Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
  transparent   feed rss
logotipos
 
  Astroboletim #2222  
  24/06 a 26/06/2025  
     
 
transparent
EFEMÉRIDES

DIA 24/06: 175.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 451, 10.ª passagem registada do Cometa Halley.
Em 1881, Sir William Huggins faz o seu primeiro espetro fotográfico de um cometa (1881 III) e descobre a emissão do cianogénio (CN) em comprimentos de onda ultravioleta, o que causa histeria em massa quando a Terra passa pela cauda do cometa Halley 29 anos mais tarde.
Em 1883, nascia Victor Hess, físico austríaco-americano, que descobriu os raios cósmicos.
Em 1915, nascia Fred Hoyle, astrónomo britânico.
imagem
É principalmente famoso pela sua contribuição para a teoria da nucleosíntese estelar e pela sua posição bastante controversa acerca de outros assuntos cosmológicos e científicos - particularmente pela sua rejeição da teoria do Big Bang, um termo originalmente da sua autoria.
Em 1929, nascia Carolyn S. Shoemaker, astrónoma americana e codescobridora do cometa Cometa Shoemaker-Levy 9. Já deteve o recorde do maior número de descobertas cometárias por um único indivíduo.
Em 1938, um meteorito de 450 toneladas (aquando da entrada na atmosfera) atinge a Terra perto de Chicora, Pennsylvania, EUA.
Em 1985, o vaivém Discovery completa a sua missão STS-51-G, mais conhecida por ter a bordo o Sultão bin Salman Al Saud, o primeiro árabe e o primeiro muçulmano no espaço.
HOJE, NO COSMOS:
M13, em Hércules, é um dos mais famosos e brilhantes enxames globulares do céu. Está agora alto a este após o cair da noite. mas parte da sua fama deve-se à sua fácil localização. Menos conhecido, o seu gémeo M92, 9,5º para nordeste. M92 é ligeiramente mais pequeno que M13.

 

DIA 25/06: 176.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1997, a MIR colide com a nave de abastecimento Progress, o que despressuriza as cabinas e danifica os painéis solares.
imagem
No mesmo ano, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 11:32.
Esta é a altura do ano em que a pequena Ursa Menor, ao final do lusco-fusco, flutua para cima da Estrela Polar - como um balão, atado a um fio, que escapou de uma festa de verão. No entanto, através da poluição luminosa, tudo o que provavelmente conseguirá observar da Ursa Menor, será a Polar e Kochab, a ponta da "tampa da frigideira". O resto das suas estrelas são razoavelmente fracas com magnitudes 3 a 5.

 

DIA 26/06: 177.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1730 nascia Charles Messier.
imagem
Conhecido caçador de cometas francês, que catalogou mais ou menos 100 nebulosas brilhantes e enxames estelares conhecidos hoje em dia pelos seus números M, porque confundia estes objetos estacionários com possíveis novos cometas, que era na realidade o que ele andava à procura.
Em 1824 nascia Lord Kelvin, físico irlandês bastante conhecido pelo desenvolvimento das bases do zero absoluto e da unidade de medição da temperatura que tem o seu nome.
Em 1973, morrem 9 pessoas no Cosmódromo de Plesetsk devido a uma explosão de um foguetão Cosmos 3-M.
HOJE, NO COSMOS:
Tente dizer olá a Mercúrio, para a esquerda da finíssima Lua Crescente, ambos baixos a oeste-noroeste depois do pôr-do-Sol. Mercúrio desaparecerá ainda mais durante o que resta desta fraca aparição.

transparent
 
 
  transparent  
As primeiras imagens do Observatório Vera C. Rubin
 
imagem
A região sul do Enxame de Virgem, a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância. Esta imagem combina 1185 exposições obtidas ao longo de apenas 7 noites. Ver aqui uma versão legendada. Para ver a imagem em todo o seu esplendor, utilize esta ferramenta online.
Crédito: Observatório Rubin/NOIRLab/SLAC/NSF/DOE/AURA
 

O Observatório Vera C. Rubin divulgou ontem as suas primeiras imagens num evento em Washington, D.C. As imagens mostram fenómenos cósmicos captados a uma escala sem precedentes. Em pouco mais de 10 horas de observações de teste, o Observatório Rubin já captou milhões de galáxias e estrelas da Via Láctea e milhares de asteroides. As imagens são uma pequena antevisão da próxima missão científica de 10 anos do Observatório Rubin para explorar e compreender alguns dos maiores mistérios do Universo.

"O Observatório Rubin irá captar mais informação sobre o nosso Universo do que todos os telescópios óticos da história, juntos", afirmou Brian Stone, diretor da NSF (National Science Foundation). "Através desta notável instalação científica, exploraremos muitos mistérios cósmicos, incluindo a matéria escura e a energia escura que permeiam o Universo".

Resultado de mais de duas décadas de trabalho, o Observatório Rubin está situado no cume de Cerro Pachón, no Chile, onde o ar seco e o céu escuro proporcionam um dos melhores locais de observação do mundo. O inovador telescópio de 8,4 metros do Rubin possui a maior câmara digital alguma vez construída, que alimenta um poderoso sistema de processamento de dados. Mais tarde, ainda em 2025, o Rubin iniciará a sua missão principal, o LSST (Legacy Survey of Space and Time), em que fará uma varredura incessante do céu todas as noites durante 10 anos para captar com precisão todas as mudanças visíveis.

O resultado será um registo do Universo em tempo real, em campo largo e em ultra-alta definição. O céu ganhará vida com um tesouro de milhares de milhões de descobertas científicas. As imagens revelarão asteroides e cometas, estrelas pulsantes, explosões de supernova, galáxias longínquas e talvez fenómenos cósmicos que ninguém viu antes.

O nome do Observatório Rubin é uma homenagem à astrónoma americana Vera C. Rubin, que encontrou evidências conclusivas da existência de grandes quantidades de material invisível conhecido como matéria escura. O objetivo central da missão do Observatório Rubin é compreender a natureza da matéria escura, da energia escura e de outros mistérios cósmicos de grande escala. A energia escura é o que os cientistas chamam à força misteriosa e colossalmente poderosa que parece estar a fazer com que as galáxias do Universo se afastem umas das outras a um ritmo acelerado. Embora a matéria escura e a energia escura constituam coletivamente 95% do Universo, as suas propriedades permanecem desconhecidas.

 
imagem
Imagem da Nebulosa da Lagoa (M8) e da Nebulosa Trífida (M20). A imagem original tem quase 5 gigapixéis e combina 678 exposições obtidas ao longo de apenas 7,2 horas de tempo de observação e composta, no total, a partir de cerca de 2 biliões de pixéis. Ver aqui uma versão legendada. Para ver a imagem em todo o seu esplendor, utilize esta ferramenta online.
Crédito: Observatório Rubin/NOIRLab/SLAC/NSF/DOE/AURA
 

O Observatório Rubin será também a máquina de descoberta do Sistema Solar mais eficiente e eficaz alguma vez construída. Captará cerca de mil imagens do céu do hemisfério sul todas as noites, o que lhe permitirá cobrir todo o céu visível do hemisfério sul em cada três a quatro noites. Ao fazê-lo, encontrará milhões de asteroides, cometas e objetos interestelares invisíveis. O Rubin será um fator de mudança para a defesa planetária ao detetar um número muito maior de asteroides do que nunca, identificando potencialmente alguns que poderão ter impacto na Terra ou na Lua.

A quantidade de dados recolhidos pelo Observatório Rubin só no seu primeiro ano será superior à recolhida por todos os outros observatórios óticos juntos. Este tesouro de dados ajudará os cientistas a fazer inúmeras descobertas sobre o Universo e servirá como um recurso incomparável para a exploração científica durante as próximas décadas.

"O lançamento das nossas primeiras imagens científicas constitui um marco extraordinário para o Observatório Rubin. Representa o culminar de cerca de duas décadas de dedicação, inovação e colaboração de uma equipa global", afirmou Željko Ivezić, Diretor de Construção do Observatório Rubin. "Com a construção agora concluída, estamos a voltar os nossos olhos totalmente para o céu - não apenas para captar imagens, mas para iniciar toda uma nova era de descobertas".

A câmara LSST no coração do Observatório Rubin capta características extremamente finas em galáxias distantes, estrelas e outros objetos celestes. O instrumento tem aproximadamente o tamanho de um carro pequeno e pesa quase 2800 quilogramas. Cada imagem tirada pela câmara LSST cobre uma área no céu tão grande como 45 Luas Cheias.

"A construção da maior câmara digital do mundo permitirá aos cientistas explorar o cosmos de novas formas e a uma escala que possibilitará descobertas que deverão mudar fundamentalmente a nossa compreensão do Universo", afirmou Aaron Roodman, Diretor da Câmara LSST. "Tal como faria com a câmara do seu telemóvel, chegou finalmente o momento de apontar e disparar - a nossa ciência começa agora".

Durante o seu estudo de dez anos, o Rubin irá gerar aproximadamente 20 terabytes de dados por noite, para além de uma base de dados adicional de 15 petabytes. Em 10 anos, o processamento de dados do Rubin gerará cerca de 500 petabytes, e o conjunto final de dados irá conter milhares de milhões de objetos com biliões de medições. Com a publicação regular de dados, os cientistas poderão efetuar as suas próprias investigações dos dados do Rubin à distância, permitindo e acelerando inúmeras descobertas sobre o nosso Universo e fazendo avançar a ciência de formas que ainda não podemos prever.

O Rubin também leva o poder dos dados astronómicos e da aprendizagem interativa a educadores e estudantes de todo o mundo através de uma plataforma online de envolvimento público desenvolvida por uma equipa de astrónomos, educadores e especialistas em design web, que fornece ferramentas e atividades para envolver e interagir com um subconjunto de dados do Observatório Rubin.

// Observatório Vera C. Rubin (comunicado de imprensa)
// NSF (comunicado de imprensa)
// Departamento de Energia dos EUA (comunicado de imprensa)
// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Um tesouro cósmico (Observatório Rubin via YouTube)
// Um enxame de novos asteroides (Observatório Rubin via YouTube)

 


Quer saber mais?

Observatório Vera C. Rubin:
Página principal
Wikipedia
Facebook
Instagram
X/Twitter

Enxame Galáctico de Virgem:
Wikipedia
SEDS

Nebulosa da Lagoa (M8):
Wikipedia
SEDS

Nebulosa Trífida (M20):
Wikipedia
SEDS

 
  transparent  
"Os modelos estavam certos": astrónomos descobrem matéria "em falta"
 
imagem
Esta imagem mostra o novo filamento que liga quatro enxames de galáxias: dois numa extremidade e dois na outra. Estes enxames são visíveis como pontos brilhantes na parte inferior e superior do filamento (quatro pontos brancos rodeados de cor). Entre estes pontos brilhantes estende-se uma faixa púrpura manchada, que se destaca contra o céu escuro circundante; este é o filamento de gás quente emissor de raios X que não tinha sido visto antes e que contém um pedaço de matéria "em falta".
A faixa roxa inclui dados do Suzaku. Os astrónomos foram capazes de identificar e remover quaisquer possíveis fontes 'contaminantes' de raios X do filamento usando o XMM-Newton, deixando para trás um fio puro de matéria 'em falta'. Estas fontes podem ser vistas aqui como pontos brilhantes, atravessados pela - e removidos da - emissão do filamento. Ver aqui a versão não legendada.
Crédito: ESA/XMM-Newton e ISAS/JAXA; reconhecimento - Migkas et al. (2025)
 

Os astrónomos descobriram um enorme filamento de gás quente que liga quatro enxames de galáxias. Com uma massa 10 vezes maior que a da nossa Galáxia, o filamento poderá conter alguma da matéria "em falta" no Universo, resolvendo um mistério de décadas.

Os astrónomos utilizaram os telescópios espaciais de raios X XMM-Newton da ESA e Suzaku da JAXA para fazer a descoberta.

Mais de um-terço da matéria "normal" do Universo local - o material visível que constitui as estrelas, os planetas, as galáxias e a vida - está em falta. Ainda não foi vista, mas é necessária para que os nossos modelos do cosmos funcionem corretamente.

Esses modelos sugerem que esta matéria elusiva pode existir em longas cadeias de gás, ou filamentos, que ligam as zonas mais densas do espaço. Apesar de já termos visto filamentos anteriormente, é difícil distinguir as suas propriedades; são tipicamente ténues, tornando difícil isolar a sua luz da de quaisquer galáxias, buracos negros e outros objetos que se encontrem nas proximidades.

Uma nova investigação é agora uma das primeiras a fazer isso mesmo, encontrando e caracterizando com precisão um único filamento de gás quente que se estende entre quatro enxames de galáxias no Universo próximo.

"Pela primeira vez, os nossos resultados correspondem exatamente ao que vemos no nosso modelo principal do cosmos - algo que nunca tinha acontecido antes", diz o investigador principal Konstantinos Migkas do Observatório de Leiden, nos Países Baixos. "Parece que as simulações estavam certas desde o início".

XMM-Newton está a tratar do caso

Com uma temperatura de mais de 10 milhões de graus, o filamento contém cerca de 10 vezes a massa da Via Láctea e liga quatro enxames de galáxias: dois numa extremidade e dois na outra. Todos fazem parte do Superenxame de Shapley, um conjunto de mais de 8000 galáxias que forma uma das estruturas mais massivas do Universo próximo.

O filamento estende-se diagonalmente para longe de nós através do superenxame ao longo de 23 milhões de anos-luz, o equivalente a atravessar a Via Láctea de ponta a ponta cerca de 230 vezes.

Konstantinos e os seus colegas caracterizaram o filamento combinando observações de raios X do XMM-Newton e do Suzaku, e analisando dados óticos de vários outros.

 
Esta imagem mostra uma simulação da "teia cósmica", a vasta rede de filamentos que se estende por todo o Universo. Estrelas, galáxias e enxames de galáxias nascem nos nós mais densos desta teia e permanecem ligados por vastos filamentos que se estendem por muitos milhões de anos-luz. Estes filamentos são invisíveis aos nossos olhos, mas podem ser descobertos por telescópios como o XMM-Newton da ESA.
A imagem centra-se num enxame de galáxias. As cores transitam da esquerda para a direita, representando a densidade da matéria escura (à esquerda, em azul-púrpura) e a densidade do gás (à direita, em laranja-vermelho).
Crédito: ESA, Illustris
 

Os dois telescópios de raios X foram parceiros ideais. O Suzaku mapeou a ténue luz de raios X do filamento numa vasta região do espaço, enquanto o XMM-Newton identificou com grande precisão fontes contaminantes de raios X - nomeadamente, buracos negros supermassivos - que se encontravam no interior do filamento.

"Graças ao XMM-Newton pudemos identificar e remover estes contaminantes cósmicos, pelo que sabíamos que estávamos a olhar para o gás no filamento e nada mais", acrescenta o coautor Florian Pacaud da Universidade de Bona, Alemanha. "A nossa abordagem foi realmente bem-sucedida e revela que o filamento é exatamente o que esperávamos das nossas melhores simulações do Universo em grande escala".

Não verdadeiramente desaparecido

Para além de revelar um enorme e nunca antes visto filamento de matéria que atravessa o cosmos próximo, a descoberta mostra como algumas das estruturas mais densas e extremas do Universo - os enxames de galáxias - estão ligadas ao longo de distâncias colossais.

Também lança luz sobre a própria natureza da "teia cósmica", a vasta e invisível teia de filamentos que está na base da estrutura de tudo o que vemos à nossa volta.

"Esta investigação é um excelente exemplo de colaboração entre telescópios e cria uma nova referência sobre como detetar a luz proveniente dos filamentos ténues da teia cósmica", acrescenta Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.

"Mais fundamentalmente, reforça o nosso modelo padrão do cosmos e valida décadas de simulações: parece que a matéria 'em falta' pode estar realmente escondida em filamentos difíceis de ver, tecidos através do Universo".

A missão Euclid da ESA tem como objetivo obter uma imagem precisa da teia cósmica. Lançada em 2023, a missão está a explorar a estrutura e a história desta teia. A missão está também a investigar a fundo a natureza da matéria escura e da energia escura - nenhuma das quais foi alguma vez observada, apesar de representarem uns impressionantes 95% do Universo - e a trabalhar com outros detetives do Universo escuro para resolver alguns dos maiores e mais antigos mistérios cósmicos.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

 


Quer saber mais?

Filamentos galácticos:
Wikipedia

Galáxias:
Wikipedia

Superenxame de Shapley:
Wikipedia

Superenxame:
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

Energia escura:
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

Suzaku:
JAXA
Wikipedia

Euclid:
ESA
Euclid Quick Data Release 1 (ESA)
Wikipedia
X/Twitter

 
  transparent  
O maior cometa da Nuvem de Oort alguma vez observado revela os seus segredos
 
imagem
Uma representação artística do cometa C/2014 UN271, o maior cometa conhecido da Nuvem de Oort.
Crédito: NSF/AUI/NRAO da NSF/M.Weiss
 

Uma equipa de astrónomos fez uma descoberta revolucionária ao detetar atividade molecular no cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein) - o maior e o segundo cometa ativo mais distante alguma vez observado da Nuvem de Oort. Usando o poderoso ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile, os investigadores observaram este cometa gigante quando estava a mais de meio caminho até Neptuno, a uma distância surpreendente de 16,6 vezes a distância entre o Sol e a Terra.

C/2014 UN271 é um verdadeiro colosso, medindo cerca de 140 km de diâmetro - mais de 10 vezes o tamanho da maioria dos cometas conhecidos. Até agora, pouco se sabia sobre o comportamento de objetos tão frios e distantes. As novas observações revelaram jatos complexos e em evolução de gás monóxido de carbono em erupção a partir do núcleo do cometa, fornecendo a primeira evidência direta do que impulsiona a sua atividade tão longe do Sol.

"Estas medições dão-nos uma visão de como este enorme mundo gelado funciona", disse o autor principal Nathan Roth da AU (American University) e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. "Estamos a ver padrões explosivos de desgaseificação que levantam novas questões sobre como este cometa irá evoluir à medida que continua a sua viagem em direção ao Sistema Solar interior".

O telescópio ALMA observou C/2014 UN271 captando a luz do gás monóxido de carbono na sua atmosfera e o calor (emissão térmica) quando o cometa ainda estava muito longe do Sol. Graças à elevada sensibilidade e resolução do ALMA, os cientistas puderam focar-se no sinal extremamente fraco deste objeto tão frio e distante. Com base em observações anteriores do ALMA, que caracterizaram pela primeira vez a grande dimensão do núcleo de UN271, estas novas descobertas mediram o sinal térmico para melhor calcular a dimensão do cometa e a quantidade de poeira que envolve o seu núcleo. Os seus valores para o tamanho do núcleo e massa de poeira estão de acordo com observações anteriores do ALMA e confirmam-no como o maior cometa da Nuvem de Oort alguma vez encontrado. A capacidade do ALMA para medir com precisão estes sinais tornou este estudo possível, oferecendo uma imagem mais clara deste gigante distante e gelado.

A descoberta não só marca a primeira deteção de desgaseificação molecular neste cometa recordista, mas também oferece um raro vislumbre da química e dinâmica de objetos originários dos confins mais distantes do nosso Sistema Solar. À medida que C/2014 UN271 se aproxima do Sol, os cientistas preveem que mais gases gelados começarão a vaporizar, revelando ainda mais sobre a constituição primitiva do cometa e sobre o Sistema Solar inicial. Estas descobertas ajudam a responder a questões fundamentais sobre a origem da Terra e da sua água, e sobre a possível formação de ambientes propícios à vida noutros locais.

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
15/04/2022 - Hubble confirma o maior núcleo cometário alguma vez visto
20/07/2021 - Observatório Las Cumbres descobre atividade no maior cometa já descoberto

Cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein):
NASA/JPL
Wikipedia

Cometas:
Wikipedia

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
  transparent  
Também em destaque
transparent
exemplo   As supernovas podem ter provocado alterações climáticas abruptas no passado e poderão voltar a fazê-lo (via Universidade do Colorado em Boulder)
Quando uma estrela explode, envia partículas altamente energéticas em todas as direções. Esta explosão de energia pode viajar pelo espaço durante milhares de anos-luz, atravessando sistemas solares e até galáxias. Num artigo científico recente, os cientistas argumentam que as supernovas podem ser a chave para compreender uma série de mudanças climáticas abruptas na história geológica recente. A análise modela a forma como essa radiação poderia colidir com a atmosfera da Terra, alterando a sua composição. Os cientistas também associam uma série de supernovas conhecidas a alterações climáticas preservadas em registos geológicos. Ler fonte
     
  GJ 504 b, o "segundo Júpiter", observado diretamente (via Telescópio Subaru)
GJ 504 b é um exoplaneta que orbita uma estrela semelhante ao Sol, GJ 504. Estima-se que seja três a seis vezes mais massivo que Júpiter, o que o torna o planeta menos massivo alguma vez fotografado diretamente. Este planeta ténue e frio, muitas vezes referido como o "segundo Júpiter", foi descoberto no âmbito do projeto SEEDS (Strategic Explorations of Exoplanets and Disks with Subaru). Ler fonte
transparent
 
  transparent  

Álbum de fotografias
NGC 3521: Galáxia Numa Bolha

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Vikas Chander
 
A deslumbrante galáxia espiral NGC 3521 está a uns meros 35 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação primaveril de Leão. Relativamente brilhante no céu do planeta Terra, NGC 3521 é facilmente visível através de pequenos telescópios, mas muitas vezes esquecida por fotógrafos amadores em favor de outras galáxias espirais de Leão, como M66 e M65. No entanto, é difícil passar despercebida neste colorido retrato cósmico. Abrangendo cerca de 50.000 anos-luz, a galáxia apresenta os característicos braços espirais irregulares entrelaçados com poeira, regiões de formação estelar e enxames de jovens estrelas azuis. A imagem profunda também encontra NGC 3521 embebida em conchas mais ténues, gigantescas e semelhantes a bolhas. As conchas são provavelmente detritos de maré, fluxos de estrelas arrancados de galáxias satélite que sofreram fusões com NGC 3521 num passado distante.
transparent
 
  transparent  
Arquivo | CCVAlg - Astronomia | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
transparent
 
  logotipo ccvalg  
  logotipo ccvtavira  
  facebook   twitter   instagram   trip advisor  
  facebook   twitter   instagram   trip advisor  
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2025 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt