DIA 02/04: 93.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1618 nascia Francesco Maria Grimaldi, matemático e físico italiano, bem como padre jesuíta.
Investigou a queda livre de objetos e calculou a constante gravitacional ao registar oscilações num pêndulo. Construiu e usou instrumentos para medir montanhas na Lua bem como a altura de nuvens. Foi o primeiro a fazer observações precisas da difração da luz.
Em 1964, lançamento da soviética Zond 1. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 04:15.
Antes do amanhecer, o nosso satélite natural situa-se perto da "pega" do "bule de chá" de Sagitário.
Vega, a brilhante "Estrela de Verão", nasce a nordeste depois das 23 horas. Exatamente onde no horizonte? Aviste a Ursa Maior a nordeste. Procure Mizar, a estrela na curva da sua "pega". Se conseguir observar a pequena companheira, Alcor (facilmente visível através de uns binóculos), siga a linha de Mizar que passa por Alcor até ao horizonte. É aí que Vega vai nascer.
DIA 03/04: 94.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1966, o Luna 10, o primeiro orbitador lunar da União Soviética, foi colocado numa órbita selenocêntrica e torna-se no primeiro satélite artifical da Lua. Lançado no dia 31 de março de 1966, concluiu a sua missão e enviou dados valiosos sobre emissões de raios-gama da superfície lunar.
Em 1984, o líder de esquadrão Rakesh Sharma é lançado a bordo de um Soyuz T-11 e torna-se o primeiro indiano no espaço. HOJE, NO COSMOS:
Castor e Pollux brilham a oeste do zénite após o cair da noite. Pollux é ligeiramente a mais brilhante das estrelas "gémeas".
Desenhe uma linha de Castor que passa por Pollux, siga-a por mais 26º (cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado) e chega à ténue cabeça de Hidra, a Serpente Marinha, a sul. Sob um céu escuro, é um grupo subtil mas distintivo, com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado.
Continue essa linha por mais 1,5 punhos à distância do braço esticado até chegar a Alphard, a estrela mais brilhante da constelação de Hidra, o seu coração alaranjado de segunda magnitude.
DIA 04/04: 95.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1968, era lançada a Apollo 6.
Em 1983, o vaivém espacial Challenger fazia o seu voo inaugural no espaço (STS-6).
Em 1996, o cometa Hyakutake é observado pela NEAR. HOJE, NO COSMOS:
A estrela brilhante muito alta a oeste-noroeste durante e após o lusco-fusco é Capella. O seu pálido tom amarelado coincide com o do Sol, o que significa que têm mais ou menos a mesma temperatura. Mas, para além disso, Capella é muito diferente. Consiste de duas estrelas gigantes amarelas que se orbitam uma à outra a cada 104 dias.
"Soluços" persistentes numa galáxia distante chamam a atenção dos astrónomos para um novo comportamento dos buracos negros
Os cientistas descobriram um grande buraco negro que "soluça", libertando plumas de gás. A análise revelou que um pequeno buraco negro estava a perfurar repetidamente o disco de gás do buraco negro maior, provocando a libertação das plumas. Poderosos campos magnéticos, a norte e a sul do buraco negro e representados pelo cone cor de laranja, atiram a pluma para cima e para fora do disco. De cada vez que o buraco negro menor perfura o disco, ejeta outra pluma, num padrão regular e periódico.
Crédito: Jose-Luis Olivares, MIT
No coração de uma galáxia longínqua, um buraco negro supermassivo parece ter tido um caso de soluços.
Astrónomos do MIT (Massachusetts Institute of Technology), da Itália, da Chéquia e de outros países descobriram que um buraco negro anteriormente calmo, que se situa no centro de uma galáxia a cerca de 800 milhões de anos-luz de distância, entrou subitamente em erupção, libertando plumas de gás a cada 8,5 dias antes de voltar ao seu estado normal e calmo.
Os soluços periódicos são um novo comportamento que até agora não tinha sido observado em buracos negros. Os cientistas pensam que a explicação mais provável para os surtos provém de um segundo buraco negro, mais pequeno, que está a girar em torno do buraco negro supermassivo central e a lançar material do disco de gás do buraco negro maior a cada 8,5 dias.
As descobertas da equipa, publicadas na revista Science Advances, desafiam a imagem convencional dos discos de acreção dos buracos negros, que os cientistas supunham serem discos de gás relativamente uniformes. Os novos resultados sugerem que os discos de acreção podem ser mais variados no seu conteúdo, possivelmente contendo outros buracos negros e até estrelas inteiras.
"Pensávamos que sabíamos muito sobre os buracos negros, mas isto diz-nos que há muitas mais coisas que eles podem fazer", afirma o autor do estudo, Dheeraj "DJ" Pasham, investigador do Instituto Kavli de Astrofísica e Investigação Espacial do MIT. "Pensamos que haverá muitos mais sistemas como este e só precisamos de recolher mais dados para os encontrar".
Os coautores do estudo do MIT incluem o pós-doutorado Peter Kosec, a estudante Megan Masterson, a professora associada Erin Kara, o investigador principal Ronald Remillard e o antigo investigador Michael Fausnaugh, juntamente com colaboradores de várias instituições, incluindo a Universidade Tor Vergata de Roma, o Instituto Astronómico da Academia Checa de Ciências e a Universidade Masaryk na Chéquia.
"Usá-lo ou perdê-lo"
As descobertas da equipa resultaram de uma deteção automática pelo ASAS-SN (All Sky Automated Survey for SuperNovae), uma rede de 20 telescópios robóticos situados em vários locais dos hemisférios norte e sul. Os telescópios fazem um levantamento automático de todo o céu, uma vez por dia, em busca de sinais de supernovas e outros fenómenos transientes.
Em dezembro de 2020, o levantamento detetou uma explosão de luz numa galáxia a cerca de 800 milhões de anos-luz de distância. Essa parte específica do céu tinha estado relativamente calma e escura até à deteção pelos telescópios, quando a galáxia subitamente se iluminou por um fator de 1000. Pasham, que por acaso viu a deteção ser comunicada num alerta científico, escolheu focar-se na erupção com o NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA, um telescópio de raios X a bordo da Estação Espacial Internacional que monitoriza continuamente o céu em busca de explosões de raios X que possam assinalar atividade de estrelas de neutrões, buracos negros e outros fenómenos gravitacionais extremos. O momento foi fortuito, pois estava a chegar ao fim o período de um ano durante o qual Pasham tinha autorização para apontar, ou "ativar", o telescópio.
"Era usá-lo ou perdê-lo, e acabou por ser a minha melhor oportunidade", disse.
Treinou o NICER para observar a galáxia longínqua enquanto esta continuava o seu surto. A explosão durou cerca de quatro meses antes de se extinguir. Durante esse tempo, o NICER efetuou medições das emissões de raios X da galáxia numa base diária e de alta cadência. Quando Pasham analisou atentamente os dados, notou um padrão curioso na erupção de quatro meses: quedas subtis, numa banda muito estreita de raios X, que pareciam reaparecer a cada 8,5 dias.
Parecia que a explosão de energia oriunda da galáxia diminuía periodicamente a cada 8,5 dias. O sinal é semelhante ao que os astrónomos veem quando um planeta em órbita passa em frente da sua estrela hospedeira, bloqueando brevemente a luz da estrela. Mas nenhuma estrela seria capaz de bloquear uma erupção de uma galáxia inteira.
"Estava a coçar a cabeça para perceber o que isto significava, porque este padrão não se encaixa em nada do que sabemos sobre estes sistemas", recorda Pasham.
Aproveitando a oportunidade
Enquanto procurava uma explicação para as quedas periódicas, Pasham deparou-se com um artigo científico recente de físicos teóricos da Chéquia. Os teóricos tinham descoberto, de forma independente, que era teoricamente possível que um buraco negro supermassivo central de uma galáxia albergasse um segundo buraco negro muito mais pequeno. Esse buraco negro mais pequeno poderia orbitar a um ângulo do disco de acreção do seu companheiro maior.
De acordo com a proposta dos teóricos, o buraco negro secundário perfuraria periodicamente o disco do buraco negro primário à medida que orbitasse. No processo, libertaria uma pluma de gás, como uma abelha a voar através de uma nuvem de pólen. Poderosos campos magnéticos, a norte e a sul do buraco negro, poderiam então atirar a pluma para cima e para fora do disco. De cada vez que o buraco negro mais pequeno atravessasse o disco, ejetaria outra pluma num padrão regular e periódico. Se essa pluma apontasse na direção de um telescópio em observação, este poderia ver a pluma como uma queda na energia global da galáxia, bloqueando brevemente, e de vez em quando, a luz do disco.
"Fiquei muito entusiasmado com esta teoria e enviei-lhes imediatamente um e-mail a dizer: 'Acho que estamos a observar exatamente o que a vossa teoria previu'", diz Pasham.
Ele e os cientistas checos juntaram-se para testar a ideia, com simulações que incorporavam as observações do NICER da explosão original e as quedas regulares de 8,5 dias. O que descobriram apoia a teoria: a erupção observada foi provavelmente um sinal de um segundo buraco negro mais pequeno, que orbita um buraco negro supermassivo central e que perfura periodicamente o seu disco.
Uma simulação de um buraco negro de massa intermédia a orbitar um buraco negro supermassivo e a incitar plumas de gás periódicas que podem explicar as observações.
Crédito: Petra Sukova, Instituto Astronómico da Academia Checa de Ciências
Especificamente, a equipa descobriu que a galáxia estava relativamente calma antes da deteção de dezembro de 2020. A equipa estima que o buraco negro supermassivo central da galáxia tenha uma massa equivalente a 50 milhões de sóis. Antes da explosão, o buraco negro pode ter tido um disco de acreção ténue e difuso em seu redor, enquanto um segundo buraco negro mais pequeno, com 100 a 10.000 massas solares, orbitava em relativa obscuridade.
Os investigadores suspeitam que, em dezembro de 2020, um terceiro objeto - provavelmente uma estrela próxima - se aproximou demasiado do sistema e foi dilacerada pela imensa gravidade do buraco negro supermassivo - um evento que os astrónomos conhecem como "evento de perturbação de marés". O súbito fluxo de material estelar iluminou momentaneamente o disco de acreção do buraco negro, à medida que os detritos estelares se precipitavam no buraco negro. Ao longo de quatro meses, o buraco negro alimentou-se dos detritos enquanto o segundo buraco negro continuava a orbitar. Ao perfurar o disco, ejetava uma pluma muito maior do que normalmente faria, que por acaso foi libertada diretamente na direção do telescópio NICER.
A equipa realizou numerosas simulações para testar as quedas periódicas. A explicação mais provável, concluem, é um novo tipo de sistema "David e Golias" - um buraco negro minúsculo, de massa intermédia, a girar em torno de um buraco negro supermassivo.
"É um cenário novo", diz Pasham. "Não se enquadra em nada do que sabemos sobre estes sistemas. Estamos a ver indícios de objetos a entrar e a atravessar o disco, em diferentes ângulos, o que desafia a imagem tradicional de um simples disco gasoso em torno de buracos negros. Pensamos que há uma enorme população destes sistemas por aí".
"Este é um exemplo brilhante de como usar os detritos de uma estrela dilacerada para iluminar o interior de um núcleo galáctico que, de outra forma, permaneceria escuro. É como usar um corante fluorescente para encontrar uma fuga num cano", diz Richard Saxton, astrónomo de raios X do ESAC (European Space Astronomy Centre) em Madrid, que não esteve envolvido no estudo. "Este resultado mostra que binários de buracos negros supermassivos muito íntimos podem ser comuns nos núcleos galácticos, o que é um desenvolvimento muito excitante para futuros detetores de ondas gravitacionais."
NICER (Neutron star Interior Composition Explorer): NASA Wikipedia
O mais completo retrato, de sempre, de uma supernova
SN 2023ixf teve lugar num braço espiral da galáxia M101, perto de várias regiões de formação estelar.
Crédito: Travis Deyoe, SkyCenter do Monte Lemmon, Universidade do Arizona
Os primeiros registos de uma supernova já têm mais de 2 mil anos e, embora saibamos atualmente que estes eventos criam os blocos de construção da própria vida, ainda há perguntas sem resposta acerca das condições que provocam a explosão de uma estrela.
Os investigadores do Instituto Weizmann de Ciência fizeram agora grandes progressos na compreensão destes fenómenos fascinantes. Usando vários telescópios, incluindo o Observatório W. M. Keck em Maunakea, no Hawaii, conseguiram recolher dados de uma supernova chamada SN 2023ixf. As suas descobertas foram publicadas na revista Nature.
Até há pouco tempo, as supernovas eram consideradas raras, ocorrendo na Via Láctea, na melhor das hipóteses, uma vez por século e iluminando o céu noturno com a intensidade de 100 milhões de sóis; a última explosão observável, na nossa Galáxia, teve lugar há centenas de anos.
Desde então, os avanços tecnológicos têm ajudado a identificar supernovas em galáxias distantes, fornecendo mais dados do que era possível anteriormente. No entanto, o mesmo problema persiste; uma vez que as explosões não podem ser previstas, os astrofísicos são como arqueólogos espaciais, geralmente chegando ao local após o evento e tentando reunir informações a partir dos remanescentes.
"É isso que torna esta supernova diferente", diz o estudante de doutoramento Erez Zimmerman, do grupo do prof. Avishay Gal-Yam. "Conseguimos - pela primeira vez - seguir de perto uma supernova enquanto a sua luz estava a emergir do material circunstelar em que a estrela em explosão estava embebida."
A descoberta foi equivalente a chegar à cena do crime enquanto o crime ainda estava a acontecer.
Os cientistas admitem que tiveram sorte. A equipa de Gal-Yam candidatou-se a tempo de investigação com o Telescópio Espacial Hubble da NASA, na esperança de recolher dados ultravioleta (UV) sobre qualquer supernova que interagisse com o seu ambiente. Em vez disso, tiveram a oportunidade de testemunhar em tempo real uma das supernovas mais próximas em décadas: a explosão de uma supergigante vermelha numa galáxia vizinha chamada Messier 101, também conhecida como a Galáxia do Cata-Vento.
Koichi Itagaki, um astrónomo amador do Japão, descobriu SN 2023ixf e comunicou-a numa sexta-feira à noite, a meio do fim-de-semana em Israel (a semana de trabalho em Israel é de domingo a quinta-feira) e mesmo antes do fim-de-semana no STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore - o centro de operações do Telescópio Hubble. Para complicar ainda mais as coisas, a observação teve lugar dois dias antes do casamento de Zimmerman. Mas a sua equipa rapidamente realizou observações de acompanhamento da supernova, fazendo direta na noite de sexta-feira e entregando mesmo a tempo as medições necessárias à NASA.
"É muito raro, como cientista, ter de agir tão rapidamente", diz Gal-Yam. "A maioria dos projetos científicos não acontece a meio da noite, mas a oportunidade surgiu e não tivemos outra alternativa senão responder em conformidade."
Não só conseguiram que o Hubble assumisse as coordenadas e o ângulo corretos para registar os dados necessários, como também, devido à relativa proximidade da explosão, se verificou que o Hubble já tinha observado este sector do Universo muitas vezes. Recorrendo aos arquivos da NASA, a equipa de Gal-Yam e muitos outros grupos conseguiram obter dados anteriores à morte da estrela - quando ainda era apenas uma supergigante vermelha na fase final da sua vida - criando assim o retrato mais completo de sempre de uma supernova: uma composição dos seus últimos dias e da sua morte.
As observações de SN 2023ixf consistiram em dados UV e raios X dos satélites Hubble e Swift da NASA, bem como de muitos dos melhores telescópios de todo o mundo.
Isto incluiu espetros captados por três dos instrumentos do Observatório Keck - o KCWI (Keck Cosmic Web Imager), o DEIMOS (Deep Imaging and Multi-Object Spectrograph) e o LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) - com cada instrumento a fornecer uma visão única da supernova e da sua evolução ao longo do tempo.
A compilação de dados espaciais e terrestres de alta qualidade permitiu aos investigadores mapear as duas camadas exteriores da estrela que explodiu e chegar a uma hipótese extraordinária.
"Os cálculos do material circunstelar emitido na explosão, bem como a densidade e a massa deste material antes e depois da supernova, criam uma discrepância, o que torna muito provável que a massa em falta tenha ido parar a um buraco negro que se formou na sequência da explosão - algo que é normalmente muito difícil de determinar", diz o estudante de doutoramento Ido Irani, da equipa de Gal-Yam.
"As estrelas comportam-se de forma muito errática na sua idade mais avançada", diz Gal-Yam. "Tornam-se instáveis e, normalmente, não podemos ter a certeza de quais os processos complexos que ocorrem no seu interior, porque iniciamos sempre o processo forense após o facto, quando muitos dos dados já se perderam".
"Este estudo apresenta uma oportunidade única para compreender melhor os mecanismos que levam à conclusão da vida de uma estrela e à eventual formação de algo inteiramente novo", disse Zimmerman.
Os cientistas poderão nunca vir a descobrir o que aconteceu à matéria que constituía a antiga supergigante vermelha da galáxia Messier 101. No entanto, as últimas fases da supernova estão a decorrer e continuam a chegar novos dados, o que significa que este estudo, juntamente com os estudos de seguimento de SN 2023ixf, poderão fornecer mais informações sobre estes acontecimentos explosivos.
A primeira pesquisa por planetas em formação com o Telescópio Webb
Impressão artística que mostra a formação de um planeta gigante gasoso no disco de poeira que rodeia uma jovem estrela. Este protoplaneta está rodeado por uma espessa nuvem de material.
Crédito: ESO/L. Calçada
Os planetas são formados em discos de gás e poeira, a que chamamos discos protoplanetários, que giram em torno de uma protoestrela central.
Apesar de terem sido obtidas imagens de várias dúzias desses discos, até agora apenas dois planetas foram apanhados no acto de formação. Agora, os astrónomos estão a apontar os poderosos instrumentos a bordo do Telescópio Espacial James Webb para os discos protoplanetários a fim de tentar encontrar as primeiras pistas sobre o modo como os planetas se formam e como estes planetas influenciam o seu disco natal.
Três estudos liderados pela Universidade de Michigan, pela Universidade do Arizona e pela Universidade de Vitória combinaram as imagens do JWST com observações anteriores efetuadas pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile. Com base nas observações complementares, a equipa usou o Webb para observar os discos protoplanetários de HL Tau, SAO 206462 e MWC 758 na esperança de detetar quaisquer planetas que possam estar a ser formados.
Nos trabalhos, publicados na revista The Astronomical Journal, os investigadores reuniram interações nunca antes vistas entre o disco de formação planetária e o invólucro de gás e poeira que rodeia as jovens estrelas no centro dos discos protoplanetários.
"Apanhando" um planeta
O estudo da Universidade de Michigan, liderado pelo astrónomo Gabriele Cugno, apontou o JWST para um disco que rodeava uma protoestrela chamada SAO 206462. Aí, os investigadores encontraram, potencialmente, um candidato a planeta no acto de formação num disco protoplanetário - mas não era o planeta que esperavam encontrar.
"Várias simulações sugerem que o planeta deveria estar dentro do disco massivo, grande, quente e brilhante. Mas não o encontrámos. Isto significa que ou o planeta é muito mais frio do que pensamos, ou pode estar obscurecido por algum material que nos impede de o ver", disse Cugno, também coautor de todos os três artigos científicos. "O que encontrámos é um diferente candidato a planeta, mas não podemos dizer com 100% de certeza se é um planeta, ou uma estrela de fundo ténue, ou uma galáxia a contaminar a nossa imagem. Observações futuras vão ajudar-nos a perceber exatamente o que estamos a ver."
Dois braços espirais emergem do disco rico em gás em torno de SAO 206462, uma estrela jovem na constelação de Lobo. Esta imagem, obtida pelo Telescópio Subaru e pelo seu instrumento HiCIAO, é a primeira a mostrar braços espirais num disco circunstelar. A imagem traça a luz emitida pela estrela e dispersa na superfície do disco.
Crédito: NAOJ/Subaru
Os astrónomos já observaram este disco no passado, nomeadamente com o Telescópio Espacial Hubble, com o Telescópio Subaru, com o VLT (Very Large Telescope) e com o ALMA. Estas observações mostram um disco composto por duas espirais fortes, que são provavelmente lançadas por um planeta em formação. O planeta que a equipa da Universidade de Michigan esperava encontrar é de um tipo chamado gigante gasoso, planetas compostos principalmente por hidrogénio e hélio, semelhantes a Júpiter no nosso Sistema Solar.
"O problema é que o que quer que estejamos a tentar detetar é centenas de milhares, se não milhões de vezes mais ténue do que a estrela", disse Cugno. "É como tentar detetar uma pequena lâmpada junto a um farol".
Para observar o disco mais de perto, a equipa usou o instrumento NIRCam do JWST. O NIRCam deteta luz infravermelha e os astrónomos utilizaram o instrumento empregando uma técnica chamada imagem angular diferencial. Esta técnica pode ser usada para detetar tanto a radiação térmica do planeta, como a equipa fez para detetar o candidato a planeta, como linhas de emissão específicas associadas ao material que cai sobre o planeta e atinge a sua superfície a alta velocidade.
"Quando o material cai para o planeta, choca com a superfície e emite uma linha em comprimentos de onda específicos", disse Cugno. "Usamos um conjunto de filtros de banda estreita para tentar detetar esta acreção. Isto já tinha sido feito antes a partir do solo em comprimentos de onda óticos, mas esta é a primeira vez que é feito no infravermelho com o JWST".
Observando a "matéria-prima" dos planetas
O estudo da Universidade de Vitória, liderado pela estudante de astronomia Camryn Mullin, descreve imagens do disco que rodeia a jovem estrela HL Tau.
"HL Tau é o sistema mais jovem do nosso levantamento e ainda está rodeado por um fluxo denso de poeira e gás que cai para o disco", disse Mullin, coautora dos três estudos. "Ficámos espantados com o nível de detalhe com que conseguimos ver este material circundante com o JWST, mas infelizmente, obscurece quaisquer sinais de potenciais planetas".
O disco de HL Tau é conhecido por ter vários anéis e divisões, à escala do Sistema Solar, que podem albergar planetas.
"Apesar de existirem muitas evidências de formação planetária, HL Tau é demasiado jovem e tem demasiada poeira interveniente para se poderem ver os planetas diretamente", disse Jarron Leisenring, investigador principal da campanha de observação em busca de planetas em formação e astrónomo do Observatório Steward da Universidade do Arizona. "Já começámos a olhar para outros sistemas jovens com planetas conhecidos para ajudar a formar uma imagem mais completa."
Sobrepostas ao disco protoplanetário em torno de HL Tau, com as suas divisões e anéis, estão características (vistas a laranja) detetadas pelo Telescópio Espacial James Webb. Revelam material no invólucro à volta da estrela, algum do qual está a cair no disco, bem como uma abertura formada por material que flui para fora do sistema.
Crédito:
Camryn Mullin et al.
No entanto, para surpresa da equipa, o JWST revelou detalhes inesperados de uma característica diferente: de acordo com Leisenring, o invólucro protoestelar, que é essencialmente um fluxo denso de poeira e gás em torno da jovem estrela que está apenas a começar a coalescer. Sob a influência da gravidade, o material do meio interestelar cai na direção da estrela e do disco, onde serve de matéria-prima para os planetas e para os seus precursores.
O estudo da Universidade do Arizona, liderado por Kevin Wagner, bolseiro Hubble/Sagan da NASA no Observatório Steward, examinou o disco protoplanetário de MWC 758. À semelhança de SAO 206462, observações anteriores da equipa liderada pela mesma instituição de ensino revelaram a formação de braços espirais no disco, sugerindo a existência de um planeta massivo em órbita da sua estrela hospedeira.
Embora não tenham sido detetados novos planetas no disco durante as observações mais recentes, a sensibilidade é revolucionária, dizem os investigadores, pois permite-lhes colocar as restrições mais rigorosas até agora sobre os planetas suspeitos. Por um lado, os resultados excluem a existência de planetas adicionais nas regiões exteriores de MWC 758, o que é consistente com a existência de um único planeta gigante a impulsionar os braços espirais.
"A ausência de planetas detetados nos três sistemas diz-nos que os planetas que produzem as lacunas e os braços espirais ou estão demasiado perto das suas estrelas hospedeiras ou são demasiado ténues para serem vistos com o JWST," disse Wagner, coautor dos três estudos. "Se esta última hipótese for a verdadeira, diz-nos que têm uma massa relativamente baixa, uma temperatura baixa, estão envoltos em poeira, ou alguma combinação das três - como é provavelmente o caso de MWC 758."
E assim continua a procura por planetas em formação
Observar planetas em formação é importante porque os astrónomos podem obter informações não só sobre o processo, mas também sobre a forma como os elementos químicos se distribuem por um sistema planetário.
"Apenas cerca de 15% das estrelas como o Sol têm planetas como Júpiter. É muito importante compreender como se formam, evoluem e para aperfeiçoar as nossas teorias", disse Michael Meyer, astrónomo da Universidade de Michigan e coautor dos três estudos. "Alguns astrónomos pensam que estes gigantes gasosos regulam o fornecimento de água aos planetas rochosos que se formam nas partes interiores dos discos".
Saber como estes discos são moldados por gigantes gasosos ajudará os astrónomos a compreender as propriedades e a evolução dos discos protoplanetários que mais tarde darão origem a planetas rochosos semelhantes à Terra, disse Meyer.
"Basicamente, em todos os discos que observámos com resolução e sensibilidade suficientemente elevadas, vimos grandes estruturas como divisões, anéis e, no caso de SAO 206462, espirais", disse Cugno. "A maioria, se não todas, estas estruturas podem ser explicadas pela formação de planetas que interagem com o material do disco, mas existem outras explicações que não envolvem a presença de planetas gigantes.
"Se conseguirmos finalmente ver estes planetas, podemos ligar algumas das estruturas com companheiros em formação e relacionar os processos de formação com as propriedades de outros sistemas em fases muito posteriores. Podemos finalmente 'ligar os pontos' e compreender como os planetas e os sistemas planetários evoluem como um todo".
Curiosity procura novas pistas sobre a antiga água de Marte (via NASA)
O rover Curiosity da NASA começou a explorar uma nova região de Marte, que poderá revelar mais sobre o momento em que a água líquida desapareceu de uma vez por todas da superfície do Planeta Vermelho. Há milhares de milhões de anos, Marte era muito mais húmido e provavelmente mais quente do que é hoje. O Curiosity está a obter um novo olhar sobre esse passado mais parecido com a Terra, à medida que percorre e eventualmente atravessa o canal Gediz Vallis, uma característica sinuosa e serpenteante que - pelo menos a partir do espaço - parece ter sido esculpida por um antigo rio. Ler fonte
Álbum de fotografias Milhões de estrelas em Omega Centauri
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Massimo Di Fusco e Mirco Turra
O enxame globular Omega Centauri, também conhecido como NGC 5139, encontra-se a 15.000 anos-luz de distância. O enxame tem cerca de 10 milhões de estrelas muito mais velhas do que o Sol, num volume com cerca de 150 anos-luz de diâmetro. É o maior e mais brilhante dos cerca de 200 enxames globulares conhecidos que vagueiam no halo da nossa Galáxia, a Via Láctea. Embora a maior parte dos enxames estelares seja constituída por estrelas com a mesma idade e composição, o enigmático Omega Cen exibe a presença de diferentes populações estelares com idades e abundâncias químicas diferentes. De facto, Omega Cen pode ser o núcleo remanescente de uma pequena galáxia que se fundiu com a Via Láctea. Com uma tonalidade amarelada, as estrelas gigantes vermelhas de Omega Centauri são fáceis de distinguir nesta visão telescópica nítida e a cores.
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