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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
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  Astroboletim #2192  
  11/03 a 13/03/2025  
     
 
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OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
Em março haverá um eclipse solar e nós estaremos na Ponte Romana em Tavira para o observar com toda a segurança. O eclipse solar também será observado em simultâneo em Faro, pelo Centro Ciência Viva do Algarve e em Lagos pelo Centro Ciência Viva de Lagos. A atividade é gratuita. Participe!
Data: 29 de março de 2025
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Ponte Romana em Tavira
Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
Esta atividade depende das condições atmosféricas
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

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MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
Iremos realizar uma sessão de observação do eclipse solar parcial em simultâneo com o Centro Ciência Viva de Tavira e com o Centro Ciência Viva de Lagos. A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Data: 29 de março de 2025
Hora: 09:30 - 11:30
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 11/03: 70.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1811 nascia Urbain Le Verrier, que previu a existência de Neptuno usando apenas matemática. Os cálculos foram feitos para explicar as discrepâncias na órbita de Úrano recorrendo às leis de Kepler e Newton.
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Le Verrier enviou as coordenadas do suposto planeta a Johann Gottfried Galle, pedindo que verificasse a existência de tal objeto. Galle descobriu Neptuno na mesma noite em que recebeu a carta, a apenas 1º da posição prevista. A descoberta de Neptuno é largamente considerada como uma dramática validação da mecânica celeste e um dos momentos científicos mais marcantes do século XIX. 
Em 1897, um meteoro entrava na atmosfera sobre New Martinsville (West Virginia, EUA) tendo-se estilhaçado sobre esta cidade, com muitos danos físicos.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha esta noite perto de Régulo. Observe a distância entre os dois astros a diminuir de 5 ou 6 graus ao cair da noite para apenas mais ou menos 1 ou 2 graus quando estiverem a oeste-noroeste.

 

DIA 12/03: 71.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1824, nascia Gustav Kirchhoff, físico alemão que contribuíu para o conhecimento fundamental dos circuitos elétricos, da espetroscopia e da emissão de radiação de corpo-negro por objetos aquecidos. 
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Em 1881, nascia Gunnar Nordström, físico teórico finlandês, conhecido pela sua teoria da gravitação, uma competidora da relatividade geral. É por vezes designado o Einstein da Finlândia devido ao seu trabalho inovador em campos semelhantes e com métodos semelhantes aos de Einstein. 
Em 1907, nascia Ellen Dorrit Hoffleit, astrónoma americana conhecida pelo seu trabalho sobre estrelas variáveis, astrometria, espetroscopia, meteoros e pelo Catálogo de Estrelas Brilhantes, bem como tendo sido mentora de muitas jovens mulheres e gerações de astrónomos.
Em 1974, "flyby" e aterragem da soviética Mars 6. A sonda enviou dados 224 segundos durante a descida mas devido à degradação de um chip, perdeu-se a comunicação.
Em 2013, uma análise de uma rocha marciana recolhida pelo rover Curiosity da NASA mostra que o Marte do passado poderá ter tido condições que suportassem vida microbiana.
HOJE, NO COSMOS:
A brilhante estrela Sirius está precisamente a sul, no meridiano, pelas 20 horas. Sirius é a estrela de baixo do equilátero Triângulo de Inverno; as outras são a alaranjada Betelgeuse, para cima e para a direita de Sirius (ombro de Orionte) e Procyon para cima e para a esquerda de Sirius. Nesta altura do ano, o Triângulo de Inverno apoia-se em Sirius pouco depois do anoitecer.
Procyon atravessa o meridiano sempre 55 minutos depois de Sirius.

 

DIA 13/03: 72.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1781, Úrano, o primeiro planeta a ser descoberto desde a era pré-histórica da Babilónia, é identificado por William Herschel.
Em 1855, nascia Percival Lowell, astrónomo americano que alimentou a especulação da existência de canais em Marte, construídos por marcianos.
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Lowell também fundou o Observatório Lowell e formou o começo do esforço que levaria à descoberta de Plutão 14 anos após a sua morte. A escolha do nome Plutão e do seu símbolo foram em parte influenciados pelas suas iniciais PL. 
Em 1930, a descoberta de Plutão é telegrafada para o Observatório Harvard College
Em 1969, a missão Apollo 9 regressava à Terra após testar o módulo lunar. 
Em 2000, foram descobertos buracos negros solitários à deriva na Galáxia.
Em 2006, o mapa interativo Google Mars é colocado online.
Em 2012, é divulgado o primeiro mapa geológico de Io.
HOJE, NO COSMOS:
Na noite de 13 para 14 haverá um eclipse lunar total, mas que será parcial em Portugal, desde as 03:57 (já dia 14) até ao pôr-da-Lua.

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Estrelas em fuga revelam um buraco negro escondido na vizinha mais próxima da Via Láctea
 
Impressão artística de uma estrela hiperveloz ejetada da Grande Nuvem de Magalhães (à direita). Quando um sistema estelar binário se aventura demasiado perto de um buraco negro supermassivo, as intensas forças gravitacionais separam o par. Uma estrela é capturada numa órbita íntima em torno do buraco negro, enquanto a outra é projetada para o exterior a velocidades extremas - muitas vezes excedendo milhões de quilómetros por hora - tornando-se uma estrela hiperveloz. A inserção mostra este processo: o percurso orbital do binário original é visto como linhas entrelaçadas, com uma estrela a ser capturada pelo buraco negro (perto do centro da ilustração) enquanto a outra é ejetada para o espaço (em baixo à direita). Ver aqui versão legendada, aqui apenas a inserção.
Crédito: Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian/Melissa Weiss
 

Os astrónomos descobriram fortes indícios da existência do buraco negro supermassivo mais próximo para lá da nossa Galáxia, a Via Láctea. Este buraco negro gigante está localizado na Grande Nuvem de Magalhães, um dos vizinhos galácticos mais próximos.

Para fazer esta descoberta, os investigadores rastrearam as trajetórias de 21 estrelas na periferia da Via Láctea com uma precisão ultrafina. Estas estrelas estão a viajar tão depressa que escaparão às garras gravitacionais da Via Láctea ou de qualquer galáxia próxima. Os astrónomos chamam-lhes estrelas hipervelozes.

Tal como os peritos forenses recriam a origem de uma bala com base na sua trajetória, os investigadores determinaram a origem destas estrelas hipervelozes. Descobriram que cerca de metade estão ligadas ao buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea. No entanto, a outra metade teve origem noutro local: um buraco negro gigante, anteriormente desconhecido, na Grande Nuvem de Magalhães (ou GNM).

"É incrível perceber que temos outro buraco negro supermassivo mesmo ao 'fundo do quarteirão', em termos cósmicos", disse Jesse Han, do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, que liderou o novo estudo. "Os buracos negros são tão furtivos que este tem estado praticamente debaixo dos nossos narizes este tempo todo".

Os investigadores descobriram este buraco negro secreto utilizando dados da missão Gaia da ESA, um satélite que seguiu mais de mil milhões de estrelas na Via Láctea com uma precisão sem precedentes. Recorreram também a uma melhor compreensão da órbita da GNM em torno da Via Láctea recentemente obtida por outros investigadores.

"Já sabíamos há algum tempo da existência destas estrelas hipervelozes, mas o Gaia deu-nos os dados de que precisávamos para descobrir de onde vinham", disse o coautor Kareem El-Badry do Caltech em Pasadena, Califórnia, EUA. "Ao combinar estes dados com os nossos novos modelos teóricos sobre a forma como estas estrelas viajam, fizemos esta descoberta notável".

As estrelas hipervelozes são criadas quando um sistema binário se aventura demasiado perto de um buraco negro supermassivo. A intensa atração gravitacional do buraco negro separa as duas estrelas, capturando uma delas e colocando-a numa órbita próxima. Entretanto, a outra estrela órfã é lançada para longe a velocidades superiores a vários milhões de quilómetros por hora - e assim nasce uma estrela hiperveloz.

Uma parte importante da investigação da equipa foi a previsão, no seu modelo teórico, de que um buraco negro supermassivo na GNM criaria um enxame de estrelas hipervelozes num canto da Via Láctea, devido à forma como a GNM se move em torno da Via Láctea. As estrelas ejetadas ao longo da direção do movimento da GNM deveriam receber um impulso extra de velocidade. De facto, os seus dados revelaram a existência de um enxame deste tipo.

A equipa descobriu que as propriedades das estrelas hipervelozes não podem ser explicadas por outros mecanismos, tais como estrelas ejetadas quando as suas companheiras sofrem uma explosão de supernova, ou estrelas ejetadas por um mecanismo como o descrito acima para um sistema estelar duplo, mas sem o envolvimento de um buraco negro supermassivo.

"A única explicação que conseguimos encontrar para estes dados é a existência de um buraco negro monstruoso na nossa galáxia vizinha", disse o coautor Scott Lucchini, também do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian. "Portanto, na nossa vizinhança cósmica, não é apenas o buraco negro supermassivo da Via Láctea que está a expulsar estrelas da sua galáxia".

Usando as velocidades das estrelas e o número relativo de estrelas ejetadas pelos buracos negros supermassivos da GNM e da Via Láctea, a equipa determinou que a massa do buraco negro da GNM é cerca de 600.000 vezes a massa do Sol. Em comparação, o buraco negro supermassivo da Via Láctea tem cerca de 4 milhões de massas solares. Noutras partes do Universo, existem buracos negros supermassivos com milhares de milhões de vezes mais massa do que o Sol.

O artigo científico que descreve estes resultados foi aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.

// Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Estrelas hipervelozes:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia
SEDS.org

Gaia:
ESA
Página da ESA para a comunidade científica
Arquivo de dados do Gaia (ESA)
Wikipedia

 
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Hubble descobre que KBO binário pode afinal ser triplo
 
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Esta ilustração mostra um dos cenários possíveis para o sistema 148780 Altjira na Cintura de Kuiper do Sistema Solar. É provavelmente uma formação tripla hierárquica, em que dois companheiros muito próximas são orbitados por um terceiro membro a uma distância maior. Os corpos interiores estão demasiado próximos um dos outro para serem resolvidos pelo Telescópio Espacial Hubble. Mas as observações Hubble da órbita do objeto mais exterior foram usadas para determinar que o corpo central não é um objeto esférico singular. Outras possibilidades especulam que o objeto interior é um binário de contacto, onde dois corpos separados ficam tão próximos que se tocam. Outra ideia é que o corpo central é estranhamente plano, como uma panqueca. Dos 40 objetos binários identificados na Cintura de Kuiper, outro sistema, Lempo, foi determinado triplo. O sistema Altjira está localizado nos confins do Sistema Solar, a 6 mil milhões de quilómetros de distância, cerca de 44 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Na imagem, o nosso Sol está na direção da constelação de Sagitário, com a Via Láctea em segundo plano. A estrela vermelha brilhante Antares aparece na parte superior central. A poeira no plano do nosso Sistema Solar brilha como a conhecida luz zodiacal.
Crédito: NASA, ESA, Joseph Olmsted (STSCI)
 

O quebra-cabeças de prever como três corpos gravitacionalmente ligados se movem no espaço tem desafiado os matemáticos durante séculos, e foi mais recentemente popularizado no romance e série de televisão "3 Body Problem". No entanto, não há qualquer problema com o que uma equipa de investigadores diz ser provavelmente um trio estável de rochas espaciais geladas na Cintura de Kuiper do Sistema Solar, descoberto com base em dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA e do Observatório W. M. Keck, no Hawaii.

Se for confirmado como o segundo sistema de três corpos encontrado na região, o sistema 148780 Altjira sugere que poderão existir triplos semelhantes à espera de serem descobertos, o que apoiaria uma teoria particular da história do nosso Sistema Solar e da formação dos objetos da Cintura de Kuiper (sigla inglesa KBO, "Kuiper Belt object").

"O Universo está repleto de sistemas de três corpos, incluindo as estrelas mais próximas da Terra, o sistema estelar Alpha Centauri, e estamos a descobrir que a Cintura de Kuiper pode não ser exceção", disse a autora principal do estudo, Maia Nelsen, licenciada em física e astronomia pela Universidade Brigham Young em Provo, Utah, EUA.

Conhecidos desde 1992, os KBOs são remanescentes gelados e primitivos do início do Sistema Solar que se encontram para além da órbita de Neptuno. Até à data, foram catalogados mais de 3000 KBOs e os cientistas estimam que possam existir várias centenas de milhares de outros que medem mais de 16 quilómetros de diâmetro. O maior KBO é o planeta anão Plutão.

A descoberta do Hubble é um apoio crucial a uma teoria de formação de KBOs, segundo a qual três pequenos corpos rochosos não seriam o resultado de uma colisão numa movimentada Cintura de Kuiper, mas sim formados como um trio diretamente a partir do colapso gravitacional de matéria no disco de material que rodeava o recém-formado Sol, há cerca de 4,5 mil milhões de anos. É bem sabido que as estrelas se formam por colapso gravitacional de gás, geralmente em pares ou triplos, mas a ideia de que objetos cósmicos como os da Cintura de Kuiper se formam de maneira semelhante ainda está a ser investigada.

O sistema Altjira está localizado nos confins do Sistema Solar, a aproximadamente 6 mil milhões de quilómetros de distância, cerca de 44 vezes a distância entre a Terra e o Sol. As imagens do Hubble mostram dois KBOs separados por a cerca de 7600 quilómetros. No entanto, os investigadores afirmam que as observações repetidas do movimento coorbital único dos objetos indicam que o objeto interior é na realidade dois corpos que estão tão próximos que não podem ser distinguidos a uma distância tão grande.

"Com objetos tão pequenos e distantes, a separação entre os dois membros interiores do sistema é uma fração de um pixel na câmara do Hubble, por isso é preciso usar métodos que não sejam de imagem para descobrir que se trata de um triplo", disse Nelsen.

Isto requer tempo e paciência, explicou Nelsen. Os cientistas reuniram uma base de observação de 17 anos de dados do Hubble e do Observatório Keck, observando a órbita do objeto exterior do sistema Altjira.

"Ao longo do tempo, vimos a orientação da órbita do objeto exterior mudar, indicando que o objeto interior ou era muito alongado ou era na realidade dois objetos separados", disse Darin Ragozzine, também da Universidade Brigham Young, coautor do estudo Altjira.

"Um sistema triplo foi o que melhor se ajustou quando colocámos os dados do Hubble em diferentes cenários de modelação", disse Nelsen. "Outras possibilidades são que o objeto interior é um binário de contacto, em que dois corpos separados ficam tão próximos que se tocam, ou algo que é estranhamente plano, como uma panqueca".

Atualmente, existem cerca de 40 objetos binários identificados na Cintura de Kuiper. Agora, com dois destes sistemas provavelmente triplos, os investigadores dizem que é mais provável que não estejam a olhar para algo tão invulgar, mas sim para uma população de sistemas de três corpos, formados pelas mesmas circunstâncias. No entanto, a acumulação de evidências leva tempo e requer observações repetidas.

Os únicos objetos da Cintura de Kuiper que foram explorados em pormenor são Plutão e o objeto mais pequeno Arrokoth, que a missão New Horizons da NASA visitou em 2015 e 2019, respetivamente. A New Horizons mostrou que Arrokoth é um binário de contacto, o que para os KBOs significa que dois objetos que se aproximaram cada vez mais um do outro estão agora a tocar-se e/ou fundiram-se, resultando frequentemente numa forma de amendoim. Ragozzine descreve Altjira como um "primo" de Arrokoth, um membro do mesmo grupo de objetos da Cintura de Kuiper. No entanto, estima-se que Altjira seja 10 vezes maior do que Arrokoth, com 200 quilómetros de largura.

Embora não exista nenhuma missão planeada para passar por Altjira para obter detalhes ao nível de Arrokoth, Nelsen disse que há uma oportunidade futura diferente para um estudo mais aprofundado do intrigante sistema. "Altjira entrou numa época de eclipse, em que o corpo exterior passa à frente do corpo central. Tal vai durar os próximos dez anos, dando aos cientistas uma grande oportunidade de aprender mais sobre o sistema", disse Nelsen. O Telescópio Espacial James Webb da NASA também está a participar no estudo de Altjira, uma vez que irá verificar se os componentes têm o mesmo aspeto nas suas próximas observações do Ciclo 3.

O estudo do Hubble foi publicado na revista The Planetary Science Journal.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// Universidade Brigham Young (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)
// Hubble encontra possível sistema triplo a 6 mil milhões de quilómetros (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

Sistema Altjira:
NASA
Wikipedia

Cintura de Kuiper:
Centro de Planetas Menores da UAI
NASA
Wikipedia

Problema de três corpos:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia

 
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IA encontra estrelas de neutrões em fusão em tempo real
 
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Quando duas estrelas de neutrões se fundem longe da Terra, emitem sinais eletromagnéticos e ondas gravitacionais, que os astrónomos medem com instrumentos adequados na Terra e à sua volta.
Crédito: Instituto Max Planck para Sistemas Inteligentes/A. Posada
 

Quando duas estrelas de neutrões se fundem, as ondas gravitacionais propagam-se no espaço. Pouco depois desta perturbação do espaço-tempo, segue-se uma explosão brilhante - uma quilonova, na qual, como numa ourivesaria cósmica, surgem átomos pesados que as estrelas não conseguem formar. As quilonovas expressam-se em muitas facetas diferentes, o que proporciona aos astrónomos uma excelente oportunidade para estudar a gravidade e a matéria sob condições extremas. Mas são raras e de curta duração. Para que os detetores de ondas gravitacionais e os telescópios tenham a possibilidade de encontrar esses sinais, é necessário rapidez e precisão. Uma equipa de investigação interdisciplinar está a utilizar a aprendizagem de máquina para analisar dados de detetores de ondas gravitacionais a alta velocidade e encontrar uma colisão de estrelas de neutrões antes da explosão subsequente estar em pleno andamento.

As estrelas de neutrões são remanescentes estelares exóticos e extremamente compactos. Apenas os buracos negros têm uma densidade superior. Ao passo que os buracos negros que colidem uns com os outros só podem ser detetados pelas ondas gravitacionais emitidas, as fusões de estrelas de neutrões emitem um breve clarão de luz em todo o espetro eletromagnético logo após o sinal da onda gravitacional. Estas quilonovas ocorrem a milhões de anos-luz da Terra. O objetivo é localizá-las antes que os telescópios as possam ver: o seu sinal de onda gravitacional deve ser encontrado o mais rapidamente possível no fluxo de dados dos instrumentos correspondentes. Este é um grande desafio para os métodos tradicionais de análise de dados. Estes sinais correspondem a minutos de dados dos detetores atuais e, potencialmente, a horas ou dias de dados de futuros observatórios. A análise de conjuntos de dados tão massivos é computacionalmente dispendiosa e morosa.

Uma equipa internacional de cientistas desenvolveu um algoritmo de aprendizagem de máquina, denominado DINGO-BNS (Deep INference for Gravitational-wave Observations from Binary Neutron Stars), que permite poupar tempo precioso na interpretação das ondas gravitacionais emitidas por fusões binárias de estrelas de neutrões. Treinaram uma rede neuronal para caracterizar completamente os sistemas de estrelas de neutrões em fusão em cerca de um segundo, em comparação com cerca de uma hora para os métodos tradicionais mais rápidos. Os seus resultados foram publicados na revista Nature.

 
Impressão de artista de duas estrelas de neutrões em fusão e das ondas gravitacionais que produzem.
Crédito: Instituto Max Planck para Sistemas Inteligentes/A. Posada
 

Porque é que a computação em tempo real é importante?

As fusões de estrelas de neutrões emitem luz visível (na subsequente explosão de quilonova) e outras radiações eletromagnéticas, para além das ondas gravitacionais. "A análise rápida e precisa dos dados relativos às ondas gravitacionais é crucial para localizar a fonte e apontar os telescópios na direção certa o mais rapidamente possível para observar todos os sinais que a acompanham", afirma Maximilian Dax, estudante de doutoramento no departamento de Inferência Empírica do Instituto Max Planck para Sistemas Inteligentes e primeiro autor do artigo científico.

O método em tempo real poderá estabelecer um novo padrão para a análise de dados de fusões de estrelas de neutrões, dando à comunidade astronómica em geral mais tempo para apontar os seus telescópios para as estrelas de neutrões em fusão assim que os grandes detetores da colaboração LVK (LIGO-Virgo-KAGRA) as identifiquem.

"Os atuais algoritmos de análise rápida utilizados pelo LVK fazem aproximações que sacrificam a precisão. O nosso novo estudo aborda estas deficiências", afirma Jonathan Gair, chefe de grupo no departamento de Astrofísica e Relatividade Cosmológica do Instituto Max Planck de Física Gravitacional no Parque Científico de Potsdam.

De facto, o enquadramento de aprendizagem automática caracteriza completamente a fusão de estrelas de neutrões (por exemplo, as suas massas, rotações e localização) em apenas um segundo, sem fazer tais aproximações. Isto permite, entre outras coisas, determinar rapidamente a posição no céu com 30% mais de precisão. Como funciona de forma tão rápida e precisa, a rede neuronal pode fornecer informações críticas para observações conjuntas de detetores de ondas gravitacionais e outros telescópios. Pode ajudar a procurar a luz e outros sinais eletromagnéticos produzidos pela fusão e a fazer o melhor uso possível do dispendioso tempo de observação dos telescópios.

Apanhando uma fusão de estrelas de neutrões em flagrante

"A análise das ondas gravitacionais é particularmente difícil para as estrelas de neutrões binárias, pelo que, para o DINGO-BNS, tivemos de desenvolver várias inovações técnicas. Isto inclui, por exemplo, um método de compressão de dados adaptável a eventos", diz Stephen Green, bolseiro na Universidade de Nottingham. Bernhard Schölkopf, diretor do departamento de Inferência Empírica do Instituto Max Planck para Sistemas Inteligentes, acrescenta: "O nosso estudo mostra a eficácia da combinação de métodos modernos de aprendizagem automática com conhecimentos do domínio físico".

O DINGO-BNS poderá um dia ajudar a observar sinais eletromagnéticos antes e no momento da colisão das duas estrelas de neutrões. "Estas observações multimensageiras precoces poderão fornecer novos conhecimentos sobre o processo de fusão e a subsequente quilonova, que ainda são misteriosos", diz Alessandra Buonanno, diretora do departamento de Astrofísica e Relatividade Cosmológica do Instituto Max Planck de Física Gravitacional.

// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Jatos e detritos da colisão de uma estrela de neutrões (caltech via YouTube)

 


Quer saber mais?

Fusão de estrelas de neutrões:
Wikipedia

Estrela de neutrões:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Quilonova:
Wikipedia

Astronomia multimensageira:
Wikipedia

LIGO:
Página oficial
Caltech
Advanced LIGO
Wikipedia

Virgo:
EGO
Wikipedia

KAGRA:
Página oficial
Wikipedia

 
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Álbum de fotografias
Nebulosa Planetária Abell 7

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Vikas Chander
 
A nebulosa planetária Abell 7, muito ténue, está a cerca de 1800 anos-luz de distância. Situa-se a sul de Orionte nos céus do planeta Terra, na direção da constelação da Lebre. Rodeada por estrelas da Via Láctea e perto da linha de visão de galáxias distantes, a sua forma esférica geralmente simples, com cerca de 8 anos-luz de diâmetro, é revelada nesta imagem de céu profundo. No interior da nuvem cósmica existem, no entanto, estruturas belas e complexas, realçadas pelo uso de exposições longas e filtros de banda estreita que captam a emissão dos átomos de hidrogénio, enxofre e oxigénio. Caso contrário, Abell 7 seria demasiado ténue para ser apreciada a olho nu. As nebulosas planetárias representam uma fase final muito breve da evolução estelar que o nosso Sol irá experienciar daqui a 5 mil milhões de anos, à medida que a estrela central da nebulosa, outrora semelhante ao Sol, se desprende das suas camadas exteriores. Estima-se que Abell 7 tenha 20.000 anos. Mas a sua estrela central, vista aqui como uma anã branca desvanecida, tem cerca de 10 mil milhões de anos.
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