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  Astroboletim #2179  
  24/01 a 27/01/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 24/01: 24.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1882, nascia Harold Babcock, astrónomo americano que propôs que o ciclo das manchas solares era o resultado da rotação diferencial e do campo magnético do Sol.
Em 1947 nasce Michio Kaku, físico teórico americano, futurista, comunicador e divulgador de ciência.
Em 1978, um satélite soviético chamado Kosmos 954, com um reator nuclear a bordo, é destruído na atmosfera da Terra, espalhando detritos radioativos por cima dos Territórios Noroeste do Canadá. Apenas 1% foi recuperado.
Em 1986, a Voyager 2 passa a 81.500 km de Úrano
Em 1990, o Japão lança a Hiten, a primeira sonda lunar deste país, a primeira sonda lunar desde a soviética Luna 24 em 1976 e a primeira sonda lunar lançada por um país sem ser a União Soviética ou os Estados Unidos.
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HOJE, NO COSMOS:
Marte continua ainda a poucos graus de Pollux; está a deslocar-se lentamente para oeste. Continue a observar este par. Marte vai atingir o seu ponto estacionário oeste no dia 24 de fevereiro, quando aparecerá praticamente equidistante (7,2º) tanto de Pollux como de Castor. Depois disso, começará novamente o seu movimento prógrado (para este).

 

DIA 25/01: 25.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1736 nascia Joseph-Louis Lagrange, matemático e astrónomo italiano. Fez contribuições importantes para todos os campos da análise, teoria de números e mecânica celeste e clássica.
Em 1994, lançamento da sonda Clementine.
Em 2004, o rover Opportunity (MER-B) aterra na superfície de Marte.
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Em 2006, três campanhas independentes anunciam a descoberta de OGLE-2005-BLG-390LB através de microlentes gravitacionais, o primeiro exoplaneta rochoso/gelado em torno de uma estrela de sequência principal.
HOJE, NO COSMOS:
Orionte está agora alto a sudeste logo após o cair da noite, e está o mais alto e direito a sul perto das 22 horas. Orionte é a mais brilhante das 88 constelações, mas o seu padrão principal é surpreendentemente pequeno em comparação com as suas vizinhas mais ténues. A maior destas é Erídano para o seu oeste (direita), enorme mais difícil de seguir. A mais fraca Fornalha, para baixo e para a direita de Erídano, é quase tão grande quanto Orionte! Mas a sua estrela mais brilhante, Alpha Fornacis, tem apenas magnitude 3,9.
Até a figura da Lebre, encolhida sob os pés do Caçador, não é assim muito mais pequena.
Já agora, conhece a constelação por baixo de Lebre? É difícil: Pomba, fraca e não muito parecida com o animal. Recorra a um mapa celeste se precisar de ajuda. A sua estrela mais brilhante, Alpha Columbae ou Phact, tem magnitude 2,6. Para a encontrar, desenhe uma linha a começar de Rigel e que passe por Beta Leporis (a frente do pescoço da lebre) e estenda-a uma distância igual na mesma direção.

 

DIA 26/01: 26.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1949, é inaugurado o telescópio Hale no Observatório Palomar, sob a direção de Edwin Hubble, e torna-se no telescópio com maior abertura ótica até à construção do BTA-6 em 1975.
Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objetivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km.
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.
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Durante os anos de operação, enviou 104.470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objetos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de setembro de 1996.
HOJE, NO COSMOS:
Assim que fique completamente de noite, aviste o equilátero Triângulo de Inverno a sudeste. Sirius é a estrela mais brilhante e também a mais baixa das três. Betelgeuse encontra-se alta bem acima de Sirius, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. Para a esquerda do seu ponto médio está Procyon.
Consegue discernir as suas cores? Sirius (tipo espectral A0) é branca, Betelgeuse (M2) tem um tom pálido laranja-amarelado e Procyon (F5) um tom mais pálido amarelo-esbranquiçado.
E, 4º acima de Procyon, está a estrela de terceira magnitude Gomeisa, ou Beta Canis Minoris, a outra estrela fácil de observar a olho nu de Cão Menor.

 

DIA 27/01: 27.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1593, começa no Vaticano o julgamento de Giordano Bruno, que durou sete anos.
Em 1941 nascia Beatrice Tinsley, astrónoma e cosmóloga neo-zelandesa cuja pesquisa fez contribuições importantes para a compreensão de como as galáxias evoluem com o passar do tempo.
Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missão tripulada do programa lunar, com lançamento a 21 de fevereiro de 1967.
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No mesmo ano, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado do Espaço Exterior em Washington, D.C., proibindo a utilização de armas nucleares no espaço e limitando a Lua e os outros corpos espaciais para fins pacíficos.
Em 2011 é documentada, na direção da constelação de Ursa Menor, a anã branca H1504+65. Com uma temperatura de 200.000 K, foi considerada à altura como tendo a temperatura superficial mais quente conhecida (hoje está em segundo lugar).
HOJE, NO COSMOS:
A constelação de Cisne, cujo topo é a estrela Deneb, situa-se quase na vertical acima do horizonte a noroeste depois do anoitecer. Com o passar da noite mergulha no horizonte, como uma espada a ser "enfiada" no chão.

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Ventos supersónicos extremos medidos num planeta para lá do nosso Sistema Solar
 
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Esta visualização artística de WASP-127b, um planeta gasoso gigante situado a cerca de 520 anos-luz de distância da Terra, mostra os recém-descobertos ventos supersónicos que circulam em torno do equador do planeta. Com uma velocidade de 9 km por segundo (33.000 km/h), esta é a corrente de jato mais rápida do seu tipo alguma vez medida no Universo. Ao seguir a velocidade das moléculas na atmosfera do planeta com o instrumento CRIRES+ montado no VLT do ESO, os investigadores descobriram que parte da atmosfera se está a mover na nossa direção enquanto outra parte se está a mover para longe de nós, o que indica que existe uma poderosa corrente de vento a circular em torno do planeta.
Crédito: ESO/L. Calçada
 

Os astrónomos descobriram ventos extremamente fortes a fustigar o equador de WASP-127b, um exoplaneta gigante. Com velocidades de até 33.000 km/h, os ventos constituem a corrente de jato mais rápida do seu tipo alguma vez medida num planeta. A descoberta foi feita com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, e dá-nos uma perspetiva única sobre os padrões climáticos de um mundo distante.

Tornados, ciclones e furacões são fenómenos que causam estragos no nosso planeta, mas os cientistas detetaram agora ventos planetários numa escala completamente diferente e para lá do Sistema Solar. Desde a sua descoberta em 2016, os astrónomos têm investigado o clima de WASP-127b, um planeta gasoso gigante localizado a mais de 500 anos-luz de distância da Terra. Este planeta é ligeiramente maior do que Júpiter, mas tem apenas uma fração da sua massa, o que o torna "inchado". Uma equipa internacional de astrónomos fez agora uma descoberta inesperada: ventos supersónicos estão a assolar o planeta.

"Parte da atmosfera deste planeta está a mover-se na nossa direção a grande velocidade, enquanto outra parte se afasta de nós à mesma velocidade", explica Lisa Nortmann, cientista da Universidade de Gotinga, Alemanha, e principal autora do estudo. "Este sinal mostra-nos que existe um vento de jato muito rápido, supersónico, que circula em torno do equador do planeta".

A 9 km por segundo (o que equivale a uns impressionantes 33.000 km/h), estes ventos deslocam-se a quase seis vezes a velocidade a que o planeta gira em torno de si próprio (embora a equipa não tenha medido diretamente a velocidade de rotação do planeta, pensa-se que WASP-127b sofra bloqueio de maré, o que significa que o planeta demora tanto tempo a girar em torno do seu próprio eixo como a orbitar a sua estrela hospedeira. Sabendo a dimensão do planeta e o tempo que demora a orbitar a sua estrela, a equipa conseguiu inferir a velocidade a que está a girar sobre si próprio). "Isto é algo que nunca tínhamos observado anteriormente", diz Nortmann. Trata-se do vento mais rápido alguma vez medido numa corrente de jato que circula em volta de um planeta. Em comparação, o vento mais rápido alguma vez medido no Sistema Solar foi encontrado em Neptuno, movendo-se a "apenas" 0,5 km por segundo (1800 km/h).

A equipa, cujo trabalho de investigação foi publicado na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics, mapeou o clima e a composição de WASP-127b usando o instrumento CRIRES+, montado no VLT do ESO. Ao medir a forma como a luz da estrela hospedeira viaja através da atmosfera superior do planeta, os cientistas conseguiram determinar a sua composição. Os resultados confirmam a presença de vapor de água e moléculas de monóxido de carbono na atmosfera do planeta. Mas quando a equipa rastreou a velocidade deste material na atmosfera, observou — para sua surpresa — um pico duplo, indicando que um lado da atmosfera se está a mover na nossa direção enquanto o outro se está a mover para longe de nós a grande velocidade. Os investigadores concluem que poderosos ventos de corrente de jato em torno do equador poderão explicar este resultado inesperado.

Continuando a construir o seu mapa meteorológico, a equipa descobriu ainda que os polos são mais frios do que o resto do planeta e que há também uma ligeira diferença de temperatura entre o lado diurno e o lado noturno. "Isto mostra que o planeta tem padrões climáticos complexos, tal como a Terra e outros planetas do nosso próprio Sistema Solar", acrescenta Fei Yan, coautor do estudo e professor na Universidade de Ciências e Tecnologia da China.

A área de investigação dos exoplanetas está a avançar rapidamente. Até há poucos anos atrás, os astrónomos apenas podiam medir a massa e o raio dos planetas para lá do Sistema Solar. Atualmente, telescópios como o VLT do ESO já permitem aos cientistas mapear o clima nestes mundos distantes e analisar as suas atmosferas. "Compreender a dinâmica destes exoplanetas ajuda-nos a explorar mecanismos como a redistribuição de calor e os processos químicos, aumentando a nossa compreensão da formação planetária e, potencialmente, lançando luz sobre as origens do nosso próprio Sistema Solar", afirma David Cont, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, Alemanha, e coautor do artigo científico que descreve estes resultados.

É interessante notar que, atualmente, estudos como este só podem ser realizados por observatórios terrestres, uma vez que os instrumentos existentes nos telescópios espaciais não têm a necessária precisão em velocidade. O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, em construção perto do VLT no Chile, e o seu instrumento ANDES permitirão aos investigadores aprofundar ainda mais os padrões climáticos de planetas distantes. "Isto significa que poderemos provavelmente resolver detalhes ainda mais finos dos padrões de vento e expandir esta investigação a planetas mais pequenos e rochosos", conclui Nortmann.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Um exoplaneta com ventos supersónicos extremos (ESO via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
28/09/2021 - Avistando nuvens num exoplaneta distante
05/06/2018 - Múltiplos metais - e possíveis sinais de água - encontrados em exoplaneta único

WASP-127b:
NASA
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia
CRIRES+ (ESO)

ELT (Extremely Large Telescope):
ESO
ESO - 2
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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Revelando as propriedades de uma galáxia primordial de há 13,4 mil milhões de anos
 
Imagem, pelo JWST, do campo Abell 2744, destacando a galáxia GHZ2 - o alvo deste estudo. Além disso, a deteção ALMA da linha [OIII] 88µm é vista no centro (círculo) e o correspondente espetro extraído é incluído na parte inferior. O sinal do oxigénio ionizado está realçado a amarelo.
Crédito: J. Zavala et al.
 

Uma equipa internacional liderada por investigadores do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) detetou com sucesso a emissão de várias transições atómicas de uma galáxia primordial muito distante, batendo recordes anteriores para a deteção mais longínqua destes elementos. Este estudo aprofundado fornece os primeiros conhecimentos diretos das propriedades das galáxias mais antigas do Universo.

"Apontámos as mais de quarenta antenas de 12 metros do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e o Telescópio Espacial James Webb de 6,5 m durante várias horas para uma posição no céu que pareceria totalmente vazia a olho nu, com o objetivo de captar um sinal de um dos objetos astronómicos mais distantes conhecidos até à data", diz Jorge Zavala, astrónomo do Centro Regional ALMA da Ásia Oriental no NAOJ. "E detetaram com sucesso a emissão de átomos excitados de diferentes elementos como o hidrogénio e o oxigénio de uma época nunca antes alcançada", acrescenta. É a primeira vez que se detetam emissões deste tipo em galáxias distantes a mais de 13 mil milhões de anos-luz.

O início deste estudo remonta às primeiras observações extragaláticas feitas pelo JWST em 2022, a partir das quais foi identificado um número surpreendentemente grande de candidatos a galáxias distantes brilhantes, incluindo o alvo destas observações: a galáxia GHZ2 (também conhecida como GLASS-z12).

A confirmação e caracterização das propriedades físicas desta inesperada população de objetos brilhantes e distantes é de importância crucial para testar as nossas atuais teorias de formação e evolução galáctica e para compreender as primeiras fases da história da "montagem" das galáxias. O conhecimento da sua física interna requer, no entanto, observações astronómicas detalhadas e sensíveis e, em particular, espetroscopia - uma técnica que permite aos astrónomos identificar características específicas que podem ser inequivocamente associadas a elementos atómicos, moléculas ou substâncias mais complexas. Mas estas observações provaram ser um desafio para estas galáxias - o que não é surpreendente, dado que são os objetos astronómicos mais distantes alguma vez detetados.

As requintadas observações relatadas nestes trabalhos permitiram obter alguns dos primeiros conhecimentos da natureza destas galáxias primordiais. A deteção, pelo ALMA, da transição 88μm do oxigénio duplamente ionizado coloca esta galáxia num desvio para o vermelho de z=12,333; aproximadamente 400 milhões de anos após o Big Bang, quando o cosmos tinha apenas 3% da sua idade atual! Isto corresponde a um tempo de viagem da luz de 13,4 mil milhões de anos - uma deteção que bate recordes. De facto, este é o primeiro objeto astronómico detetado pelo ALMA a z>10 e a galáxia mais distante com múltiplas linhas de deteção em todo o espetro eletromagnético até à data. A disponibilidade deste conjunto de dados, em combinação com as observações do JWST feitas com os instrumentos NIRSpec e MIRI, permitiu uma caracterização sem paralelo deste objeto.

A equipa descobriu que esta galáxia está a passar por surtos extremos de formação estelar em condições únicas que diferem das da população mais vasta de galáxias com formação estelar estudadas nas últimas décadas. A metalicidade inferida (a abundância relativa de elementos mais pesados do que o hidrogénio) é significativamente mais baixa em comparação com a maioria das galáxias estudadas até à data - um resultado esperado tendo em conta a idade do Universo na altura - embora já tenha atingido um-décimo da abundância solar. Da mesma forma, tem uma população estelar jovem que pode explicar parcialmente a sua elevada luminosidade devido à presença de estrelas de vida curta, massivas e quentes, normalmente ausentes em galáxias mais evoluídas.

A massa total desta galáxia, algumas centenas de milhões de vezes a massa do Sol, muito bem limitada pelos dados do ALMA, está encapsulada numa região surpreendentemente pequena de cerca de (ou menos de) 100 parsecs, indicando uma elevada densidade estelar semelhante à dos enxames globulares - associações massivas e gravitacionais de estrelas muito velhas encontradas na nossa Galáxia e noutras. As semelhanças com esta enigmática população de objetos são, na verdade, numerosas, incluindo a baixa metalicidade, anomalias na abundância química, alta densidade superficial do ritmo de formação estelar e alta densidade superficial da massa estelar, entre outras. Objetos como GHZ2 poderiam assim ajudar a explicar a origem intrigante dos enxames globulares, cuja formação permaneceu um mistério durante muitas décadas.

"Este estudo vem coroar o esforço de vários anos para compreender as galáxias no início do Universo", explica Tom Bakx, investigador da Universidade Chalmers, na Suécia, que trabalhava anteriormente na Universidade de Nagoya. Estas observações abrem caminho a futuras investigações de objetos primordiais para revelar as primeiras fases da formação galáctica. "A análise de múltiplas linhas de emissão permitiu vários testes chave das propriedades das galáxias e demonstra as excelentes capacidades do ALMA através de uma excitante e poderosa sinergia com outros telescópios como o JWST", concluiu Bakx.

// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico #2 (Nature Astronomy)
// Artigo científico #3 (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico #4 (The Astrophysical Journal)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
27/01/2023 - Astrónomos confirmam idade da galáxia mais distante com oxigénio

GHZ2/GLASS-z12:
Wikipedia

Evolução galáctica:
Wikipedia

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Transformando a tensão de Hubble numa crise
 
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Medições extremamente precisas da distância entre a Terra e o Enxame Galáctico de Coma fornecem novas evidências de que o ritmo de expansão do Universo é superior ao previsto.
Crédito: CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA; processamento - D. de Martin e M. Zamani (NOIRLab da NSF)
 

O Universo parece mesmo estar a expandir-se rapidamente. Demasiado depressa, até. Uma nova medição confirma o que resultados anteriores - e muito debatidos - tinham mostrado: o Universo está a expandir-se mais rapidamente do que o previsto pelos modelos teóricos e mais rapidamente do que o que pode ser explicado pela nossa compreensão atual da física.

Esta discrepância entre o modelo e os dados ficou conhecida como a tensão de Hubble. Agora, resultados publicados na revista The Astrophysical Journal Letters dão um apoio ainda mais forte ao ritmo de expansão mais rápido.

"A tensão transforma-se agora numa crise", disse Dan Scolnic, que liderou a equipa de investigação. A determinação do ritmo de expansão do Universo - um valor conhecido como a constante de Hubble - tem sido um objetivo científico importante desde 1929, quando Edwin Hubble descobriu pela primeira vez que o Universo estava em expansão.

Scolnic, professor associado de Física na Universidade de Duke, explica-o como uma tentativa de construir o gráfico de crescimento do Universo: sabemos que tamanho tinha no Big Bang, mas como é que chegou ao tamanho que tem agora? Na sua analogia, a fotografia de bebé do Universo representa o Universo distante, as sementes primordiais das galáxias. A fotografia atual do Universo representa o Universo local, que contém a Via Láctea e as suas vizinhas. O modelo padrão da cosmologia é a curva de crescimento que liga as duas. O problema é que as fotografias não se estão a interligar.

"Isto está a dizer, até certo ponto, que o nosso modelo cosmológico pode estar errado", disse Scolnic.

Medir o Universo requer uma "escada cósmica", que é uma sucessão de métodos usados para medir as distâncias dos objetos celestes, com cada método, ou "degrau", a depender do anterior para calibração.

A escada utilizada por Scolnic foi criada por uma outra equipa utilizando dados do DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument), que observa mais de 100.000 galáxias todas as noites a partir do seu ponto de observação no Observatório Nacional de Kitt Peak.

Scolnic reconheceu que esta escada poderia ser ancorada mais perto da Terra com uma distância mais precisa ao Enxame Galáctico de Coma, um dos enxames de galáxias mais próximos de nós.

"A colaboração DESI fez a parte realmente difícil, a escada deles não tinha o primeiro degrau", disse Scolnic. "Eu sabia como obtê-lo e sabia que isso nos daria uma das medições mais precisas da constante de Hubble que poderíamos obter, por isso, quando o artigo científico deles saiu, larguei absolutamente tudo e trabalhei nisto sem parar".

Para obter uma distância exata do Enxame de Coma, Scolnic e os seus colaboradores, com financiamento da Fundação Templeton, utilizaram as curvas de luz de 12 supernovas do Tipo Ia existentes no enxame. Tal como velas que iluminam um caminho escuro, as supernovas do Tipo Ia têm uma luminosidade previsível que se correlaciona com a sua distância, tornando-as objetos fiáveis para o cálculo de distâncias.

A equipa chegou a uma distância de cerca de 320 milhões de anos-luz, quase no centro do intervalo de distâncias relatadas ao longo de 40 anos de estudos anteriores - um sinal tranquilizador da sua precisão.

"Esta medição não é influenciada pela forma como pensamos que a história da tensão de Hubble vai acabar", disse Scolnic. "Este enxame está no nosso quintal, foi medido muito antes de se saber a sua importância".

Usando esta medição de alta precisão como primeiro degrau, a equipa calibrou o resto da escada de distâncias cósmicas. Chegaram a um valor para a constante de Hubble de 76,5 quilómetros por segundo por megaparsec, o que significa essencialmente que o Universo local está a expandir-se 76,5 quilómetros por segundo mais depressa a cada 3,26 milhões de anos-luz.

Este valor corresponde às medições existentes do ritmo de expansão do Universo local. No entanto, tal como todas essas medições, entra em conflito com as medições da constante de Hubble que utilizam previsões do Universo distante. Por outras palavras: corresponde ao ritmo de expansão do Universo tal como outras equipas a mediram recentemente, mas não como a nossa compreensão atual da física a prevê. A questão de longa data é: a falha está nas medições ou nos modelos?

Os novos resultados da equipa de Scolnic dão um enorme apoio à imagem emergente de que a origem da tensão de Hubble está nos modelos.

"Ao longo da última década, mais ou menos, tem havido muitas reanálises da comunidade para ver se os resultados originais da minha equipa estavam corretos", disse Scolnic, cuja investigação tem desafiado consistentemente a constante de Hubble prevista pelo modelo padrão da física. "Em última análise, apesar de estarmos a trocar tantas peças, continuamos a obter um número muito semelhante. Por isso, para mim, esta é a melhor confirmação de sempre".

"Estamos num ponto em que estamos a pressionar fortemente os modelos que temos vindo a utilizar há duas décadas e meia, e estamos a ver que as coisas não estão a corresponder", disse Scolnic. "Isto pode estar a mudar a forma como pensamos acerca do Universo, e é emocionante! Ainda há surpresas na cosmologia, e quem sabe que descobertas virão a seguir?"

// Universidade de Duke (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Determinando a constante de Hubble (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)

Enxame Galáctico de Coma:
Wikipedia

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)

DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument):
Página oficial
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Um Universo menos "grumoso" e mais complexo? (via Universidade da Pensilvânia)
Ao longo da história cósmica, forças poderosas atuaram sobre a matéria, remodelando o Universo numa rede de estruturas cada vez mais complexa. Agora, uma nova investigação sugere que o nosso Universo se tornou "mais confuso e complicado" ao longo dos cerca de 13,8 mil milhões de anos da sua existência, ou melhor, que a distribuição da matéria ao longo dos anos é menos "grumosa" do que seria de esperar. Ler fonte
     
exemplo   ALMA descobre novos métodos surpreendentes para a formação de planetas (via Observatório ALMA)
Escondido numa região de formação estelar na direção da constelação de Touro, um par de estrelas apresenta algumas diferenças inesperadas nos discos circunstelares de poeira e gás que as rodeiam. Um novo estudo realizado por investigadores do Observatório Lowell, combinando dados do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e do Observatório Keck, revelou descobertas intrigantes sobre a formação de planetas neste sistema estelar binário, conhecido como DF Tau, juntamente com outros sistemas nesta região. Ler fonte
     
  Assinaturas de antigos lagos desprovidos de gelo em Marte (via Caltech)
Investigadores descobriram dois conjuntos de ondulações antigas em Marte, assinaturas passadas de massas de água preservadas no registo rochoso. São pequenas ondulações nas margens arenosas dos leitos dos antigos lagos, criadas quando a água, impulsionada pelo vento, batia para trás e para a frente. Os dois conjuntos de ondulações indicam a presença passada de água pouco profunda que estava aberta ao ar marciano, não coberta por gelo como alguns modelos climáticos exigiriam. Ler fonte
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Álbum de fotografias
A Nebulosa da América do Norte

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dimitris Valianos
 
A Nebulosa da América do Norte, no céu, pode fazer o que o continente da América do Norte na Terra não pode - formar estrelas. Especificamente, em analogia com o continente confinado à Terra, a parte brilhante que aparece como a costa leste é, na verdade, um leito quente de gás, poeira e estrelas recém-formadas, conhecido como a Parede de Cisne. A imagem em destaque mostra a parede formadora de estrelas iluminada e erodida por jovens estrelas brilhantes, e em parte escondida pela poeira escura que estas criaram. A secção da Nebulosa da América do Norte (NGC 7000) aqui vista abrange cerca de 50 anos-luz e situa-se a cerca de 1500 anos-luz de distância na direção da constelação de Cisne.
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