DIA 09/04: 100.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1959, a NASA anuncia a seleção dos primeiros sete astronautas dos Estados Unidos, a quem a comunicação social rapidamente apelida de "Mercury Seven".
Em 1994, lançamento da missão STS-59 do vaivém Endeavour. HOJE, NO COSMOS:
Esta é a altura do ano em que a pequena Ursa Menor estende-se para a direita da Estrela Polar, ainda para mais com a Lua, atualmente, fora do céu noturno.
A mais brilhante Ursa Maior curva-se para cima, como que "deitando água". As duas Ursas invertem o processo de descarga de água no outono.
Vega, a brilhante "Estrela de Verão", nasce a nordeste pouco antes das 22:30. Exatamente onde no horizonte? Aviste a Ursa Maior a nordeste. Procure Mizar, a estrela na curva da sua "pega". Se conseguir observar a pequena companheira, Alcor (facilmente visível através de uns binóculos), siga a linha de Mizar que passa por Alcor até ao horizonte. É aí que Vega vai nascer.
DIA 10/04: 101.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 837, maior aproximação do Cometa Halley à Terra, cerca de 0,0342 UA (5,1 milhões de quilómetros).
Em 1981, primeira tentativa de lançamento da missão STS-1 (a primeira missão de um vaivém espacial). Este falhou no último momento quando os computadores "crasharam". Os astronautas Crippen e Young finalmente levantaram voo a 12 de abril. À volta de 100 milhões de pessoas viram este evento.
Em 2013, o orçamento para a NASA de 2014 inclui um plano para capturar roboticamente um asteroide próximo da Terra e redirecioná-lo para uma órbita estável no sistema Terra-Lua, que os astronautas possam visitar e estudar (mais tarde cancelada).
Em 2019, cientistas do projeto EHT (Event Horizon Telescope) anunciam a primeira imagem de sempre de um buraco negro, localizado no centro da galáxia M87. HOJE, NO COSMOS:
A Lua aparece agora como um finíssimo Crescente cerca de 4º para a direita de Júpiter ao anoitecer.
Castor e Pollux brilham a oeste do zénite após o cair da noite. Pollux é ligeiramente a mais brilhante das estrelas "gémeas".
Desenhe uma linha de Castor que passa por Pollux, siga-a por mais 26º (cerca de 2,5 punhos à distância do braço esticado) e chega à ténue cabeça de Hidra, a Serpente Marinha, a sul. Sob um céu escuro, é um grupo subtil mas distintivo, com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado.
Continue essa linha por mais 1,5 punhos à distância do braço esticado até chegar a Alphard, a estrela mais brilhante da constelação de Hidra, o seu coração alaranjado de segunda magnitude.
Outra maneira de encontrar a cabeça da Hidra: fica quase a meio entre Procyon e Régulo.
DIA 11/04: 102.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1862 nascia William Wallace Campbell, observador pioneiro dos movimentos estelares e das suas velocidades radiais. Diretor do Observatório Lick entre 1901 e 1930, também foi presidente da Universidade da Califórnia e da Academia Nacional de Ciências.
Em 1905, Albert Einstein revela a sua Teoria da Relatividade (relatividade especial).
Em 1960, tinha início a primeira pesquisa no rádio em busca de civilizações extraterrestres, por Frank Drake (Projecto Ozma).
Em 1970, lançamento da Apollo 13, com a intenção de ser a terceira missão a aterrar na Lua.
No entanto, a explosão de um tanque de oxigénio dois dias depois põe a missão em modo de emergência e a nave perde energia, calor e água. Circum-navega a Lua sem aterrar e os astronautas regressam em segurança à Terra.
Em 1986, a 65 milhões de quilómetros, o Cometa Halley faz a sua maior aproximação da Terra durante esta passagem, a 30.ª vez que visita a nossa vizinhança planetária. HOJE, NO COSMOS:
Esta noite a fina Lua situa-se cerca de 6º para cima das Plêiades. É uma boa oportunidade fotográfica.
Primeira "glória" num mundo distante e infernal?
Pela primeira vez foram detetados potenciais sinais do "efeito glória", semelhante ao arco-íris, num planeta para lá do nosso Sistema Solar. A "glória" são anéis concêntricos coloridos de luz que ocorrem apenas em condições peculiares.
Os dados do satélite CHEOPS (CHaracterising ExOPlanets Satellite) da ESA e de várias outras missões sugerem que este delicado fenómeno está a ser projetado diretamente para a Terra a partir da atmosfera infernal do gigante gasoso ultra-quente WASP-76b, a 637 anos-luz de distância.
Visto com frequência na Terra, o efeito só foi encontrado uma vez noutro planeta, Vénus. Se confirmada, esta primeira "glória" extrassolar revelará mais sobre a natureza deste exoplaneta intrigante, com lições interessantes sobre como compreender melhor mundos estranhos e distantes.
Cada "glória" é única, dependendo da composição da atmosfera do planeta e das cores da luz estelar que incidem sobre ele. WASP-76 é uma estrela de sequência principal amarelo-esbranquiçada como a nossa, mas estrelas diferentes criam "glórias" com cores e padrões diferentes.
Crédito: ESA/ATG medialab
Dados do CHEOPS (CHaracterising ExOPlanets Satellite) e de outras missões sugerem que entre o calor e luz insuportáveis da face iluminada do exoplaneta WASP-76b e a noite interminável do seu lado escuro, pode estar o primeiro efeito "glória" extrassolar. O efeito, semelhante a um arco-íris, ocorre quando a luz é refletida de nuvens constituídas por uma substância perfeitamente uniforme, mas até agora desconhecida.
"Há uma razão para não se ter visto nenhuma 'glória' fora do nosso Sistema Solar - requer condições muito peculiares", explica Olivier Demangeon, astrónomo do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, em Portugal, principal autor do estudo.
"Primeiro é preciso partículas atmosféricas perfeitamente esféricas (ou quase), atmosfera completamente uniforme e estável o suficiente para que possa ser observável durante longos períodos de tempo. A estrela, muito próxima do planeta, tem de brilhar diretamente sobre a atmosfera e o observador – neste caso, o CHEOPS – tem de estar perfeitamente orientado".
Se confirmada, esta primeira "glória" exoplanetária será uma bela ferramenta para compreender melhor o planeta e a estrela que o formou.
"O que é importante ter em mente é a incrível escala do que estamos a testemunhar", explica Matthew Standing, investigador da ESA que estuda exoplanetas.
"WASP-76b está a várias centenas de anos-luz de distância - um planeta gigante gasoso intensamente quente onde provavelmente chove ferro fundido. Apesar do caos, parece que detetámos os potenciais sinais de uma glória. É um sinal incrivelmente ténue".
Este resultado demonstra o poder da missão CHEOPS da ESA para detetar fenómenos subtis e nunca antes vistos em mundos distantes.
Um planeta infernal com "membros" desequilibrados
WASP-76b é um planeta ultraquente semelhante a Júpiter. Embora seja 10% menos massivo, tem quase o dobro do seu tamanho. Orbitando a sua estrela hospedeira doze vezes mais perto do que o abrasador Mercúrio orbita o nosso Sol, o exoplaneta é "inchado" devido à intensa radiação.
Esta ilustração mostra uma vista do lado noturno do exoplaneta WASP-76b. Este gigante gasoso ultra-quente tem um lado diurno onde as temperaturas sobem aos 2400º C, ou seja, suficientemente altas para vaporizar metais. Ventos fortes transportam vapor de ferro para o lado noturno mais frio, onde este vapor condensa em gotas de ferro. Do lado esquerdo da imagem vemos a fronteira do final da tarde do exoplaneta, onde se dá a transição do dia para a noite.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
Desde a sua descoberta em 2013 que WASP-76b tem estado sob intenso escrutínio e foi daí que surgiu uma imagem bizarra e infernal. Um dos lados do planeta está sempre virado para a estrela, atingindo temperaturas de 2400º C. Aqui, elementos que formariam rochas na Terra são derretidos e evaporam-se, apenas para se condensarem no lado noturno, ligeiramente mais frio, criando nuvens de ferro e chuva de ferro fundido.
Mas os cientistas estão intrigados com uma aparente assimetria, ou "estranheza", nos "membros" de WASP-76b - as suas regiões mais exteriores vistas quando passa em frente da sua estrela hospedeira.
Dados de diferentes missões da ESA e da NASA, incluindo o TESS, o Hubble e o Spitzer, foram também analisados neste estudo revelador, mas foi quando o CHEOPS da ESA e o TESS da NASA trabalharam em conjunto que começaram a surgir indícios do efeito glória.
O CHEOPS monitorizou intensivamente WASP-76b à medida que este passava em frente e à volta da sua estrela semelhante ao Sol. Após 23 observações ao longo de três anos, os dados mostraram um aumento surpreendente na quantidade de luz proveniente do "terminador" este do planeta - a fronteira entre a noite e o dia. Isto permitiu aos cientistas desvendar e restringir a origem do sinal.
"É a primeira vez que se deteta uma mudança tão acentuada no brilho de um exoplaneta, a sua 'curva de fase'", explica Olivier.
"Esta descoberta leva-nos a colocar a hipótese de que este brilho inesperado pode ser causado por uma reflexão forte, localizada e anisotrópica (dependente da direção) - o efeito glória."
A desfrutar da "glória" refletida de WASP-76b
Embora o efeito glória crie padrões semelhantes aos do arco-íris, os dois não são a mesma coisa. O arco-íris forma-se quando a luz solar passa de um meio com uma certa densidade para um meio com uma densidade diferente - por exemplo, do ar para a água - o que faz com que a sua trajetória se dobre (refrata). Diferentes comprimentos de onda são dobrados em quantidades diferentes, fazendo com que a luz branca se divida nas suas várias cores e criando o familiar arco redondo de um arco-íris.
Vistas simuladas do efeito glória em Vénus (esquerda) e na Terra (direita), sem considerar quaisquer efeitos da neblina ou do brilho das nuvens de fundo. As "glórias" ocorrem quando a luz solar incide sobre gotículas de nuvens - partículas de água no caso da Terra e partículas de ácido sulfúrico no caso de Vénus. A principal diferença entre o aspeto da "glória" em Vénus e na Terra não se deve à composição, mas sim ao tamanho das partículas. As gotículas das nuvens na Terra têm tipicamente entre 10 e 40 milésimas de milímetro de diâmetro, mas em Vénus as gotículas que se encontram no topo das nuvens são muito mais pequenas, tipicamente não têm mais de 2 milésimas de milímetro de diâmetro. Por este motivo, as orlas coloridas estão mais afastadas do que na Terra.
Crédito:
C. Wilson/P. Laven
Uma "glória", no entanto, forma-se quando a luz passa entre uma abertura estreita, por exemplo, entre gotículas de água em nuvens ou nevoeiro. Novamente, a trajetória da luz é desviada (neste caso, difratada), criando, na maioria das vezes, anéis concêntricos de cor, com a interferência entre as ondas de luz a criar padrões de anéis claros e escuros.
O significado da primeira "glória" extrassolar
A confirmação do efeito glória significaria a presença de nuvens constituídas por gotículas perfeitamente esféricas, que duraram pelo menos três anos ou que estão a ser constantemente reabastecidas. Para que tais nuvens persistam, a temperatura da atmosfera também teria de ser estável ao longo do tempo - uma visão fascinante e pormenorizada do que poderá estar a acontecer no exoplaneta WASP-76b.
É importante notar que a capacidade de detetar maravilhas tão minúsculas e tão distantes ensinará aos cientistas e engenheiros como detetar outros fenómenos difíceis de ver, mas cruciais. Por exemplo, luz estelar refletida em lagos e oceanos líquidos - um requisito para a habitabilidade.
Provas gloriosas no horizonte
"São necessárias mais evidências para afirmar conclusivamente que esta intrigante 'luz extra' é uma 'glória' rara", explica Theresa Lüftinger, cientista de projeto da futura missão Ariel da ESA.
"As observações de acompanhamento do instrumento NIRSpec (Near InfraRed Spectrograph) a bordo do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA poderiam fazer esse trabalho. Ou a próxima missão Ariel da ESA poderá provar a sua presença. Poderemos até encontrar cores mais gloriosas e reveladoras provenientes de outros exoplanetas".
Olivier conclui: "Eu estive envolvido na primeira deteção da assimetria da luz proveniente deste estranho planeta, e desde então fiquei muito curioso sobre o que a causaria. Demorou algum tempo para chegarmos aqui e houve alturas em que me perguntei 'porque é que estás a insistir nisto? ' Mas quando este efeito emergiu dos dados, foi um sentimento especial, uma satisfação única, que não acontece todos os dias."
O momento em que uma pequena estrela anã branca, acompanhada, num sistema binário, de uma estrela gigante vermelha, despoleta uma nova. Clique na imagem para ver a animação completa.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
Prevê-se que um sistema estelar, localizado a 3000 anos-luz da Terra, se torne em breve visível a olho nu. Esta poderá ser uma oportunidade única de observação, uma vez que a nova só ocorre de 80 em 80 anos. T Coronae Borealis, ou T CrB, explodiu pela última vez em 1946 e os astrónomos pensam que voltará a fazê-lo até setembro de 2024.
O sistema estelar, normalmente de magnitude 10, que é demasiado ténue para ser visto a olho nu, saltará para magnitude 2 durante o evento. O seu brilho será semelhante ao da Estrela Polar.
Uma vez atingido o pico de brilho, deverá ser visível a olho nu durante vários dias e durante pouco mais de uma semana através de binóculos, antes de voltar a escurecer, possivelmente durante outros 80 anos.
Enquanto esperamos pela nova, familiarizemo-nos com a constelação de Coroa Boreal, ou Coroa do Norte - um pequeno arco semicircular perto das constelações de Boieiro e Hércules. É aqui que a explosão aparecerá como uma "nova" estrela brilhante.
A posição do sistema binário T CrB, na direção da constelação de Coroa Boreal. A própria Coroa Boreal encontra-se entre Hércules e Boieiro.
Crédito: Miguel Montes, Stellarium Web
Esta nova recorrente é apenas uma de cinco na nossa Galáxia. Acontece porque T CrB é um sistema binário com uma anã branca e uma gigante vermelha. As estrelas estão suficientemente próximas para que, à medida que a gigante vermelha se torna instável devido ao aumento da temperatura e da pressão e começa a ejetar as suas camadas exteriores, a anã branca recolha essa matéria para a sua superfície. A atmosfera pouco densa da anã branca acaba por aquecer o suficiente para provocar uma reação termonuclear descontrolada - que produz a nova que vemos da Terra.
Primeiros resultados do DESI fornecem a medição mais precisa do nosso Universo em expansão
O DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument) fez o maior mapa 3D do nosso Universo até à data. A Terra está no centro desta fina fatia do mapa completo. Na secção ampliada, é fácil ver a estrutura subjacente da matéria no nosso Universo.
Crédito:
Colaboração Claire Lamman/DESI; pacote de mapas de cores personalizado por cmastro
Os investigadores utilizaram o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument) para elaborar o maior mapa 3D do nosso Universo e efetuar medições de ponta da energia escura, a misteriosa causa da sua expansão acelerada.
Com 5000 pequenos "robôs" num telescópio situado no topo de uma montanha, os investigadores podem olhar 11 mil milhões de anos para o passado. A luz de objetos distantes no espaço só agora chega ao DESI, permitindo-nos mapear o nosso cosmos tal como era na sua juventude e traçar o seu crescimento até ao que vemos hoje. A compreensão da evolução do nosso Universo está ligada à forma como termina e a um dos maiores mistérios da física: a energia escura, o ingrediente desconhecido que faz com que o nosso Universo se expanda cada vez mais depressa.
Para estudar os efeitos da energia escura ao longo dos últimos 11 mil milhões de anos, o DESI criou o maior mapa 3D do nosso cosmos alguma vez construído, com as medições mais precisas até à data. É a primeira vez que os cientistas medem a história da expansão do jovem Universo com uma precisão inferior a 1%, dando-nos a melhor visão de sempre sobre a evolução do Universo. Os investigadores partilharam a análise do seu primeiro ano de dados em vários artigos científicos publicados no website arXiv e em palestras da Sociedade Física Americana e no "Rencontres" de Moriond, Itália.
"Estamos incrivelmente orgulhosos dos dados, que produziram resultados cosmológicos de ponta e são os primeiros da nova geração de experiências de energia escura", disse Michael Levi, diretor do DESI e cientista do Berkeley Lab (Lawrence Berkeley National Laboratory) do Departamento de Energia dos EUA, que gere o projeto. "Até agora, estamos a ver uma concordância básica com o nosso melhor modelo do Universo, mas também estamos a ver algumas diferenças potencialmente interessantes que podem indicar que a energia escura está a evoluir com o tempo. Estas diferenças podem ou não desaparecer com mais dados, pelo que estamos ansiosos por começar a analisar, em breve, o nosso conjunto de dados recolhidos ao longo de três anos."
O nosso principal modelo do Universo é conhecido como Lambda-CDM. Inclui um tipo de matéria com interação fraca (matéria escura fria, ou CDM, "cold dark matter") e energia escura (Lambda). Tanto a matéria escura como a energia escura moldam a forma como o Universo se expande - mas de formas opostas. A matéria normal e a matéria escura abrandam a expansão, ao passo que a energia escura a acelera. A quantidade de cada um destes componentes influencia a forma como o nosso Universo evolui. Este modelo faz um bom trabalho na descrição dos resultados de experiências anteriores e na descrição do aspeto do Universo ao longo do tempo.
No entanto, quando os resultados do primeiro ano do DESI são combinados com dados de outros estudos, existem algumas diferenças subtis em relação ao que o Modelo Lambda-CDM prevê. À medida que o DESI recolhe mais informações durante o seu levantamento de cinco anos, estes primeiros resultados tornar-se-ão mais precisos, esclarecendo se os dados apontam para explicações diferentes para os resultados que observamos ou para a necessidade de atualizar o modelo. Mais dados permitirão também melhorar os outros resultados iniciais do DESI, que avaliam a constante de Hubble (uma medida da velocidade a que o Universo se expande atualmente) e a massa de partículas chamadas neutrinos.
"Nenhuma experiência espetroscópica tinha tido tantos dados antes e continuamos a recolher, todos os meses, dados de mais de um milhão de galáxias", disse Nathalie Palanque-Delabrouille, cientista do Berkeley Lab e coporta-voz da experiência. "É espantoso que, apenas com o nosso primeiro ano de dados, já possamos medir a história da expansão do nosso Universo em sete 'fatias' diferentes do tempo cósmico, cada uma com uma precisão de 1 a 3%. A equipa trabalhou imenso para ter em conta as complexidades instrumentais e de modelização teórica, o que nos dá confiança na robustez dos nossos primeiros resultados".
A precisão global do DESI, relativamente à história da expansão durante 11 mil milhões de anos, é de 0,5%, e a época mais distante, que abrange 8-11 mil milhões de anos no passado, tem uma precisão recorde de 0,82%. Esta medição do nosso jovem Universo é incrivelmente difícil de efetuar. No entanto, no espaço de um ano, o DESI tornou-se duas vezes mais poderoso na medição da história da expansão nestes primeiros tempos do que o seu antecessor (o BOSS/eBOSS do Sloan Digital Sky Survey), que demorou mais de uma década.
"Estamos muito satisfeitos por ver os resultados cosmológicos do primeiro ano de funcionamento do DESI", disse Gina Rameika, diretora associada para a Física de Altas Energias no Departamento de Energia dos EUA. "O DESI continua a surpreender-nos com o seu desempenho excecional e já está a moldar a nossa compreensão do Universo."
Uma impressão artística que mostra como o DESI utiliza quasares distantes para mapear a estrutura em grande escala do Universo. À medida que a luz dos quasares viaja através do cosmos, é absorvida por nuvens intergalácticas de gás. Esta absorção pode ser detetada na luz recolhida pelo DESI, permitindo aos astrónomos mapear as bolsas de matéria densa. O DESI está montado no Telescópio Nicholas U. Mayall de 4 metros, no Observatório Nacional de Kitt Peak.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/P. Marenfeld
Viajando no tempo
O DESI é uma colaboração internacional em que participam mais de 900 investigadores de mais de 70 instituições espalhadas por todo o mundo. O instrumento foi construído e é operado com financiamento do Gabinete de Ciência do Departamento de Energia dos EUA e está instalado no topo do Telescópio Nicholas U. Mayall de 4 metros, no Observatório Nacional de Kitt Peak, um programa do NOIRLab da NSF (Fundação Nacional de Ciência dos EUA).
Olhando para o mapa do DESI, é fácil ver a estrutura subjacente do Universo: cadeias de galáxias agrupadas, separadas por vazios com menos objetos. O nosso Universo primitivo, para lá da visão do DESI, era bastante diferente: uma sopa quente e densa de partículas subatómicas que se moviam demasiado depressa para formar matéria estável como os átomos que conhecemos hoje. Entre essas partículas estavam núcleos de hidrogénio e hélio, coletivamente chamados bariões.
Pequenas flutuações neste plasma ionizado inicial causavam ondas de pressão, movendo os bariões num padrão de ondulações que é semelhante ao que veríamos se atirássemos várias pedras para um lago. À medida que o Universo se expandia e arrefecia, formaram-se átomos neutros e as ondas de pressão pararam, congelando as ondulações em três dimensões e aumentando o agrupamento das futuras galáxias nas áreas densas. Milhares de milhões de anos depois, ainda podemos ver este padrão ténue de ondulações 3D, ou bolhas, na separação característica das galáxias - um elemento chamado OABs (Oscilações Acústicas de Bariões).
Os investigadores utilizam as medições das OABs como uma régua cósmica. Medindo o tamanho aparente destas bolhas, podem determinar as distâncias à matéria responsável por este padrão extremamente ténue no céu. O mapeamento das bolhas OAB, tanto perto como longe, permite aos investigadores dividir os dados em partes, medir a velocidade a que o Universo se expandiu em cada momento do seu passado e modelar a forma como a energia escura afeta essa expansão.
"Medimos a história da expansão ao longo deste enorme intervalo de tempo cósmico com uma precisão que ultrapassa todos os anteriores levantamentos OAB combinados", disse Hee-Jong Seo, professora na Universidade do Ohio e colíder da análise OAB do DESI. "Estamos muito entusiasmados por saber como estas novas medições irão melhorar e alterar a nossa compreensão do cosmos. Os humanos têm um fascínio intemporal pelo nosso Universo, querendo saber de que é feito e o que lhe vai acontecer."
A utilização de galáxias para medir a história da expansão e compreender melhor a energia escura é uma técnica, mas só pode ir até certo ponto. A certa altura, a luz das galáxias típicas é demasiado ténue, pelo que os investigadores recorrem aos quasares, núcleos galácticos extremamente distantes e brilhantes com buracos negros no centro. A luz dos quasares é absorvida à medida que atravessa nuvens intergalácticas de gás, permitindo aos investigadores mapear as bolsas de matéria densa e utilizá-las da mesma forma que utilizam as galáxias - uma técnica conhecida como utilização da "floresta Lyman-alpha".
"Usamos os quasares como luz de fundo para ver basicamente a sombra do gás interveniente entre os quasares e nós", disse Andreu Font-Ribera, cientista do IFAE (Institute for High Energy Physics) em Espanha, que colidera a análise da floresta Lyman-alpha do DESI. "Permite-nos olhar para mais longe, para quando o Universo era muito jovem. É uma medição muito difícil de fazer e é muito emocionante ver que foi bem-sucedida."
Os investigadores utilizaram 450.000 quasares, o maior conjunto alguma vez recolhido para estas medições da floresta Lyman-alpha, para alargar as suas medições OAB até 11 mil milhões de anos no passado. No final do levantamento, o DESI planeia mapear 3 milhões de quasares e 37 milhões de galáxias.
Este diagrama revela um padrão característico - OABs (Oscilações Acústicas de Bariões), ou "bolhas" OAB - em diferentes idades do Universo. A quantidade de energia escura determina a rapidez com que o Universo cresce e, por conseguinte, o tamanho das bolhas. As linhas sólidas e tracejadas representam previsões do tamanho das bolhas, dependendo do facto da energia escura evoluir ou não com o tempo. O DESI irá recolher mais dados para determinar qual o modelo que melhor descreve o Universo.
Crédito: Colaboração DESI/A. de Mattia
Ciência de ponta
O DESI é a primeira experiência espetroscópica a efetuar uma análise totalmente "cega", que oculta o verdadeiro resultado aos cientistas para evitar qualquer viés de confirmação subconsciente. Os investigadores trabalham no "escuro" com dados modificados, escrevendo o código para analisar as suas descobertas. Quando tudo está finalizado, aplicam a sua análise aos dados originais para revelar a resposta real.
"A forma como fizemos a análise dá-nos confiança nos nossos resultados e, em particular, mostra que a floresta Lyman-alpha é uma ferramenta poderosa para medir a expansão do Universo", disse Julien Guy, cientista do Berkeley Lab e colíder do processamento da informação dos espetrógrafos do DESI. "O conjunto de dados que estamos a recolher é excecional, tal como o ritmo a que os estamos a recolher. Esta é a medição mais precisa que alguma vez fiz na minha vida".
Os dados do DESI serão usados para complementar futuros levantamentos do céu, como o Observatório Vera C. Rubin e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, e para preparar uma potencial atualização do DESI (DESI-II) que foi recomendada num relatório recente do Painel de Priorização de Projetos de Física de Partículas dos EUA.
"Estamos na era dourada da cosmologia, com levantamentos a grande escala em curso e prestes a serem iniciados, e com novas técnicas a serem desenvolvidas para fazer o melhor uso destes conjuntos de dados", disse Arnaud de Mattia, um investigador da Comissão Francesa de Energias Alternativas e Energia Atómica e colíder do grupo do DESI que interpreta os dados cosmológicos. "Estamos todos muito motivados para ver se os novos dados confirmarão as características que observámos na nossa amostra do primeiro ano e para construir uma melhor compreensão da dinâmica do nosso Universo."
Investigadores detetam um notável sinal de ondas gravitacionais (via Universidade de Portsmouth)
O sinal é resultante da colisão do que é muito provavelmente uma estrela de neutrões com um objeto compacto com 2,5 a 4,5 vezes a massa do nosso Sol. As estrelas de neutrões e os buracos negros são ambos objetos compactos, os remanescentes densos de explosões estelares massivas. O que torna este sinal, de nome GW230529, notável, é a massa do objeto mais pesado. Está dentro de um possível intervalo de massa entre as mais pesadas estrelas de neutrões conhecidas e os buracos negros mais leves. Ler fonte
As colisões estelares produzem sobreviventes estranhas, semelhantes a zombies (via Universidade Northwestern)
Apesar das suas idades antigas, algumas estrelas que orbitam o buraco negro supermassivo central da Via Láctea parecem enganadoramente jovens. Mas ao contrário dos humanos, que podem parecer rejuvenescidos com uma nova ronda de injeções de colagénio, estas estrelas parecem jovens por uma razão muito mais obscura. Comeram as suas vizinhas. Usando um novo modelo, os astrofísicos seguiram as viagens violentas de 1000 estrelas simuladas que orbitam o buraco negro supermassivo central da nossa Galáxia, Sagitário A* (Sgr A*). Ler fonte
Álbum de fotografias Cometa 12P/Pons-Brooks
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dan Bartlett
Num céu escuro sob June Lake, Califórnia, no hemisfério norte do planeta Terra, o Cometa 12P/Pons-Brooks estava, no dia 30 de março, ainda relativamente alto a oeste. A sua turbulenta e retorcida cauda iónica, bem como a sua cabeleira esverdeada e difusa, foram fotografadas neste campo de visão telescópica com dois graus, juntamente com a brilhante estrela amarelada Hamal, também conhecida como Alpha Arietis. Infelizmente, o Cometa 12P/Pons-Brooks está de saída do céu noturno hemisfério norte, aproximando-se do seu periélio no dia 21 de abril. Será de mais fácil observação para aqueles que se encontrem no percurso da totalidade do eclipse solar do próximo dia 8 de abril.
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