem que há mais do que se pensa. Elementos específicos detetados no espetro (incluindo silício, carbono e ferro) revelam que esta população mais velha deve existir para enriquecer a galáxia com uma abundância de elementos químicos. Não é apenas o tamanho das galáxias que é surpreendente, mas também a velocidade com que cresceram até um estado quimicamente maduro.
Estas observações fornecem evidências de uma acumulação rápida e eficiente de estrelas e metais no período imediatamente a seguir ao Big Bang, associada a fusões de galáxias em curso, demonstrando que galáxias massivas com vários milhares de milhões de estrelas existiram mais cedo do que o esperado.
As galáxias isoladas constroem a sua população estelar "in situ" a partir dos seus reservatórios finitos de gás. No entanto, esta pode ser uma forma lenta das galáxias crescerem. As interações entre galáxias podem atrair novos fluxos de gás puro, fornecendo combustível para a rápida formação estelar, e as fusões proporcionam um canal ainda mais acelerado para a acumulação e crescimento de massa. As maiores galáxias do nosso Universo moderno têm todas um historial de fusões, incluindo a nossa Via Láctea, que atingiu o seu tamanho atual através de sucessivas fusões com galáxias mais pequenas.
Estas observações de Gz9p3 mostram que as galáxias foram capazes de acumular massa rapidamente no Universo primitivo através de fusões, com taxas de formação estelar superiores às esperadas. As observações de Gz9p3 pelo JWST, e também de outras galáxias, estão a levar os astrofísicos a ajustar os seus modelos dos primeiros anos do Universo. A sua cosmologia não está necessariamente errada, mas a compreensão da rapidez com que as galáxias se formaram provavelmente está, porque são mais massivas do que alguma vez pensaram ser possível.
Estes novos resultados chegam num momento oportuno, quando nos aproximamos da marca dos dois anos de observações científicas efetuadas com o JWST. À medida que o número total de galáxias observadas aumenta, os astrónomos que estudam o Universo primitivo estão a fazer a transição da fase de descoberta para um período em que dispõem de amostras suficientemente grandes para começar a construir e a aperfeiçoar novos modelos. Nunca houve uma altura tão excitante para dar sentido aos mistérios do Universo primitivo.
Imagem, no infravermelho próximo, do remanescente deixado pela supernova 1987A, obtida pelo Telescópio Espacial James Webb. Os aglomerados de hidrogénio conhecidos como "colar de pérolas" aparecem como um anel de pontos brancos à volta do centro azulado do remanescente estelar, ainda a brilhar intensamente devido à energia transmitida pela onda de choque da supernova. O número de aglomerados é consistente com o facto de a instabilidade de Crow ter causado a sua formação.
Crédito: NASA, ESA, CSA, M. Matsuura (Universidade de Cardiff), R. Arendt (Centro de Voo Espacial Goddard da NASA e Universidade de Maryland, Baltimore), C. Fransson (Universidade de Estocolmo), J. Larsson (Instituto Real de Tecnologia KTH), A. Pagan (STScI)
Os físicos recorrem frequentemente à instabilidade de Rayleigh-Taylor para explicar a formação de estruturas fluidas nos plasmas, mas essa pode não ser a história completa no que toca ao anel de aglomerados de hidrogénio em torno da supernova 1987A, sugere uma investigação da Universidade de Michigan.
Num estudo publicado na revista Physical Review Letters, a equipa argumenta que a instabilidade de Crow explica melhor o "colar de pérolas" que rodeia o remanescente estelar, lançando luz sobre um mistério astrofísico de longa data.
"A parte fascinante disto é que o mesmo mecanismo que desfaz os rastos dos aviões pode estar aqui em jogo", disse Michael Wadas, autor do estudo e estudante de engenharia mecânica aquando deste trabalho.
Nos rastos de condensação dos aviões, a instabilidade Crow cria ruturas na linha suave das nuvens devido ao fluxo de ar em espiral que sai da extremidade de cada asa, conhecido como vórtices de ponta de asa. Estes vórtices fluem uns para os outros, criando lacunas - algo que podemos ver devido ao vapor de água nos gases de escape. E a instabilidade de Crow pode fazer algo que a instabilidade de Rayleigh-Taylor não conseguiu: prever o número de aglomerados observados em torno do remanescente.
"A instabilidade de Rayleigh-Taylor pode dizer-nos da existência de aglomerados, mas seria muito difícil obter um número a partir dela", disse Wadas, que é agora bolseiro de pós-doutoramento no Instituto de Tecnologia da Califórnia.
SN 1987A está entre as mais famosas explosões estelares porque fica relativamente perto da Terra, a 163.000 anos-luz de distância, e a sua luz chegou à Terra numa altura em que existiam observatórios sofisticados para testemunhar a sua evolução. É a primeira supernova visível a olho nu desde a supernova de Kepler do ano de 1604, o que faz dela um acontecimento astrofísico incrivelmente raro que desempenhou um papel importante na compreensão da evolução estelar.
Embora ainda se desconheça muito sobre a estrela que explodiu, pensa-se que o anel de gás que a rodeava antes da explosão provém da fusão de duas estrelas. Essas estrelas "derramaram" hidrogénio no espaço à sua volta quando se tornaram gigantes azuis dezenas de milhares de anos antes da supernova. Essa nuvem de gás em forma de anel foi então fustigada pelo fluxo de partículas carregadas altamente velozes que se desprendiam da gigante azul, conhecido como vento estelar. Pensa-se que os aglomerados se formaram antes da explosão da estrela.
Os investigadores simularam a forma como o vento empurrava a nuvem para fora, ao mesmo tempo que arrastava a superfície, com a parte superior e inferior da nuvem a serem empurradas para fora mais rapidamente do que o centro. Isto fez com que a nuvem se enrolasse sobre si própria, o que desencadeou a instabilidade de Crow e fez com que se separasse em aglomerados bastante uniformes que se tornaram no colar de pérolas. A previsão de 32 está muito próxima dos 30 a 40 aglomerados observados em torno do remanescente de SN 1987A.
A simulação mostra a forma da nuvem de gás à esquerda e os vórtices, ou regiões de fluxo em rápida rotação, à direita. Cada anel representa um momento posterior na evolução da nuvem. Mostra como uma nuvem de gás que começa como um anel uniforme, sem rotação, se transforma num anel irregular à medida que os vórtices se desenvolvem. Eventualmente, o gás divide-se em aglomerados distintos.
Crédito: Michael Wadas, Laboratório de Computação Científica e de Física de Fluxo da Universidade de Michigan
"Esta é uma grande parte da razão pela qual pensamos que se trata da instabilidade de Crow", disse Eric Johnsen, professor de engenharia mecânica da Universidade de Michigan e autor sénior do estudo.
A equipa viu indícios de que a instabilidade Crow poderia prever a formação de mais anéis de contas à volta da estrela, mais afastados do anel que aparece mais brilhante nas imagens telescópicas. Ficaram satisfeitos por ver que mais aglomerados parecem surgir na imagem do instrumento NIRCam (Near Infrared Camera) do Telescópio Espacial James Webb, publicada em agosto do ano passado, explicou Wadas.
A equipa também sugeriu que a instabilidade de Crow pode estar em jogo quando a poeira à volta de uma estrela se transforma em planetas, embora seja necessária mais investigação para explorar esta possibilidade.
Astrónomos cidadãos e IA descobrem 30.000 galáxias em anel (via Telescópio Subaru)
Com base na sinergia entre as classificações dos astrónomos cidadãos e a IA (Inteligência Artificial), os astrónomos descobriram cerca de 400.000 galáxias espirais e 30.000 galáxias em anel nos dados do Telescópio Subaru. As galáxias apresentam uma grande variedade de morfologias que refletem as histórias de cada galáxia. Os conjuntos de dados de poderosas instalações de ponta, como o Telescópio Subaru, contêm tantas galáxias que os astrónomos não conseguem classificá-las todas à mão. No projeto de ciência cidadã GALAXY CRUISE, os astrónomos profissionais pediram a mais de 10.000 astrónomos cidadãos voluntários que fizessem as classificações. Mas mesmo dividida por milhares de voluntários, a classificação continua a demorar tempo. Ler fonte
Vulcão gigante descoberto em Marte (via Instituto SETI)
Um vulcão gigante, que sofreu uma erosão profunda, ativo desde tempos antigos até tempos recentes e com possíveis restos de gelo glaciar perto da sua base, estava escondido perto do equador de Marte, à vista de todos. A sua descoberta aponta para um novo e excitante local para procurar vida e um potencial destino para futuras explorações robóticas e humanas. Ler fonte
Equipa do Roman da NASA escolhe rastreio para mapear o lado distante da nossa Galáxia (via NASA)
A equipa do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA anunciou planos para um estudo sem precedentes do plano da nossa Galáxia, a Via Láctea. Irá observar esta região mais profundamente do que qualquer outro levantamento, mapeando mais estrelas da nossa Galáxia do que todas as observações anteriores combinadas. Ler fonte
A Nebulosa da Tarântula, também conhecida por 30 Doradus, tem mais de mil anos-luz de diâmetro e é uma gigantesca região de formação estelar na galáxia satélite vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães. A cerca de 180 mil anos-luz de distância, é a maior e mais violenta região de formação estelar conhecida em todo o Grupo Local de galáxias. O aracnídeo cósmico espalha-se por esta magnífica vista, uma composição de dados de imagem de grandes telescópios espaciais e terrestres. Dentro da Tarântula (NGC 2070), radiação intensa, ventos estelares e choques de supernovas do jovem enxame central de estrelas massivas catalogado como R136 energizam o brilho nebular e moldam os filamentos. À volta da Tarântula existem outras regiões de formação estelar com enxames estelares jovens, filamentos e nuvens em forma de bolha. De facto, a imagem inclui o local da supernova mais próxima dos tempos modernos, SN 1987A, em baixo à direita. O rico campo de visão estende-se por cerca de 2 graus ou 4 Luas Cheias na direção da constelação do hemisfério sul de Dourado. Mas se a Nebulosa da Tarântula estivesse mais perto, digamos, a 1500 anos-luz de distância, como a Nebulosa de Orionte da nossa Via Láctea, ocuparia metade do céu.
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