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  Astroboletim #2145  
  27/09 a 30/09/2024  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 27/09: 271.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1905, a revista de Física, Annalen der Physik, recebe o artigo de Einstein, "A inércia de um corpo depende de seu conteúdo de energia?", introduzindo a equação E=mc^2
Em 1997, último contato com a Mars Pathfinder, embora os controladores tentassem restaurar as comunicações durante os cinco meses seguintes. A missão foi formalmente terminada no dia 10 de março de 1998. 
Em 2003 era lançada a sonda da ESASmart-1, a primeira tentativa de lançar naves espaciais de baixo custo.
Em 2007, a NASA lança a sonda Dawn, com destino Vesta e Ceres, os dois maiores membros da cintura de asteroides.
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Em 2008, o astronauta da agência espacial chinesa CNSA, Zhai Zhigang, torna-se no primeiro chinês a fazer um passeio espacial enquanto voava na Shenzhou 7.
HOJE, NO COSMOS:
Esta é a altura do ano em que a rica área da Via Láctea por trás da constelação de Cisne atravessa o zénite cerca de uma hora após o anoitecer (para observadores a latitudes médias norte). A Via Láctea estende-se do horizonte a sul-sudoeste, passa por cima das nossas cabeças e desce a norte-nordeste.

 

DIA 28/09: 272.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1860, nascia Paul Ulrich Villard, físico e químico francês que descobriu os raios-gama em 1900 enquanto estudava a radiação emanada pelo elemento químico rádio.
Em 1999, o Observatório de Raios-X Chandra da NASA divulga uma espetacular imagem da Nebulosa do Caranguejo, os espetaculares remanescentes de uma explosão estelar, revelando algo ainda nunca visto.
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O brilhante anel à volta do coração da nebulosa são ondas de partículas altamente energéticas que parecem ter sido expulsas a uma distância de 1 ano-luz da estrela central, e os jatos de partículas afastam-se da estrela de neutrões numa direção perpendicular à espiral.
Em 2008, a SpaceX lança sua a primeira nave espacial privada, a Falcon 1, para órbita.
HOJE, NO COSMOS:
Arcturo brilha a oeste por estas noites, depois do lusco-fusco. Capella, igualmente brilhante, está muito baixa a norte-nordeste (dependendo da latitude do observador; quanto mais para norte estiver, mais alta estará). São ambas estrelas de magnitude 0.
Por volta das 22-23 horas, Arcturo e Capella brilham à mesma altura nas suas respetivas direções. Qual o momento exato deste evento? Depende da latitude e da longitude do observador.
Quando tal acontecer, vire-se para sul-sudeste e olhe perto do horizonte. Aí estará a estrela de primeira magnitude, Fomalhaut, à mesma altura - se se encontrar a 43º N. Para sul dessa latitude, estará mais alta do que Capella e Arcturo. Para norte, estará mais baixa.

 

DIA 29/09: 273.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1954 é assinada a convenção que estabelece o CERN.
Em 1962 era lançado o Alouette 1, o primeiro satélite canadiano.
Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery.
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Marca o recomeço das missões depois do acidente 1986 51-L do vaivém Challenger. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Em 2004, o asteroide 4179 Toutatis passa a quatro distâncias lunares da Terra. No mesmo ano, a nave SpaceShipOne de Burt Rutan faz o seu primeiro voo espacial, dos dois necessários para ganhar o Ansari X Prize.
HOJE, NO COSMOS:
Antes do amanhecer, procure a estrela Régulo, de magnitude 1,3, 2 ou 3 graus para baixo e para a direita da Lua.

 

DIA 30/09: 274.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

m 1550, nascia Michael Maestlin, astrónomo e matemático alemão, famoso por ter sido o mentor de Johannes Kepler.
Em 1880, Henry Draper tira a primeira fotografia da Nebulosa de Orionte.
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Em 1977, devido a cortes e a reservas de energia cada vez menores, as experiências ALSEP das Apollo, deixadas na Lua, são desligadas.
Em 1994, lançamento da missão STS-68 do vaivém Endeavour.
Em 1995, última transmissão da Pioneer 11, 20 anos após o seu lançamento em 1972.
HOJE, NO COSMOS:
Vire-se para sul e olhe para alto nestas noites depois do anoitecer. A estrela mais brilhante é Altair, o ponto mais a sul do Triângulo de Verão. As outras duas estrelas do triângulo são Deneb e Vega, mais próximas do zénite. Altair conta sempre com a sua pequena vizinha Tarazed (Gamma Aquilae), atualmente à espessura de um dedo à distância do braço esticado para cima e para a direita de Altair.
Apenas um punho à distância do braço esticado acima de Altair, procure a pequena e ténue constelação da Seta. Aponta para cima e para a esquerda. Se a poluição luminosa a esconder, tente com binóculos. Tem 4,5º de comprimento desde as penas da cauda até à ponta, cabendo facilmente no campo de visão da maioria dos binóculos.
Agora imagine-se a girar a seta em torno da sua ponta um terço de uma volta no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. A sua estrela do meio ficaria agora apenas um pouco (0,4º) abaixo de M27, a grande Nebulosa do Haltere.
Com uma magnitude total de 7,5, M27 é uma grande mas subtil mancha cinzenta com cerca de 0,1º de largura, facilmente visível com binóculos ou com uma mira sob um céu escuro. Através de um telescópio de 4 a 8 polegadas parece um retângulo ou uma ampulheta. É a nebulosa planetária mais brilhante do céu, se somarmos toda a sua luz dispersa.

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Telescópio Webb encontra potencial elo perdido das primeiras estrelas
 
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A galáxia GS-NDG-9422 poderia facilmente ter passado despercebida. No entanto, o que aparece como uma mancha ténue nesta imagem do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA pode, na verdade, ser uma descoberta inovadora que aponta aos astrónomos um novo caminho para a compreensão da evolução das galáxias no Universo primitivo.
Informação detalhada sobre a composição química da galáxia, captada pelo instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb, indica que a luz que vemos nesta imagem provém do gás quente da galáxia e não das suas estrelas. Esta é a melhor explicação que os astrónomos descobriram até agora para explicar as características inesperadas no espetro de luz. Pensam que as estrelas da galáxia são tão extremamente quentes e massivas que estão a aquecer o gás nebular da galáxia a mais de 80.000 graus Celsius, permitindo-lhe brilhar ainda mais no infravermelho próxima do que as próprias estrelas.
Os autores de um novo estudo sobre as observações da galáxia pelo Webb pensam que GS-NDG-9422 pode representar uma fase nunca antes vista da evolução galáctica no Universo primitivo, nos primeiros mil milhões de anos após o Big Bang. A sua tarefa agora é ver se conseguem encontrar mais galáxias com as mesmas características.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Cameron (Universidade de Oxford)
 

Olhando para as profundezas do Universo primitivo com o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, os astrónomos descobriram algo sem precedentes: uma galáxia com uma estranha assinatura de luz, que atribuem ao facto de o seu gás ofuscar as suas estrelas.

Localizada cerca de mil milhões de anos após o Big Bang, a galáxia GS-NDG-9422 (9422) pode ser um elo perdido na fase de evolução galáctica entre as primeiras estrelas do Universo e as galáxias familiares e bem estabelecidas.

"O meu primeiro pensamento ao olhar para o espetro da galáxia foi 'isto é estranho', que é exatamente o que o telescópio Webb foi concebido para revelar: fenómenos totalmente novos no Universo primitivo que nos ajudarão a compreender como a história cósmica começou", disse o investigador principal Alex Cameron da Universidade de Oxford, Reino Unido.

Cameron contactou o seu colega Harley Katz, teórico, para discutir os estranhos dados. Trabalhando em conjunto, a equipa descobriu que os modelos informáticos de nuvens cósmicas de gás aquecidas por estrelas muito quentes e massivas - a tal ponto que o gás brilhava mais do que as estrelas - correspondiam quase na perfeição às observações do Webb.

"Parece que estas estrelas devem ser muito mais quentes e massivas do que as que vemos no Universo local, o que faz sentido porque o Universo primitivo era um ambiente muito diferente", disse Harley, de Oxford, no Reino Unido, e da Universidade de Chicago, nos EUA.

No Universo local, as típicas estrelas quentes e massivas têm uma temperatura que varia entre 40.000 e 50.000 graus Celsius. De acordo com a equipa, a galáxia 9422 tem estrelas mais quentes do que 80.000 graus Celsius.

 
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Esta comparação dos dados recolhidos pelo Telescópio Espacial James Webb com a previsão de um modelo informático realça a mesma característica inclinada que chamou a atenção do astrónomo Alex Cameron, investigador principal de um novo estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
O gráfico de baixo compara o que os astrónomos esperariam ver numa galáxia "típica", com a sua luz proveniente predominantemente de estrelas (linha branca), com um modelo teórico de luz proveniente de gás nebular quente, que ofusca as estrelas (linha amarela). O modelo vem do colaborador de Cameron, o astrónomo teórico Harley Katz, e juntos aperceberam-se das semelhanças entre o modelo e as observações Webb de Cameron da galáxia GS-NDG-9422 (em cima). A descida invulgar do espetro da galáxia, que conduz a um pico exagerado de hidrogénio neutro, corresponde quase na perfeição ao modelo de Katz de um espetro dominado por gás superaquecido.
Embora este seja apenas um exemplo, Cameron, Katz e os seus colegas investigadores consideram que a conclusão de que a galáxia GS-NDG-9422 é dominada por luz nebular, em vez de luz estelar, é o seu ponto de partida mais forte para futuras investigações. Estão à procura de mais galáxias em torno da mesma marca dos mil milhões de anos na história do Universo, na esperança de encontrar mais exemplos de um novo tipo de galáxia, um elo perdido na história da evolução galáctica.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Leah Hustak (STScI)
 

A equipa de investigação suspeita que a galáxia se encontra no meio de uma breve fase de intensa formação estelar no interior de uma nuvem de gás denso que está a produzir um grande número de estrelas massivas e quentes. A nuvem de gás está a ser atingida por tantos fotões de luz das estrelas que está a brilhar de forma extremamente intensa.

Para além desta nova característica, o gás nebular que faz brilhar as estrelas é intrigante porque é algo previsto nos ambientes da primeira geração de estrelas do Universo, que os astrónomos classificam como estrelas da População III.

"Sabemos que esta galáxia não tem estrelas da População III, porque os dados do Webb mostram demasiada complexidade química. No entanto, as suas estrelas são diferentes daquelas a que estamos habituados - as estrelas exóticas desta galáxia podem ser um guia para compreender como as galáxias transitaram das estrelas primordiais para os tipos de galáxias que já conhecemos", disse Harley.

A galáxia 9422 é um exemplo desta fase de desenvolvimento galáctico, pelo que ainda há muitas questões a responder. Estas condições são comuns em galáxias nesta época, ou são uma ocorrência rara? Que mais nos podem dizer sobre fases anteriores da evolução das galáxias? Alex, Harley e os seus colegas de investigação estão a identificar ativamente mais galáxias para adicionar a esta população e compreender melhor o que estava a acontecer no Universo nos primeiros mil milhões de anos após o Big Bang.

"Vivemos numa altura muito excitante, em que podemos usar o telescópio Webb para explorar este período do Universo que antes era inacessível", disse Alex. "Estamos apenas no início de novas descobertas e novos conhecimentos".

// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Formação estelar:
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JWST (Telescópio Espacial James Webb):
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O candidato a exoplaneta, mais próximo da Terra, em torno de uma anã branca
 
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A anã branca WD 0310-688, vista aqui numa imagem obtida pelo JWST, é a anã branca mais próxima com um candidato a exoplaneta.
Crédito: Limbach et al., 2024
 

O que acontecerá à Terra e aos outros planetas do nosso Sistema Solar quando o Sol morrer? Encontrar exoplanetas em torno de anãs brancas pode ajudar a responder a esta questão premente, e os investigadores descobriram um possível exoplaneta gigante em torno de uma anã branca próxima.

No fim do Sistema Solar

Quando o Sol esgotar a sua reserva de hidrogénio, o seu interior passará por uma série de transições que transformarão a nossa estrela natal numa gigante vermelha, fria e inchada. Eventualmente, o Sol libertará as suas camadas exteriores e deixará para trás um remanescente abrasador, cristalizado e do tamanho da Terra, chamado anã branca. A forma como os planetas do nosso Sistema Solar irão resistir a estas mudanças é uma questão em aberto (embora os especialistas concordem que Mercúrio e Vénus serão engolidos pela estrela em expansão, infelizmente).

Uma forma de sondar a resposta a esta questão é estudar sistemas planetários em órbita de anãs brancas. Isto pode revelar as distâncias a que os planetas se encontram a salvo da gigante vermelha, bem como se alguns planetas mudam ou migram em resultado da evolução da sua estrela hospedeira. Historicamente, a deteção de planetas em torno de anãs brancas tem sido um desafio - mas felizmente, o Telescópio Espacial Webb (JWST) torna esta tarefa muito mais fácil.

Descobrindo exoplanetas com o levantamento MEOW

O levantamento MEOW (MIRI Exoplanets Orbiting White dwarfs) é um dos vários estudos que utilizam os sensíveis instrumentos infravermelhos do JWST para procurar planetas em torno de anãs brancas. Num artigo científico recentemente publicado, uma equipa liderada por Mary Anne Limbach (Universidade de Michigan) relatou os primeiros resultados do levantamento MEOW, focando-se num planeta candidato em torno da anã branca WD 0310-688.

O estudo foi concebido para descobrir exoplanetas de anãs brancas através de imagens diretas ou da deteção do excesso de emissão infravermelha: um fluxo inesperadamente grande em comprimentos de onda infravermelhos que indica a presença de um objeto mais frio do que a anã branca, como um planeta. Limbach e coautores detetam um excesso de emissão infravermelha em torno de WD 0310-688 que é mais facilmente explicado por um planeta companheiro frio (248 K) com uma massa equivalente a 3 Júpiteres. Curiosamente, as observações colocam este potencial planeta a 0,1-2 UA da anã branca - apesar de se pensar que os planetas situados a menos de 2 UA são destruídos quando as suas estrelas se transformam em gigantes vermelhas. Isto pode sugerir que o planeta migrou para a sua localização atual após a fase de gigante vermelha da sua estrela hospedeira.

 
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O excesso de emissão infravermelha medida da anã branca WD 0310-688 (linha amarela) comparado com outras anãs brancas da amostra MEOW (linhas verde e azul).
Crédito: Limbach et al., 2024
 

Considerações sobre candidatos

Os investigadores já descobriram uma série de exoplanetas em torno de anãs brancas - o que torna esta descoberta especial? WD 0310-688 está a apenas 34 anos-luz de distância, o que a torna a anã branca mais próxima com um candidato a exoplaneta, e nunca foi descoberto nenhum planeta a 0,1-2 UA de uma anã branca. Para além disso, este é o primeiro planeta em torno de qualquer tipo de estrela a ser descoberto com o método do excesso de emissão infravermelha.

No entanto, os autores advertiram que um planeta não é a única possibilidade para o excesso de emissão infravermelha observada; um pequeno disco frio de detritos também pode ser responsável. Se o objeto for um disco, seria um dos discos mais frios alguma vez encontrados em torno de uma anã branca, o que torna esta possibilidade por si só intrigante.

 
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Esquema do disco que melhor se ajusta à modelação da equipa. O disco deve ser muito frio, altamente inclinado e bastante estreito para corresponder aos dados. Coincidentemente, a área de emissão do disco deve ser aproximadamente a área de um planeta gigante.
Crédito: Limbach et al., 2024
 

É necessária espetroscopia de acompanhamento para discernir entre as hipóteses de planeta gigante e de disco frio. Características espetrais normalmente encontradas nas atmosferas de exoplanetas apoiariam a hipótese do planeta gigante, enquanto que uma característica de silicato apontaria para o disco de detritos. Trabalhos futuros deverão iluminar a natureza deste candidato a planeta, bem como trazer-nos novos resultados do levantamento MEOW!

// AAS Nova (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

WD 0310-688 b:
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

Anãs brancas:
NASA
Wikipedia

Excesso de emissão infravermelha:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
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Investigadores descobriram que a matéria escura sente forças para além da gravidade
 
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Simulação ilustrando a distribuição das partículas de matéria escura esperada numa galáxia de baixa massa se a matéria escura não colidisse (a laranja, concentrada em direção ao centro) vs. a matéria escura observada (a azul, muito mais dispersa)
Crédito: Gabriel Pérez (IAC)
 

A existência da matéria escura é provavelmente um dos problemas mais intrigantes com que a comunidade científica se depara, e desvendar a sua natureza tornou-se um dos principais objetivos da física moderna. Em termos simples, não sabemos de que é feita a matéria escura, apesar de representar 85% de toda a matéria do Universo.

Um estudo liderado pelo IAC (Instituto de Astrofísica de Canarias) conclui que a matéria escura não se comporta como descrito pelo paradigma dominante, que afirma que as partículas de matéria escura apenas interagem entre si e com a matéria comum através da gravidade. O estudo do IAC revela que a matéria escura sente outras forças que, embora subdominantes, fornecem novas e cruciais informações sobre sua a natureza.

O estudo, realizado com base em dados do Telescópio Espacial Hubble, foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e contou com a coautoria dos investigadores do IAC e da ULL (Universidad de La Laguna), Jorge Sánchez Almeida e Ignacio Trujillo, com a colaboração de Ángel Plastino da UNNOBA (Universidad Nacional del Noroeste de la Provincia de Buenos Aires), na Argentina.

Escura ou invisível

Há décadas que a comunidade científica sabe que mais de 85% da matéria do Universo não emite qualquer tipo de radiação. Por isso é chamada de matéria escura, embora alguns investigadores sugiram que "matéria invisível" seja um termo mais apropriado.

Mas como é que estudamos algo que não emite radiação? A resposta está na observação dos movimentos da matéria comum (isto é, estrelas e gás) sob a sua influência. Os astrónomos conseguiram determinar que é necessário que a matéria escura exista em grandes quantidades, influenciando a matéria conhecida principalmente através da força gravitacional.

Por esta razão, nas últimas quatro décadas, a hipótese fundamental tem sido a de que a matéria escura é composta por partículas com massa, mas sem outras propriedades - sem interações entre elas ou com outra matéria conhecida para além da força da gravidade.

Este modelo da matéria escura é conhecido como matéria escura fria e sem colisões. Explica muito bem o efeito da matéria escura na formação de estruturas no Universo. No entanto, não resolve o mistério fundamental colocado pela matéria escura, nomeadamente, o que é e como é que a sua existência se enquadra no modelo de partículas conhecido?

O estudo do IAC rejeita a ideia de que a matéria escura interage apenas através da gravidade e foi realizado com uma nova técnica que analisa a distribuição da luz observada em galáxias de massa muito baixa. Objetos com apenas alguns milhares de estrelas.

Galáxias de baixa massa

Nos últimos anos, o estudo das propriedades das galáxias de baixa massa, tanto a sua estrutura como o seu número, ganhou atenção na comunidade científica porque o modelo da matéria escura fria e sem colisões não parece explicar completamente este tipo de galáxias. Até à data, nenhum dos estudos anteriores foi capaz de rejeitar de forma conclusiva o modelo da matéria escura simples, uma vez que os efeitos da matéria comum nas propriedades das galáxias são significativos e competem com os efeitos da matéria escura.

No entanto, o estudo do IAC vai um passo mais longe. Os investigadores do IAC concentraram-se num tipo muito específico de galáxia em que a comunidade científica considera que os efeitos da matéria comum não desempenham qualquer papel ao moldá-las. Estas galáxias anãs ultrafracas, com um milhão de vezes menos estrelas do que a nossa Via Láctea, servem como laboratórios ideais para explorar a natureza da matéria escura.

 
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Número de estrelas (S(R)/S(0)) vs. distância do centro da galáxia (R/b). Cada cor representa uma galáxia observada com o Telescópio Espacial Hubble. Como se pode ver, o número de estrelas torna-se constante à medida que nos aproximamos do centro (R/b << 1), o que é compatível com as estrelas observadas que vivem num halo de matéria escura com um centro difuso (como os símbolos azuis na primeira imagem desta notícia) e incompatível com halos onde a matéria escura está concentrada em direção ao centro (como os símbolos laranja na primeira imagem desta notícia). Os halos difusos são incompatíveis com o modelo atual das partículas de matéria escura.
Crédito: Almeida et al., 2024
 

"Usando uma nova técnica baseada apenas na distribuição das estrelas, conseguimos rejeitar o modelo de matéria escura fria e sem colisões com elevada significância estatística", explica Jorge Sánchez Almeida. Acrescenta ainda que "este trabalho, portanto, fornece uma base observacional sólida a partir da qual se podem explorar modelos mais complexos de matéria escura e reafirma a astrofísica como uma ciência de ponta para compreender as propriedades íntimas da matéria que constitui a maior parte do Universo".

O estudo determinou que a matéria escura parece interagir de uma forma que vai além do que o atual modelo cosmológico assume, em que as partículas de matéria escura apenas interagem umas com as outras através da gravidade. Este novo estudo sugere que a matéria escura faz algo mais. Por exemplo, se fosse feita de partículas, estas colidiriam umas com as outras como bolas de bilhar. No modelo aceite da matéria escura sem colisões, uma partícula passa pela outra sem se notar.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores descobriram que a distribuição de estrelas nestas galáxias anãs ultrafracas, em vez de se acumularem em direção ao centro, permanece constante. Se isto acontece, é porque "algo" interagiu com elas para mudar o seu percurso, e esse algo é a matéria escura, que, contrariamente às ideias anteriores, é ela própria responsável pela forma dos halos destas galáxias. "Um dos aspetos mais fascinantes deste estudo é o facto de todas as galáxias estudadas terem uma distribuição estelar idêntica. Parece que as galáxias esqueceram a sua própria história. Isto só pode ser bem compreendido se a matéria escura tiver apagado o passado destas galáxias, indicando que a sua natureza íntima é muito mais complexa do que pensávamos", comenta Ignacio Trujillo.

"Após este estudo, a questão 'o que é a matéria escura?' continua por resolver, mas sabemos agora algo essencial: a matéria escura não é o que pensávamos que era até agora", explica Jorge Sánchez Almeida.

// IAC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
16/07/2024 - Hubble rastreia a matéria escura numa galáxia anã usando os movimentos das estrelas

Matéria escura:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
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Também em destaque
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Os astrónomos publicaram um gigantesco mapa infravermelho da Via Láctea com mais de 1,5 mil milhões de objetos — trata-se do mapa mais detalhado criado até à data. Utilizando o telescópio VISTA do ESO, a equipa monitorizou as regiões centrais da nossa Galáxia durante mais de 13 anos. Com 500 terabytes de dados, este é o maior projeto de observação alguma vez realizado com um telescópio do ESO. Ler fonte
     
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  Astrónomos vislumbram um exoplaneta excecionalmente inflado e assimétrico (via Universidade do Arizona)
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Álbum de fotografias
NGC 6727: A Nebulosa do Babuíno Agressivo

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Alpha Zhang e Ting Yu
 
Esta região poeirenta está a formar estrelas. Parte de um complexo de nuvens moleculares que se assemelha, para alguns, a um babuíno agressivo, a região está relativamente perto, a 500 anos-luz de distância, na direção da constelação de Coroa Austral. Corresponde a cerca de um-terço da distância do mais famoso berçário estelar conhecido como a Nebulosa de Orionte. Misturadas com nebulosidades brilhantes, as nuvens de poeira castanha bloqueiam efetivamente a luz das mais distantes estrelas de fundo na Via Láctea e obscurecem a vista de estrelas embebidas ainda em processo de formação. Os olhos da criatura de poeira na imagem em destaque são, na verdade, nebulosas de reflexão azuis catalogadas como NGC 6726, 6727, 6729 e IC 4812, enquanto a boca vermelha brilha com a luz emitida pelo hidrogénio gasoso. Para cima e para a esquerda da cabeça do babuíno está NGC 6723, um enxame globular a cerca de 30.000 anos-luz de distância.
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