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  Astroboletim #2144  
  24/09 a 26/09/2024  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 24/09: 268.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1970, a primeira sonda não-tripulada, a soviética Luna 16, regressa da Lua com mais de um quilograma de material lunar.
Em 1990, é observada a periódica Grande Mancha Branca em Saturno.
Em 2014, a sonda indiana MOM (Mars Orbiter Mission) alcança órbita marciana. É a primeira nação mundial a fazê-lo na primeira tentativa.
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Em 2023, a cápsula da OSIRIS-REx da NASA, contendo amostras do asteroide Bennu, aterra com sucesso na Terra.
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 19:50.
O padrão em forma de "W" da constelação de Cassiopeia inclina-se alto a nordeste após o cair da noite. Encontre o terceiro segmento do "W" contando do topo. Continue esse segmento para baixo, duas vezes o seu tamanho, e aí estará o que parece uma pequena mancha difusa, caso tenha um céu escuro o suficiente. Uns binóculos ou uma luneta ajudam a detetar que este objeto é o Enxame Duplo de Perseu - mesmo através de uma alguma poluição luminosa. O par é glorioso através de um telescópio.

 

DIA 25/09: 269.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1644, nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que foi responsável pela demonstração de que a velocidade da luz era finita contrariamente ao que se pensava à data.
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Em 1992, a NASA lança a Mars Observer, uma sonda de 511 milhões de dólares com destino Marte, a primeira ao planeta em 17 anos. Onze meses mais tarde, a sonda falha. 
Em 2008, a China lança a nave Shenzhou 7.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua Minguante acompanha Marte antes e durante o amanhecer desta quarta-feira.
O Grande Quadrado de Pégaso está alto a este após o anoitecer, apoiado num canto. Para baixo e para a esquerda do canto esquerdo do Quadrado está uma grande linha de três estrelas de segunda magnitude. Estas assinalam a cabeça, a coluna vertebral e a perna da constelação de Andrómeda (a linha de três estrelas inclui o canto do Quadrado, a sua cabeça). Para cima e para a esquerda desta linha encontra-se o "W" de Cassiopeia.

 

DIA 26/09: 270.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1580, Sir Francis Drake completa a sua circumnavegação da Terra.
Em 1997, lançamento da missão STS-86 do vaivém espacial Atlantis.
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HOJE, NO COSMOS:
Olhe para este antes do amanhecer e encontrará a Lua perto de Castor e Pollux, perfazendo um triângulo. Mais amplamente, a Lua assinala a parte mais baixa e esquerda de uma linha constituida pelo nosso satélite natural, Marte, Júpiter e Aldebarã.
Para a direita do triângulo de Pollux, Castor e da Lua está a constelação de Orionte. E para baixo de Orionte brilha Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno.
Esta é a altura do ano em que a rica área da Via Láctea por trás da constelação de Cisne atravessa o zénite cerca de uma hora após o anoitecer (para observadores a latitudes médias norte). A Via Láctea estende-se do horizonte a sul-sudoeste, passa por cima das nossas cabeças e desce a norte-nordeste.

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Os maiores jatos de um buraco negro alguma vez vistos
 
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Ilustração do mais longo sistema de jatos de um buraco negro alguma vez observado. Apelidados de Porfírio, em homenagem a um gigante da mitologia grega, estes jatos estendem-se por cerca de 7 megaparsecs, ou 23 milhões de anos-luz. Isto equivale a alinhar 140 Vias Lácteas, uma atrás da outra. Porfírio remonta a uma época em que o nosso Universo tinha menos de metade da sua idade atual. Durante esta época remota, os filamentos finos que ligam e alimentam as galáxias, conhecidos como a teia cósmica, estavam mais próximos uns dos outros do que estão atualmente. Consequentemente, este colossal par de jatos estendia-se por uma porção maior da teia cósmica, em comparação com jatos semelhantes no nosso Universo próximo. A descoberta de Porfírio implica que os jatos no Universo primitivo podem ter influenciado a formação de galáxias em maior grau do que se pensava anteriormente.
Crédito: E. Wernquist/D. Nelson (Colaboração IllustrisTNG)/M. Oei
 

Os astrónomos descobriram o maior par de jatos de um buraco negro alguma vez vistos, com um comprimento total de 23 milhões de anos-luz. Isto equivale a alinhar 140 Vias Lácteas, uma atrás da outra.

"Este par não é apenas do tamanho de um sistema solar ou de uma Via Láctea; estamos a falar de 140 diâmetros da Via Láctea no total", diz Martijn Oei, um académico pós-doutorado do Caltech e autor principal de um novo artigo científico publicado na revista Nature que relata as descobertas. "A Via Láctea seria um pequeno ponto nestas duas erupções gigantes".

A megaestrutura dos jatos, apelidada de Porfírio em homenagem a um gigante da mitologia grega, data de uma época em que o nosso Universo tinha 6,3 mil milhões de anos, ou seja, menos de metade da sua idade atual de 13,8 mil milhões de anos. Estes fluxos ferozes - com uma potência total equivalente a biliões de sóis - são disparados para cima e para baixo de um buraco negro supermassivo no coração de uma galáxia remota.

Antes da descoberta de Porfírio, o maior sistema de jatos confirmado era Alcioneu, também com o nome de um gigante da mitologia grega. Alcioneu, que foi descoberto em 2022 pela mesma equipa que encontrou Porfírio, abrange o equivalente a cerca de 100 Vias Lácteas. Para comparação, o conhecido sistema de jatos Centaurus A, o mais próximo da Terra, estende-se por 10 Vias Lácteas.

Esta descoberta mais recente sugere que os sistemas de jatos gigantes podem ter tido uma influência maior na formação de galáxias no Universo jovem do que se pensava. Porfírio existiu durante uma época inicial em que os filamentos finos que ligam e alimentam as galáxias, conhecidos como a teia cósmica, estavam mais próximos uns dos outros do que estão agora. Isto significa que enormes jatos como Porfírio se estendiam por uma maior porção da teia cósmica, em comparação com os jatos no Universo local.

"Os astrónomos pensam que as galáxias e os seus buracos negros centrais coevoluem, e um aspeto chave disto é que os jatos podem espalhar enormes quantidades de energia que afetam o crescimento das suas galáxias hospedeiras e de outras galáxias próximas", diz o coautor George Djorgovski, professor de astronomia e ciência de dados no Caltech. "Esta descoberta mostra que os seus efeitos podem estender-se muito mais longe do que pensávamos".

Revelando uma vasta população

O sistema de jatos Porfírio é o maior encontrado até agora durante um levantamento do céu que revelou um número chocante de megaestruturas ténues: mais de 10.000. Esta enorme população de jatos gigantescos foi encontrada utilizando o radiotelescópio europeu LOFAR (LOw Frequency ARray).

Embora se conhecessem centenas de grandes sistemas de jatos antes das observações do LOFAR, pensava-se que eram raros e, em média, de menor dimensão do que os milhares de sistemas descobertos pelo radiotelescópio.

"Os jatos gigantes eram conhecidos antes de iniciarmos a campanha, mas não fazíamos ideia de que seriam tantos", diz Martin Hardcastle, segundo autor do estudo e professor de astrofísica na Universidade de Hertfordshire, Inglaterra. "Normalmente, quando obtemos uma nova capacidade de observação, como a combinação de um amplo campo de visão e de uma sensibilidade muito elevada a estruturas estendidas com o LOFAR, encontramos algo novo, mas foi ainda assim muito emocionante ver tantos destes objetos a emergir".

Em 2018, Oei e os seus colegas começaram a usar o LOFAR para estudar não os jatos dos buracos negros, mas a teia cósmica de filamentos finos que atravessa o espaço entre as galáxias. À medida que a equipa inspecionava as imagens de rádio em busca dos filamentos ténues, começaram a reparar em vários sistemas de jatos surpreendentemente longos.

"Quando encontrámos pela primeira vez os jatos gigantes, ficámos bastante surpreendidos", diz Oei, que também está ligado ao Observatório de Leiden, nos Países Baixos. "Não fazíamos ideia de que eram assim tantos".

Para procurar sistematicamente mais jatos ocultos, a equipa inspecionou as imagens de rádio a olho nu, utilizou ferramentas de aprendizagem de máquina para analisar as imagens em busca de sinais dos jatos à "espreita" e recorreu à ajuda de cientistas cidadãos de todo o mundo para melhor analisar as imagens. Foi aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics um artigo científico que descreve o mais recente lote de jatos gigantes, contendo mais de 8000 pares de jatos.

 
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Esta imagem, obtida pelo radiotelescópio europeu LOFAR (LOw Frequency ARray), mostra o mais longo par de jatos de um buraco negro conhecidos. Apelidado de Porfírio, em homenagem a um gigante da mitologia grega, pelo codescobridor Aivin Gast, da Universidade de Oxford, o sistema de jatos estende-se por 23 milhões de anos-luz, o equivalente a 140 Vias Lácteas alinhadas uma atrás da outra. A galáxia que alberga o buraco negro supermassivo, que está a 7,5 mil milhões de anos-luz de distância, é um ponto no centro da imagem. A maior estrutura semelhante a uma bolha, perto do centro, é um sistema de jatos mais pequeno e separado. O tamanho relativo da nossa Galáxia está indicado no canto inferior direito.
Crédito: Colaboração LOFAR/Martijn Oei (Caltech)
 

À espreita no passado

Para encontrar a galáxia que deu origem a Porfírio, a equipa utilizou o GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope), na Índia, juntamente com dados auxiliares de um projeto chamado DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument), que opera a partir do Observatório Nacional de Kitt Peak, no estado norte-americano do Arizona. As observações permitiram identificar o local de origem dos jatos, uma galáxia robusta, cerca de 10 vezes mais massiva do que a nossa Via Láctea.

A equipa utilizou então o Observatório W. M. Keck, no Hawaii, para mostrar que Porfírio está a 7,5 mil milhões de anos-luz da Terra. "Até agora, estes sistemas de jatos gigantes pareciam ser um fenómeno do Universo recente", diz Oei. "Se jatos distantes como estes podem atingir a escala da teia cósmica, então todos os lugares do Universo podem ter sido afetados pela atividade de buracos negros em algum momento do tempo cósmico", diz Oei.

As observações do Keck revelaram também que Porfírio emergiu daquilo a que se chama um buraco negro ativo em modo radiativo, por oposição a um que está em modo de jato. Quando os buracos negros supermassivos se tornam ativos - por outras palavras, quando as suas imensas forças da gravidade puxam e aquecem o material circundante - pensa-se que emitem energia sob a forma de radiação ou de jatos. Os buracos negros em modo radiativo eram mais comuns no Universo jovem, ou distante, enquanto os em modo jato são mais comuns no Universo atual.

O facto de Porfírio ter vindo de um buraco negro em modo radiativo foi uma surpresa porque os astrónomos não sabiam que este modo podia produzir jatos tão grandes e poderosos. Além disso, como Porfírio se encontra no Universo distante, onde abundam os buracos negros em modo radiativo, a descoberta implica que podem haver muitos mais colossais jatos por descobrir.

"Podemos estar a olhar para a ponta do icebergue", diz Oei. "O nosso levantamento com o LOFAR cobriu apenas 15 por cento do céu. E a maior parte destes jatos gigantes são provavelmente difíceis de detetar, por isso acreditamos que há muitos mais destes colossos por aí".

Mistérios por resolver

Ainda não se sabe como é que os jatos se podem estender tão longe das galáxias que os acolhem sem se desestabilizarem. "O trabalho de Martijn mostrou-nos que não há nada de particularmente especial nos ambientes destas fontes gigantes que faça com que atinjam tamanhos tão grandes", diz Hardcastle, que é especialista em física de jatos de buracos negros. "A minha interpretação é que precisamos de um evento de acreção invulgarmente duradouro e estável em torno do buraco negro supermassivo central para permitir que este esteja ativo durante tanto tempo - cerca de mil milhões de anos - e para assegurar que os jatos continuam a apontar na mesma direção durante todo esse tempo. O que estamos a aprender com o grande número de gigantes é que isto deve ser uma ocorrência relativamente comum".

Como próximo passo, Oei quer compreender melhor como é que estas megaestruturas influenciam os seus arredores. Os jatos espalham raios cósmicos, calor, átomos pesados e campos magnéticos pelo espaço entre galáxias. Oei está especificamente interessado em descobrir até que ponto os jatos gigantes espalham magnetismo. "O magnetismo no nosso planeta permite que a vida prospere, por isso queremos perceber como é que ele surgiu", diz. "Sabemos que o magnetismo permeia a teia cósmica, depois entra nas galáxias e nas estrelas e, por fim, nos planetas, mas a questão é: onde é que começa? Terão estes jatos gigantes espalhado o magnetismo pelo cosmos?"

// Caltech (comunicado de imprensa)
// ASTRON (comunicado de imprensa)
// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// Universidade de Hertfordshire (comunicado de imprensa)
// DLR (comunicado de imprensa)
// Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico #2 (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)
// Os gigantes jatos de Porfírio atravessam o espaço (caltech via YouTube)

 


Quer saber mais?

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EurekAlert!
SPACE.com
Universe Today
ScienceNews
New Scientist
Popular Science
ScienceAlert
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Smithsonian
Reuters
Newsweek
Ars Technica
Gizmodo

Sistema de jatos Porfírio:
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Sistema de jatos Alcioneu:
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Jato astrofísico:
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Buraco negro supermassivo:
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Teia cósmica:
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LOFAR (LOw Frequency ARray):
Página principal
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GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope):
Página principal
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DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument):
Página oficial
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Observatório W. M. Keck:
Página principal
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XRISM revela os arredores de um buraco negro e de um remanescente de supernova
 
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Esta é uma impressão artística da região ativa central (núcleo galáctico ativo, NGA) da galáxia NGC 4151, que contém um buraco negro supermassivo. A região azul no meio representa o disco de acreção mais próximo do buraco negro, que expele material. Mais afastada está uma região tumultuosa a que os astrónomos chamam "região da linha larga", e ainda mais afastado está o toro em forma de donut.
Crédito: JAXA
 

O XRISM revelou a estrutura, o movimento e a temperatura do material em torno de um buraco negro supermassivo e num remanescente de supernova com um pormenor sem precedentes. Os astrónomos apresentaram os primeiros resultados científicos do novo telescópio de raios X menos de um ano após o seu lançamento.

O que é que um buraco negro gigantesco e os restos de uma estrela massiva que explodiu têm em comum? São ambos fenómenos celestes dramáticos em que um gás extremamente quente produz raios X altamente energéticos que o XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission) consegue ver.

Nos seus primeiros resultados publicados, a missão liderada pela JAXA (Japan Aerospace Exploration Agency), com a participação da ESA, mostra as suas capacidades únicas para revelar a velocidade e a temperatura do gás quente, chamado plasma, e as estruturas tridimensionais do material que rodeia um buraco negro e uma explosão estelar.

"Estas novas observações fornecem informações cruciais para compreender como é que os buracos negros crescem capturando a matéria circundante e oferecem uma nova perspetiva sobre a vida e morte das estrelas massivas. Mostram a excecional capacidade da missão para explorar o Universo de alta energia", diz o cientista do projeto XRISM da ESA, Matteo Guainazzi.

Remanescente de supernova N132D

Numa das suas observações de "primeira luz", o XRISM focou-se em N132D, um remanescente de supernova localizado na Grande Nuvem de Magalhães a cerca de 160.000 anos-luz da Terra. Esta "bolha" interestelar de gás quente foi expelida pela explosão de uma estrela muito massiva há cerca de 3000 anos.

Usando o seu instrumento Resolve, o XRISM desvendou a estrutura em torno de N132D com grande pormenor. Contrariamente às suposições anteriores de uma simples concha esférica, os cientistas descobriram que o remanescente N132D tem a forma de um donut. Usando o efeito Doppler, mediram a velocidade a que o plasma quente no remanescente se move em direção a nós ou para longe de nós, e estabeleceram que este se está a expandir a uma velocidade aparente de cerca de 1200 km/s.

 
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Esta imagem mostra a observação do telescópio de raios X XRISM da JAXA do remanescente de supernova N132D.
No topo da imagem, o remanescente de supernova é visto em raios-X. O círculo amarelo representa a área onde o instrumento Resolve do XRISM mediu ferro extremamente quente (10 mil milhões Kelvin). A linha rosa mostra a borda do remanescente, onde a onda de explosão interage com o meio interestelar, e o gás quente (plasma) é mais frio (cerca de 10 milhões Kelvin).
O espetro mostra muitos elementos químicos que estão presentes no remanescente N132D. O XRISM pode identificar cada elemento medindo a energia do fotão de raios X específico dos diferentes átomos. A designação "keV" no eixo x do gráfico refere-se a quilo eletrões-volt, uma unidade de energia. A "resolução energética" do XRISM, ou seja, a sua capacidade de distinguir raios X com diferentes comprimentos de onda, é inédita. Com uma resolução 30 vezes superior à dos seus antecessores, as avançadas capacidades espetroscópicas do XRISM permitem aos cientistas medir o movimento e a temperatura do plasma quente com uma precisão sem precedentes.
Crédito: JAXA
 

O Resolve também revelou que o remanescente contém ferro que tem uma temperatura extraordinária de 10 mil milhões Kelvin. Os átomos de ferro foram aquecidos durante a explosão de supernova através de violentas ondas de choque que se propagam para o interior, um fenómeno que tinha sido previsto pela teoria, mas nunca antes observado.

Os remanescentes de supernova como N132D contêm pistas importantes sobre a forma como as estrelas evoluem e como elementos (pesados) essenciais à nossa vida, como o ferro, são gerados e espalhados para o espaço interestelar. No entanto, os anteriores observatórios de raios X tiveram sempre dificuldade em revelar a forma como a velocidade e a temperatura do plasma eram distribuídas.

Buraco negro supermassivo na galáxia NGC 4151

O XRISM também lançou nova luz sobre a misteriosa estrutura que rodeia um buraco negro supermassivo. Apontando para a galáxia espiral NGC 4151, localizada a 62 milhões de anos-luz, as observações do XRISM oferecem uma visão sem precedentes do material muito próximo do buraco negro central da galáxia, que tem uma massa 30 milhões de vezes superior à do Sol.

O XRISM captou a distribuição da matéria que circula e que eventualmente cai no buraco negro ao longo de um raio alargado, que vai de 0,001 a 0,1 anos-luz, ou seja, desde uma distância comparável à separação Sol-Úrano até 100 vezes essa distância.

 
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O telescópio de raios X XRISM da JAXA captou a distribuição da matéria que cai no buraco negro supermassivo da galáxia NGC 4151 num raio alargado, que vai de 0,001 a 0,1 anos-luz. Ao determinar a velocidade dos átomos de ferro a partir da sua assinatura de raios X, os cientistas mapearam uma sequência de estruturas em torno do "monstro" central: o disco mais próximo do buraco negro (a azul), onde o gás se move a uma velocidade de apenas um valor percentual da velocidade da luz, seguido de uma região de transição onde o gás se move a uma velocidade de milhares de km/s e a que os astrónomos chamam " região de linha larga" (a laranja) e, finalmente, o toro em forma de donut (a vermelho).
Crédito: JAXA
 

Ao determinar os movimentos dos átomos de ferro a partir da sua assinatura de raios X, os cientistas mapearam uma sequência de estruturas em torno do buraco negro gigante: desde o disco que "alimenta" o buraco negro até ao toro em forma de donut.

Estas descobertas fornecem uma peça vital do puzzle para compreender como os buracos negros crescem devorando a matéria circundante.

Embora as observações de rádio e no infravermelho tenham revelado a presença de um toro em forma de donut à volta de buracos negros noutras galáxias, a técnica espetroscópica do XRISM é a primeira, e atualmente a única, forma de descobrir como o gás perto do "monstro" central é formado e se move.

Olhando para o futuro: observações e descobertas futuras

Nos últimos meses, a equipa científica do XRISM trabalhou diligentemente para estabelecer o desempenho dos instrumentos e aperfeiçoar os métodos de análise de dados através da observação de 60 alvos-chave. Paralelamente, foram selecionados 104 novos conjuntos de observações entre as mais de 300 propostas apresentadas por cientistas de todo o mundo.

O XRISM realizará observações com base nas propostas selecionadas ao longo do próximo ano; graças ao seu excecional desempenho em órbita, que ultrapassou mesmo as expetativas iniciais, este promete muitas mais descobertas excitantes.

O XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission) foi lançado no dia 7 de setembro de 2023. Trata-se de uma colaboração entre a JAXA e a NASA, com uma participação significativa da ESA. Em troca do fornecimento de hardware e aconselhamento científico, a ESA recebe 8% do tempo de observação disponível do XRISM.

As observações feitas com o XRISM complementarão as do telescópio de raios X XMM-Newton da ESA e constituirão uma excelente base para as observações planeadas com a futura missão de grande porte NewAthena da ESA. Esta última está a ser concebida para exceder significativamente o desempenho científico dos atuais observatórios de raios X espetroscópicos e de levantamento.

// ESA (comunicado de imprensa)
// JAXA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Tohoku (comunicado de imprensa)
// Artigo científico acerca do remanescente de supernova N132D (arXiv.org)
// Artigo científico acerca do buraco negro no centro de NGC 4151 (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Remanescente de supernova:
NASA
Wikipedia
CCVAlg - Astronomia

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia
SEDS.org

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NGC 4151:
Wikipedia

XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission):
JAXA
NASA
ESA
Wikipedia

 
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Quando é que aquela estrela vai escurecer? Os caçadores exoplanetários amadores ajudam!
 
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Impressão de artista do sistema WASP-77 Ab.
Crédito: Catálogo Exoplanetário da NASA
 

Um planeta passa em frente da sua estrela, diminuindo a luz estelar que vemos. Eventos como estes, chamados trânsitos, fornecem-nos imensa informação sobre os exoplanetas - planetas à volta de outras estrelas que não o Sol. Mas prever quando é que estes eventos especiais ocorrem pode ser um desafio... a não ser que se conte com a ajuda de voluntários.

Felizmente, uma colaboração de várias equipas de caçadores exoplanetários amadores, liderada pelo investigador Federico R. Noguer da Universidade do Estado do Arizona, EUA, e por investigadores do JPL da NASA e do Centro de Voo Espacial Goddard, aceitou o desafio. Esta colaboração publicou os parâmetros físicos e orbitais mais precisos até à data para um importante exoplaneta de nome WASP-77 Ab. Estes parâmetros precisos ajudam-nos a prever futuros eventos de trânsito e são cruciais para o planeamento das observações das naves espaciais e para uma modelação atmosférica precisa.

"Como dentista reformado e agora cidadão cientista do Exoplanet Watch, oportunidades de investigação como esta dão-me uma forma de aprender e contribuir para este campo incrivelmente excitante da astrofísica", disse Anthony Norris, um cientista cidadão que trabalha no projeto Exoplanet Watch financiado pela NASA.

O estudo combinou dados de astronomia amadora/ciência cidadã dos projetos Exoplanet Watch e ExoClock, bem como da ETD (Exoplanet Transit Database). Também incorporou dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA, do Telescópio Espacial Hubble, do Telescópio Espacial James Webb (JWST) e do Observatório de La Silla. O Exoplanet Watch convida voluntários a participar na investigação inovadora de exoplanetas, utilizando os seus próprios telescópios para observar exoplanetas ou analisando dados recolhidos por outros.

WASP-77 Ab é um exoplaneta gigante gasoso que orbita uma estrela semelhante ao Sol. É apenas cerca de 20% maior do que Júpiter. Mas é aí que acabam as semelhanças com o nosso Sistema Solar. Esta bola de gás quente e abrasador orbita mesmo ao lado da sua estrela - mais de 200 vezes mais perto da sua estrela do que o nosso Júpiter!

Quer participar? Junte-se ao projeto Exoplanet Watch e ajude a contribuir para a ciência exoplanetária de ponta! Qualquer pessoa pode aderir - a participação não requer nacionalidade de nenhum país em específico.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Publications of the Astronomical Society of the Pacific)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Ciência cidadã:
Wikipedia

Exoplanet Watch:
NASA

ExoClock:
Página principal

ETD (Exoplanet Transit Database):
Página principal

WASP-77 Ab:
NASA
ipac
Exoplanet.eu

Trânsito astronómico:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

Telescópio Espacial Spitzer:
Caltech
NASA
Centro Científico Spitzer 
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Observatório de La Silla:
ESO
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Novo estudo revela uma interação inesperada entre Marte e o vento solar (via Instituto Seco de Física Espacial)
Cientistas descobriram que, em determinadas condições, a magnetosfera induzida de Marte pode degenerar. As conclusões foram apresentadas num novo estudo publicado na famosa revista Nature. Uma magnetosfera induzida forma-se porque um planeta não tem um campo magnético interno e, em vez disso, a atmosfera do planeta interage diretamente com o vento solar. O vento solar é um fluxo de partículas carregadas provenientes do Sol com um campo magnético incorporado. Ler fonte
     
exemplo   Chandra descobre um enxame galáctico cujas correntes se cruzam (via Chandra/Harvard)
Os astrónomos que utilizam o Observatório de raios X Chandra da NASA descobriram que um enxame de galáxias tem duas correntes de gás superaquecido que se cruzam. Este resultado mostra que o cruzamento das correntes pode levar à criação de uma nova estrutura. Os investigadores descobriram uma enorme cauda de gás quente, semelhante a um cometa, com mais de 1,6 milhões de anos-luz de comprimento, atrás de uma galáxia do enxame galáctico Zwicky 8338 (Z8338). Esta cauda, gerada pelo facto de a galáxia ter sido despojada de parte do seu gás pelo gás quente que atravessa, dividiu-se em duas correntes. Ler fonte
     
  A NASA desenvolve um processo para criar mapas muito precisos dos eclipses (via NASA)
Uma nova investigação da NASA revela um processo para gerar mapas de eclipse extremamente precisos, que traçam o caminho previsto da sombra da Lua quando esta atravessa a face da Terra. Tradicionalmente, os cálculos dos eclipses assumem que todos os observadores se encontram ao nível do mar na Terra e que a Lua é uma esfera lisa e perfeitamente simétrica em torno do seu centro de massa. Como tal, estes cálculos não têm em conta as diferentes elevações da Terra ou a superfície irregular e cheia de crateras da Lua. Ler fonte
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Álbum de fotografias
O Cavalo Marinho Escuro de Cefeu

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Davide Broise
 
Abrangendo anos-luz, esta forma sugestiva conhecida como a Nebulosa do Cavalo Marinho flutua em silhueta contra um fundo rico e luminoso de estrelas. Vista na direção da real constelação setentrional de Cefeu, a nebulosa escura e poeirenta faz parte de uma nuvem molecular da Via Láctea situada a cerca de 1200 anos-luz de distância. Também está listada como Barnard 150 (B150), uma das 182 marcas escuras do céu catalogadas no início do século XX pelo astrónomo E. E. Barnard. No seu interior estão a formar-se grupos de estrelas de massa baixa, mas os seus núcleos em colapso só são visíveis nos comprimentos de onda do infravermelho longo. Ainda assim, as coloridas estrelas da Via Láctea na direção de Cefeu contribuem para esta deslumbrante paisagem galáctica.
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