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  Astroboletim #2160  
  19/11 a 21/11/2024  
     
 
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OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
O Centro Ciência Viva de Tavira irá realizar, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, uma observação do Sol. A sesssão de observação é gratuita. Participe!
Data: 29 de novembro de 2024
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Ponte Romana em Tavira
Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 19/11: 324.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1711, nascia Mikhail Lomonosov, cientista russo, conhecido por ser a primeira pessoa a teorizar a existência de uma atmosfera em Vénus.
Em 1881, um meteorito aterra perto da vila de Grossliebenthal, no sudoeste de Odessa, Ucrânia.
Em 1969, a Apollo 12 faz a segunda aterragem humana na Lua. Os astronautas Pete Conrad e Alan Bean pisam solo lunar no Oceano das Tempestades.
Em 1999, a China lança a missão Shenzhou 1, não tripulada, para órbita.
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Torna-se assim na terceira nação da História a lançar um veículo capaz de transportar uma pessoa até ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce hoje cerca de duas horas depois do cair da noite, formando um triângulo muito achatado com a estrela Pollux e com Castor, da constelação de Gémeos. Ao amanhecer de dia 20, a cena mudou devido à viagem do nosso satélite natural e este forma agora uma linha reta com as duas estrelas anteriormente mencionadas.

 

DIA 20/11: 325.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1889 nascia Edwin Hubble, astrónomo americano.
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Foi o primeiro a identificar cefeidas em M31, provando a natureza extragaláctica das nebulosas espirais (galáxias). Apoiando-se sobre o trabalho de Carl Wirtz, e com os desvios de SlipherHubble estabelece a relação distância-velocidade das galáxias (Lei de Hubble) que demonstra a expansão do Universo.
Em 1984, é fundado o Instituto SETI.
Em 1998, é lançado o primeiro módulo da Estação Espacial Internacional (ISS), o Zarya.
HOJE, NO COSMOS:
Quando Fomalhaut e Saturno estão o mais altos a sul (o que acontece cerca das 19:30), as Guias da Ursa Maior também ficam niveladas verticalmente do outro lado do céu: baixas a norte, mesmo para baixo da Estrela Polar.
Pouco mais de uma hora depois, as primeiras estrelas de Orionte começam a subir acima do horizonte este (para observadores a latitudes médias norte). Começando com o nascer de Bellatrix, a figura principal de Orionte demora pouco mais de uma hora para ficar desimpedida do horizonte.
A Lua nasce pouco antes das 22 horas, esta noite muito perto do planeta Marte, situado para a direita.

 

DIA 21/11: 326.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1905, é publicado o artigo de Einstein que revela a relação entre a energia e a massa. Isto leva à fórmula da equivalência massa-energia, E=mc^2.
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Em 1998, estudantes do Liceu Northfield Mount Hermon descobrem Kuiper 72.
HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste-noroeste nestas noites de novembro. A sua pequena constelação, Lira, estende-se para a sua esquerda, apontando, como sempre, para Altair, a estrela mais brilhante a sudoeste.
Três das estrelas de Lira, perto de Vega, são duplas interessantes. Logo acima de Vega, está Epsilon Lyrae, de quarta magnitude, o Duplo-Duplo. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado.
Uns binóculos resolvem Epsilon facilmente. Já um telescópio de 4 polegadas, com uma ampliação de 100x ou mais, deverá resolver cada das componentes de Epsilon em dois pares íntimos.
Zeta é também uma estrela dupla binocular; muito mais difícil, mas observável através de um telescópio.
E Delta Lyrae, para cima e para a esquerda de Zeta, a uma distância parecida, é um par binocular mais largo e mais fácil.

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Hubble vê o rescaldo da colisão de uma galáxia com a Via Láctea
 
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Este conceito artístico mostra uma ampliação da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã que é uma das vizinhas mais próximas da Via Láctea.
Crédito: NASA, ESA, Ralf Crawford (STScI)
 

Nos confins da nossa Galáxia está a desenrolar-se uma história de sobrevivência, e o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA está a testemunhar a saga.

A Grande Nuvem de Magalhães (GNM) é uma das galáxias vizinhas mais próximas da Via Láctea. Esta galáxia anã aparece em grande no céu noturno do hemisfério sul, com um diâmetro aparente 20 vezes superior ao da Lua cheia.

Muitos investigadores teorizam que a GNM não está em órbita à volta da nossa Galáxia, mas apenas de passagem. Estes cientistas pensam que a GNM acabou de completar a sua maior aproximação à muito mais massiva Via Láctea. Esta passagem fez desaparecer a maior parte do halo esférico de gás que rodeia a GNM.

Agora, pela primeira vez, os astrónomos conseguiram medir o tamanho do halo da Grande Nuvem de Magalhães - algo que só podiam fazer com o Hubble. Num novo estudo a ser publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, os investigadores ficaram surpreendidos ao descobrir que o halo é extremamente pequeno, com cerca de 50.000 anos-luz de diâmetro. É cerca de 10 vezes mais pequeno do que os halos de outras galáxias com a massa da GNM. O seu tamanho compacto conta a história do seu encontro com a Via Láctea.

"A GNM é uma sobrevivente", disse Andrew Fox da AURA/STScI para a ESA em Baltimore, que foi o investigador principal nas observações. "Apesar de ter perdido muito do seu gás, ainda tem o suficiente para continuar a formar novas estrelas. Por isso, podem ser criadas novas regiões de formação estelar. Uma galáxia mais pequena não teria resistido - não restaria gás, apenas uma coleção de estrelas vermelhas envelhecidas".

 
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Esta ilustração mostra a Grande Nuvem de Magalhães, ou GNM, em primeiro plano, à medida que passa pelo halo gasoso da Via Láctea, muito mais massiva. O encontro fez desaparecer a maior parte do halo esférico de gás que rodeia a GNM, como ilustrado pelo fluxo de gás que faz lembrar a cauda de um cometa. Ainda assim, permanece um halo compacto, e os cientistas não esperam que este halo residual se perca. A equipa analisou o halo usando a luz de fundo de 28 quasares, um tipo excecionalmente brilhante de núcleo galáctico ativo que brilha em todo o Universo como um farol. A sua luz permite aos cientistas "ver" indiretamente o gás do halo através da absorção da luz de fundo. As linhas representam a visão do Telescópio Espacial Hubble desde a sua órbita em torno da Terra até aos quasares distantes através do gás da GNM.
Crédito: NASA, ESA, Ralf Crawford (STScI)
 

Embora um pouco pior, a GNM ainda mantém um halo compacto e atarracado de gás - algo que não teria sido capaz de manter gravitacionalmente se fosse menos massiva. A Grande Nuvem de Magalhães tem 10 por cento da massa da Via Láctea, o que a torna mais massiva do que a maioria das galáxias anãs.

"Por causa do halo gigante da Via Láctea, o gás da GNM está a ser truncado, ou extinguido", explicou Sapna Mishra, do STScI, a principal autora do artigo científico que relata esta descoberta. "Mas mesmo com esta interação catastrófica com a Via Láctea, a GNM é capaz de reter 10 por cento do seu halo devido à sua elevada massa".

Um secador de cabelo gigantesco

A maior parte do halo da GNM foi destruído devido a um fenómeno chamado "ram-pressure stripping". O ambiente denso da Via Láctea empurra a GNM para trás e cria um rasto de gás que segue a galáxia anã - como a cauda de um cometa.

"Gosto de pensar na Via Láctea como um secador de cabelo gigante, que está a soprar gás da GNM à medida que vem até nós", disse Fox. "A Via Láctea está a empurrar para trás com tanta força que a 'ram pressure' retirou a maior parte da massa original do halo da GNM. Só resta um pouco, e é este pequeno e compacto remanescente que estamos a ver agora".

À medida que a "ram pressure" empurra para longe grande parte do halo da Grande Nuvem de Magalhães, o gás abranda e acaba por "chover" na Via Láctea. Mas como a GNM acabou de ultrapassar a sua maior aproximação à Via Láctea e está a mover-se novamente para o espaço profundo, os cientistas não esperam que todo o halo se perca.

Só com o Hubble

Para realizar este estudo, a equipa de investigação analisou observações ultravioletas do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais no STScI. A maior parte da luz ultravioleta é bloqueada pela atmosfera da Terra, pelo que não pode ser observada com telescópios terrestres. O Hubble é o único telescópio espacial atual adaptado à deteção destes comprimentos de onda da luz, pelo que este estudo só foi possível com o Hubble.

A equipa estudou o halo utilizando a luz de fundo de 28 quasares brilhantes. Os quasares, o tipo mais brilhante de núcleo galáctico ativo, são alimentados por buracos negros supermassivos. Brilhando como faróis, permitem aos cientistas "ver" indiretamente o gás do halo através da absorção da luz de fundo. Os quasares encontram-se em todo o Universo, a distâncias extremas da nossa Galáxia.

 
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Esta conceção artística ilustra o encontro da Grande Nuvem de Magalhães (GNM) com o halo gasoso da Via Láctea. No painel superior, a meio do lado direito, a GNM começa a colidir com o halo muito mais massivo da nossa Galáxia. O brilhante choque em arco púrpura representa a borda dianteira do halo da GNM, que está a ser comprimido à medida que o halo da Via Láctea empurra contra a GNM que se aproxima. No painel do meio, parte do halo está a ser despojado e "soprado" para uma cauda de gás que eventualmente "choverá" na Via Láctea. O painel inferior mostra a progressão desta interação, à medida que a cauda tipo cometa da GNM se torna mais definida. Permanece um halo compacto da GNM. Dado que a Grande Nuvem de Magalhães já passou a sua maior aproximação à Via Láctea e está a mover-se novamente para o espaço profundo, os cientistas não esperam que o halo residual se perca.
Crédito: NASA, ESA, Ralf Crawford (STScI)
 

Os cientistas utilizaram dados do instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble para detetar a presença do gás do halo através da forma como este absorve certas cores de luz dos quasares de fundo. Um espetrógrafo decompõe a luz nos vários comprimentos de onda, revelando pistas sobre o estado, a temperatura, a velocidade, a quantidade, a distância e a composição do objeto. Com o COS, mediram a velocidade do gás à volta da Grande Nuvem de Magalhães, o que lhes permitiu determinar o tamanho do halo.

Devido à sua massa e proximidade da Via Láctea, a GNM é um laboratório astrofísico único. Ver a interação da GNM com a nossa Galáxia ajuda os cientistas a compreender o que aconteceu no início do Universo, quando as galáxias estavam mais próximas umas das outras. Também mostra como o processo de interação entre galáxias é confuso e complicado.

Olhando para o futuro

A equipa vai seguidamente estudar a parte da frente do halo da Grande Nuvem de Magalhães, uma área que ainda não foi explorada.

"Neste novo programa, vamos sondar cinco linhas de visão na região onde o halo da GNM e o halo da Via Láctea estão a colidir", disse o coautor Scott Lucchini do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian. "Este é o local onde os halos estão comprimidos, como dois balões empurrados um contra o outro".

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia
SEDS.org

"Ram pressure":
Wikipedia

Quasar:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
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Um meteorito contém evidências de água líquida em Marte há 742 milhões de anos
 
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O Meteorito de Lafayette foi arrancado da superfície de Marte e depois viajou pelo espaço durante cerca de 11 milhões de anos. Acabou por ir parar a uma gaveta da Universidade Purdue em 1931 e, desde então, tem ensinado aos cientistas mais sobre Marte.
Crédito: Purdue Brand Studio
 

Um asteroide atingiu Marte há 11 milhões de anos e enviou pedaços do Planeta Vermelho a voar pelo espaço. Um desses pedaços de Marte acabou por se despenhar na Terra, algures no estado norte-americano de Indiana, e é um dos poucos meteoritos que podem ser atribuídos diretamente a Marte. Este meteorito foi redescoberto numa gaveta da Universidade Purdue em 1931 e, por isso, recebeu o nome de Meteorito de Lafayette.

Durante as primeiras investigações do Meteorito de Lafayette, os cientistas descobriram que este tinha interagido com água líquida enquanto esteve em Marte. Há muito que os cientistas se interrogam sobre quando terá ocorrido essa interação com a água líquida. Uma colaboração internacional de cientistas determinou recentemente a idade dos minerais do Meteorito de Lafayette que se formaram quando havia água líquida. A equipa publicou os seus resultados na revista Geochemical Perspective Letters.

Marissa Tremblay, professora assistente do Departamento de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias da Universidade Purdue, é a principal autora desta publicação. Marissa Tremblay utiliza gases nobres, como o hélio, o néon e o árgon, para estudar os processos físicos e químicos que moldam as superfícies da Terra e de outros planetas. A autora explica que alguns meteoritos marcianos contêm minerais que se formaram através da interação com água líquida enquanto ainda se encontravam em Marte.

"A datação destes minerais pode, portanto, dizer-nos quando é que havia água líquida à superfície de Marte ou perto dela, no passado geológico do planeta", afirma. "Datámos estes minerais no meteorito marciano de Lafayette e descobrimos que se formaram há 742 milhões de anos. Não pensamos que houvesse água líquida em abundância na superfície de Marte nesta altura. Ao invés, pensamos que a água veio do derretimento de gelo subsuperficial próximo chamado pergelissolo, e que o derretimento do pergelissolo foi causado pela atividade magmática que ainda ocorre periodicamente em Marte até aos dias de hoje".

Nesta publicação, a sua equipa demonstrou que a idade obtida para o momento da interação água-rocha em Marte era robusta e que o "cronómetro" utilizado não foi afetado por coisas que aconteceram ao Meteorito de Lafayette depois de ter sido alterado na presença de água.

"A idade poderia ter sido afetada pelo impacto que expeliu o Meteorito de Lafayette de Marte, pelo aquecimento que o meteorito sofreu durante os 11 milhões de anos em que esteve a flutuar no espaço, ou pelo aquecimento que o Meteorito de Lafayette sofreu quando caiu na Terra e ardeu um pouco na atmosfera terrestre", diz. "Mas conseguimos demonstrar que nada disto afetou a idade da alteração aquosa".

Ryan Ickert, investigador sénior de Purdue, é coautor do artigo científico. Ele utiliza isótopos radioativos pesados e estáveis para estudar as escalas de tempo dos processos geológicos. Demonstrou que outros dados de isótopos (anteriormente utilizados para estimar o tempo de interação água-rocha em Marte) eram problemáticos e tinham sido provavelmente afetados por outros processos.

"Este meteorito é o único que tem evidências de ter reagido com água. A data exata desta reação era controversa e a nossa publicação data quando a água estava presente", afirma.

Encontrado numa gaveta

Graças à investigação, sabe-se bastante sobre a história da origem do Meteorito de Lafayette. Foi expelido da superfície de Marte há cerca de 11 milhões de anos por um evento de impacto.

"Sabemos isto porque, depois de ter sido ejetado de Marte, o meteorito foi bombardeado por partículas de raios cósmicos no espaço exterior, o que provocou a produção de certos isótopos", diz Tremblay. "Muitos meteoroides são produzidos por impactos em Marte e noutros corpos planetários, mas apenas alguns acabam por cair na Terra".

Mas quando o Meteorito de Lafayette atingiu a Terra, a história ficou um pouco confusa. Sabe-se com certeza que o meteorito foi encontrado numa gaveta da Universidade Purdue em 1931. Mas como foi lá parar continua a ser um mistério. Tremblay e outros fizeram progressos na explicação da história da linha temporal pós-Terra numa publicação recente.

"Utilizámos contaminantes orgânicos da Terra encontrados no Meteorito de Lafayette (especificamente, doenças das colheitas) que eram particularmente prevalentes em certos anos para determinar a altura em que pode ter caído e se a queda do meteorito pode ter sido testemunhada por alguém", diz Tremblay.

Meteoritos: cápsulas do tempo

Os meteoritos são "cápsulas do tempo" de planetas e corpos celestes do nosso Universo. Transportam consigo fragmentos de dados que podem ser desvendados pelos geocronologistas. Distinguem-se das rochas que podem ser encontradas na Terra por uma crosta que se forma na sua descida através da nossa atmosfera e que muitas vezes é visível no céu noturno como "estrelas cadentes".

"Podemos identificar meteoritos estudando os minerais que neles estão presentes e as relações entre esses minerais no interior do meteorito", diz Tremblay. "Os meteoritos são frequentemente mais densos do que as rochas terrestres, contêm metal e são magnéticos. Também podemos procurar coisas como uma crosta de fusão que se forma durante a entrada na atmosfera da Terra. Finalmente, podemos utilizar a química dos meteoritos (especificamente a sua composição isotópica do oxigénio) para identificar de que corpo planetário vieram ou a que tipo de meteorito pertencem".

A datação dos minerais de alteração no Meteorito de Lafayette e, de uma forma mais geral, nesta classe de meteoritos de Marte chamada nakhlites, tem sido um objetivo a longo prazo da ciência planetária, porque os cientistas sabem que a alteração ocorreu na presença de água líquida em Marte. No entanto, estes materiais são especialmente difíceis de datar, e as tentativas anteriores de os datar eram muito incertas e/ou provavelmente afetadas por outros processos que não a alteração aquosa.

"Demonstrámos uma forma robusta de datar minerais de alteração em meteoritos que pode ser aplicada a outros meteoritos e corpos planetários para compreender quando é que a água líquida pode ter estado presente", afirma Tremblay.

// Universidade Purdue (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Geochemical Perspective Letters)
// Artigo científico sobre a linha temporal pós-Terra do Meteorito de Lafayette (Mary Ann Liebert, Inc.)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
SPACE.com
Popular Science
PHYSORG

Marte:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
The Nine Planets
Meteoritos marcianos (Wikipedia)

 
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Uma fórmula para a vida? Novo modelo calcula as hipóteses de existirem seres inteligentes no nosso Universo e para além dele
 
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Como seria a mesma região do Universo em termos de quantidade de estrelas para diferentes valores da densidade de energia escura. No sentido dos ponteiros do relógio, a partir do canto superior esquerdo: sem energia escura; com a mesma densidade de energia escura do nosso Universo; 30 e 10 vezes a densidade de energia escura do nosso Universo. As imagens são geradas a partir de um conjunto de simulações cosmológicas.
Crédito: Oscar Veenema
 

As hipóteses de surgir vida inteligente no nosso Universo - e em qualquer outro hipotético universo para além dele - podem ser estimadas por um novo modelo teórico que tem ecos da famosa Equação de Drake.

Esta foi a fórmula que o astrónomo americano Frank Drake criou na década de 1960 para calcular o número de civilizações extraterrestres detetáveis na nossa Galáxia, a Via Láctea.

Mais de 60 anos depois, astrofísicos liderados pela Universidade de Durham produziram um modelo diferente que se centra, ao invés, nas condições criadas pela aceleração da expansão do Universo e na quantidade de estrelas formadas.

Pensa-se que esta expansão está a ser impulsionada por uma força misteriosa chamada energia escura, que constitui mais de dois-terços do Universo.

Qual é o cálculo?

Uma vez que as estrelas são uma condição prévia para o aparecimento da vida tal como a conhecemos, o modelo pode, portanto, ser utilizado para estimar a probabilidade de gerar vida inteligente no nosso Universo e num cenário multiverso de hipotéticos universos diferentes.

A nova investigação não tenta calcular o número absoluto de observadores (ou seja, de vida inteligente) no Universo, mas considera antes a probabilidade relativa de um observador escolhido ao acaso habitar um Universo com propriedades específicas.

Conclui que um observador típico esperaria encontrar uma densidade de energia escura substancialmente maior do que a que se verifica no nosso próprio Universo - sugerindo que os ingredientes que possui fazem dela um caso raro e invulgar no multiverso.

 
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Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble capta um sistema estelar triplo, que pode albergar planetas potencialmente habitáveis. O nosso vizinho estelar mais próximo, o sistema Alpha Centauri, possui três estrelas.
Crédito: NASA, ESA, G. Duchene (Universidade de Grenoble I); processamento de imagem - Gladys Kober (NASA/Universidade Católica da América)
 

A abordagem apresentada no artigo científico envolve o cálculo da fração de matéria comum convertida em estrelas ao longo de toda a história do Universo, para diferentes densidades de energia escura.

O modelo prevê que esta fração seria de aproximadamente 27% num Universo mais eficiente a formar estrelas, em comparação com 23% no nosso próprio Universo.

Isto significa que não vivemos no universo hipotético com maiores probabilidades de formar vida inteligente. Por outras palavras, o valor da densidade da energia escura que observamos no nosso Universo não é o que maximizaria as hipóteses de vida, de acordo com o modelo.

O impacto da energia escura na nossa existência

O investigador principal, Dr. Daniele Sorini, do Instituto de Cosmologia Computacional da Universidade de Durham, afirmou: "Compreender a energia escura e o seu impacto no nosso Universo é um dos maiores desafios da cosmologia e da física fundamental.

"Os parâmetros que regem o nosso Universo, incluindo a densidade da energia escura, poderiam explicar a nossa própria existência.

"Porém, surpreendentemente, descobrimos que mesmo uma densidade de energia escura significativamente mais elevada seria compatível com a vida, sugerindo que talvez não vivamos no mais provável dos universos".

O novo modelo poderá permitir aos cientistas compreender os efeitos de diferentes densidades de energia escura na formação de estruturas no Universo e as condições para o desenvolvimento da vida no cosmos.

 
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A Equação de Drake, uma fórmula matemática para a probabilidade de encontrar vida ou civilizações avançadas no Universo, revista por dois investigadores da Universidade de Rochester em 2016.
Crédito: Universidade de Rochester
 

A energia escura faz com que o Universo se expanda mais depressa, equilibrando a atração da gravidade e criando um Universo onde tanto a expansão como a formação de estruturas são possíveis.

No entanto, para que a vida se desenvolva, é necessário que existam regiões onde a matéria se possa aglomerar para formar estrelas e planetas, e que se mantenha estável durante milhares de milhões de anos para permitir a evolução da vida.

Crucialmente, a investigação sugere que a astrofísica da formação estelar e a evolução da estrutura em grande escala do Universo se combinam de forma subtil para determinar o valor ótimo da densidade de energia escura necessária para o aparecimento de vida inteligente.

O professor Lucas Lombriser, da Universidade de Genebra e coautor do estudo, acrescentou: "Será emocionante utilizar o modelo para explorar o aparecimento da vida em diferentes universos e verificar se algumas questões fundamentais que colocamos a nós próprios sobre o nosso próprio Universo têm de ser reinterpretadas".

A equação de Drake, explicada

A equação de Frank Drake era mais um guia para os cientistas sobre como procurar vida, do que uma ferramenta de estimativa ou uma tentativa séria de determinar um resultado exato.

Os seus parâmetros incluíam o ritmo de formação anual de estrelas na Via Láctea, a fração de estrelas com planetas a orbitá-las e o número de mundos que poderiam potencialmente suportar vida.

Em comparação, o novo modelo relaciona o ritmo de formação estelar anual no Universo com os seus ingredientes fundamentais, como a já referida densidade de energia escura.

O estudo, que foi financiado pelo Conselho Europeu de Investigação e envolveu também cientistas da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Genebra, foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

// Real Sociedade Britânica (comunicado de imprensa)
// Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Equação de Drake:
Wikipedia

Energia escura:
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Nova ideia pode desvendar o enigma do padrão "zebra" da Nebulosa do Caranguejo (via Universidade do Kansas)
Um astrofísico teórico poderá ter resolvido um mistério com quase duas décadas sobre as origens de um invulgar padrão de "zebra" observado em impulsos de rádio de alta frequência da Nebulosa do Caranguejo. A Nebulosa do Caranguejo tem no seu centro uma estrela de neutrões que se transformou num pulsar com mais de 20 quilómetros de diâmetro que emite radiação eletromagnética através do cosmos. Ler fonte
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Álbum de fotografias
IC 348 e Barnard 3

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ashraf Abu Sara
 
Uma grande região nebulosa perto da brilhante estrela omicron Persei proporciona este estudo de contrastes cósmicos. Capturado nesta imagem, um complexo colorido de poeira, gás e estrelas que se estende por cerca de 3 graus no céu, ao longo do limite da nuvem molecular de Perseu, a cerca de 1000 anos-luz de distância. Rodeada por um halo azulado de luz estelar refletida pela poeira, omicron Persei está mesmo à esquerda do centro. Imediatamente por baixo, encontra-se o jovem e intrigante enxame estelar IC 348, recentemente explorado no infravermelho pelo Telescópio Espacial James Webb. Em silhueta contra o brilho avermelhado difuso do hidrogénio gasoso, a nuvem de poeira interestelar escura e obscurante Barnard 3 encontra-se no canto superior direito. Claro, a poeira cósmica também tende a esconder, dos telescópios óticos, estrelas recém-formadas e jovens objetos estelares ou protoestrelas. À distância estimada da nuvem molecular de Perseu, este campo de visão abrange cerca de 50 anos-luz.
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