DIA 28/05: 149.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 585 AC, ocorre um eclipse solar, como previsto pelo filósofo e cientista grego Tales de Mileto, durante o qual Aliates II enfrenta Cyaxares na Batalha de Halys ou Batalha do Eclipse, o que leva a uma trégua. Esta é uma das datas mais importantes, a partir da qual outras datas podem ser calculadas. No entanto, vários especialistas disputam esta previsão, dado o conhecimento astronómico disponível na altura.
Em 1879, nascia Milutin Milankovitch, astrónomo, matemático, climatólogo, geofísico, engenheiro civil e doutor de tecnologia sérvio, que fez duas importantes contribuições para a Ciência. A primeira é a caracterização dos climas de todos os planetas do Sistema Solar e a segunda é a explicação dos ciclos climáticos da Terra a longo termo, provocados pela posição do nosso planeta em relação ao Sol, agora conhecidos como Ciclos de Milankovitch.
Em 1912, nascia Ruby Payne-Scott, australiana, a primeira radioastronónoma.
Em 1959, lançamento dos dois macacos Able & Baker. Passaram 16 minutos a viajar a uma altitude de 480 km.
Em 1971 era lançada a Mars 3 (USSR).
A 2 de dezembro do mesmo ano, alcançou Marte mas o "lander" enviou apenas 20 segundos de dados.
Em 1998, o asteroide 1998 KY26 era descoberto por Tom Gehrels. Usando observações por radar, a velocidade de rotação deste asteroide foi estimada em 10,7 minutos!
Em 2002, a Mars Odyssey descobre sinais de imensos depósitos de gelo no planeta Marte. HOJE, NO COSMOS:
Já viu Alpha Centauri? Com declinação -61º, este astro com magnitude zero está permanentemente fora de vista se estiver para norte da latitude 29º. Mas, abaixo, Alpha Cen raspa o horizonte o sul durante algum tempo por estas noites.
Quando é que isto ocorre? Quando se deve observar? Quando Alpha Librae, de Balança, estiver a sul.
DIA 29/05: 150.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1794, nascia Johann Heinrich von Mädler, astrónomo alemão.
Produziu os primeiros mapas verdadeiros de Marte, fez determinações preliminares do período de rotação de Marte com apenas poucos segundos de erro e produziu o primeiro mapa exato da Lua.
Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos (Arthur Eddington e Andrew Crommelin), tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1929, nascia Peter Higgs, físico teórico britânico, famoso pelo seu mecanismo Higgs, que prevê a existência do bosão de Higgs.
Em 1974 era lançada a Luna 22 (USSR).
Em 1999, o vaivém Discovery completa a sua primeira atracagem com a Estação Espacial Internacional. HOJE, NO COSMOS:
Durante a maior parte da primavera, a latitudes médias norte, a Via Láctea fica escondida logo abaixo do horizonte. Mas agora, observe para este. A rica área Cefeu-Cisne-Águia da Via Láctea começa a erguer-se de nordeste a sudeste antes da meia-noite, mais cedo e mais alto a cada semana. Uma dica para quem vive sob poluição luminosa: passa horizontalmente por baixo de Vega, ao longo da parte de baixo do Triângulo de verão.
DIA 30/05: 151.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda americana a aterrar em segurança noutro corpo planetário (neste caso, a Lua).
Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6.900 imagens, que corresponderam a 70% da superfície do planeta. Estudou também as mudanças temporais na atmosfera e à superfície.
Em 2020, a Crew Dragon Demo-2 levanta voo a partir do Centro Espacial Kennedy, tornando-se a primeira nave orbital tripulada a ser lançada a partir dos EUA desde 2011. HOJE, NO COSMOS:
Antes do amanhecer, a Lua está a sudeste, com Saturno a pouco mais de um punho à distância do braço esticado para a sua esquerda.
Lua em Quarto Minguante, pelas 18:13.
TESS da NASA descobre mundo intrigante com tamanho entre o da Terra e de Vénus
Gliese 12 b, que orbita uma estrela anã vermelha fria situada a apenas 40 anos-luz de distância, promete dar mais informações aos astrónomos sobre a forma como os planetas próximos das suas estrelas retêm ou perdem as suas atmosferas. Neste conceito artístico, Gliese 12 b retém uma atmosfera fina.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (Caltech-IPAC)
Utilizando observações do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA e de muitas outras instalações, duas equipas internacionais de astrónomos descobriram um planeta com dimensões entre a Terra e Vénus a apenas 40 anos-luz de distância. Múltiplos factores fazem dele um candidato adequado para um estudo mais aprofundado com o Telescópio Espacial James Webb.
O TESS observa uma grande faixa do céu durante cerca de um mês de cada vez, registando as alterações de brilho de dezenas de milhares de estrelas a intervalos que vão de 20 segundos a 30 minutos. Captar trânsitos - quedas breves e regulares de brilho estelar provocadas pela passagem de mundos em órbita - é um dos principais objetivos da missão.
"Encontrámos, até à data e recorrendo ao método de trânsito, o mundo mais próximo, temperado e do tamanho da Terra ", disse Masayuki Kuzuhara, professor assistente no Centro de Astrobiologia em Tóquio, que coliderou uma equipa de investigação com Akihiko Fukui, professor assistente na Universidade de Tóquio. "Embora ainda não saibamos se possui uma atmosfera, temos pensado nele como um exo-Vénus, com tamanho e energia recebidos da sua estrela semelhantes aos do nosso vizinho planetário no Sistema Solar."
A estrela hospedeira, chamada Gliese 12, é uma anã vermelha fria situada a quase 40 anos-luz de distância na direção da constelação de Peixes. A estrela tem apenas cerca de 27% do tamanho do Sol, com cerca de 60% da temperatura da superfície do Sol. O mundo recém-descoberto, chamado Gliese 12 b, completa uma órbita a cada 12,8 dias e é do tamanho da Terra ou ligeiramente mais pequeno - comparável a Vénus. Assumindo que não tem atmosfera, o planeta tem uma temperatura à superfície estimada em cerca de 42 graus Celsius.
Os astrónomos dizem que as relativamente pequenas massas e tamanhos das anãs vermelhas as tornam ideais para encontrar planetas do tamanho da Terra. Uma estrela mais pequena significa um maior escurecimento em cada trânsito, e uma massa menor significa que um planeta em órbita pode produzir uma maior oscilação, conhecida como "movimento reflexo", da estrela. Estes efeitos tornam os planetas mais pequenos mais fáceis de detetar.
As luminosidades mais baixas das estrelas anãs vermelhas também significam que as suas zonas habitáveis - o intervalo de distâncias orbitais onde pode existir água líquida à superfície de um planeta - ficam mais perto [delas]. Isto faz com que seja mais fácil detetar planetas em trânsito dentro de zonas habitáveis em torno de anãs vermelhas do que em torno de estrelas que emitem mais energia.
A distância que separa Gliese 12 e o novo planeta é apenas 7% da distância entre a Terra e o Sol. O planeta recebe 1,6 vezes mais energia da sua estrela do que a Terra recebe do Sol e cerca de 85% do que Vénus recebe.
O tamanho estimado de Gliese 12 b, talvez tão grande como a Terra ou até ligeiramente mais pequeno - comparável a Vénus no nosso Sistema Solar. Esta ilustração compara a Terra com diferentes interpretações possíveis de Gliese 12 b, desde uma sem atmosfera até uma com uma espessa atmosfera semelhante à de Vénus. Observações posteriores com o Telescópio Espacial James Webb da NASA poderão ajudar a determinar efetivamente que tipo de atmosfera o planeta mantém, bem como a sua composição.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (Caltech-IPAC)
"Gliese 12 b representa um dos melhores alvos para estudar se planetas do tamanho da Terra em órbita de estrelas frias podem reter as suas atmosferas, um passo crucial para avançar a nossa compreensão da habitabilidade em planetas da nossa Galáxia", disse Shishir Dholakia, estudante de doutoramento no Centro de Astrofísica da Universidade do Sul de Queensland, na Austrália. Coliderou uma equipa de investigação diferente juntamente com Larissa Palethorpe, estudante de doutoramento na Universidade de Edimburgo e na UCL (University College London).
Ambas as equipas sugerem que o estudo de Gliese 12 b pode ajudar a desvendar alguns aspetos da evolução do nosso próprio Sistema Solar.
"Pensa-se que as primeiras atmosferas da Terra e de Vénus foram removidas e depois reabastecidas por desgaseificação vulcânica e bombardeamentos de material residual do Sistema Solar", explicou Palethorpe. "A Terra é habitável, mas Vénus não o é devido à sua completa perda de água. Como Gliese 12 b está entre a Terra e Vénus em termos de temperatura, a sua atmosfera pode ensinar-nos muito sobre os percursos de habitabilidade que os planetas tomam à medida que se desenvolvem."
Um factor importante na manutenção de uma atmosfera é a atividade da sua estrela. As anãs vermelhas tendem a ser magneticamente ativas, o que resulta em frequentes e poderosas erupções de raios X. No entanto, as análises de ambas as equipas concluem que Gliese 12 não mostra sinais de comportamento extremo.
Um artigo liderado por Kuzuhara e Fukui foi publicado no dia 23 de maio na revista The Astrophysical Journal Letters. Os resultados de Dholakia e Palethorpe foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society no mesmo dia.
Durante um trânsito, a luz da estrela hospedeira passa através de qualquer atmosfera. As diferentes moléculas de gás absorvem cores diferentes, pelo que o trânsito fornece um conjunto de impressões digitais químicas que podem ser detetadas por telescópios como o Webb.
"Conhecemos apenas uma mão-cheia de planetas temperados semelhantes à Terra que estão suficientemente próximos de nós e que cumprem outros critérios necessários para este tipo de estudo, chamado espetroscopia de transmissão, utilizando as instalações atuais", disse Michael McElwain, astrofísico investigador do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, e coautor do artigo científico de Kuzuhara e Fukui. "Para compreender melhor a diversidade das atmosferas e os desfechos evolutivos destes planetas, precisamos de mais exemplos como Gliese 12 b."
Um novo catálogo mostra uma paisagem exoplanetária diversificada com mundos estranhos e exóticos
Representação artística da variedade de exoplanetas apresentados no novo Catálogo de Massas do Levantamento TESS-Keck, a maior análise homogénea de planetas do TESS divulgada por qualquer levantamento até agora.
Crédito: Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko
Foi lançado um novo e robusto catálogo com 126 exoplanetas confirmados e candidatos a exoplanetas, descobertos com o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA em colaboração com o Observatório W. M. Keck em Maunakea, Hawaii.
Nesta última edição do Levantamento TESS-Keck, o catálogo consiste em milhares de observações de velocidade radial que revelam uma fascinante mistura de tipos de planetas para lá do nosso Sistema Solar, desde mundos raros com ambientes extremos a mundos que poderiam possivelmente suportar vida.
O estudo foi publicado na edição de 23 de maio da revista The Astrophysical Journal Supplement.
"Os resultados do Levantamento TESS-Keck representam a maior contribuição para a compreensão da natureza física e das arquiteturas dos sistemas dos novos planetas que o TESS descobriu", afirma Alex Polanski, estudante de física e astronomia da Universidade do Kansas e principal autor do estudo. "Catálogos como este ajudam os astrónomos a colocar mundos individuais em contexto com o resto da população de exoplanetas."
Polanski e uma equipa global de astrónomos de várias instituições passaram três anos a desenvolver o catálogo; pegaram em dados planetários do TESS e analisaram 9204 medições de velocidade radial, 4943 das quais foram feitas ao longo de 301 noites de observação usando o instrumento de caça a planetas do Observatório Keck chamado HIRES (High-Resolution Echelle Spectrometer).
"Os resultados do Levantamento TESS-Keck dependem fundamentalmente da espetroscopia Doppler do HIRES do Observatório Keck. A comunidade científica dos EUA tem confiado neste instrumento de trabalho para estudos exoplanetários durante quase três décadas", diz o professor associado de física e astronomia da Universidade do Kansas Ian Crossfield, coautor do artigo científico.
A equipa também obteve mais 4261 medições de velocidade radial com o APF (Automated Planet Finder) do Observatório Lick da Universidade da Califórnia, no mesmo estado norte-americano. Com o total combinado das medições de velocidade radial, foi possível calcular as massas de 120 planetas confirmados e de seis planetas candidatos.
"As medições de velocidade radial permitem aos astrónomos detetar e conhecer as propriedades destes sistemas exoplanetários. Quando vemos uma estrela a oscilar regularmente para a frente e para trás, podemos inferir a presença de um planeta em órbita e medir a massa do planeta", diz Crossfield.
A oscilação produz uma mudança regular nos comprimentos de onda devido ao efeito Doppler, que é detetado através do método de velocidade radial - uma das técnicas utilizadas para encontrar exoplanetas. O fenómeno refere-se ao efeito gravitacional que um exoplaneta exerce sobre a sua estrela hospedeira, onde puxa a estrela à medida que o planeta orbita à sua volta. Quando a estrela hospedeira se move em direção a um telescópio, a sua luz visível torna-se ligeiramente mais azul; quando se afasta de nós, a luz torna-se ligeiramente mais vermelha. Isto é muito parecido com o comportamento do som; a sirene de um camião de bombeiros fica mais aguda quando se aproxima de nós e mais grave quando se afasta.
Dos planetas analisados no Levantamento TESS-Keck, dois planetas - TOI-1824 b e TOI-1798 c - destacam-se como exemplos de mundos com características tão peculiares que dão uma nova perspetiva sobre a classificação de exoplanetas e servem como potenciais pedras de toque para aprofundar a compreensão dos astrónomos sobre as diversas formas de formação e evolução dos planetas.
TOI-1824 b: Um Sub-Neptuno Superdenso
Impressão de artista do sistema TOI-1824. O exoplaneta TOI-1824 b é um sub-Neptuno superdenso com quase 19 vezes a massa da Terra, mas apenas 2,6 vezes o seu tamanho.
Crédito: Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko
Um dos sub-Neptunos mais densos do catálogo do Levantamento TESS-Keck, e objeto de outro artigo científico do Levantamento TESS-Keck da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, da autoria de Sarah Lange, TOI-1824 b é invulgarmente denso para um planeta do seu tamanho.
"Com quase 19 vezes a massa da Terra, mas apenas 2,6 vezes o tamanho do nosso planeta natal, TOI-1824 b é um exoplaneta estranho", diz o coautor Joseph Murphy, estudante da UC Santa Cruz. "Os planetas com dimensões semelhantes têm normalmente uma massa entre 6 e 12 vezes a massa da Terra".
Uma explicação para o facto de TOI-1824 b ser tão massivo, mas parecer muito mais pequeno do que o habitual, é que poderá ter um núcleo semelhante ao da Terra, rodeado por uma atmosfera invulgarmente fina, dominada pelo hidrogénio. Outra possibilidade é que o planeta tem um núcleo rico em água sob uma atmosfera de vapor.
"Este sub-Neptuno superdenso pode ser o primo massivo dos mundos aquáticos, que são pequenos planetas com elevado teor de água que se pensa existirem em torno de estrelas anãs vermelhas", diz Murphy.
As anãs vermelhas, ou estrelas anãs M, são o tipo de estrela mais comum na nossa Galáxia. São alvos ideais na procura de mundos habitáveis porque as anãs M são mais frias que o Sol; isto permite a existência de água líquida em planetas que orbitam mais perto delas, tornando estes sistemas mais fáceis de estudar.
TOI-1798 c: Uma Super-Terra rara e extrema
TOI-1798, um sistema que alberga dois planetas. O planeta interior é uma estranha super-Terra tão próxima da sua estrela que um ano neste mundo alienígena dura apenas metade de um dia terrestre.
Crédito:
Observatório W. M. Keck/Adam Makarenko
TOI-1798 é uma anã laranja, ou estrela de tipo K, com dois planetas: TOI-1798 b, um sub-Neptuno que tem uma órbita de cerca de oito dias, e TOI-1798 c, uma super-Terra que está tão perto da sua estrela hospedeira que completa uma órbita em menos de 12 horas. Este sistema planetário raro é um dos poucos sistemas estelares conhecidos que têm um planeta interior com uma órbita de período ultracurto.
"Enquanto a maioria dos planetas que conhecemos atualmente orbitam a sua estrela mais depressa do que Mercúrio orbita o Sol, os planetas com período ultracurto levam isto ao extremo. TOI-1798 c orbita a sua estrela tão rapidamente que um ano neste planeta dura menos de meio dia na Terra. Devido à proximidade da sua estrela hospedeira, os planetas com período ultracurto são também ultraquentes - recebendo mais de 3000 vezes a radiação que a Terra recebe do Sol. Existir neste ambiente extremo significa que este planeta provavelmente perdeu qualquer atmosfera que se tenha formado inicialmente", diz Polanski.
Com o Catálogo de Massas do Levantamento TESS-Keck, os astrónomos dispõem agora de uma nova base de dados para explorar as últimas investigações sobre os mundos que o TESS detetou; isto abre caminho ao estudo das variáveis e condições dos seus ambientes com maior detalhe, em particular aqueles que poderão albergar vida tal como a conhecemos.
"Ainda há milhares de planetas não confirmados apenas pela missão TESS, pelo que grandes lançamentos de novos planetas como este serão cada vez mais comuns à medida que os astrónomos se esforçam por conhecer a diversidade de mundos que vemos atualmente", diz Crossfield.
As galáxias em formação ativa no Universo primitivo alimentam-se de gás frio
Esta ilustração mostra uma galáxia a formar-se apenas algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang, quando o gás era uma mistura de transparente e opaco durante a Era da Reionização. Dados do Telescópio Espacial James Webb da NASA mostram que o gás frio está a cair sobre estas galáxias.
Crédito:
NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
Investigadores, analisando dados do Telescópio Espacial James Webb da NASA, identificaram três galáxias que poderão estar a formar-se ativamente quando o Universo tinha apenas 400 a 600 milhões de anos. Os dados do Webb mostram que estas galáxias estão rodeadas de gás que os investigadores suspeitam ser quase exclusivamente hidrogénio e hélio, os primeiros elementos a existir no cosmos. Os instrumentos do Webb são tão sensíveis que foram capazes de detetar uma quantidade invulgar de gás denso em torno destas galáxias. Este gás acabará provavelmente por alimentar a formação de novas estrelas nas galáxias.
"Estas galáxias são como ilhas brilhantes num mar de gás neutro e opaco", explicou Kasper Heintz, o autor principal e professor assistente de astrofísica no DAWN (Cosmic Dawn Center) da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca. "Sem o Webb, não poderíamos observar estas galáxias muito primordiais, e muito menos aprender tanto sobre a sua formação".
"Estamos a afastar-nos de uma imagem das galáxias como ecossistemas isolados. Nesta fase da história do Universo, as galáxias estão todas intimamente ligadas ao meio intergaláctico, com os seus filamentos e estruturas de gás pristino", acrescentou Simone Nielsen, coautora e estudante de doutoramento também do DAWN.
Nas imagens do Webb, as galáxias parecem manchas vermelhas ténues, razão pela qual os dados adicionais, conhecidos como espetros, foram fundamentais para as conclusões da equipa. Esses espetros mostram que a luz destas galáxias está a ser absorvida por grandes quantidades de gás hidrogénio neutro. "O gás deve estar muito espalhado e cobrir uma fração muito grande da galáxia", disse Darach Watson, coautor e professor no DAWN. "Isto sugere que estamos a assistir à formação de gás hidrogénio neutro em galáxias. Esse gás irá arrefecer, aglomerar-se e formar novas estrelas".
O Universo era um lugar muito diferente várias centenas de milhões de anos após o Big Bang, durante um período conhecido como a Era da Reionização. O gás entre as estrelas e as galáxias era em grande parte opaco. O gás em todo o Universo só se tornou totalmente transparente cerca de mil milhões de anos após o Big Bang. As estrelas das galáxias contribuíram para aquecer e ionizar o gás à sua volta, fazendo com que o gás acabasse por se tornar completamente transparente.
Ao fazer corresponder os dados do Webb a modelos de formação estelar, os investigadores descobriram também que estas galáxias têm sobretudo populações de estrelas jovens. "O facto de estarmos a ver grandes reservatórios de gás também sugere que as galáxias ainda não tiveram tempo suficiente para formar a maioria das suas estrelas", acrescentou Watson.
Isto é apenas o começo
O Webb não só está a cumprir os objetivos da missão que impulsionaram o seu desenvolvimento e lançamento, como os está a ultrapassar. "Imagens e dados destas galáxias distantes eram impossíveis de obter antes do Webb", explicou Gabriel Brammer, coautor e professor associado do DAWN. "Além disso, tínhamos uma boa noção do que iríamos encontrar quando vislumbrámos os dados pela primeira vez - estávamos quase a fazer descobertas a olho."
Há ainda muitas outras questões a resolver. Onde, especificamente, está o gás? Quanto é que está localizado perto dos centros das galáxias - ou na sua periferia? O gás é puro ou já está povoado por elementos mais pesados? A investigação tem muito por diante. "O próximo passo é construir grandes amostras estatísticas de galáxias e quantificar em pormenor a prevalência e a proeminência das suas características", disse Heintz.
As descobertas dos investigadores foram possíveis graças ao levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science) do Webb, que inclui espetros de galáxias distantes do instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph), e foi lançado imediatamente para apoiar descobertas como esta como parte do programa ERS (Early Release Science) do Webb.
Este trabalho foi publicado na edição de 24 de maio de 2024 da revista Science.
A origem do campo magnético do Sol poderá estar perto da sua superfície (via MIT)
A superfície do Sol é uma exibição brilhante de manchas e erupções solares, impulsionada pelo campo magnético solar, que é gerado internamente através de um processo chamado efeito dínamo. Os astrofísicos têm assumido que o campo do Sol é gerado nas profundezas da estrela. Mas um estudo do MIT conclui que a atividade do Sol pode ser moldada por um processo muito mais superficial. Num artigo publicado na revista Nature, os investigadores concluem que o campo magnético do Sol pode resultar de instabilidades nas suas camadas mais externas. Ler fonte
Álbum de fotografias M78 pelo Telescópio Espacial Euclid
A formação estelar pode ser atribulada. Para ajudar a descobrir quão atribulada, o novo telescópio Euclid da ESA, em órbita do Sol, captou recentemente a imagem mais detalhada de sempre da brilhante região de formação estelar M78. Perto do centro da imagem, M78 encontra-se a uma distância de apenas cerca de 1300 anos-luz e tem um núcleo brilhante que se estende por cerca de 5 anos-luz. A imagem em destaque foi obtida tanto em luz visível como no infravermelho. A tonalidade púrpura no centro de M78 é causada por poeira escura que reflete preferencialmente a luz azul de estrelas quentes e jovens. Correntes e filamentos complexos de poeira podem ser traçados através desta paisagem deslumbrante e reveladora. No canto superior esquerdo está a região de formação estelar associada NGC 2071, enquanto uma terceira região de formação estelar é visível no canto inferior direito. Estas nebulosas fazem parte do vasto Complexo de Nuvens Moleculares de Orionte, que pode ser encontrado, mesmo com um pequeno telescópio, a norte da cintura de Orionte.
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