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  Astroboletim #2157  
  08/11 a 11/11/2024  
     
 
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NOITES ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve irá realizar, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, uma observação da Lua. A sesssão astronómica é gratuita. Participe!
Data: 15 de novembro de 2024
Hora: 18:00 - 20:00
Local: Jardim Manuel Bivar/Marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 289 890 920
969 523 661 | info@ccvalg.pt

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OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
O Centro Ciência Viva de Tavira irá realizar, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, uma observação do Sol. A sesssão de observação é gratuita. Participe!
Data: 29 de novembro de 2024
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Ponte Romana em Tavira
Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 08/11: 313.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de outubro).
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Halley foi um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (SiriusAldebarãBetelgeuse
Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1895, enquanto fazia experiências com eletricidade, Wilhelm Röntgen descobre os raios-X
Em 1984, lançamento da missão STS-51-A, do vaivém Discovery.
Em 2011, o asteroide potencialmente perigoso 2005 YU55 passa a 0,85 distâncias lunares da Terra (cerca de 324.600 km), a maior aproximação conhecida de um asteroide do seu brilho desde 2010 XC15 em 1976.
HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste nestas noites de novembro. A sua pequena constelação, Lira, estende-se para a sua esquerda, apontando, como sempre, para Altair, a estrela mais brilhante a sudoeste.
Três das estrelas de Lira, perto de Vega, são duplas interessantes. Logo acima de Vega, está Epsilon Lyrae, de quarta magnitude, o Duplo-Duplo. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado.
Uns binóculos resolvem Epsilon facilmente. Já um telescópio de 4 polegadas, com uma ampliação de 100x ou mais, deverá resolver cada das componentes de Epsilon em dois pares íntimos.
Zeta é também uma estrela dupla binocular; muito mais difícil, mas observável através de um telescópio.
E Delta Lyrae, para cima e para a esquerda de Zeta, a uma distância parecida, é um par binocular mais largo e mais fácil.

 

DIA 09/11: 314.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1934 nascia Carl Sagan.
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Carl Sagan começou a sua carreira na ciência da vida no Universo como assistente do prémio Nobel da medicina H. J. Muller nos anos 50. Conhecedor, tanto de Astronomia como de Biologia, as suas contribuições para o estudo da ciência planetária são a fundação da pesquisa atual. "Cosmos", a série televisiva original, ganhou vários prémios Emmy e Peabody. O livro, foi o livro científico mais vendido de sempre. O seu romance "Contacto" foi trazido para o cinema através da Warner Bros. Teve um papel fundamental nas sondas MarinerViking e Voyager, pelas quais recebeu a medalha de Feito Científico Excecional da NASA (duas vezes) e a medalha de Notável Seviço Público. Cofundador da Sociedade Planetária. Dr. Sagan recebeu o prémio Pulitzer, a medalha Oersted e muitos outros prémios - incluindo dezoito graduações de colégios e Universidades americanas - pelas suas contribuições à Ciência, literatura, educação e conservação do ambiente. Sagan teve o título de Professor David Duncan de Astronomia e Ciências Espaciais e foi diretor do Laboratório de Estudos Planetários na Universidade de Cornell. O prémio Masursky da Sociedade Astronómica Americana cita "as suas extraordinárias contribuições no desenvolvimento da ciência planetária". Morreu a 20 de dezembro de 1996.
Em 1967, a NASA lança a nave não-tripulada Apollo 4, no topo do primeiro foguetão Saturno V.
Em 2005, lançamento da missão europeia Venus Express
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 05:56.
Por volta das 21 horas, dependendo da posição do observador, a estrela Capella, de magnitude zero, considerada a estrela de inverno, fica exatamente à mesma altura a nordeste que Vega, a estrela de verão, a oeste-noroeste. Consegue determinar a hora precisa deste evento? Não precisa de sextante, mas este é o tipo de medição para o qual foi inventado.

 

DIA 10/11: 315.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1695, nascia John Bevis, médico e astrónomo inglês, conhecido por ter descoberto a Nebulosa do Caranguejo em 1731.
Em 1970 era lançada a sonda lunar Lunokhod 1.
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Em 2008, após mais de cinco meses em Marte, a NASA declara a missão Phoenix como terminada depois da perda de comunicações com o "lander".
HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha perto de Saturno. O par está a sul à hora de jantar.

 

DIA 11/11: 316.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1572, Tycho Brahe observa uma nova no céu.
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Isto é uma prova contra a teoria de Aristóteles que os céus são imutáveis.
Em 1875 nascia Vesto Slipher, astrónomo americano que, principalmente com os telescópios de 60" e 100" do Mt. Wilson, foi o primeiro a fotografar espectros de galáxias e a medir os seus desvios para o vermelho, o que levou à descoberta da expansão do Universo por Edwin Hubble.
Em 1966, lançamento da Gemini 12. Foi o 10.º e o último voo do Projeto Gemini. Demonstrou que os astronautas podiam trabalhar fora da nave espacial.
HOJE, NO COSMOS:
Ao início da noite, Altair brilha a sudoeste. Aviste-a a três ou quatro punhos à distância do braço esticado para a esquerda da mais brilhante Vega. Altair é a única estrela brilhante nessa área. É o olho de Águia.
Logo para cima e para a direita de Altair está a Tarazed, de terceira magnitude. Daí, estende-se a ténue espinha dorsal de Águia, juntamente com a Via Láctea se tiver um céu suficientemente escuro.
Este arranjo faz lembrar outro pássaro do Triângulo de Verão, Cisne, cujo longo pescoço e espinha dorsal "voa" atualmente para cima e para a direita de Águia.

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As poderosas FRBs foram associadas às galáxias massivas
 
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Esta montagem fotográfica mostra as antenas do DSA-110 (Deep Synoptic Array-110), que são utilizadas para descobrir e localizar com precisão as rajadas rápidas de rádio (FRBs). Por cima das antenas estão imagens de algumas das galáxias hospedeiras de FRBs, tal como aparecem no céu. As galáxias são extraordinariamente grandes, desafiando os modelos que descrevem as fontes das FRB.
Crédito: Annie Mejia/Caltech
 

Desde a sua descoberta, em 2007, que as FRBs (Fast Radio Bursts, em português "rajadas rápidas de rádio") - impulsos extremamente energéticos no rádio - têm iluminado o céu repetidamente, levando os astrónomos a tentar descobrir as suas origens. Atualmente, as rajadas rápidas de rádio confirmadas contam-se às centenas e os cientistas têm reunido evidências crescentes do que as desencadeia: estrelas de neutrões altamente magnetizadas, conhecidas como magnetares (as estrelas de neutrões são um tipo de estrela morta). Uma evidência fundamental surgiu quando um magnetar entrou em erupção na nossa própria Galáxia e vários observatórios, incluindo o projeto STARE2 (Survey for Transient Astronomical Radio Emission 2) do Caltech, captaram a ação em tempo real.

Agora, na revista Nature, investigadores liderados pelo Caltech descobriram onde é mais provável ocorrerem FRBs no Universo - galáxias massivas com formação estelar e não galáxias de baixa massa. Esta descoberta conduziu, por sua vez, a novas ideias sobre a formação dos magnetares. Especificamente, o trabalho sugere que estas exóticas estrelas mortas, cujos campos magnéticos são 100 biliões de vezes mais fortes do que o da Terra, se formam frequentemente quando duas estrelas se fundem e depois explodem como uma supernova. Anteriormente, não era claro se os magnetares se formavam desta forma, a partir da explosão de duas estrelas que se fundiram, ou se se formavam quando uma única estrela explodia.

"A imensa energia dos magnetares faz deles alguns dos objetos mais fascinantes e extremos do Universo", diz Kritti Sharma, autora principal do novo estudo e estudante que trabalha com Vikram Ravi, professor assistente de astronomia no Caltech. "Sabe-se muito pouco sobre o que causa a formação de magnetares aquando da morte de estrelas massivas. O nosso trabalho ajuda a responder a esta questão".

O projeto começou com uma pesquisa por FRBs utilizando o DSA-110 (Deep Synoptic Array-110), um projeto do Caltech financiado pela NSF (National Science Foundation) e sediado no OVRO (Owens Valley Radio Observatory), perto de Bishop, no estado norte-americano da Califórnia. Até à data, o extenso conjunto de radiotelescópios detetou e localizou 70 rajadas rápidas de rádio até à sua específica galáxia de origem (apenas 23 FRBs foram localizadas por outros telescópios). No estudo atual, os investigadores analisaram 30 destas FRBs localizadas.

"O DSA-110 mais do que duplicou o número de FRBs com galáxias hospedeiras conhecidas", diz Ravi. "Foi para isto que construímos esta rede".

Embora se saiba que as FRBs ocorrem em galáxias que estão ativamente a formar estrelas, a equipa, para sua surpresa, descobriu que as rajadas rápidas de rádio tendem a ocorrer mais frequentemente em galáxias massivas com formação estelar do que em galáxias de baixa massa com formação estelar. Este facto foi interessante porque os astrónomos tinham pensado que as FRBs ocorriam em todos os tipos de galáxias ativas.

Com esta nova informação, a equipa começou a ponderar o que os resultados revelavam sobre as FRBs. As galáxias massivas tendem a ser ricas em metais porque os metais no nosso Universo - elementos que são fabricados pelas estrelas - levam tempo a acumular-se ao longo da história cósmica. O facto de as rajadas rápidas de rádio serem mais comuns nestas galáxias ricas em metais implica que a fonte das FRBs, os magnetares, também são mais comuns neste tipo de galáxias.

As estrelas ricas em metais - o que, em termos astronómicos, significa elementos mais pesados do que o hidrogénio e o hélio - tendem a crescer mais do que as outras estrelas. "Ao longo do tempo, à medida que as galáxias crescem, sucessivas gerações de estrelas enriquecem as galáxias com metais à medida que evoluem e morrem", diz Ravi.

Além disso, as estrelas massivas que explodem como supernovas e que podem tornar-se magnetares encontram-se mais frequentemente aos pares. De facto, 84% das estrelas massivas são binárias. Assim, quando uma estrela massiva de um binário incha devido a um conteúdo extra de metal, o seu excesso de material é arrastado para a estrela parceira, o que facilita a fusão final das duas estrelas. Estas estrelas fundidas teriam um campo magnético combinado maior do que o de uma única estrela.

"Uma estrela com maior teor de metal incha, impulsiona a transferência de massa, culminando numa fusão, formando assim uma estrela ainda mais massiva com um campo magnético total superior ao que a estrela individual teria", explica Sharma.

Em resumo, uma vez que as FRBs são observadas preferencialmente em galáxias massivas e ricas em metais, então os magnetares (que se pensa desencadearem as FRBs) estão provavelmente também a formar-se em ambientes ricos em metais, propícios à fusão de duas estrelas. Os resultados sugerem, portanto, que os magnetares em todo o Universo têm origem nos remanescentes de fusões estelares.

No futuro, a equipa espera encontrar mais rajadas rápidas de rádio e os seus locais de origem usando o DSA-110 e, eventualmente, o DSA-2000, um conjunto ainda maior de antenas rádio, planeado para ser construído no deserto do Nevada e com conclusão prevista para 2028.

"Este resultado é um marco para toda a equipa do DSA. Muitos dos autores deste artigo científico ajudaram a construir o DSA-110", diz Ravi. "E o facto de o DSA-110 ser tão bom a localizar FRBs é um bom presságio para o sucesso do DSA-2000".

// Caltech (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

FRB (Fast Radio Burst, em português "rajada rápida de rádio"):
Wikipedia

Magnetar:
Wikipedia
AstronomyOnline.org

OVRO (Owens Valley Radio Observatory):
Caltech
Wikipedia
DSA-110 (OVRO)

 
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Os astrónomos encontraram o buraco negro que mais depressa se alimenta no Universo primitivo
 
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Esta ilustração mostra uma galáxia anã vermelha do início do Universo que alberga no seu centro um buraco negro que se alimenta a um grande ritmo. Usando dados do Webb e do Observatório de raios X Chandra da NASA, uma equipa de astrónomos descobriu este buraco negro supermassivo de baixa massa no centro de uma galáxia apenas 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang. Está a acretar matéria a um ritmo fenomenal - mais de 40 vezes o limite teórico. Embora de curta duração, o "festim" deste buraco negro pode ajudar os astrónomos a explicar como é que os buracos negros supermassivos cresceram tão rapidamente no Universo primitivo.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/M. Zamani
 

Usando dados do JWST (James Webb Space Telescope) e do Observatório de raios-X Chandra da NASA, uma equipa de astrónomos do NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation), nos EUA, descobriu um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia, apenas 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang, que está a consumir matéria a um ritmo fenomenal - mais de 40 vezes o limite teórico. Embora de curta duração, o "festim" deste buraco negro pode ajudar os astrónomos a explicar como é que os buracos negros supermassivos cresceram tão rapidamente no Universo primitivo.

Os buracos negros supermassivos encontram-se no centro da maioria das galáxias e os telescópios modernos continuam a observá-los em alturas surpreendentemente precoces da evolução do Universo. É difícil compreender como é que estes buracos negros foram capazes de crescer tão depressa. Mas com a descoberta de um buraco negro supermassivo de baixa massa que se alimenta de matéria a uma velocidade extrema, observado apenas 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang, os astrónomos têm agora novos e valiosos conhecimentos sobre os mecanismos dos buracos negros de crescimento rápido no Universo primitivo.

LID-568 foi descoberto por uma equipa interinstitucional de astrónomos liderada por Hyewon Suh, do Observatório Internacional Gemini/NOIRLab da NSF. A equipa utilizou o JWST para observar uma amostra de galáxias do Observatório de raios-X Chandra, no âmbito do levantamento COSMOS. Esta população de galáxias é muito brilhante na parte de raios-X do espetro, mas é invisível no ótico e no infravermelho próximo. A sensibilidade única do JWST ao infravermelho permite-lhe detetar estas fracas emissões homólogas.

LID-568 destacou-se na amostra devido à sua intensa emissão de raios X, mas a sua posição exata não podia ser determinada apenas a partir das observações de raios X, o que suscitava preocupações quanto à correta centragem do alvo no campo de visão do Webb. Assim, em vez de usar a espetroscopia tradicional, os cientistas de apoio à instrumentação do JWST sugeriram que a equipa de Suh usasse o espetrógrafo de campo integral do instrumento NIRSpec (Near InfraRed Spectrograph). Este instrumento pode obter um espetro para cada pixel no seu campo de visão, em vez de estar limitado a um campo estreito.

"Devido à sua natureza ténue, a deteção de LID-568 seria impossível sem o JWST. A utilização do espetrógrafo de campo integral foi inovadora e necessária para obter a nossa observação", afirma Emanuele Farina, astrónomo do Observatório Internacional Gemini/NOIRLab da NSF e coautor do artigo científico publicado na revista Nature Astronomy.

 
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Esta ilustração artística mostra um buraco negro que se alimenta rapidamente e que está a emitir poderosos fluxos de gás. Usando dados do Webb e do Observatório de raios X Chandra da NASA, uma equipa de astrónomos descobriu este buraco negro supermassivo de baixa massa no centro de uma galáxia apenas 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang. Está a acretar matéria a um ritmo fenomenal - mais de 40 vezes o limite teórico. Embora de curta duração, o "festim" deste buraco negro pode ajudar os astrónomos a explicar como é que os buracos negros supermassivos cresceram tão rapidamente no Universo primitivo.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/M. Zamani
 

O NIRSpec do JWST permitiu à equipa obter uma visão completa do seu alvo e da região circundante, levando à descoberta inesperada de poderosos fluxos de gás em torno do buraco negro central. A velocidade e a dimensão destes fluxos levaram a equipa a inferir que uma fração substancial do crescimento massivo de LID-568 pode ter ocorrido num único episódio de acreção rápida. "Este resultado inesperado adicionou uma nova dimensão à nossa compreensão do sistema e abriu percursos interessantes para a investigação", diz Suh.

Numa descoberta espantosa, Suh e a sua equipa descobriram que LID-568 parece estar a alimentar-se de matéria a um ritmo 40 vezes superior ao seu limite de Eddington. Este limite está relacionado com a luminosidade máxima que um buraco negro pode atingir, bem como com a rapidez com que pode absorver matéria, de modo a que a sua força gravitacional interna e a pressão externa gerada pelo calor da matéria comprimida e em queda permaneçam em equilíbrio. Quando a luminosidade de LID-568 foi calculada como sendo muito superior à teoricamente possível, a equipa soube que tinha algo de notável nos seus dados.

"Este buraco negro está a fazer um banquete", diz a astrónoma e coautora do Observatório Internacional Gemini/NOIRLab da NSF, Julia Scharwächter. "Este caso extremo mostra que um mecanismo de alimentação rápida acima do limite de Eddington é uma das explicações possíveis para o facto de vermos estes buracos negros muito massivos tão cedo no Universo".

Estes resultados fornecem novos conhecimentos sobre a formação de buracos negros supermassivos a partir de "sementes" de buracos negros mais pequenos, que as teorias atuais sugerem que resultam ou da morte das primeiras estrelas do Universo (sementes leves) ou do colapso direto de nuvens de gás (sementes pesadas). Até agora, estas teorias careciam de confirmação observacional. "A descoberta de um buraco negro super-Eddington em acreção sugere que uma parte significativa do crescimento de massa pode ocorrer durante um único episódio de alimentação rápida, independentemente do buraco negro ter tido origem numa semente leve ou pesada", diz Suh.

A descoberta de LID-568 mostra também que é possível que um buraco negro ultrapasse o seu limite de Eddington e fornece a primeira oportunidade para os astrónomos estudarem como isto acontece. É possível que os poderosos fluxos observados no buraco negro LID-568 possam estar a atuar como uma válvula de escape para o excesso de energia gerado pela acreção extrema, evitando que o sistema se torne demasiado instável. Para investigar melhor os mecanismos em jogo, a equipa está a planear observações de acompanhamento com o Webb.

// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// ICE-CSIC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)
// LID-568 - ep. 89 (NOIRLab via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
ScienceAlert
PHYSORG
ScienceDaily
Reuters
Ars Technica

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Limite de Eddington:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

 
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A descoberta de um solitário "ouriço" galáctico
 
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Três imagens da galáxia dw1322m2053, apelidada de "Ouriço". A galáxia é visível em comprimentos de onda óticos e no infravermelho próximo (imagens da esquerda e centro), mas não foi detetada no ultravioleta (imagem da direita).
Crédito: Li et al., 2024
 

Os investigadores descobriram uma galáxia extremamente isolada. A galáxia, apelidada de "Ouriço" pela sua pequena dimensão e natureza isolada, situa-se a cerca de 5,5 milhões de anos-luz do grupo de galáxias mais próximo e não está a formar quaisquer estrelas, o que a torna uma raridade entre as galáxias anãs.

Pequenas, mas fascinantes, as galáxias anãs são o tipo de galáxia mais comum no nosso Universo. Contendo, no máximo, cerca de 1% do número de estrelas da Via Láctea, estas galáxias delicadas são facilmente perturbadas pela atração gravitacional de galáxias maiores. Estas interações podem separar as galáxias anãs em fluxos estelares ou pôr fim à sua formação estelar.

No entanto, longe da influência de galáxias maiores, as galáxias anãs isoladas tendem a produzir novas estrelas; apenas 0,06% das galáxias anãs isoladas são quiescentes, sem novas estrelas. Quando uma galáxia anã quiescente é encontrada longe de outras galáxias, os astrónomos tentam perceber porque é que a galáxia está adormecida.

A descoberta de um "ouriço"

Uma equipa da Universidade de Princeton liderada por Jiaxuan Li estava à procura de galáxias anãs que orbitassem a galáxia NGC 5068 quando avistou uma pequena galáxia catalogada como dw1322m2053. Inicialmente assinalada como possível satélite de NGC 5068, situando-a a 17 milhões de anos-luz de distância, a aparência sarapintada de dw1322m2053 sugeria que a galáxia estava muito mais perto - suficientemente perto para que a sua distribuição irregular de estrelas e enxames estelares fosse fracamente visível.

Depois de realizar observações de acompanhamento com o Telescópio Baade de 6,5 metros, um dos telescópios do par Magellan no Observatório Las Campanas, a equipa estimou a distância à galáxia utilizando o método da flutuação do brilho da superfície. Este método aproveita o facto de as galáxias não serem igualmente brilhantes ao longo das suas superfícies, e estas variações de brilho são mais claramente visíveis nas galáxias próximas do que nas distantes. Ao calcular a variação pixel a pixel do brilho da superfície, a equipa de Li descobriu que dw1322m2053 estava muito mais perto do que se pensava inicialmente, a apenas 7,8 milhões de anos-luz de distância.

Uma investigação sobre a vizinhança da galáxia valeu-lhe um novo nome: Ouriço. Tal como o seu adorável homónimo espinhoso, a galáxia Ouriço é pequena e solitária: não existem galáxias num raio de 3,3 milhões de anos-luz e não existem grupos de galáxias num raio de 5,5 milhões de anos-luz, o que a torna uma das galáxias anãs mais isoladas que se conhecem.

 
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Gráfico da vizinhança da galáxia Ouriço. Os vizinhos mais próximos podem ser vistos a laranja. Os círculos roxos mostram os raios de grupos de galáxias. Pode ver uma versão interactiva desta figura aqui.
Crédito: adaptado de Li et al., 2024
 

Como extinguir uma galáxia isolada

Para além da sua localização extraordinariamente remota, a galáxia Ouriço é também notável pela sua ausência de formação estelar. A galáxia é avermelhada, sem regiões visíveis de formação estelar ou faixas de poeira escura que possam albergar estrelas jovens. A ausência de emissão ultravioleta, como demonstrado por dados de arquivo, sugere que não houve qualquer formação estelar nesta galáxia nos últimos 100 milhões de anos - mas porquê?

A equipa de Li descobriu que a galáxia Ouriço é muito provavelmente uma galáxia "backsplash", o que significa que passou suficientemente perto de um grupo de galáxias para que o seu gás de formação estelar fosse retirado antes de ser atirada para o espaço vazio. Dada a distância ao grupo de galáxias mais próximo, Centaurus A, e a idade das estrelas da galáxia Ouriço, este cenário é possível, mas é necessária uma estimativa mais refinada da sua idade para avaliar completamente esta possibilidade.

No entanto, pode haver uma explicação ainda mais simples: com uma massa estelar de apenas 631.000 massas solares, a galáxia Ouriço é pequena, mesmo para uma galáxia anã. Com um tamanho tão pequeno, é possível que a formação estelar seja interrompida de várias formas, incluindo a passagem por uma mancha de gás intergaláctico ou a evaporação do seu próprio gás de formação estelar. Observações futuras ajudarão a explicar porque é que a galáxia Ouriço tem estado a hibernar.

// AAS Nova (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Ouriço - uma galáxia próxima completamente isolada (Trolligi via YouTube)

 


Quer saber mais?

Galáxias anãs:
Wikipedia

Telescópios Magellan:
Observatório Las Campanas
Wikipedia

 
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Também em destaque
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  A primeira visão 3D da formação e evolução dos enxames globulares (via INAF)
Um estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics constitui um marco significativo na nossa compreensão da formação e evolução dinâmica de múltiplas populações estelares em enxames globulares (grupos estelares esféricos e muito compactos, tipicamente povoados por 1-2 milhões de estrelas). Este estudo pioneiro é o primeiro a efetuar uma análise cinemática 3D de populações estelares múltiplas para uma amostra representativa de 16 enxames globulares na nossa Galáxia. Ler fonte
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Álbum de fotografias
M42: A Grande Nebulosa de Orionte

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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Fényes Lóránd
 

A Grande Nebulosa de Orionte, uma enorme e vizinha região de formação estelar, é provavelmente a mais famosa de todas as nebulosas astronómicas. Aqui, gás incandescente rodeia estrelas jovens e quentes no limite de uma imensa nuvem molecular interestelar a apenas 1500 anos-luz de distância. Nesta imagem profunda em destaque, em cores atribuídas e realçadas pela emissão do oxigénio e do hidrogénio, são particularmente evidentes as mechas e lençóis de poeira e gás. A Grande Nebulosa de Orionte pode ser encontrada a olho nu perto da cintura facilmente identificável de três estrelas na popular constelação de Orionte. Para além de albergar um brilhante enxame aberto de estrelas conhecido como Trapézio, a Nebulosa de Orionte contém muitos berçários estelares. Estes berçários contêm muito hidrogénio gasoso, estrelas jovens quentes, proplyds e jatos estelares que expelem material a alta velocidade. Também conhecida como M42, a Nebulosa de Orionte estende-se por cerca de 40 anos-luz e está localizada no mesmo braço espiral da nossa Galáxia que o Sol.

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