MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve irá realizar uma sessão de observação do Sol na seguinte data: Data: 24 de outubro de 2025 Hora: 10:30 - 12:00 Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe! Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 14/10: 287.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1960, a sonda soviética Mars 1960B falha a inserção na órbita da Terra.
Em 1968 tem lugar a primeira transmissão televisiva em direto de uma nave espacial, a Apollo 7.
Em 2012, Felix Baumgartner salta da estratosfera e quebra o recorde de maior queda livre, a uma altitude de 39.068 metros. É também a primeira pessoa a quebrar a barreira do som sem recurso a um veículo. HOJE, NO COSMOS:
Tem vindo a observar Saturno no contexto do Grande Quadrado de Pégaso? Saturno é o ponto mais brilhante a este-sudeste após o cair da noite. O Grande Quadrado, ainda apoiado num canto, encontra-se para cima e para a esquerda de Saturno ao início da noite. Gira para ficar nivelado diretamente por cima de Saturno pelas 23:00.
No passado mês de julho, quando Saturno estava na extremidade este do seu "loop" retrógrado, o lado este (esquerdo) do Quadrado apontava diretamente para o planeta. Agora, Saturno aproxima-se da extremidade oeste do seu "loop" retrógrado e, claro, obviamente já não está alinhado com essa linha.
Saturno está tão distante, e o loop do seu movimento retrógrado é tão pequeno (7º), que se pode até pensar que não interessa para
os observadores. Mas interessa, se prestar atenção!
DIA 15/10: 288.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1582, o papa Gregório XIII implementava o calendário gregoriano. O dia 4 de outubro deste ano é seguido diretamente pelo 15 de outubro.
Em 1608 nascia Evangelista Torricelli, físico italiano famoso por ter inventado o barómetro.
Em 1829 nascia Asaph Hall, astrónomo americano famoso por ter descoberto as luas de Marte, Fobos e Deimos.
Determinou também as órbitas de satélites de outros planetas e de estrelas duplas, a rotação de Saturno e a massa de Marte.
Em 1997, era lançada a sonda Cassini para Saturno a partir de Cabo Canaveral.
Em 2001, a sonda Galileu da NASA passa a 181 km da lua de Júpiter, Io.
Em 2003, a China lança a Shenzhou 5, a sua primeira missão espacial tripulada. HOJE, NO COSMOS:
Ceres, o maior e o primeiro asteroide a ser descoberto, permanece ao alcance visual de uns binóculos, com magnitude 7,7. Está agora perto de Phi1 e Phi2 Ceti.
DIA 16/10: 289.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 2012, é descoberto o exoplanetaAlpha Centauri Bb.
Em outubro de 2015, astrónomos publicam um artigo científico que refuta a existência do planeta. Isto levou o autor principal do artigo original a voltar atrás no anúncio. HOJE, NO COSMOS:
Poucos minutos antes de começar a amanhecer, olhe para este. O planeta Vénus está perto do horizonte. Para cima, a constelação de Leão, que está a ser visitada pela Lua (o nosso satélite natural está logo para cima de Régulo).
Após o cair da noite, aviste o "W" de Cassiopeia alto a nordeste. O terceiro segmento do "W", a contar de cima para baixo, aponta quase diretamente para baixo. Prolongue o tamanho desse segmento duas vezes e encontrará o Enxame Duplo de Perseu. Este par de enxames abertos é ténue a olho nu sob um céu escuro (use visão periférica) e é visível a partir de quase qualquer lado com binóculos. Através de um telescópio, são duas autênticas "cidades de estrelas".
Um olhar sobre o "batimento" magnético de uma estrela
O campo magnético variável da estrela Iota Horologii em três alturas diferentes, mostrando uma dupla inversão de polaridade (ciclo magnético). É mostrada a componente radial do campo magnético, com a cor a indicar a força e a polaridade do campo (vermelho = positivo, azul = negativo). Em média, o ciclo magnético da estrela completa-se a cada 2,1 anos.
Crédito: Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam/J. Alvarado-Gómez, fundo: Digitized Sky Survey - STScI/NASA, colorido e melhorado por CDS, extraído com Aladin Lite
Cientistas do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam descobriram o intrincado "batimento cardíaco" magnético de uma estrela distante notavelmente semelhante ao nosso Sol - mas muito mais jovem e mais ativa. Este estudo inovador, parte da campanha "Far Beyond the Sun", segue quase três anos de observações ultraprecisas e lança uma nova luz sobre a forma como estrelas como o nosso Sol geram os seus campos magnéticos - e como estes campos evoluem ao longo do tempo.
A estrela no centro desta investigação é Iota Horologii (apelidada de "ι Hor", na constelação Horologium, o Relógio, no céu do hemisfério sul), situada a cerca de 56 anos-luz da Terra. Com cerca de 600 milhões de anos - muito mais jovem do que o nosso Sol, que tem 4,6 mil milhões de anos - ι Hor gira mais depressa e apresenta uma atividade magnética muito mais vigorosa do que o Sol. Ao apontar o polarímetro HARPS do telescópio de 3,6 metros do ESO, no Observatório de La Silla, no Chile, para esta estrela, os investigadores do Instituto recolheram 199 noites de dados espetropolarimétricos ao longo de seis épocas de observação.
Utilizando uma técnica avançada conhecida como ZDI (Zeeman Doppler Imaging), a equipa transformou estas medições em 18 "mapas" distintos do campo magnético de grande escala de ι Hor, distribuídos por cerca de 140 rotações completas da estrela. Estes mapas mostram como as características magnéticas aparecem, desaparecem e até invertem a polaridade - fenómenos que traçam os processos de dínamo profundamente enraizados no interior turbulento da estrela.
Uma das descobertas mais notáveis é que ι Hor cumpre um ciclo magnético completo - equivalente ao ciclo de 22 anos do Sol - em pouco mais de 2 anos (cerca de 773 dias). Durante este período, os polos magnéticos norte e sul da estrela invertem-se, para depois voltarem a reverter-se, criando um "batimento cardíaco" magnético rítmico muito mais rápido do que o do nosso Sol.
Talvez ainda mais excitante seja a criação dos primeiros "diagramas de borboleta magnética" para uma estrela que não a nossa. No Sol, estes diagramas acompanham a migração latitudinal das manchas solares e do campo magnético à medida que o ciclo progride: manchas surgem a latitudes médias e deslocam-se progressivamente em direção ao equador. Ao calcular a força média do campo magnético mapeado em diferentes latitudes para cada época, os cientistas produziram diagramas análogos para ι Hor - revelando como as suas regiões magnéticas migram para o polo e para o equador ao longo de cada ciclo.
A partir destes diagramas de borboletas estelares, a equipa extraiu estimativas diretas de fluxos de grande escala na superfície de ι Hor. Descobriram que as regiões do campo radial migravam em direção às regiões polares a velocidades de 15-78 m/s (comparáveis às de um comboio de alta velocidade), enquanto a deriva do campo toroidal em direção ao equador se deslocava a 9-19 m/s (velocidade média de um automóvel), ambas substancialmente mais rápidas do que os fluxos solares correspondentes. Esta é a primeira medição de tais fluxos meridionais (em direção ao polo) e equatoriais em qualquer outra estrela para além do Sol.
"Estes resultados oferecem um ponto de referência crítico para a compreensão dos dínamos magnéticos - os motores que impulsionam a atividade estelar e solar", afirma o Dr. Julian Alvarado Gómez, investigador principal do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam. "Ao comparar o rápido ciclo magnético e a forte atividade de ι Hor com o ritmo mais lento de 22 anos do Sol, obtemos uma visão mais profunda de como factores como a rotação e a idade influenciam a evolução magnética". Além disso, a atividade magnética governa os ventos estelares, as erupções e a radiação altamente energética - tudo isto pode moldar o ambiente dos planetas em órbita. Os conhecimentos de ι Hor, que alberga pelo menos um exoplaneta conhecido, ajudam os astrónomos a avaliar a forma como as estrelas jovens semelhantes ao Sol podem influenciar a habitabilidade dos mundos no seu sistema.
Astrónomos detetam o objeto escuro, até agora, de menor massa no Universo distante
O "beliscão" no arco de uma lente gravitacional, sinal de um aglomerado de matéria escura.
Crédito: NSF/AUI/NRAO da NSF/B. Saxton
Uma equipa internacional de investigadores, utilizando uma rede mundial de radiotelescópios, incluindo o VLBA (Very Long Baseline Array) e o GBT (Green Bank Telescope), detetou um enigmático objeto escuro com uma massa cerca de um milhão de vezes superior à do nosso Sol, sem observar qualquer emissão de luz. Este é o objeto escuro de menor massa alguma vez detetado a uma distância cosmológica usando apenas a sua influência gravitacional, constituindo um marco importante na tentativa de desvendar a natureza da matéria escura.
A descoberta utiliza uma técnica conhecida como interferometria de longa linha de base para formar um telescópio global, do tamanho da Terra, que capta imagens extremamente nítidas de fenómenos cósmicos. A equipa observou um sistema de galáxias distantes, JVAS B1938+666, onde a luz de uma galáxia de fundo sofre o efeito de lente gravitacional de uma galáxia em primeiro plano, produzindo belos arcos e imagens múltiplas.
"Vimos imediatamente um 'beliscão' no arco gravitacional", disse o professor John McKean, autor principal do artigo que apresenta a bela imagem da lente gravitacional. "Apenas um pequeno aglomerado de massa - um objeto escuro de outro modo invisível - poderia explicar esta anomalia no arco da lente".
O objeto recentemente caracterizado é indetetável nos comprimentos de onda do infravermelho ou no rádio e foi encontrado a cerca de 10 mil milhões de anos-luz da Terra, cerca de 6,5 mil milhões de anos após o Big Bang. A sua deteção foi possível graças ao método de imagem gravitacional, que mapeia sensivelmente a forma como a luz de fontes de fundo é deformada por uma massa invisível. A concentração de massa, designada por "V" no estudo, tem uma massa cilíndrica equivalente a 1,13 milhões de sóis num raio de 80 parsecs. Trata-se de um nível de precisão e de distância nunca antes alcançado para objetos tão pequenos e ténues.
"Encontrar aglomerados de matéria escura como este é um teste crítico à nossa compreensão de como as galáxias se formam", disse o Dr. Devon Powell (Instituto Max Planck de Astrofísica), autor principal do artigo científico que acompanha a publicação na revista Nature Astronomy. "A descoberta enquadra-se perfeitamente no número de objetos escuros que esperávamos encontrar, mas cada nova deteção ajuda a refinar ou a desafiar as nossas teorias".
Para o conseguir, a equipa desenvolveu algoritmos computacionais avançados e utilizou supercomputadores para processar e modelar vastos conjuntos de dados. "Esperamos que todas as galáxias, incluindo a nossa Via Láctea, estejam cheias de aglomerados de matéria escura, mas encontrá-los e convencer a comunidade de que existem requer uma grande quantidade de cálculos numéricos", disse a Dra. Simona Vegetti (Instituto Max Planck de Astrofísica). A sua abordagem permitirá aos astrónomos sondar a estrutura da matéria escura ao longo do tempo cósmico, abrindo a porta à descoberta de mais objetos deste tipo e examinando se as teorias atuais sobre a formação de galáxias resistem ao escrutínio.
As observações realçam ainda mais o poder de reunir radiotelescópios de todo o mundo para ultrapassar os limites da sensibilidade e da resolução angular. O GBT e o VLBA, ambos operados pelo NRAO (National Radio Astronomy Observatory) da NSF (National Science Foundation) ao abrigo de um acordo de cooperação com a Associated Universities, Inc., desempenharam um papel crucial nesta descoberta histórica.
À medida que a equipa continua a estudar outros sistemas de lentes, quaisquer descobertas futuras ajudarão a determinar se a abundância e a natureza destes objetos escuros são consistentes com as teorias fundamentais que governam o nosso Universo.
Diabos de poeira revelam ventos furiosos em Marte (via ESA)
Combinando 20 anos de imagens das sondas Mars Express e ExoMars TGO da ESA, cientistas seguiram 1039 remoinhos semelhantes a tornados para revelar como a poeira é levantada para o ar e espalhada à volta da superfície de Marte. As descobertas - incluindo a de que os ventos mais fortes em Marte sopram muito mais depressa do que se pensava - dão-nos uma imagem muito mais clara da meteorologia e do clima do Planeta Vermelho. E com estes "diabos de poeira" reunidos num único catálogo público, esta investigação é apenas o começo. Para além da ciência pura, será útil para o planeamento de futuras missões, por exemplo, incorporando provisões para a incómoda poeira que se instala nos painéis solares dos rovers robóticos. Ler fonte
Álbum de fotografias 50 Anos-luz até 51 Pegasi
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: José Rodrigues
São apenas 50 anos-luz até 51 Pegasi. A posição dessa estrela está indicada nesta fotografia de agosto de 2025, tirada numa noite em que a maioria das estrelas mais brilhantes eram visíveis acima da cúpula do Observatório de Haute-Provence, na França. Há trinta anos, em outubro de 1995, os astrónomos Michel Mayor e Didier Queloz anunciaram uma descoberta profunda feita no observatório. Utilizando um espetrógrafo de precisão, tinham detetado um planeta em órbita de 51 Peg, o primeiro exoplaneta conhecido a orbitar uma estrela semelhante ao Sol. Mayor e Queloz usaram o espetrógrafo para medir as alterações na velocidade radial da estrela, uma oscilação regular causada pelo puxão gravitacional do planeta em órbita. Designado 51 Pegasi b, determinou-se que o planeta tinha pelo menos metade da massa de Júpiter e um período orbital de 4,2 dias. Isto colocou o exoplaneta muito mais próximo da sua estrela-mãe do que Mercúrio está do Sol. A sua descoberta foi rapidamente confirmada e Mayor e Queloz acabaram por receber o Prémio Nobel da Física em 2019. Agora reconhecido como o protótipo da classe de exoplanetas carinhosamente conhecidos como Júpiteres quentes, 51 Pegasi b foi formalmente designado Dimidium, a palavra "metade" em latim, em 2015. Desde a sua descoberta, há 30 anos, já foram descobertos mais de 6000 exoplanetas.
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