Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
  transparent   feed rss
logotipos
 
  Astroboletim #2248  
  23/09 a 25/09/2025  
     
 
transparent
EFEMÉRIDES

DIA 23/09: 266.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1791, nascia Johann Franz Encke, astrónomo alemão que trabalhou no cálculo de períodos de cometas e asteroides, mediu a distância da Terra ao Sol e fez observações do planeta Saturno.
Em 1819, nascia Hippolyte Fizeau, físico francês conhecido por medir a velocidade da luz numa experiência com o seu nome
Em 1846, Neptuno é descoberto pelo astrónomo francês Urbain Jean Joseph Le Verrier e pelo astrónomo inglês John Couch Adams; a descoberta é verificada pelo astrónomo alemão Johann Galle.
Em 1999, a NASA anunciava ter perdido o contato com a Mars Climate Orbiter.
imagem
HOJE, NO COSMOS:
Arcturo brilha a oeste depois do anoitecer. Capella, igualmente brilhante, sobe a norte-nordeste (dependendo da latitude do observador; quanto mais para norte estiver, mais alta estará). Têm ambas magnitude 0.
Arcturo e Capella brilham à mesma altura nas suas respetivas direções. A que horas é que isto acontece?
Quando tal acontecer, olhe para sul-sudeste. Aí estará a estrela Fomalhaut, de primeira magnitude, mais ou menos também à mesma altura - e exatamente se viver à latitude 43º N. Para sul desta latitude, Fomalhaut estará mais alta que Capella e Arcturo. Para norte, estará mais baixa.

 

DIA 24/09: 267.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1970, a primeira sonda não-tripulada, a soviética Luna 16, regressa da Lua com mais de um quilograma de material lunar.
Em 1990, é observada a periódica Grande Mancha Branca em Saturno.
Em 2014, a sonda indiana MOM (Mars Orbiter Mission) alcança órbita marciana. É a primeira nação mundial a fazê-lo na primeira tentativa.
imagem
Em 2023, a cápsula da OSIRIS-REx da NASA, contendo amostras do asteroide Bennu, aterra com sucesso na Terra.
HOJE, NO COSMOS:
O asteroide Ceres, o maior e o primeiro a ser descoberto, aproxima-se da sua oposição a 2 de outubro. Com magnitude 7,6, é esta semana e na próxima observável através de uns binóculos, perto da estrela Eta Ceti. Recorra a um planetário virtual para ajudar à sua observação.

 

DIA 25/09: 268.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1644, nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que foi responsável pela demonstração de que a velocidade da luz era finita contrariamente ao que se pensava à data.
imagem
Em 1992, a NASA lança a Mars Observer, uma sonda de 511 milhões de dólares com destino Marte, a primeira ao planeta em 17 anos. Onze meses mais tarde, a sonda falha. 
Em 2008, a China lança a nave Shenzhou 7.
HOJE, NO COSMOS:
Arcturo brilha cada vez mais baixa a oeste-noroeste depois do anoitecer. A forma da sua estreita constelação do Boieiro, uma espécie de "papagaio-de-papel", estende-se dois punhos à distância do braço esticado para cima e para a direita de Arcturo; Arcturo é onde a cauda do "papagaio-de-papel" está ligada.
Para a direita de Boieiro, a Ursa Maior está ficando nivelada.
E esta é a altura do ano em que, durante a noite, a pequena Ursa Menor "deita água" na Ursa Maior, situada por baixo. O oposto acontece nas noites de primavera.

transparent
 
 
  transparent  
Hubble observa uma anã branca a devorar um pedaço de um objeto semelhante a Plutão
 
imagem
Esta imagem artística mostra uma anã branca rodeada por um grande disco de detritos. Detritos de pedaços de um objeto capturado, semelhante a Plutão, estão a cair sobre a anã branca.
Crédito: T. Pyle (Caltech, JPL da NASA)
 

Na nossa vizinhança estelar próxima, uma estrela "queimada" está a petiscar um fragmento de um objeto semelhante a Plutão. Com a sua capacidade única no ultravioleta, só o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA conseguiu identificar que esta refeição está a ter lugar.

O remanescente estelar é uma anã branca com cerca de metade da massa do nosso Sol, mas que está densamente comprimida num corpo com o tamanho da Terra. Os cientistas pensam que a imensa gravidade da anã puxou e rasgou um gelado análogo de Plutão do equivalente à Cintura de Kuiper do sistema, um anel gelado de detritos que rodeia o nosso Sistema Solar. Os resultados foram publicados no dia 18 de setembro de 2025 na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Uma equipa internacional de astrónomos conseguiu determinar esta carnificina analisando a composição química do objeto condenado à medida que os seus pedaços caíam sobre a anã branca. Em particular, detetaram "voláteis" (substâncias com baixo ponto de ebulição), incluindo carbono, enxofre, azoto e um elevado teor de oxigénio que sugere a forte presença de água.

"Ficámos surpreendidos", disse Snehalata Sahu, da Universidade de Warwick, no Reino Unido. Sahu liderou a análise de dados de um levantamento do Hubble sobre anãs brancas. "Não estávamos à espera de encontrar água ou outro conteúdo gelado. Isto porque os cometas e os objetos semelhantes aos da Cintura de Kuiper são expulsos dos seus sistemas planetários muito cedo, à medida que as suas estrelas evoluem para anãs brancas. Mas aqui, estamos a detetar este material muito rico em voláteis. Isto é surpreendente para os astrónomos que estudam as anãs brancas e também os exoplanetas, planetas para lá do nosso Sistema Solar".

Só com o Hubble

Utilizando o COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, a equipa descobriu que os fragmentos eram compostos por quase dois-terços de gelo de água. O facto de terem detetado tanto gelo significava que os pedaços faziam parte de um objeto muito massivo que se formou muito longe, no gelado análogo à Cintura de Kuiper desse sistema estelar. Utilizando dados do Hubble, os cientistas calcularam que o objeto era maior do que os cometas típicos e que pode ser um fragmento de um exo-Plutão.

Detetaram também uma grande proporção de azoto - a mais elevada alguma vez detetada em sistemas de detritos de anãs brancas. "Sabemos que a superfície de Plutão está coberta de gelo de azoto", disse Sahu. "Pensamos que a anã branca acretou fragmentos da crosta e do manto de um planeta anão".

A acreção destes objetos ricos em elementos voláteis, por anãs brancas, é muito difícil de detetar no visível. Estes elementos voláteis só podem ser detetados com a sensibilidade única do Hubble à luz ultravioleta. Na luz ótica, a anã branca pareceria comum.

A cerca de 260 anos-luz de distância, a anã branca é uma vizinha cósmica relativamente próxima. No passado, quando era uma estrela semelhante ao Sol, seria de esperar que albergasse planetas e uma análoga à nossa Cintura de Kuiper.

Como se estivéssemos a ver o futuro do nosso Sol

Daqui a milhares de milhões de anos, quando o nosso Sol chegar ao fim da sua vida e colapsar numa anã branca, os objetos da Cintura de Kuiper serão atraídos pela imensa gravidade do remanescente estelar. "Esses planetesimais serão então destruídos e acretados", disse Sahu. "Se um observador alienígena olhar para o nosso Sistema Solar num futuro distante, poderá ver o mesmo tipo de remanescentes que vemos hoje em torno desta anã branca".

A equipa espera usar o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para detetar características moleculares de voláteis, como vapor de água e carbonatos, observando esta anã branca no infravermelho. Ao estudar mais profundamente as anãs brancas, os cientistas podem compreender melhor a frequência e a composição destes eventos de acreção ricos em voláteis.

Sahu também está a acompanhar a recente descoberta do cometa interestelar 3I/ATLAS. Ela está ansiosa para conhecer a sua composição química, especialmente a sua fração de água. "Estes tipos de estudos ajudar-nos-ão a aprender mais sobre a formação dos planetas. Também podem ajudar-nos a compreender como a água é transportada para os planetas rochosos", disse Sahu.

Boris Gänsicke, da Universidade de Warwick e visitante do Instituto de Astrofísica de Canarias, na Espanha, foi o investigador principal do programa Hubble que levou a esta descoberta. "Observámos mais de 500 anãs brancas com o Hubble. Já aprendemos muito sobre os blocos de construção e fragmentos de planetas, mas estou absolutamente entusiasmado por termos agora identificado um sistema que se assemelha aos objetos nas extremidades geladas do nosso Sistema Solar", disse Gänsicke. "Medir a composição de um exo-Plutão é uma contribuição importante para a nossa compreensão da formação e evolução destes corpos".

// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Anã branca come objeto parecido com Plutão (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

Anã branca:
NASA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
  transparent  
Chandra descobre um buraco negro com um crescimento tremendo
 
imagem
Ilustração de um buraco negro supermassivo, um disco circundante de material a cair em direção ao buraco negro e um jato contendo partículas que se afastam a uma velocidade próxima da da luz. Este buraco negro representa um quasar recentemente descoberto, alimentado por um buraco negro. Novas observações do Chandra indicam que o buraco negro está a crescer a um ritmo que excede o limite habitual para os buracos negros, chamado Limite de Eddington.
Crédito: NASA/CXC/SAO/M. Weiss; raios X - NASA/CXC/INAF-Brera/L. Ighina et al.; ilustração - NASA/CXC/SAO/M. Weiss; processamento de imagem - NASA/CXC/SAO/N. Wolk
 

Segundo uma equipa de astrónomos, um buraco negro está a crescer a um dos ritmos mais rápidos alguma vez registados. Esta descoberta do Observatório de raios X Chandra da NASA pode ajudar a explicar como é que alguns buracos negros podem atingir massas enormes relativamente depressa após o Big Bang.

O buraco negro tem cerca de mil milhões de vezes a massa do Sol e está localizado a cerca de 12,8 mil milhões de anos-luz da Terra, o que significa que os astrónomos o estão a ver apenas 920 milhões de anos após o início do Universo. Está a produzir mais raios X do que qualquer outro buraco negro observado nos primeiros mil milhões de anos do Universo.

O buraco negro está a alimentar aquilo a que os cientistas chamam um quasar, um objeto extremamente brilhante que ofusca galáxias inteiras. A fonte de energia deste monstro brilhante é uma grande quantidade de matéria que se afunila à volta e entra no buraco negro.

Embora a mesma equipa o tenha descoberto há dois anos, foram necessárias observações do Chandra em 2023 para descobrir o que distingue este quasar, RACS J0320-35. Os dados de raios X revelam que este buraco negro parece estar a crescer a um ritmo que excede o limite normal para estes objetos.

"Foi um pouco chocante ver este buraco negro a crescer a passos largos", disse Luca Ighina do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian em Cambridge, Massachusetts, EUA, que liderou o estudo.

Quando a matéria é puxada em direção a um buraco negro, é aquecida e produz radiação intensa num largo espetro, incluindo raios X e luz ótica. Esta radiação cria pressão sobre a matéria em queda. Quando a taxa de matéria em queda atinge um valor crítico, a pressão da radiação equilibra a gravidade do buraco negro e a matéria não pode normalmente cair para o interior mais rapidamente. Este máximo é designado por limite de Eddington.

Os cientistas pensam que os buracos negros que crescem mais lentamente do que o limite de Eddington precisam de nascer com massas de cerca de 10.000 sóis ou mais, para que possam atingir mil milhões de massas solares dentro de mil milhões de anos após o Big Bang - como foi observado no RACS J0320-35. Um buraco negro com uma massa inicial tão elevada pode resultar diretamente de um processo exótico: o colapso de uma enorme nuvem de gás denso contendo quantidades invulgarmente baixas de elementos mais pesados do que o hélio, condições que podem ser extremamente raras.

Se RACS J0320-35 está de facto a crescer a um ritmo elevado - estimado em 2,4 vezes o limite de Eddington - e o faz durante um período prolongado de tempo, o seu buraco negro pode ter começado de uma forma mais convencional, com uma massa inferior a cem sóis, causado pela implosão de uma estrela massiva.

"Conhecendo a massa do buraco negro e calculando a rapidez com que está a crescer, podemos fazer uma estimativa da sua massa à nascença", disse o coautor Alberto Moretti do INAF-Osservatorio Astronomico di Brera em Itália. "Com este cálculo podemos agora testar diferentes ideias sobre como os buracos negros nascem".

Para descobrir a rapidez com que este buraco negro está a crescer (entre 300 e 3000 sóis por ano), os investigadores compararam modelos teóricos com a assinatura de raios X, ou espetro, do Chandra, que dá as quantidades de raios X a diferentes energias. Descobriram que o espetro do Chandra correspondia de perto ao que esperavam dos modelos de um buraco negro que crescesse mais depressa do que o limite de Eddington. Dados no visível e no infravermelho também apoiam a interpretação de que este buraco negro está a ganhar massa mais rapidamente do que o limite de Eddington permite.

"Como é que o Universo criou a primeira geração de buracos negros?" disse o coautor Thomas Connor, também do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian. "Esta continua a ser uma das maiores questões da astrofísica e este objeto está a ajudar-nos a encontrar a resposta".

Outro mistério científico abordado por este resultado diz respeito à causa dos jatos de partículas que se afastam de alguns buracos negros a velocidades próximas da velocidade da luz, como se vê no RACS J0320-35. Jatos como este são raros nos quasares, o que pode significar que a rápida taxa de crescimento do buraco negro está de alguma forma a contribuir para a criação destes jatos.

O quasar foi previamente descoberto como parte de um levantamento radiotelescópico utilizando o ASKAP (Australian Square Kilometer Array Pathfinder), combinado com dados óticos do DEC (Dark Energy Camera), um instrumento montado no Telescópio Victor M. Blanco de 4 metros no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile. O Telescópio Gemini-South do NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation), em Cerro Pachon, Chile, foi utilizado para obter a distância exata de RACS J0320-35.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (comunicado de imprensa)
// Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Chandra descobre um buraco negro com um crescimento tremendo (Observatório de raios X Chandra via YouTube)

 


Quer saber mais?

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Limite de Eddington:
Wikipedia

Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder):
CSIRO
Wikipedia

Telescópio Victor M. Blanco:
NOIRLab
Wikipedia

Observatório Interamericano de Cerro Tololo:
NOIRLab
Wikipedia

Observatório Internacional Gemini:
Página principal
Wikipedia

 
  transparent  
Os exoplanetas não são, afinal, mundos de água
 
imagem
Ilustração do exoplaneta K2-18 b. Pensa-se que o planeta tem um espesso invólucro gasoso e nenhum oceano global.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
 

Há muito menos água nas superfícies de planetas distantes para lá do nosso Sistema Solar do que se pensava. Estes exoplanetas não têm camadas espessas de água, como se especulava frequentemente. É esta a conclusão de um estudo internacional liderado pela ETH Zurique.

Um exoplaneta em órbita de uma estrela anã a 124 anos-luz da Terra fez manchetes em todo o mundo em abril de 2025. Os investigadores da Universidade de Cambridge afirmaram que o planeta K2-18 b podia ser um mundo marinho com um oceano profundo e global repleto de vida. No entanto, um estudo mostra agora que os chamados sub-Neptunos, como K2-18 b, são altamente improváveis de serem mundos dominados por água e que as condições aí existentes estão longe de ser propícias à vida. "A água nos planetas é muito mais limitada do que se pensava", comenta Caroline Dorn, professora de exoplanetas na ETH Zurique.

O estudo foi realizado sob a direção da ETH Zurique, em colaboração com investigadores do Instituto Max Planck de Astronomia de Heidelberg e da Universidade da Califórnia em Los Angeles. K2-18 b é maior do que a Terra, mas mais pequeno do que Neptuno, o que o coloca numa classe de planetas que não existem no nosso Sistema Solar. No entanto, as observações mostram que são comuns no espaço exterior. Alguns destes sub-Neptunos formaram-se provavelmente muito longe da sua estrela central, para lá da chamada linha de neve, onde a água torna-se gelo e depois migra para o interior.

Até agora, pensava-se que alguns destes planetas tinham sido capazes de acumular quantidades particularmente grandes de água durante a sua formação e que agora abrigavam oceanos profundos e globais sob uma atmosfera rica em hidrogénio. Os especialistas referem-se a estes planetas como planetas hiceanos: uma combinação de "hidrogénio" e "oceano".

Tendo em conta a química

"Os nossos cálculos mostram que este cenário não é possível", diz Dorn. Isto porque uma vulnerabilidade fundamental dos estudos anteriores era o facto de ignorarem qualquer acoplamento químico entre a atmosfera e o interior do planeta. "Agora, temos em conta as interações entre o interior do planeta e a sua atmosfera", explica Aaron Werlen, investigador da equipa de Dorn e autor principal do estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

Os investigadores supõem que, numa fase inicial da sua formação, os sub-Neptunos passaram por uma fase em que estavam cobertos por um oceano de magma quente e profundo. Uma concha de gás hidrogénio assegurou a manutenção desta fase durante milhões de anos.

"No nosso estudo, investigámos a forma como as interações químicas entre os oceanos de magma e as atmosferas afetam o conteúdo de água dos jovens exoplanetas sub-Neptuno", diz Werlen.

Para tal, os investigadores utilizaram um modelo existente que descreve a evolução planetária durante um período específico. Combinaram-no com um novo modelo que calcula os processos químicos que ocorrem entre o gás na atmosfera e os metais e silicatos no magma.

Água a desaparecer no interior

Os investigadores calcularam o estado de equilíbrio químico de 26 componentes diferentes para um total de 248 planetas modelo. As simulações em computador mostraram que os processos químicos destroem a maioria das moléculas de água. O hidrogénio e o oxigénio ligam-se a substâncias metálicas, que desaparecem em grande parte no núcleo do planeta.

Embora a precisão destes cálculos tenha algumas limitações, os investigadores estão convencidos dos resultados. "Concentramo-nos nas principais tendências e podemos ver claramente nas simulações que os planetas têm muito menos água do que a que acumularam originalmente", explica Werlen. "A água que efetivamente permanece à superfície está limitada a alguns por cento, no máximo".

Numa publicação anterior, o grupo de Dorn já tinha sido capaz de mostrar como a maior parte da água de um planeta está escondida no interior. "No estudo atual, analisámos a quantidade total de água existente nestes sub-Neptunos", explica o investigador, "De acordo com os cálculos, não existem mundos distantes com camadas massivas de água, onde a água representa cerca de 50 por cento da massa do planeta, como se pensava anteriormente. Os mundos hiceanos com 10-90% de água são, portanto, muito improváveis".

Isto torna a procura de vida extraterrestre mais difícil do que se esperava. As condições propícias à vida, com água líquida suficiente à superfície, provavelmente só existirão em planetas mais pequenos, que provavelmente só serão observáveis com observatórios ainda melhores do que o Telescópio Espacial James Webb.

A Terra não é um caso especial

Dorn considera o papel da nossa Terra particularmente excitante à luz dos novos cálculos que mostram que os planetas mais distantes têm um teor de água semelhante ao do nosso planeta. "A Terra pode não ser tão extraordinária como pensamos. No nosso estudo, pelo menos, parece ser um planeta típico", afirma.

Os investigadores também ficaram surpreendidos com uma diferença aparentemente paradoxal: os planetas com as atmosferas mais ricas em água não são os que acumularam mais gelo para além da linha de neve, mas sim planetas que se formaram para o interior da linha de neve. Nestes planetas, a água não provinha de cristais de gelo, mas era produzida quimicamente quando o hidrogénio da atmosfera planetária reagia com o oxigénio dos silicatos do oceano de magma para formar moléculas de H2O.

"Estas descobertas desafiam a ligação clássica entre formação rica em gelo e atmosferas ricas em água. Em vez disso, realçam o papel dominante do equilíbrio entre o oceano de magma e a atmosfera na formação da composição planetária", conclui Werlen. Isto terá implicações de grande alcance para as teorias de formação planetária e para a interpretação das atmosferas exoplanetárias na era do Telescópio James Webb.

// ETH Zurique (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
22/04/2025 - Os indícios mais fortes de atividade biológica para lá do Sistema Solar
23/08/2024 - Os planetas contêm mais água do que se pensava
27/08/2021 - Nova classe de exoplanetas habitáveis representa um grande passo em frente na busca por vida

K2-18 b:
NASA
Exoplanet.eu
Wikipedia

Planeta Hiceano:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

 
  transparent  
Também em destaque
transparent
  Pode a última erupção de um buraco negro primordial explicar um neutrino misteriosamente energético? (via MIT)
Físicos apresentaram um forte argumento teórico de que um neutrino altamente energético, recentemente observado, pode ter sido o produto da explosão de um buraco negro primordial para lá do nosso Sistema Solar. Os neutrinos são por vezes referidos como partículas fantasmas devido à sua natureza invisível, mas omnipresente: são o tipo de partícula mais abundante no Universo, mas deixam quase nenhum rasto. Cientistas identificaram recentemente sinais de um neutrino com a maior energia já registada, mas a origem dessa partícula excecionalmente poderosa ainda não foi confirmada. Ler fonte
transparent
 
  transparent  

Álbum de fotografias
O Complexo de NGC 6914

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tommy Lease
 
Um estudo de contrastes, esta colorida paisagem cósmica apresenta estrelas, poeira e gás brilhante nas proximidades de NGC 6914. O complexo interestelar de nebulosas situa-se a cerca de 6000 anos-luz de distância, na direção da constelação de Cisne e do plano da nossa Via Láctea. Nuvens de poeira interestelar obscurantes aparecem em silhueta, enquanto as nebulosas de emissão de hidrogénio avermelhado, juntamente com as poeirentas nebulosas de reflexão azuis, preenchem a tela cósmica. A radiação ultravioleta das estrelas jovens, quentes e massivas da gigantesca associação Cygnus OB2 ioniza o hidrogénio atómico da região, produzindo o brilho vermelho característico enquanto protões e eletrões são recombinados. As estrelas embebidas em Cygnus OB2 também fornecem a luz estelar azul, fortemente refletida pelas nuvens de poeira. O campo de visão telescópico com mais de 1 grau de largura abrange cerca de 100 anos-luz à distância estimada de NGC 6914.
transparent
 
  transparent  
Arquivo | CCVAlg - Astronomia | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
transparent
 
  logotipo ccvalg  
  logotipo ccvtavira  
  facebook   twitter   instagram   trip advisor  
  facebook   twitter   instagram   trip advisor  
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2025 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt