Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
EFEMÉRIDES
DIA 29/08: 241.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1965, a nave Gemini V regressa à Terra, aterrando no Oceano Atlântico.
Em 1975, o japonês Kentaro Osada descobre V1500 Cygni, uma das mais rápidas novas de que há registo. HOJE, NO COSMOS:
Saturno é o ponto mais brilhante baixo a este logo após o cair da noite. Mas, com o avançar da noite, ganha competição. Fomalhaut, a Estrela de Outono, faz o seu aparecimento acima do horizonte a sudeste cerca de três punhos à distância do braço esticado para baixo e para a direita de Saturno. A hora a que nasce depende da posição do observador. Pelas 23 horas não terá dificuldade em identificar Fomalhaut baixa a sudeste caso tenha uma vista desimpedida nessa direção. Nenhuma outra estrela de primeira magnitude fica aí perto.
Saturno e Fomalhaut têm magnitudes 0,7 e 1,2, respetivamente. E consegue ver que um pisca mais do que o outro?
DIA 30/08: 242.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1983, missão STS-8 do vaivém Challenger. Foi o primeiro lançamento noturno do programa do vaivém espacial.
Em 1984, o vaivém Discovery fazia a sua viagem inaugural, a missão STS-41-D.
Em 1991, lançamento do observatório espacial solar Yohkoh do Japão.
Em 2012, lançamento das sondas gémeas Van Allen da NASA, a bordo de um foguetão Atlas V. O seu propósito era recolher dados sobre as duas cinturas de radiação que rodeiam a Terra e revelar detalhes da influência do Sol sobre o nosso planeta. HOJE, NO COSMOS:
Ao amanhecer, Júpiter, Vénus e Mercúrio (bem baixo) formam uma linha alta, quase igualmente espaçada a este.
A Lua brilha a sudoeste logo após o anoitecer, na direção da cabeça de Escorpião. Procure a alaranjada Antares cerca de 7º para a esquerda e um pouco para cima do nosso satélite natural. A mais ténue Delta Scorpii, a segunda estrela mais brilhante da área, está a
uma distância mais pequena mas para cima da Lua.
DIA 31/08: 243.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1913 nascia Bernard Lovell, físico e radioastrónomo inglês. Foi o primeiro diretor do Observatório Jodrell Bank, desde 1945 até 1980.
Em 1998, a Coreia do Norte lança, alegadamente, o seu 1.º satélite, chamado Kwangmyŏngsŏng-1. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 07:25.
Repita a observação de ontem da Lua. Antares e Delta Scorpii estão agora alinhadas para a direita do nosso satélite natural.
DIA 01/09: 244.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1804, Juno, um dos maiores asteroides da cintura principal, é descoberto pelo astrónomo alemão Karl Ludwig Harding.
Em 1859, o físico solar Richard Carrington observa a primeira proeminência solar.
Uma intensa aurora ocorreu no dia seguinte.
Em 1979, voo rasante da Pioneer 11 por Saturno (maior aproximação, 20.900 km). A Pioneer 11 mapeou a magnetosfera e o campo magnético de Saturno e descobriu que a sua maior lua, Titã, era fria demais para suportar vida.
Em 2000, um objeto com meio quilómetro, conhecido como 2000 QW7 - apenas descoberto a 26 de agosto de 2000, com o sistema NEAT da NASA/JPL - passou pela Terra a uma distância ligeiramente maior que 12 vezes a distância à Lua. HOJE, NO COSMOS:
A viagem da Lua pelo céu da Terra continua. Esta noite está para cima da cauda de Escorpião e logo para a direita do "bule de chá" de Sagitário.
Webb investiga o complexo coração de uma borboleta cósmica
Este conjunto mostra três imagens da Nebulosa Borboleta, também chamada NGC 6302.
A primeira e a segunda das três imagens aqui apresentadas realçam a natureza bipolar da Nebulosa Borboleta no visível e no infravermelho próximo pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. A nova imagem do Webb, à direita, amplia o centro da Nebulosa Borboleta e o seu toro poeirento, proporcionando uma visão sem precedentes da sua complexa estrutura. Os dados do Webb são complementados com dados do ALMA. Ver apenas a primeira imagem; ver apenas a segunda imagem; ver apenas a terceira imagem
Crédito: ESA/Webb, NASA e CSA, M. Matsuura, J. Kastner, K. Noll, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), N. Hirano, J. Kastner, M. Zamani (ESA/Webb)
O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA revelou novos pormenores do núcleo da Nebulosa Borboleta, NGC 6302. Desde o toro denso e poeirento que rodeia a estrela escondida no centro da nebulosa até aos seus jatos, as observações do Webb revelam muitas novas descobertas que pintam um retrato nunca antes visto de uma nebulosa planetária dinâmica e estruturada.
A Nebulosa Borboleta, localizada a cerca de 3400 anos-luz de distância na direção da constelação de Escorpião, é uma das nebulosas planetárias mais bem estudadas da nossa Galáxia. Esta espantosa nebulosa foi anteriormente fotografada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. Agora, o Webb captou uma nova imagem desta nebulosa.
As nebulosas planetárias estão entre as "criaturas" mais belas e mais elusivas do zoo cósmico. Estas nebulosas formam-se quando estrelas com massas entre 0,8 e 8 vezes a massa do Sol perdem a maior parte da sua massa no final das suas vidas. A fase de nebulosa planetária é efémera, durando apenas cerca de 20.000 anos.
Ao contrário do que o nome indica, as nebulosas planetárias não têm nada a ver com planetas: a confusão de nomes começou há várias centenas de anos, quando os astrónomos referiram que estas nebulosas pareciam redondas, como os planetas. O nome pegou, apesar de muitas nebulosas planetárias não serem redondas de todo - e a Nebulosa Borboleta é um excelente exemplo das formas fantásticas que estas nebulosas podem assumir.
NGC 6302 é uma nebulosa bipolar, o que significa que tem dois lóbulos que se estendem em direções opostas, formando as "asas" da borboleta. Uma banda escura de gás poeirento constitui o "corpo" da borboleta. Esta banda é na realidade um toro em forma de donut que está a ser visto de lado, escondendo a estrela central da nebulosa - o núcleo antigo de uma estrela semelhante ao Sol que dá energia à nebulosa e a faz brilhar. O donut poeirento pode ser responsável pela forma insectóide da nebulosa, impedindo o gás de sair para fora da estrela, igualmente, em todas as direções.
Esta nova imagem do Webb faz zoom até ao centro da Nebulosa Borboleta e até ao seu toro poeirento, proporcionando uma visão sem precedentes da sua complexa estrutura. A imagem utiliza dados do MIRI (Mid-InfraRed Instrument) do Webb, funcionando em modo de unidade de campo integral. Este modo combina uma câmara e um espetrógrafo para obter imagens em muitos comprimentos de onda diferentes em simultâneo, revelando como a aparência de um objeto muda com o comprimento de onda. A equipa de investigação complementou as observações do Webb com dados do ALMA (Atacama Large Millimetre/submillimetre Array), uma poderosa rede de antenas de rádio.
No centro da Nebulosa Borboleta está o núcleo antigo de uma estrela semelhante ao Sol, que energiza a nebulosa circundante e a faz brilhar. Esta estrela central escaldante está escondida de vista em comprimentos de onda óticos, mas as capacidades infravermelhas do Webb revelaram a estrela e os seus arredores em grande pormenor.
Esta imagem, que combina dados infravermelhos do Webb com observações submilimétricas do ALMA (Atacama Large Millimetre/submillimetre Array), mostra o toro em forma de donut e as bolhas interligadas de gás poeirento que rodeiam a estrela central da nebulosa. O toro está orientado verticalmente, é visto quase de lado da nossa perspetiva e interseta as bolhas de gás que envolvem a estrela. As bolhas aparecem a vermelho vivo nesta imagem, iluminadas pela luz do gás hélio e néon. Fora das bolhas, jatos definidos pela emissão de ferro ionizado disparam em direções opostas.
Crédito: ESA/Webb, NASA & CSA, M. Matsuura, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), N. Hirano, M. Zamani (ESA/Webb)
Os investigadores que analisaram estes dados do Webb identificaram cerca de 200 linhas espetrais, cada uma das quais contém informação sobre os átomos e as moléculas da nebulosa. Estas linhas revelam estruturas aninhadas e interligadas definidas por diferentes substâncias químicas.
A equipa de investigação identificou a posição da estrela central da Nebulosa Borboleta, que aquece uma nuvem de poeira anteriormente não detetada à sua volta, fazendo com que esta brilhe intensamente nos comprimentos de onda do infravermelho médio a que o MIRI é sensível. A localização da estrela central da nebulosa tem permanecido incerta até agora, porque a poeira que a envolve torna-a invisível em comprimentos de onda óticos. As pesquisas anteriores para encontrar a estrela não tinham a combinação de sensibilidade infravermelha e resolução necessárias para detetar a nuvem de poeira quente que a obscurece. Com uma temperatura de 220.000 K, esta é uma das estrelas centrais mais quentes conhecidas numa nebulosa planetária da nossa Galáxia.
Este motor estelar em chamas é responsável pelo brilho deslumbrante da nebulosa, mas o seu poder total pode ser canalizado pela densa banda de gás poeirento que a rodeia: o toro. Os novos dados do Webb mostram que o toro é composto por silicatos cristalinos como o quartzo, bem como por grãos de poeira de forma irregular. Os grãos de poeira têm tamanhos da ordem de um milionésimo de metro - grandes, se considerarmos a poeira cósmica - indicando que têm estado a crescer há muito tempo.
Fora do toro, a emissão de diferentes átomos e moléculas assume uma estrutura em várias camadas. Os iões que requerem a maior quantidade de energia para se formarem estão concentrados perto do centro, enquanto os que requerem menos energia encontram-se mais longe da estrela central. O ferro e o níquel são particularmente interessantes, traçando um par de jatos que se projetam para fora da estrela em direções opostas.
Curiosamente, a equipa também detetou luz emitida por moléculas à base de carbono conhecidas como hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, ou HAPs. Estas moléculas formam estruturas planas em forma de anel, muito parecidas com as formas de favo de mel encontradas nas colmeias. Na Terra, é frequente encontrarmos HAPs no fumo de fogueiras, no escape dos automóveis ou em pão torrado queimado. Dada a localização dos HAPs, a equipa de investigação suspeita que estas moléculas se formam quando uma "bolha" de vento da estrela central irrompe no gás que a rodeia. Esta pode ser a primeira evidência da formação de HAPs numa nebulosa planetária rica em oxigénio, fornecendo um importante vislumbre dos detalhes da formação destas moléculas.
Os resultados foram publicados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Primeiro planeta, embebido num anel em formação, descoberto em torno de uma estrela semelhante ao Sol
O recém-nascido planeta WISPIT 2b está a abrir caminho através do seu "berço" poeirento à medida que orbita a sua estrela-mãe. Esta imagem, obtida com o VLT do ESO, é a primeira imagem clara de um planeta bebé num disco com vários anéis.
Crédito: ESO/R. F. van Capelleveen et al.
Astrónomos descobriram, pela primeira vez, um exoplaneta que abriu uma lacuna no disco protoplanetário em torno da sua estrela. Esta observação rara fornece novos conhecimentos sobre a forma como os jovens planetas moldam o seu ambiente.
Ao longo da última década, os avanços na astronomia observacional revolucionaram o estudo das regiões em torno de estrelas jovens onde os planetas nascem. Foram captadas centenas de imagens de alta resolução de discos em formação planetária, muitos dos quais mostram estruturas como anéis e braços em espiral - características que se pensa indicarem a formação de planetas.
No entanto, desde a descoberta do sistema planetário PDS 70 em 2018 que nenhum outro planeta embebido tinha sido confirmado. Os astrónomos têm andado à procura de um sistema semelhante ao longo dos últimos sete anos. A equipa encontrou agora um planeta deste tipo através de um programa de investigação chamado WISPIT (WIde Separation Planets In Time), utilizando o instrumento SPHERE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile. O sistema recém-descoberto foi batizado de WISPIT 2 e o planeta de WISPIT 2b.
"Tivemos uma sorte incrível"
A autora principal, Richelle van Capelleveen, candidata a doutoramento na Universidade de Leiden, Países Baixos, afirma: "Descobrir este planeta foi uma experiência maravilhosa - tivemos uma sorte incrível. WISPIT 2, uma versão jovem do nosso Sol, situa-se num grupo pouco estudado de estrelas jovens, e não esperávamos encontrar um sistema tão espetacular. Estou muito grata aos nossos parceiros internacionais por todo o seu trabalho, especialmente ao grupo de estudantes da Universidade de Galway, na Irlanda, que nos ajudou a partilhar esta descoberta com a comunidade em tempo recorde".
Primeira deteção clara de um planeta embebido
O orientador de Van Capelleveen e terceiro autor do estudo, Matthew Kenworthy (Universidade de Leiden), explica: "O que aqui apresentamos é a primeira deteção clara de um planeta embebido desde PDS 70, há sete anos. É também a primeira deteção de um planeta deste tipo numa divisão limpa".
O segundo autor, Christian Ginski (Universidade de Galway, Irlanda), acrescenta: "Esta é uma evidência direta e forte de que os gigantes gasosos que encontrámos em órbitas largas em torno de estrelas ligeiramente mais velhas podem, de facto, ter sido formados longe da sua estrela-mãe - exatamente onde os vemos agora".
A equipa espera que este sistema tenha um grande impacto na comunidade de formação de planetas e que sirva de referência para modelos de formação planetária e interações disco-planeta nos próximos anos.
Compreendendo como os planetas se formam
Compreender como os planetas se formam é uma questão fundamental em astronomia. Sabemos que se formam num disco em torno de uma estrela jovem. De acordo com a teoria principal, um planeta começa por construir um núcleo e depois abre caminho no disco, puxando gás e poeira sob a sua própria gravidade. Até à data, os astrónomos confirmaram a existência de cerca de 6000 planetas e centenas de discos, mas apenas um sistema mostrava planetas ainda embebidos no seu disco: PDS 70, que contém dois planetas dentro de uma grande lacuna interior.
À procura de planetas embebidos
Duas observações coronográficas de banda-H com o VLT/SPHERE (cada uma com uma duração inferior a cinco minutos e obtidas com um ano de intervalo) revelaram um disco em torno desta estrela. A equipa suspeitou que poderia haver um planeta no interior da divisão interior e efetuou observações de acompanhamento com o SPHERE, tanto em luz polarizada como não polarizada, para estudar o disco e eventuais planetas embebidos.
Também contactaram uma equipa no estado americano do Arizona para observar o sistema em luz H-alfa - um comprimento de onda ótico específico usado para detetar gás hidrogénio a cair sobre um planeta. A deteção de um planeta nesta banda estreita indica que está ativamente a acretar gás e poeira. Estas observações de acompanhamento forneceram fortes evidências da existência de WISPIT 2b. Uma reanálise das imagens originais também revelou o planeta, permitindo à equipa seguir parte da sua órbita.
Um sistema espetacular com imagens impressionantes
Um artigo científico paralelo, liderado por Laird Close (Universidade do Arizona, EUA), descreve em pormenor a deteção de acreção de gás no exoplaneta. Close afirma: "Foi incrivelmente excitante estudar este disco recém-descoberto com o telescópio Magellan de 6,5 metros e com o nosso sistema de ótica adaptativa MagAO-X. Este sistema foi especialmente concebido para procurar gás hidrogénio a cair em planetas jovens. Assim que obtivemos uma imagem H-alfa (luz vermelha visível profunda), encontrámos um belo planeta com acreção. A nossa forte deteção H-alfa prova que este é um exemplo muito raro de um protoplaneta em crescimento".
Van Capelleveen diz que a equipa está entusiasmada com a descoberta: "É um sistema extraordinário, com a imagem impressionante de um planeta embebido na lacuna de um disco com vários anéis. Este é o primeiro planeta embebido num anel ainda em formação alguma vez observado, dando à comunidade de formação planetária uma oportunidade única de aprender mais sobre a física dos discos de formação planetária - especialmente a sua viscosidade, um fator chave na forma como se espalham ao longo do tempo e transportam material e momento angular. Este sistema continuará provavelmente a ser uma referência durante muitos anos".
Mapeando manchas estelares com o Kepler e com o TESS
A curva de luz com "altos e baixos" de um planeta em trânsito quando a superfície da estrela-mãe tem várias manchas. Ver animação aqui.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
Os cientistas desenvolveram um novo método para mapear as manchas de estrelas distantes, utilizando observações de planetas em órbita que cruzam a face das suas estrelas. O modelo baseia-se numa técnica que os investigadores utilizam há décadas para estudar as manchas estelares.
Ao melhorar a compreensão que os astrónomos têm das estrelas com manchas, o novo modelo - chamado StarryStarryProcess - pode ajudar a descobrir mais sobre as atmosferas planetárias e a sua potencial habitabilidade, utilizando dados de telescópios como a próxima missão Pandora da NASA.
"Muitos dos modelos que os investigadores usam para analisar dados de exoplanetas, ou mundos para lá do nosso Sistema Solar, partem do princípio que as estrelas são discos uniformemente brilhantes", disse Sabina Sagynbayeva, estudante na Universidade Stony Brook, em Nova Iorque, EUA. "Mas sabemos, só de olhar para o nosso próprio Sol, que as estrelas são mais complicadas do que isso. Modelar a complexidade pode ser difícil, mas a nossa abordagem dá aos astrónomos uma ideia de quantas manchas uma estrela pode ter, onde estão localizadas e quão brilhantes ou escuras são".
O artigo científico que descreve o StarryStarryProcess, liderado por Sagynbayeva, foi publicado na passada segunda-feira, dia 25 de agosto, na revista The Astrophysical Journal.
O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA e o telescópio espacial Kepler, agora aposentado, foram concebidos para identificar planetas através de trânsitos, ou seja, quedas no brilho estelar provocadas quando um planeta passa em frente da sua estrela.
Estas medições revelam como a luz da estrela varia com o tempo durante cada trânsito, e os astrónomos podem organizá-las num gráfico a que chamam curva de luz. Tipicamente, a curva de luz de um trânsito traça uma suave trajetória para baixo quando o planeta começa a passar em frente à face da estrela. Atinge um brilho mínimo quando o mundo está completamente em frente da estrela e depois sobe gradualmente à medida que o planeta sai e o trânsito termina.
Ao medir o tempo entre trânsitos, os cientistas podem determinar a distância a que o planeta se encontra da sua estrela e estimar a temperatura da sua superfície. A quantidade de luz em "falta" na estrela, durante um trânsito, pode revelar o tamanho do planeta, o que pode sugerir a sua composição.
Porém, de vez em quando, a curva de luz de um planeta parece mais complicada, com pequenas depressões e picos adicionados ao arco principal. Os cientistas pensam que estes representam características escuras da superfície, semelhantes às manchas solares observadas no nosso próprio Sol - manchas estelares.
O número total de manchas do Sol varia ao longo do seu ciclo de 11 anos. Os cientistas utilizam-nas para determinar e prever o progresso desse ciclo, bem como os surtos de atividade solar que nos podem afetar aqui na Terra.
Da mesma forma, as manchas estelares são zonas mais frias, escuras e temporárias numa superfície estelar, cujos tamanhos e números mudam ao longo do tempo. A sua variabilidade tem impacto no que os astrónomos podem aprender sobre os planetas em trânsito.
Os cientistas já analisaram curvas de luz de trânsitos exoplanetários e das suas estrelas hospedeiras para observar as pequenas depressões e picos. Isto ajuda a determinar as propriedades da estrela hospedeira, tais como o seu nível geral de manchas, o ângulo de inclinação da órbita do planeta, a inclinação da rotação da estrela em relação à nossa linha de visão e outros factores. O modelo de Sagynbayeva utiliza curvas de luz que incluem não só informação sobre o trânsito, mas também sobre a rotação da própria estrela, para fornecer informação ainda mais detalhada sobre estas propriedades estelares.
"Saber mais sobre a estrela, por sua vez, ajuda-nos a aprender ainda mais sobre o planeta, como um ciclo de feedback", disse o coautor Brett Morris, engenheiro de software do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore. "Por exemplo, a temperaturas suficientemente baixas, as estrelas podem ter vapor de água nas suas atmosferas. Se quisermos procurar água nas atmosferas dos planetas à volta dessas estrelas - um indicador chave de habitabilidade - é melhor termos a certeza de que não estamos a confundir as duas coisas".
Para testar o seu modelo, Sagynbayeva e a sua equipa analisaram os trânsitos de um planeta chamado TOI-3884 b, localizado a cerca de 141 anos-luz de distância, na direção da constelação setentrional de Virgem.
Descoberto pelo TESS em 2022, os astrónomos pensam que o planeta é um gigante gasoso cerca de cinco vezes maior do que a Terra e com 32 vezes a sua massa.
A análise do StarryStarryProcess sugere que a estrela fria e fraca do planeta - chamada TOI-3384 - tem concentrações de manchas no seu polo norte, que também se inclina para a Terra, de modo que o planeta passa sobre o polo da nossa perspetiva.
Atualmente, os únicos conjuntos de dados disponíveis que podem ser ajustados pelo modelo de Sagynbayeva são no visível, o que exclui as observações infravermelhas feitas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA. Mas a próxima missão Pandora da NASA beneficiará de ferramentas como esta. O pequeno satélite Pandora vai estudar as atmosferas dos exoplanetas e a atividade das suas estrelas hospedeiras com observações de longa duração em vários comprimentos de onda. O objetivo da missão Pandora é determinar como as propriedades da luz de uma estrela diferem quando passa pela atmosfera de um planeta, para que os cientistas possam medir melhor essas atmosferas usando o Webb e outras missões.
"O satélite TESS descobriu milhares de planetas desde o seu lançamento em 2018", disse Allison Youngblood, cientista do projeto TESS no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Embora a missão Pandora vá estudar cerca de 20 mundos, vai fazer avançar a nossa capacidade de identificar os sinais que vêm das estrelas e os que vêm dos planetas. Quanto mais compreendermos as partes individuais de um sistema planetário, melhor compreenderemos o todo - e o nosso próprio Sistema Solar".
Gaia prova que os nossos céus estão cheios de cadeias de encontros estelares (via ESA)
Na última década, a missão Gaia da Agência Espacial Europeia revelou a natureza, a história e o comportamento de milhares de milhões de estrelas. O nosso pioneiro observador estelar reformulou a nossa visão dos céus à nossa volta como nenhum outro, revelando que os enxames de estrelas estão mais ligados do que o esperado ao longo de vastas distâncias. Ler fonte
Cientista planetária descodifica pistas na composição da superfície de Bennu para dar sentido a asteroides longínquos (via Universidade Purdue)
Novos resultados da OSIRIS-REx, a primeira missão de envio de amostras de asteroides da NASA, revelam por que razão alguns asteroides cinzentos refletem mais intensamente a luz em diferentes comprimentos de onda, como o vermelho ou o azul. A maneira como estes asteroides refletem a luz em comprimentos de onda vermelhos e azuis pode dar uma ideia mais profunda sobre a evolução dos corpos rochosos no Sistema Solar. Também permite investigação futura. Ao compreender melhor e comparar o que os dados de telemetria e de telescópio dizem sobre um asteroide com o que as partículas da sua superfície real dizem sobre ele, os futuros astronautas, cientistas e exploradores poderão navegar e selecionar asteroides para investigação ou exploração mineira com maior certeza. Ler fonte
Datando a origem de Júpiter através do estudo da formação de "gotas de chuva de rocha fundida" (via Universidade de Nagoya)
Há quatro mil milhões e meio de anos, Júpiter cresceu rapidamente até atingir o seu enorme tamanho. A sua poderosa força gravitacional perturbou as órbitas de pequenos corpos rochosos e gelados, semelhantes aos asteroides e cometas atuais, chamados planetesimais. Isto fez com que chocassem uns contra os outros a velocidades tão elevadas que as rochas e poeiras que continham derreteram com o impacto e criaram gotículas flutuantes de rocha fundida, ou côndrulos, que hoje encontramos preservadas nos meteoritos. Agora, investigadores determinaram pela primeira vez como estas gotículas se formaram e dataram com exatidão a formação de Júpiter com base nas suas descobertas. O estudo mostra como as características dos côndrulos, em particular as suas dimensões e o ritmo a que arrefecem no espaço, são determinadas pela água contida nos planetesimais de impacto. Isto explica o que observamos em amostras de meteoritos e prova que a formação dos côndrulos foi um resultado da formação dos planetas. Ler fonte
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