DIA 02/07: 184.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1967, os satélites de raios-gama Vela 3 e 4, lançados com a intenção de detetar explosões de bombas nucleares, tornam-se famosos pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objetivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa.
O primeiro encontro ocorreu a 13 de março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Em 2013, a União Astronómica Internacional dá os nomes Cérbero e Estige à 4.ª e 5.ª luas de Plutão, respetivamente. HOJE, NO COSMOS:
As duas estrelas mais brilhantes do verão, Arcturo e Vega, estão praticamente à mesma altura após o anoitecer: Arcturo a sudoeste, Vega a este. Arcturo costumava ser, das duas, a mais alta. Agora é Vega que retém esse título o resto do ano.
DIA 03/07: 185.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969, ocorre a maior explosão na história dos foguetões quando o soviético Soyuz N-1 (5L) explode e subsequentemente destroi a sua plataforma de lançamento. Esta é também uma das maiores explosões artificiais não-nucleares da História da Humanidade.
Em 2006, o asteroide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra. HOJE, NO COSMOS:
Ao amanhecer, Júpiter e a fina Lua estão separados por 4 ou 5 graus, baixos a este-nordeste. Encontre Marte cerca de 20º (dois punhos à distância do braço esticado) para cima e para a direita. Não espere muito tempo ou o céu fica demasiado brilhante!
DIA 04/07: 186.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1054, foi detetada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses, árabes e possivelmente pelos povos indígenas do continente americano. Permaneceu visível durante meses, brilhante o suficiente para ser vista durante o dia. Deu origem ao remanescente de supernova chamado Nebulosa do Caranguejo, também conhecido por M1.
Em 1868 nascia Henrietta Swan Leavitt, astrónoma americana que examinou chapas fotográficas para medir e catalogar o brilho de estrelas.
Descobriu a relação entre a luminosidade e o período das estrelas variáveis Cefeidas. Foi a sua descoberta que permitiu aos astrónomos medirem a distância entre a Terra e as galáxias distantes. Após a sua morte, Edwin Hubble usou a relação do período-luminosidade das Cefeidas para determinar que a Via Láctea não era a única galáxia no Universo observável e que o Universo estava em expansão.
Em 1997, a Pathfinder aterrava em Marte.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1.
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery.
Em 2012, é anunciada no CERN a descoberta de partículas consistentes com o bosão de Higgs no LHC (Large Hadron Collider). HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Maior, alta a noroeste, começa a "dar a volta" com o avançar da noite para "apanhar água" durante as noites de verão e início de outono.
Pequenos objetos brilhantes descobertos na aurora do Universo deixam os cientistas perplexos
Os investigadores estudaram três objetos misteriosos no início do Universo. Aqui são mostradas as suas imagens a cores, compostas a partir de três bandas de filtros NIRCam a bordo do Telescópio Espacial James Webb. São notavelmente compactos em comprimentos de onda vermelhos (o que lhes valeu o termo "pequenos pontos vermelhos") com alguma evidência de estrutura espacial em comprimentos de onda azuis.
Crédito: Wang et al., 2024/Universidade do Estado da Pensilvânia
Uma descoberta recente feita pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA (JWST) confirmou que objetos luminosos e muito vermelhos anteriormente detetados no Universo primitivo vieram alterar o pensamento convencional sobre as origens e a evolução das galáxias e dos seus buracos negros supermassivos.
Uma equipa internacional, liderada por investigadores da Universidade do Estado da Pensilvânia, EUA, utilizando o instrumento NIRSpec a bordo do JWST no âmbito do levantamento RUBIES, identificou três objetos misteriosos no início do Universo, cerca de 600-800 milhões de anos após o Big Bang, quando o Universo tinha apenas 5% da sua idade atual. A descoberta foi anunciada dia 27 de junho na revista The Astrophysical Journal Letters.
A equipa estudou as medições espetrais, ou seja, a intensidade dos diferentes comprimentos de onda da luz emitida pelos objetos. A sua análise encontrou assinaturas de estrelas "velhas", com centenas de milhões de anos, muito mais antigas do que o esperado num Universo jovem.
Os investigadores disseram que também ficaram surpreendidos ao descobrir assinaturas de enormes buracos negros supermassivos nos mesmos objetos, estimando que são 100 a 1000 vezes mais massivos do que o buraco negro supermassivo da nossa própria Via Láctea. Nada disto é esperado nos modelos atuais de crescimento de galáxias e de formação de buracos negros supermassivos, que preveem que as galáxias e os seus buracos negros cresçam em conjunto ao longo de milhares de milhões de anos da história cósmica.
"Confirmámos que estes objetos parecem estar cheios de estrelas antigas - com centenas de milhões de anos - num Universo que tem apenas 600-800 milhões de anos. Notavelmente, estes objetos detêm o recorde das primeiras assinaturas de luz estelar antiga", disse Bingjie Wang, académica pós-doutorada na Universidade da Pensilvânia e autora principal do artigo científico. "Foi totalmente inesperado encontrar estrelas velhas num Universo muito jovem. Os modelos padrão da cosmologia e da formação de galáxias têm sido incrivelmente bem sucedidos, no entanto, estes objetos luminosos não se encaixam confortavelmente nessas teorias".
Os investigadores detetaram os objetos massivos pela primeira vez em julho de 2022, quando o conjunto inicial de dados foi divulgado. A equipe publicou um artigo científico na revista Nature vários meses depois, anunciando a existência dos objetos.
Na altura, os investigadores suspeitaram que os objetos eram galáxias, mas prosseguiram a sua análise tirando espetros para compreender melhor as verdadeiras distâncias dos objetos, bem como as fontes que alimentam a sua imensa luz.
Os investigadores utilizaram então os novos dados para obter uma imagem mais clara do aspeto das galáxias e do seu interior. A equipa não só confirmou que os objetos eram, de facto, galáxias perto do início dos tempos, como também encontrou evidências de buracos negros supermassivos surpreendentemente grandes e uma população de estrelas surpreendentemente antiga.
"É tudo muito confuso", disse Joel Leja, professor assistente de astronomia e astrofísica na Universidade do Estado da Pensilvânia e coautor de ambos os artigos científicos. "É possível fazer com que isto se encaixe desconfortavelmente no nosso modelo atual do Universo, mas apenas se evocarmos uma formação exótica e insanamente rápida no início dos tempos. Este é, sem dúvida, o conjunto de objetos mais peculiar e interessante que já vi em toda a minha carreira".
O JWST está equipado com instrumentos de estudo no infravermelho capazes de detetar a luz emitida pelas estrelas e pelas galáxias mais antigas. Essencialmente, o telescópio permite aos cientistas recuar no tempo cerca de 13,5 mil milhões de anos, perto do início do Universo tal como o conhecemos, disse Leja.
Um dos desafios da análise da luz antiga é que pode ser difícil diferenciar entre os tipos de objetos que podem ter emitido essa luz. No caso destes objetos antigos, eles têm características claras tanto de buracos negros supermassivos como de estrelas antigas. No entanto, explicou Wang, ainda não é claro quanto da luz observada provém de cada um deles - o que significa que podem ser galáxias iniciais inesperadamente mais massivas do que a nossa Via Láctea, formando-se muito antes do que os modelos preveem, ou podem ser galáxias de massa mais normal com buracos negros "supramassivos", cerca de 100 a 1000 vezes mais massivos do que uma galáxia deste tipo teria atualmente.
"Distinguir entre a luz do material que cai num buraco negro e a luz emitida por estrelas nestes objetos minúsculos e distantes é um desafio", disse Wang. "Essa incapacidade de ver a diferença no atual conjunto de dados deixa uma grande margem para a interpretação destes objetos intrigantes. Honestamente, é emocionante ter tanto deste mistério por descobrir".
Para além da sua massa e idade inexplicáveis, se parte da luz é de facto proveniente de buracos negros supermassivos, então também não são buracos negros supermassivos normais. Produzem muito mais fotões ultravioleta do que o esperado e objetos semelhantes estudados com outros instrumentos não têm as assinaturas características dos buracos negros supermassivos, tais como poeira quente e emissões brilhantes de raios X. Mas talvez o mais surpreendente, segundo os investigadores, seja o facto de parecerem tão massivos.
"Normalmente, os buracos negros supermassivos são emparelhados com galáxias", disse Leja. "Crescem juntos e passam juntos por todas as experiências importantes da sua vida. Mas aqui, temos um buraco negro adulto, completamente formado, a viver dentro do que deveria ser uma galáxia bebé. Isto não faz sentido, porque estas coisas deviam crescer juntas, ou pelo menos era isso que pensávamos".
Os investigadores ficaram também perplexos com as dimensões incrivelmente pequenas destes sistemas, com apenas algumas centenas de anos-luz de diâmetro, cerca de 1000 vezes mais pequenas do que a nossa Via Láctea. As estrelas são aproximadamente tão numerosas como na nossa Galáxia - entre 10 mil milhões e 1 bilião de estrelas - mas contidas num volume 1000 vezes mais pequeno do que a Via Láctea.
Leja explicou que se pegássemos na Via Láctea e a comprimíssemos para o tamanho das galáxias que encontraram, a estrela mais próxima estaria quase no nosso Sistema Solar. O buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, a cerca de 26.000 anos-luz de distância, estaria apenas a cerca de 26 anos-luz da Terra e seria visível no céu como um pilar gigante de luz.
"Estas galáxias primitivas seriam tão densas com estrelas - estrelas que se devem ter formado de uma forma que nunca vimos, em condições que nunca esperaríamos, durante um período em que nunca esperaríamos vê-las", disse Leja. "E, por qualquer razão, o Universo deixou de produzir objetos como estes ao fim de apenas alguns milhares de milhões de anos. São únicos no Universo primitivo".
Os investigadores esperam fazer mais observações que, segundo eles, poderão ajudar a explicar alguns dos mistérios dos objetos. Planeiam obter espetros mais profundos apontando o telescópio para os objetos durante períodos de tempo mais longos, o que ajudará a separar a emissão das estrelas e do potencial buraco negro supermassivo, identificando as assinaturas de absorção específicas que estariam presentes em cada classe.
"Há outra forma de conseguirmos um avanço, e essa é a ideia certa", disse Leja. "Temos todas estas peças do puzzle e elas só encaixam se ignorarmos o facto de algumas delas se partirem. Este problema é passível de um golpe de génio que até agora nos escapou, bem como a todos os nossos colaboradores e a toda a comunidade científica".
Impressão de artista da brilhante região em torno de um quasar, numa galáxia ativa. O buraco negro supermassivo no centro está rodeado por um disco brilhante de gás e poeira. A componente de poeira mais afastada pode obscurecer a visão do interior e brilha predominantemente na gama do infravermelho médio, luz que pode ser analisada pelo Telescópio Espacial James Webb. Um feixe de partículas altamente energéticas, agrupadas, projeta-se para o espaço a partir da vizinhança imediata do buraco negro, perpendicularmente ao disco.
Crédito: T. Müller/Instituto Max Planck de Astronomia
Ao perscrutar os primórdios do Universo com 13,8 mil milhões de anos, o Telescópio Espacial James Webb detetou uma galáxia tal como existia apenas 700 milhões de anos após o Big Bang. É surpreendente como é que o buraco negro no seu centro podia já ter mil milhões de vezes a massa do Sol quando o Universo estava ainda na sua infância. As observações do James Webb foram concebidas para analisar mais de perto o mecanismo de alimentação, mas não encontraram nada de extraordinário. Aparentemente, os buracos negros já estavam a crescer de uma forma semelhante à atual. Mas o resultado é ainda mais significativo: pode mostrar que os astrónomos sabem menos sobre a formação das galáxias do que pensavam. E, no entanto, as medições não são de modo algum dececionantes. Pelo contrário.
Os primeiros mil milhões de anos da história cósmica constituem um desafio: os primeiros buracos negros conhecidos nos centros das galáxias têm massas surpreendentemente grandes. Como é que se tornaram tão massivos, tão rapidamente? As novas observações aqui descritas fornecem fortes evidências contra algumas explicações propostas, nomeadamente contra um "modo de alimentação ultraeficaz" para os primeiros buracos negros.
Os limites do crescimento de buracos negros supermassivos
As estrelas e as galáxias mudaram enormemente ao longo dos últimos 13,8 mil milhões de anos, o tempo de vida do Universo. As galáxias tornaram-se maiores e adquiriram mais massa, quer consumindo o gás circundante, quer (ocasionalmente) fundindo-se umas com as outras. Durante muito tempo, os astrónomos assumiram que os buracos negros supermassivos nos centros das galáxias teriam crescido gradualmente juntamente com as próprias galáxias.
Mas o crescimento dos buracos negros não pode ser arbitrariamente rápido. A matéria que cai sobre um buraco negro forma um "disco de acreção" rodopiante, quente e brilhante. Quando isto acontece em torno de um buraco negro supermassivo, o resultado é um núcleo galáctico ativo. Os objetos mais brilhantes, conhecidos como quasares, estão entre os objetos astronómicos mais brilhantes de todo o cosmos. Mas esse brilho limita a quantidade de matéria que pode cair sobre o buraco negro: a luz exerce uma pressão que pode impedir a entrada de matéria adicional.
Como é que os buracos negros se tornaram tão massivos, tão rapidamente?
Foi por isso que os astrónomos ficaram surpreendidos quando, nos últimos vinte anos, as observações de quasares distantes revelaram buracos negros muito jovens que, no entanto, tinham atingido massas tão elevadas como 10 mil milhões de massas solares. A luz leva tempo a viajar de um objeto distante até nós, pelo que olhar para objetos distantes significa olhar para um passado longínquo. Vemos os quasares mais distantes conhecidos tal como eram numa época conhecida como "amanhecer cósmico", menos de mil milhões de anos após o Big Bang, quando se formaram as primeiras estrelas e galáxias.
Explicar estes primeiros buracos negros massivos é um desafio considerável para os atuais modelos de evolução das galáxias. Será que os primeiros buracos negros eram muito mais eficientes a acretar gás do que os seus homólogos atuais? Ou poderá a presença da poeira afetar as estimativas de massa dos quasares de tal forma que os investigadores sobrestimam as massas dos primeiros buracos negros? Atualmente estão "em cima da mesa" muitas explicações, mas nenhuma é amplamente aceite.
Um olhar mais atento ao crescimento dos primeiros buracos negros
Decidir qual - se é que alguma - das explicações está correta requer uma imagem mais completa dos quasares do que a que existia anteriormente. Com o advento do Telescópio Espacial James Webb, e mais concretamente do seu instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument), a capacidade dos astrónomos para estudar quasares distantes deu um salto gigantesco. Para medir os espetros de quasares distantes, o MIRI é 4000 vezes mais sensível do que qualquer outro instrumento anterior.
Instrumentos como o MIRI são construídos por consórcios internacionais, com cientistas, engenheiros e técnicos a trabalhar em estreita colaboração. Naturalmente, um consórcio está muito interessado em testar se o seu instrumento funciona tão bem como planeado. Em troca da construção do instrumento, os consórcios recebem normalmente uma determinada quantidade de tempo de observação. Em 2019, anos antes do lançamento do JWST, o Consórcio Europeu MIRI decidiu usar algum desse tempo para observar o que era então o quasar mais distante conhecido, um objeto que tem a designação J1120+0641.
Observando um dos primeiros buracos negros
Coube à Dra. Sarah Bosman a análise das observações, investigadora de pós-doutoramento no Instituto Max Planck de Astronomia e membro do consórcio europeu MIRI. As contribuições do instituto para o instrumento MIRI incluem a construção de uma série de importantes peças internas. Foi pedido a Bosman que se juntasse à colaboração MIRI especificamente para trazer conhecimentos especializados sobre a melhor forma de utilizar o instrumento para estudar o Universo primitivo, em particular os primeiros buracos negros supermassivos.
As observações foram efetuadas em janeiro de 2023, durante o primeiro ciclo de observações do JWST, e duraram cerca de duas horas e meia. Constituem o primeiro estudo no infravermelho médio de um quasar no período do amanhecer cósmico, apenas 770 milhões de anos após o Big Bang (desvio para o vermelho z=7). A informação não provém de uma imagem, mas de um espetro: a decomposição da luz do objeto em componentes de diferentes comprimentos de onda, semelhante a um arco-íris.
Rastreando poeira e gás em rápido movimento
A forma geral do espetro no infravermelho médio codifica as propriedades de um grande toro de poeira que rodeia o disco de acreção nos quasares típicos. Este toro ajuda a guiar a matéria para o disco de acreção, "alimentando" o buraco negro. As más notícias para aqueles cuja solução preferida para os buracos negros massivos iniciais reside em modos alternativos de crescimento rápido: o toro e, por extensão, o mecanismo de alimentação deste quasar muito antigo, parecem ser os mesmos que os dos seus congéneres mais modernos. A única diferença é aquela que nenhum modelo de crescimento rápido dos quasares antigos previa: a temperatura da poeira é um pouco mais elevada, cerca de 100 K mais quente do que os 1300 K encontrados para a poeira mais quente em quasares menos distantes.
A parte de menor comprimento de onda do espetro, dominada pelas emissões do próprio disco de acreção, mostra que, para nós, observadores distantes, a luz do quasar não é obscurecida por mais poeira do que o habitual. Os argumentos de que talvez estejamos apenas a sobrestimar as massas dos primeiros buracos negros devido à poeira adicional também não são a solução.
Os primeiros quasares são "chocantemente normais"
A região de linhas largas do quasar, onde aglomerados de gás orbitam o buraco negro a velocidades próximas da velocidade da luz - o que permite deduzir a massa do buraco negro e a densidade e ionização da matéria circundante - também parece normal. Em quase todas as propriedades que podem ser deduzidas do espetro, J1120+0641 não é diferente dos quasares de épocas posteriores.
"No geral, as novas observações apenas acrescentam ao mistério: os primeiros quasares eram chocantemente normais. Independentemente dos comprimentos de onda em que os observamos, os quasares são quase idênticos em todas as épocas do Universo", diz Bosman. Aparentemente, não só os buracos negros supermassivos, mas também os seus mecanismos de alimentação já estavam completamente "maduros" quando o Universo tinha apenas 5% da sua idade atual. Ao excluir uma série de soluções alternativas, os resultados apoiam fortemente a ideia de que os buracos negros supermassivos começaram com massas consideráveis desde o início, em linguagem astronómica: que são "primordiais" ou "semeados grandes". Os buracos negros supermassivos não se formaram a partir de remanescentes de estrelas primitivas, que depois se tornaram massivos muito rapidamente. Devem ter-se formado cedo, com massas iniciais de pelo menos cem mil massas solares, presumivelmente através do colapso de nuvens massivas de gás.
Mars Odyssey fotografa Olympus Mons, completa 100.000 órbitas
A sonda Mars Odyssey da NASA captou esta imagem única de Olympus Mons, o vulcão mais alto do Sistema Solar, no dia 11 de março de 2024. Para além de proporcionar uma visão sem precedentes do vulcão, a imagem ajuda os cientistas a estudar diferentes camadas de material na atmosfera, incluindo nuvens e poeiras.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/Universidade do Estado do Arizona
O robô marciano mais antigo da NASA assinalou um novo marco no passado dia 30 de junho: 100.000 viagens à volta do Planeta Vermelho desde o seu lançamento há 23 anos. Durante esse tempo, o orbitador Mars Odyssey tem mapeado minerais e gelo na superfície marciana, identificando locais de aterragem para futuras missões e transmitindo para a Terra dados dos rovers e "landers" da agência espacial.
Recentemente, os cientistas utilizaram a câmara do orbitador para obter uma nova e espantosa imagem de Olympus Mons, o vulcão mais alto do Sistema Solar. A imagem faz parte de um esforço contínuo da equipa da Odyssey para fornecer vistas a grande altitude do horizonte do planeta (a primeira destas vistas foi publicada no final de 2023). Semelhante à perspetiva da Terra que os astronautas obtêm a bordo da Estação Espacial Internacional, a vista permite aos cientistas aprender mais sobre as nuvens e sobre a poeira transportada pelo ar em Marte.
Tirada a 11 de março, a mais recente imagem do horizonte capta Olympus Mons em toda a sua glória. Com uma base que se estende por 600 quilómetros, o vulcão em escudo eleva-se a uma altura de 27 quilómetros.
"Normalmente, vemos Olympus Mons em faixas estreitas a partir de cima, mas ao virar a nave espacial para o horizonte podemos ver numa única imagem a sua dimensão sobre a paisagem", disse o cientista do projeto Odyssey, Jeffrey Plaut do JPL da NASA no sul do estado norte-americano da Califórnia, que gere a missão. "Não só a imagem é espetacular, como também nos fornece dados científicos únicos".
Para além de oferecerem um quadro das nuvens e da poeira, estas imagens, quando obtidas ao longo de muitas estações, podem dar aos cientistas uma compreensão mais detalhada da atmosfera marciana.
Uma faixa branco-azulada no fundo da atmosfera indica a quantidade de poeira que estava presente neste local durante o início do outono, um período em que as tempestades de poeira começam normalmente a levantar-se. A camada arroxeada por cima desta deve-se provavelmente a uma mistura da poeira vermelha do planeta com algumas nuvens azuladas de água gelada. Finalmente, na parte superior da imagem, pode ser vista uma camada azul-esverdeada onde as nuvens de água gelada atingem cerca de 50 quilómetros no céu.
Como esta fotografia foi obtida
Com o nome do clássico romance de ficção científica de Arthur C. Clarke "2001: Uma Odisseia no Espaço", o orbitador captou a cena com uma câmara sensível ao calor chamada THEMIS (Thermal Emission Imaging System), que a Universidade do Estado do Arizona, em Tempe, construiu e opera. Mas como a câmara se destina a olhar para a superfície, para obter uma imagem do horizonte é necessário um planeamento adicional.
Ao acionar propulsores localizados à volta da nave espacial, a Odyssey pode apontar a THEMIS para diferentes partes da superfície ou até mesmo rolar lentamente para ver as pequenas luas de Marte, Fobos e Deimos.
As recentes imagens do horizonte foram concebidas como uma experiência há muitos anos, durante as aterragens da missão Phoenix da NASA em 2008 e do rover Curiosity em 2012. Tal como aconteceu com outras aterragens em Marte antes e depois dessas missões, a Odyssey desempenhou um papel importante na transmissão de dados à medida que se aproximavam da superfície.
Para transmitir os seus dados vitais de engenharia para a Terra, a antena da Odyssey tinha de estar apontada para as naves recém-chegadas e para as suas elipses de aterragem. Os cientistas ficaram intrigados quando repararam que o posicionamento da antena da Odyssey, para esta tarefa, significava que o instrumento THEMIS estaria apontado para o horizonte do planeta.
"Decidimos ligar a câmara e ver como ficava", disse o engenheiro de operações da Odyssey, Steve Sanders da Lockheed Martin Space em Denver, EUA. A Lockheed Martin construiu a Odyssey e ajuda a conduzir as operações do dia-a-dia juntamente com os líderes da missão no JPL. "Com base nessas experiências, concebemos uma sequência que mantém o campo de visão da THEMIS centrado no horizonte à medida que damos a volta ao planeta."
Este infográfico destaca a quantidade de dados e de imagens que a sonda Mars Odyssey da NASA recolheu nos seus 23 anos de atividade em torno do Planeta Vermelho.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech
O segredo de uma longa odisseia no espaço
Qual é o segredo da Odyssey para ser a mais longa missão continuamente ativa em órbita de um planeta que não a Terra?
"A física faz muito do trabalho difícil por nós", disse Sanders. "Mas são as subtilezas que temos de gerir vezes sem conta."
Estas variáveis incluem o combustível, a energia solar e a temperatura. Para garantir que a Odyssey utiliza o seu combustível (hidrazina) com moderação, os engenheiros têm de calcular a quantidade que resta, uma vez que a nave espacial não tem um indicador de combustível. A Odyssey depende da energia solar para operar os seus instrumentos e eletrónica. Esta energia varia quando a nave desaparece atrás de Marte durante cerca de 15 minutos por órbita. E as temperaturas têm de se manter equilibradas para que todos os instrumentos da Odyssey funcionem corretamente.
"É necessária uma monitorização cuidadosa para manter uma missão durante tantos anos, ao mesmo tempo que se mantém uma histórica linha temporal de planeamento e execução científica - e práticas de engenharia inovadoras", disse o gestor de projeto da Odyssey, Joseph Hunt do JPL. "Estamos ansiosos por recolher mais ciência fantástica nos próximos anos".
A análise de dados do InSight da NASA sugere que Marte é atingido por meteoroides com mais frequência do que se pensava (via Universidade Brown)
O "lander" InSight da NASA pode estar a desfrutar a sua reforma no Planeta Vermelho, mas os dados do explorador robótico continuam a levar a descobertas sísmicas na Terra. Num dos mais recentes estudos realizados com dados da missão, uma equipa internacional de cientistas descobriu que Marte pode estar a ser bombardeado por rochas espaciais com maior frequência do que se pensava. De acordo com o estudo publicado na revista Science Advances, as taxas de impacto podem ser duas a 10 vezes superiores às estimadas anteriormente, dependendo do tamanho dos meteoroides. Ler fonte
Um tesouro escondido na Via Láctea - astrónomos descobrem fonte ultrabrilhante de raios X (via Universidade de Turku)
Os astrónomos descobriram que um conhecido binário de raios X, cuja natureza exata tem sido um mistério para os cientistas até agora, é na realidade uma escondida fonte ultraluminosa de raios X. Os binários de raios X são sistemas intrigantes constituídos por dois corpos celestes: uma estrela normal e um objeto compacto e morto, como um buraco negro ou uma estrela de neutrões, que suga material da sua companheira estelar. Até à data, foram identificadas algumas centenas de fontes deste tipo na nossa Galáxia. Quando se trata dos fenómenos mais poderosos do Universo, a libertação de energia gravitacional em sistemas binários de raios X destaca-se como um processo altamente eficiente. Ler fonte
Álbum de fotografias Cometa 13P/Olbers
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dan Bartlett
Sem ser um paradoxo, o cometa 13P/Olbers está de regresso ao Sistema Solar interior após 68 anos. O cometa periódico, do tipo Halley, atingiu o seu periélio ou a sua maior aproximação ao Sol no dia 30 de junho e tornou-se um alvo de observação binocular nos céus noturnos do hemisfério norte do planeta Terra. Mas esta nítida imagem telescópica do 13P é composta por exposições "empilhadas" obtidas na noite de 25 de junho. Revela facilmente detalhes inconstantes na cauda iónica rasgada e esfarrapada do cometa, fustigada pelo vento de um Sol ativo, juntamente com uma cauda de poeira larga e espalhada e uma cabeleira ligeiramente esverdeada. A imagem estende-se por mais de dois graus através de um fundo de estrelas ténues na direção da constelação de Lince.
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