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  Astroboletim #2209  
  09/05 a 12/05/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 09/05: 129.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1971, lançamento da Mariner 8.
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Tinha como objetivo entrar em órbita de Marte e enviar imagens e dados, mas o veículo de lançamento falhou e nem conseguiu alcançar órbita terrestre.
HOJE, NO COSMOS:
Neste mês de maio brilham, no céu noturno, três estrelas de magnitude zero: Arcturo a sudeste, Vega muito mais baixa a nordeste e Capella a noroeste. Parecem muito brilhantes porque cada uma é pelo menos 60 vezes mais luminosa do que o Sol e porque todas estão razoavelmente perto: 37, 25 e 42 anos-luz, respetivamente.
Espiga, de primeira magnitude, menos brilhante do que Arcturo, situa-se um par de graus para baixo e para a esquerda da Lua esta noite.

 

DIA 10/05: 130.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 28 AC, era observada uma mancha solar por astrónomos da Dinastia Han, durante o reinado do Imperador Cheng de Han, uma das mais antigas observações de manchas solares na China.
Em 1900 nascia Cecilia Helena Payne-Gaposchkin
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Descobriu a composição química das estrelas e que o hidrogénio e hélio são os seus elementos mais abundantes e, por isso, também do Universo. Em 1976 recebeu o prestigiado Prémio Henry Norris Russell da Sociedade Astronómica Americana.
Em 1930, nascia George E. Smith, físico americano, coinventor da CCD
Em 1946, primeiro lançamento bem sucedido de um foguetão V-2 nos EUA. 
Em 1971 era lançada a Kosmos 419 (USSR). Não conseguiu sair da órbita da Terra.
Em 2024, início das tempestades solares de maio de 2024, o mais poderoso conjunto de tempestades geomagnéticas desde as de 2003.
HOJE, NO COSMOS:
Espiga brilha agora cerca de 10º para cima e para a direita da Lua.

 

DIA 11/05: 131.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1918 nascia Richard Feynman que, em conjunto com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga, ganhou o prémio Nobel da Física pelo seu trabalho sobre eletrodinâmica quântica. Também trabalhou na investigação do desastre do vaivém Challenger.
Em 1916 morria Karl Schwarzschild.
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Usando a teoria da gravitação de Einstein, que descreve a forma como o espaço-tempo é curvado pela matéria, explica que quando uma estrela se contrai, existe um ponto em que a sua gravidade é tão forte que nem a luz pode escapar, o agora famoso buraco negro. Este ponto é conhecido como o raio de Schwarzchild e é igual à massa do objecto multiplicada pelo dobro da constante da gravidade e dividida pela velocidade da luz ao quadrado.
Em 2009, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-125 para fazer a manutenção final ao Telescópio Espacial Hubble.
HOJE, NO COSMOS:
Qual é o objecto mais antigo que alguma vez viu? Para qualquer pessoa do mundo, é pelo menos o Sol e os outros objetos do Sistema Solar, com 4,6 mil milhões de anos. Tudo o que se encontra à superfície da Terra, ou perto dela, é muito mais jovem.
Segue-se Arcturo, que a maioria das pessoas já viu, quer saiba qual é ou não, uma vez que é uma das estrelas mais brilhantes do céu. É uma gigante laranja de População II, com cerca de 7 mil milhões de anos, que está a passar pela nossa região da Via Láctea. Ela está atualmente muito alta a sudeste ou sul nestas noites.
Os astrónomos amadores têm os enxames globulares. A maioria é ainda mais antiga, pelo menos em parte. O conhecido M4, em Escorpião, foi datado em 12,7 ±0,7 mil milhões de anos por meio de anãs brancas no seu interior.
Mas e as estrelas individuais que podemos observar? A atribuição de datas a estrelas individuais que existem desde os primeiros tempos após o Big Bang ainda é incerta; os astrónomos têm de trabalhar a partir da quase ausência de elementos pesados nos seus espectros. Mas uma estrela de 6.ª magnitude em Boieiro, HD 122563, e uma estrela de 7.ª magnitude em Balança, HD 140283, ambas ao alcance de uns binóculos, esperam por si nestas noites de maio e junho. Datam provavelmente de há cerca de 12,5 mil milhões e pelo menos 13 mil milhões de anos, respetivamente. Estas serão provavelmente as coisas mais antigas que alguma vez viu ou verá. O próprio Big Bang ocorreu há 13,8 mil milhões de anos.

 

DIA 12/05: 132.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1965, a sonda soviética Luna 5 colide com a Lua.
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HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 17:56.

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Webb levanta o véu a um tipo de exoplaneta comum mas misterioso
 
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Esta ilustração mostra o possível aspeto do sub-Neptuno TOI-421 b. Baseia-se em dados espetroscópicos recolhidos pelo Webb, bem como em observações anteriores de outros telescópios no solo e no espaço.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Dani Player (STScI)
 

Embora não orbitem em torno do nosso Sol, os sub-Neptunos são o tipo mais comum de exoplanetas - ou planeta para lá do nosso Sistema Solar - observados na nossa Galáxia. Estes planetas gasosos mais pequenos que os nossos gigantes estão envoltos em mistério... e muitas vezes, em muita neblina. Agora, ao observar o exoplaneta TOI-421 b, o Telescópio Espacial James Webb da NASA está a ajudar os cientistas a compreender os sub-Neptunos de uma forma que não era possível antes do lançamento do telescópio.

"Esperei toda a minha carreira pelo Webb para que pudéssemos caracterizar de forma significativa as atmosferas destes planetas mais pequenos", disse a investigadora principal Eliza Kempton da Universidade de Maryland, College Park, EUA. "Ao estudar as suas atmosferas, estamos a compreender melhor como os sub-Neptunos se formaram e evoluíram, e parte disso é compreender porque não existem no nosso Sistema Solar".

Pequenos, frios, envoltos em neblina

A existência de sub-Neptunos era inesperada antes de terem sido descobertos pelo telescópio espacial Kepler da NASA na década passada. Agora, os astrónomos estão a tentar perceber de onde vieram estes planetas e porque são tão comuns.

Antes do Webb, os cientistas tinham muito pouca informação sobre eles. Embora os sub-Neptunos sejam algumas vezes maiores do que a Terra, são ainda muito mais pequenos do que os planetas gigantes gasosos e tipicamente mais frios do que os Júpiteres quentes, o que torna a sua observação muito mais difícil do que a dos seus homólogos gigantes gasosos.

Uma importante descoberta anterior ao Webb foi que a maioria das atmosferas dos sub-Neptunos tinha espetros de transmissão simples ou sem características. Isto significa que quando os cientistas observavam o espetro do planeta à medida que este passava em frente da sua estrela hospedeira, em vez de verem características espetrais - as impressões digitais químicas que revelariam a composição da atmosfera - viam apenas um espetro achatado. Os astrónomos concluíram, a partir de todos esses espetros, que pelo menos certos sub-Neptunos estavam provavelmente muito obscurecidos por nuvens ou neblinas.

 
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Um espetro de transmissão captado pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA revela substâncias químicas na atmosfera do sub-Neptuno quente TOI-421 b.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
 

Um tipo diferente de sub-Neptuno?

"Porque é que observámos este planeta, TOI-421 b? Porque pensámos que talvez não tivesse neblinas", disse Kempton. "E a razão é que existiam alguns dados anteriores que implicavam que talvez os planetas numa determinada gama de temperaturas estivessem menos envoltos em neblina ou nuvens do que outros".

Esse limiar de temperatura é de cerca de 570º C. Abaixo dessa temperatura, os cientistas colocaram a hipótese de ocorrer um conjunto complexo de reações fotoquímicas entre a luz solar e o gás metano, o que provocaria a neblina. Mas os planetas mais quentes não deveriam ter metano e, portanto, talvez não devessem ter neblina.

A temperatura de TOI-421 b é de cerca de 720 graus Celsius, muito acima do presumível limiar. Sem neblina ou nuvens, os investigadores esperavam ver uma atmosfera clara - e viram-na!

Uma descoberta surpreendente

"Vimos características espetrais que atribuímos a vários gases, o que nos permitiu determinar a composição da atmosfera", disse Brian Davenport, da Universidade de Maryland, estudante no seu terceiro ano de doutoramento que realizou a análise dos dados primários. "Ao passo que com muitos dos outros sub-Neptunos que tinham sido observados anteriormente, sabemos que as suas atmosferas são feitas de alguma coisa, mas estão a ser bloqueadas por neblina.”

A equipa encontrou vapor de água na atmosfera do planeta, bem como assinaturas provisórias de monóxido de carbono e dióxido de enxofre. Depois, há moléculas que não foram detetadas, como o metano e o dióxido de carbono. A partir dos dados, podem também inferir que existe uma grande quantidade de hidrogénio na atmosfera de TOI-421 b.

A atmosfera leve de hidrogénio foi a grande surpresa para os investigadores. "Tínhamos recentemente compreendido que os primeiros sub-Neptunos observados pelo Webb tinham atmosferas de moléculas pesadas, o que se tornou a nossa expetativa, e depois descobrimos o contrário", disse Kempton. Isto sugere que TOI-421 b pode ter sido formado e evoluído de forma diferente dos sub-Neptunos mais frios observados anteriormente.

TOI-421 b é único?

A atmosfera dominada pelo hidrogénio é também interessante porque imita a composição da estrela hospedeira de TOI-421 b. "Se pegássemos no mesmo gás que formou a estrela hospedeira, o colocássemos em cima da atmosfera de um planeta e o colocássemos à temperatura muito mais fria deste planeta, obteríamos a mesma combinação de gases. Este processo está mais de acordo com os planetas gigantes do nosso Sistema Solar, e é diferente de outros sub-Neptunos que foram observados com o Webb até agora", disse Kempton.

Para além de ser mais quente do que outros sub-Neptunos observados anteriormente com o Webb, TOI-421 b orbita uma estrela semelhante ao Sol. A maioria dos outros sub-Neptunos que foram observados até agora orbitam estrelas mais pequenas e frias, chamadas anãs vermelhas.

Será TOI-421 b emblemático dos sub-Neptunos quentes que orbitam estrelas semelhantes ao Sol, ou apenas demonstrativo de que os exoplanetas são muito diversos? Para descobrir, os investigadores gostariam de observar mais sub-Neptunos quentes para determinar se este é um caso único ou uma tendência mais alargada. Esperam obter informações sobre a formação e evolução destes exoplanetas comuns.

"Revelámos uma nova forma de olhar para estes sub-Neptunos", disse Davenport. "Estes planetas quentes são passíveis de caracterização. Por isso, ao olharmos para sub-Neptunos com esta temperatura, talvez seja mais provável que aceleremos a nossa capacidade de aprender mais sobre estes planetas".

As descobertas da equipa foram publicadas no dia 5 de maio na revista The Astrophysical Journal Letters.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
17/11/2023 - Dados do Kepler revelam a possível razão pela qual alguns exoplanetas estão a encolher

TOI-421 b:
NASA
ipac
Exoplanet.eu
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu
Sub-Neptuno (Wikipedia)

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Telescópio Espacial Kepler:
NASA
Wikipedia

 
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Desvendando os segredos do nascimento de estrelas massivas
 
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Gás amoníaco a cair no disco de acreção que alimenta a estrela HW2 na região de formação estelar Cefeu A.
Crédito: NSF/AUI/NRAO da NSF/B. Saxton
 

Usando o VLA (Very Large Array), os astrónomos revelaram pela primeira vez o enorme fluxo de gás perto de uma estrela massiva, em formação, que permite o seu rápido crescimento. Ao observar a jovem estrela HW2 em Cefeu A, localizada a 2300 anos-luz da Terra, os investigadores resolveram a estrutura e a dinâmica de um disco de acreção que alimenta esta estrela massiva com material. Esta descoberta lança luz sobre uma questão central da astrofísica: como é que as estrelas massivas, que muitas vezes terminam as suas vidas como supernovas, acumulam a sua imensa massa?

Cefeu A é o segundo local de formação de estrelas massivas mais próximo da Terra, o que o torna um laboratório ideal para estudar estes processos complexos. A equipa de investigação utilizou o amoníaco (NH3), uma molécula que se encontra habitualmente nas nuvens de gás interestelar e que é muito utilizada industrialmente na Terra, como marcador para mapear a dinâmica do gás em torno da estrela. As observações revelaram um anel denso de amoníaco gasoso quente que se estende por 200 a 700 unidades astronómicas (UA) em torno de HW2. Esta estrutura foi identificada como parte de um disco de acreção - uma característica chave nas teorias de formação estelar.

O estudo descobriu que o gás dentro deste disco está tanto a colapsar para dentro como a girar em torno da jovem estrela. De forma notável, o ritmo de queda de material para HW2 foi medida em dois milésimos de uma massa solar por ano - uma das taxas mais elevadas alguma vez observadas para uma estrela massiva em formação. Estas descobertas confirmam que os discos de acreção podem sustentar tais ritmos extremos de transferência de massa, mesmo quando a estrela central já cresceu até 16 vezes a massa do nosso Sol.

"As nossas observações fornecem evidências diretas de que as estrelas massivas podem formar-se através de acreção mediada pelo disco até dezenas de massas solares", disse o Dr. Alberto Sanna, autor principal do estudo. "A sensibilidade radioelétrica sem paralelo do VLA da NSF permitiu-nos resolver características em escalas da ordem de apenas 100 UA, fornecendo uma visão sem precedentes deste processo".

A equipa também comparou as suas observações com as simulações mais avançadas de formação de estrelas massivas. "Os resultados estão muito próximos das previsões teóricas, mostrando que o amoníaco perto de HW2 está a colapsar quase a velocidades de queda livre enquanto gira a velocidades sub-Keplerianas - um equilíbrio ditado pela gravidade e pelas forças centrífugas", disse o professor André Oliva, que realizou as simulações detalhadas.

Curiosamente, o estudo revelou assimetrias na estrutura e turbulência do disco, sugerindo que correntes externas de gás - conhecidas como "serpentinas" - podem estar a enviar material fresco para um dos lados do disco. Tais correntes foram observadas noutras regiões de formação estelar e podem desempenhar um papel crucial na reposição dos discos de acreção em torno de estrelas massivas. Esta descoberta resolve décadas de debate sobre se HW2, e as protoestrelas de igual modo, podem formar discos de acreção capazes de sustentar o seu rápido crescimento. Também reforça a ideia de que mecanismos físicos semelhantes governam a formação de estrelas numa vasta gama de massas.

"HW2 é conhecida há mais de 40 anos e continua a inspirar as novas gerações de astrónomos", disse o professor José María Torrelles, que realizou algumas observações fundamentais de HW2 no final dos anos 90. As descobertas foram possíveis graças às observações de alta sensibilidade do VLA realizadas em comprimentos de onda centimétricos em 2019. Os investigadores visaram transições específicas do amoníaco que são excitadas a temperaturas superiores a 100 K, o que lhes permitiu detetar gás denso e quente perto de HW2.

"Estes resultados destacam o poder da interferometria rádio para sondar os processos ocultos por detrás da formação dos objetos mais influentes na nossa Galáxia", disse o Dr. Todd Hunter do NRAO, "e, dentro de dez anos, a próxima versão atualizada do VLA tornará possível estudar o amoníaco circunestelar a escalas do nosso Sistema Solar".

Este trabalho não só faz avançar a nossa compreensão de como as estrelas massivas se formam, mas também tem implicações para questões mais vastas sobre a evolução das galáxias e o enriquecimento químico no Universo. As estrelas massivas desempenham um papel fundamental como motores cósmicos, impulsionando ventos e explosões que alimentam as galáxias com elementos pesados.

A investigação foi aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics e pode ser consultada no site de pré-impressão arXiv.

// NRAO (comunicado de imprensa)
// ICE-CSIC (comunicado de imprensa)
// IEEC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv)

 


Quer saber mais?

Formação estelar:
Wikipedia
Protoestrela (Wikipedia)

Disco circunstelar:
Wikipedia

VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):
Página principal
NRAO
Wikipedia

 
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NICER mapeia detritos de colisões cósmicas recorrentes
 
Um sistema a que os astrónomos chamam Ansky, na galáxia no centro desta imagem, é o lar de uma série de erupções quase periódicas recentemente descoberta.
Crédito: SDSS
 

Pela primeira vez, os astrónomos investigaram o ambiente físico de erupções repetidas de raios X perto de buracos negros monstruosos, graças aos dados do NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA e de outras missões.

Os cientistas só recentemente encontraram esta classe de erupções de raios X, chamadas EQPs, ou erupções quase periódicas. Um sistema que os astrónomos apelidaram de Ansky é a oitava fonte de QPEs descoberta e produz os surtos mais energéticos observados até agora. Ansky também estabelece recordes em termos de tempo e duração, com erupções a cada 4,5 dias que duram aproximadamente 1,5 dias.

"Estas EQPs são fenómenos misteriosos e intensamente interessantes", disse Joheen Chakraborty, um estudante do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge, EUA. "Um dos aspetos mais intrigantes é a sua natureza quase periódica. Ainda estamos a desenvolver as metodologias e as estruturas necessárias para compreender o que causa as EQPs e as propriedades invulgares de Ansky estão a ajudar-nos a melhorar essas ferramentas".

A alcunha Ansky vem de ZTF19acnskyy, o nome de uma erupção de luz visível vista em 2019. Estava localizada numa galáxia a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Virgem. Este evento foi a primeira indicação de que algo invulgar poderia estar a acontecer.

Um artigo científico sobre Ansky, liderado por Chakraborty, foi publicado na terça-feira na revista The Astrophysical Journal.

Uma das principais teorias sugere que as EQPs ocorrem em sistemas onde um objeto de massa relativamente baixa passa através do disco de gás que rodeia um buraco negro supermassivo com centenas de milhares a milhares de milhões de vezes a massa do Sol.

Quando o objeto de massa mais baixa atravessa o disco, a sua passagem expulsa nuvens de gás quente em expansão que observamos como QPEs em raios X.

Os cientistas pensam que a quase-periodicidade das erupções ocorre porque a órbita do objeto mais pequeno não é perfeitamente circular e vai, ao longo do tempo, espiralando em direção ao buraco negro. Além disso, a gravidade extrema perto do buraco negro curva o tecido do espaço-tempo, alterando as órbitas dos objetos para que não se fechem sobre si próprias em cada ciclo. O conhecimento atual dos cientistas sugere que as erupções repetem-se até o disco desaparecer ou o objeto em órbita se desintegrar, o que pode demorar alguns anos.

"As propriedades extremas de Ansky podem dever-se à natureza do disco em torno do seu buraco negro supermassivo", disse Lorena Hernández-García, astrofísica do TITANS (Millennium Nucleus on Transversal Research and Technology to Explore Supermassive Black Holes) do MAS (Millennium Institute of Astrophysics) e da Universidade de Valparaíso, no Chile. "Na maioria dos sistemas EQP, o buraco negro supermassivo provavelmente rasga uma estrela passageira, criando um pequeno disco muito próximo de si própria. No caso de Ansky, pensamos que o disco é muito maior e pode envolver objetos mais distantes, criando as escalas de tempo mais longas que observamos".

Hernández-García, para além de ser coautora do artigo científico de Chakraborty, liderou o estudo que descobriu as EQPs de Ansky, publicado no passado mês de abril na revista Nature Astronomy e que utilizou dados do NICER, do Observatório Neil Gehrels Swift e do Observatório de raios X Chandra, bem como do telescópio espacial XMM-Newton.

 
O telescópio de raios X NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) está refletido no visor do capacete do astronauta da NASA e engenheiro de voo da missão Expedition 72, Nick Hague, nesta "selfie espacial" tirada durante uma caminhada espacial a 16 de janeiro de 2025.
Crédito: NASA/Nick Hague
 

A posição do NICER na Estação Espacial Internacional permitiu-lhe observar Ansky cerca de 16 vezes por dia, de maio a julho de 2024. A frequência das observações foi fundamental para detetar as flutuações de raios X que revelaram que Ansky produz EQPs.

A equipa de Chakraborty utilizou dados do NICER e do XMM-Newton para mapear a rápida evolução do material ejetado que impulsionou as EQPs observadas com um detalhe sem precedentes, estudando as variações na intensidade dos raios X durante a subida e descida de cada erupção.

Os investigadores descobriram que cada impacto resultou numa massa equivalente a cerca de um Júpiter que atingiu velocidades de expansão de cerca de 15% da velocidade da luz.

A capacidade do telescópio NICER para observar Ansky frequentemente a partir da ISS e as suas capacidades de medição únicas também permitiram à equipa medir o tamanho e a temperatura da bolha de detritos, aproximadamente esférica, à medida que se expandia.

"Todas as observações de Ansky, pelo NICER, utilizadas nestes artigos científicos, foram recolhidas depois de o instrumento ter sofrido uma 'fuga de luz' em maio de 2023", disse Zaven Arzoumanian, o líder científico da missão no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Apesar da fuga - que foi corrigida em janeiro - ter afetado a estratégia de observação do telescópio, o NICER conseguiu fazer contribuições vitais para a astronomia no domínio do tempo, ou o estudo das mudanças no cosmos em escalas de tempo que podemos ver".

Após a reparação, o NICER continuou a observar Ansky para explorar a evolução das erupções ao longo do tempo. Um artigo científico sobre estes resultados, liderado por Hernández-García e com coautoria de Chakraborty, está a ser revisto.

Estudos observacionais de EQPs como o de Chakraborty também desempenharão um papel fundamental na preparação da comunidade científica para uma nova era de astronomia multimensageira, que combina medições utilizando a luz, partículas elementares e ondulações do espaço-tempo chamadas ondas gravitacionais para compreender melhor os objetos e eventos no Universo.

Um dos objetivos da futura missão LISA (Laser Interferometer Space Antenna) da ESA, na qual a NASA é parceira, é estudar espirais com rácios extremos de massa - ou sistemas em que um objeto de baixa massa orbita um objeto muito mais massivo, como Ansky. Estes sistemas devem emitir ondas gravitacionais que não são observáveis com as instalações atuais. Os estudos eletromagnéticos das EQPs ajudarão a melhorar os modelos desses sistemas antes do lançamento do LISA, previsto para meados da década de 2030.

"Vamos continuar a observar Ansky enquanto pudermos", disse Chakraborty. "Ainda estamos a dar os primeiros passos na compreensão das EQPs. É uma altura muito excitante porque há muito para aprender".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// NICER estuda colisões cósmicas recorrentes (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
15/04/2025 - De aborrecido a explosivo: um buraco negro gigante desperta
21/06/2024 - Astrónomos observam em tempo real o despertar de um buraco negro de grande massa

Ansky (ou ZTF19acnskyy):
Transient Name Server

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NGAs (Núcleos Galácticos Ativos):
Wikipedia

NICER (Neutron Star Interior Composition ExploreR):
NASA
Wikipedia

Observatório Neil Gehrels Swift:
NASA
Wikipedia

Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   IXPE revela partículas geradoras de raios X em jatos de buracos negros (via NASA)
O blazar BL Lacertae, um buraco negro supermassivo rodeado por um disco brilhante e jatos orientados para a Terra, proporcionou aos cientistas uma oportunidade única de responder a uma questão de longa data: como é que os raios X são gerados em ambientes extremos como este? O IXPE da NASA colaborou com telescópios rádio e óticos para encontrar respostas. Os resultados mostram que as interações entre os eletrões em movimento rápido e as partículas de luz, chamadas fotões, devem levar a esta emissão de raios X. Ler fonte
     
  Astrónomos sintonizam a música de uma estrela próxima, revelando uma descoberta surpreendente (via Observatório W. M. Keck)
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Álbum de fotografias
Guerras Galácticas: M81 versus M82

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Collaborative Astrophotography Team (CAT)
 
No canto superior esquerdo, rodeada de braços azuis e pontilhada de nebulosas vermelhas, encontra-se a galáxia espiral M81. No canto inferior direito, marcada por uma linha central clara e rodeada de gás incandescente vermelho, está a galáxia irregular M82. Esta vista deslumbrante mostra estas duas galáxias gigantescas presas num combate gravitacional, tal como têm estado nos últimos milhares de milhões de anos. A gravidade de cada galáxia afeta dramaticamente a outra durante cada passagem de cem milhões de anos. Na última passagem, a gravidade de M82 terá criado ondas de densidade à volta de M81, resultando na riqueza dos braços espirais de M81. Mas M81 deixou M82 com violentas regiões de formação estelar e nuvens de gás em colisão tão energéticas que a galáxia brilha em raios X. Esta grande batalha é vista da Terra através do brilho ténue de uma Nebulosa de Fluxo Integrado, um complexo pouco estudado de nuvens difusas de gás e poeira na nossa Galáxia, a Via Láctea. Dentro de alguns milhares de milhões de anos, restará apenas uma galáxia.
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