DIA 14/11: 318.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1930, nascimento de Edward Higgins White, o primeiro americano a passear no espaço durante a missão Gemini 4.
Em 1969, lançamento da Apollo 12 às 11:22 EST do Centro Espacial Kennedy. A segunda aterragem lunar teve lugar no Oceano das Tempestades, perto do local de aterragem da Surveyor 3.
Em 1971, programa Mariner: a Mariner 9 chega a Marte, tornando-se na primeira sonda a orbitar outro planeta.
Em 2003, os astrónomos Michael E. Brown, Chad Trujillo e David L. Rabinowitz descobrem 9033 Sedna, um objeto transneptuniano. HOJE, NO COSMOS:
Olhe para a esquerda da constelação de Lira e, a cerca de punho e meio à distância do braço esticado de Vega, está Albireo, de terceira magnitude, o bico de Cisne. Este é um dos binários mais lindos e coloridos para telescópios pequenos: uma estrela com um pálido tom dourado e a outra azulada, magnitudes 3,2 e 4,7, separação de 35 segundos de arco.
Aproximadamente na mesma direção, mas mais longe, encontre Tarazed, de terceira magnitude, e, logo depois, Altair de primeira magnitude.
DIA 15/11: 319.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1738, nascia William Herschel.
Foi o primeiro astrónomo a fazer observações sistemáticas do espaço para além do nosso Sistema Solar.
Descobriu Úrano (1781), o movimento do Sol na Via Láctea (1785), a companheira do binário de Castor (1804, e de acordo com as leis de Kepler) e a radiação infravermelha. Herschel também descobriu muitos enxames, nebulosas
e galáxias enquanto observava o céu noturno e compilou catálogos cujos dados básicos são ainda hoje utilizados.
Em 1966, a Gemini 12 regressa à Terra caindo no Atlântico em segurança.
Em 1988, a União Soviética lança o seu primeiro e último vaivém espacial, o Buran.
Em 1990, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-38. HOJE, NO COSMOS:
Orionte sobe completamente acima do horizonte este mais ou menos pelas 21 horas, dependendo de quão para este ou oeste o observador está no seu fuso horário. Bem acima do caçador está a alaranjada Aldebarã. E para cima de Aldebarã está o enxame das Plêiades, do tamanho do polegar à distância do braço esticado. Bem para a esquerda de Aldebarã e das Plêiades brilha a estrela Capella.
Assim que Oríon esteja a uma altura razoável de observação, o brilhante planeta Júpiter sobe acima do horizonte este-nordeste para brilhar o resto da noite, enquanto viaja pelo céu.
E, para baixo de Oríon, Sirius
nasce pelas 22:30. É o segundo ponto mais brilhante no céu por estas noites, depois de Júpiter. Independentemente da localização do observador, Sirius segue-se sempre a Oríon, quase duas horas depois. Ou, em termos equivalentes, está um mês atrás de Oríon.
DIA 16/11: 320.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteroide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objetivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.
Em 1974, a nova superfície do radiotelescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direção do enxame globular M13, a uns 25.000 anos-luz de distância. A mensagem chegará a espaço vazio pois o enxame terá, entretanto, mudado de posição.
Em 2022, a NASA lança a missão Artemis 1, o primeiro voo do SLS e o início do programa das futuras missões lunares. HOJE, NO COSMOS:
Assim que as estrelas começarem a aparecer, o Grande Quadrado de Pégaso está ainda alto e apoiado num canto a sudeste. Mas, em aproximadamente uma hora, gira para ficar nivelado como uma caixa alta a sul.
Um "marco" do céu, a não esquecer: o lado oeste (direito) do Grande Quadrado aponta para baixo até perto da estrela Fomalhaut, de primeira magnitude. O lado este do Quadrado aponta para a estrela de segunda magnitude, Beta Ceti (Diphda) - não tão diretamente, não tão distante.
DIA 17/11: 321.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1970, a União Soviética aterra o Lunokhod 1 em Mare Imbrium, na Lua. É o primeiro robô controlado remotamente a aterrar noutro mundo, transportado pela Luna 17. HOJE, NO COSMOS:
A modesta chuva de meteoros das Leónidas deverá atingir o seu pico nas horas que antecedem o nascer do dia 17. Não haverá luar. Se as condições meteorológicas o permitirem, aqueça-se e deite-se numa cadeira reclinável de jardim sob um céu aberto. Tenha paciência. Com condições excelentes de observação, poderá ver cerca de uma dúzia de Leónidas por hora.
Antes do amanhecer, olhe baixo para este-sudeste e encontre a fina Lua
com Espiga poucos graus para a sua esquerda. À medida que amanhece e Espiga desaparece, o planeta Vénus nasce para brilhar quase dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural.
Primeira observação confirmada de uma erupção explosiva numa estrela próxima
Esta impressão artística mostra uma ejeção de massa coronal (EMC) em torno de outra estrela. Vemos estas erupções vindas frequentemente do Sol. Durante uma EMC, enormes quantidades de material são lançadas da nossa estrela, inundando o espaço circundante. Estas expulsões dramáticas moldam e conduzem o clima espacial, tal como as deslumbrantes auroras que vemos na Terra, e podem destruir as atmosferas de planetas próximos.
Crédito: Olena Shmahalo/Callingham et al.
Astrónomos, utilizando o observatório espacial XMM-Newton da ESA e o telescópio LOFAR (LOw Frequency ARray), detetaram definitivamente uma explosão de material lançado para o espaço por outra estrela - uma explosão suficientemente poderosa para destruir a atmosfera de qualquer planeta azarado no seu caminho.
A explosão foi uma ejeção de massa coronal (EMC), erupções que vemos frequentemente vindas do Sol. Durante uma EMC, enormes quantidades de material são lançadas da nossa estrela, inundando o espaço circundante. Estas expulsões dramáticas moldam e conduzem o clima espacial, tal como as deslumbrantes auroras que vemos na Terra, e podem destruir as atmosferas de planetas próximos.
Mas embora as EMCs sejam comuns no Sol, ainda não tínhamos detetado nenhuma de forma convincente noutra estrela - até agora.
"Há décadas que os astrónomos queriam detetar uma EMC noutra estrela", diz Joe Callingham do ASTRON (Astronomisch Onderzoek in Nederland, Instituto de Radioastronomia dos Países Baixos), autor da nova investigação publicada na Nature. "As descobertas anteriores inferiram a sua existência, ou sugeriram a sua presença, mas não confirmaram de facto que o material se escapou definitivamente para o espaço. Agora conseguimos fazê-lo pela primeira vez".
Quando uma EMC viaja através das camadas de uma estrela para o espaço interplanetário, produz uma onda de choque e uma explosão associada de ondas de rádio (um tipo de luz). Este sinal de rádio curto e intenso foi captado por Joe e colegas e descobriu-se que provinha de uma estrela situada a cerca de 130 anos-luz de distância.
"Este tipo de sinal de rádio só existiria se a matéria tivesse saído completamente da bolha do poderoso magnetismo da estrela", acrescenta Joe. "Por outras palavras: é causado por uma EMC".
Um perigo para todos os planetas
A estrela no centro das atenções é uma anã vermelha - um tipo de estrela muito mais fraca, mais fria e mais pequena do que o Sol. Não é nada parecida com a nossa: tem cerca de metade da massa, gira 20 vezes mais depressa e tem um campo magnético 300 vezes mais poderoso. A maior parte dos planetas que existem na Via Láctea orbitam este tipo de estrela.
O sinal de rádio foi detetado com o radiotelescópio LOFAR graças a novos métodos de processamento de dados desenvolvidos pelos coautores Cyril Tasse e Philippe Zarka no Observatório de Paris-PSL. A equipa utilizou depois o XMM-Newton da ESA para determinar a temperatura, a rotação e o brilho da estrela em raios X. Isto foi essencial para interpretar o sinal de rádio e descobrir o que estava realmente a acontecer.
"Precisávamos da sensibilidade e frequência do LOFAR para detetar as ondas de rádio", diz o coautor David Konijn, estudante de doutoramento que trabalha com Joe no ASTRON. "E, sem o XMM-Newton, não teríamos sido capazes de determinar o movimento da EMC ou colocá-la num contexto solar, ambos cruciais para provar o que encontrámos. Nenhum dos telescópios teria sido suficiente - precisámos de ambos".
Os investigadores determinaram que a EMC se movia a uma velocidade super-rápida de 2400 quilómetros por segundo, uma velocidade apenas observada em 1 de cada 2000 EMCs que ocorrem no Sol. A ejeção foi suficientemente rápida e densa para eliminar completamente as atmosferas de quaisquer planetas que possam orbitar a estrela.
Uma ejeção de massa coronal oriunda do Sol, captada no dia 27 de maio de 2024 e claramente visível à esquerda. Os pontos brilhantes à direita do Sol são Júpiter e Vénus.
Crédito: SOHO (ESA e NASA), NASA/SDO/AIA, JHelioviewer/D. Müller
Em busca de vida
A capacidade de destruição atmosférica da EMC é uma descoberta excitante para a nossa busca de vida noutros sistemas. A habitabilidade de um planeta é definida pela distância a que se encontra da sua estrela-mãe - se está ou não dentro da "zona habitável" da estrela, uma região onde pode existir água líquida à superfície de planetas com atmosferas adequadas. Este é um cenário ideal: demasiado perto da estrela é demasiado quente, demasiado longe é demasiado frio. No meio está ótimo.
Mas e se essa estrela for especialmente ativa, lançando regularmente erupções perigosas de matéria e desencadeando tempestades violentas? Um planeta regularmente bombardeado por poderosas ejeções de massa coronal pode perder completamente a sua atmosfera, deixando para trás uma rocha estéril - um mundo inabitável, apesar da sua órbita ser "perfeita".
"Este trabalho abre uma nova fronteira de observação para estudar e compreender as erupções e o clima espacial à volta de outras estrelas", acrescenta Henrik Eklund, investigador da ESA no ESTEC (European Space Research and Technology Centre) em Noordwijk, Países Baixos.
"Já não estamos limitados a extrapolar a nossa compreensão das EMCs do Sol para outras estrelas. Parece que o clima espacial intenso pode ser ainda mais extremo em torno de estrelas mais pequenas - as principais hospedeiras de exoplanetas potencialmente habitáveis. Isto tem implicações importantes na forma como estes planetas mantêm as suas atmosferas e, possivelmente, permanecem habitáveis ao longo do tempo".
A descoberta também contribui para a nossa compreensão do clima espacial, algo que há muito é um foco das missões da ESA e que está atualmente a ser explorado pela SOHO, pelas Proba, pela Swarm e pela Solar Orbiter.
O XMM-Newton, por sua vez, é um dos principais exploradores do Universo quente e extremo. Lançado em 1999, o telescópio espacial já observou os núcleos das galáxias, estudou estrelas para compreender a sua evolução, investigou o ambiente dos buracos negros e detetou intensas explosões de radiação energética de estrelas e galáxias distantes.
"O XMM-Newton está agora a ajudar-nos a descobrir como as EMCs variam de acordo com a estrela, algo que não só é interessante para o nosso estudo das estrelas e do nosso Sol, mas também para a nossa busca de mundos habitáveis à volta de outras estrelas", diz o cientista do projeto XMM-Newton da ESA, Erik Kuulkers. "Demonstra também o imenso poder da colaboração, que está na base de toda a ciência bem-sucedida. A descoberta foi um verdadeiro esforço de equipa e resolve a busca de décadas de EMCs para além do Sol".
Forma única da explosão de uma estrela revelada apenas um dia após a deteção
Esta imagem artística mostra uma estrela a transformar-se numa supernova. A cerca de 22 milhões de anos-luz de distância da Terra, a supernova SN 2024ggi explodiu na galáxia NGC 3621. Utilizando o VLT do ESO, os astrónomos conseguiram capturar a fase inicial da supernova, quando a explosão irrompeu da superfície da estrela. A observação da explosão tão cedo, apenas 26 horas após a supernova ter sido detetada pela primeira vez, revelou a sua verdadeira forma. A supernova explodiu com uma forma semelhante a uma azeitona. Trata-se da primeira vez que se observa a forma de uma explosão de supernova nesta fase tão inicial.
Crédito: ESO/L. Calçada
Observações muito rápidas levadas a cabo com o VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram a morte explosiva de uma estrela quando a explosão irrompia da superfície da estrela. Pela primeira vez, os astrónomos revelaram a forma da explosão na sua fugaz fase inicial. Esta fase inicial já não teria sido possível observar no dia a seguir e ajuda-nos a responder a uma série de questões sobre como é que as estrelas massivas explodem, transformando-se em supernovas.
Quando a explosão da supernova SN 2024ggi foi detetada pela primeira vez na noite de 10 de abril de 2024, Yi Yang, professor assistente da Universidade Tsinghua em Pequim, na China, e principal autor do novo estudo, acabara de aterrar em São Francisco depois um voo de longo curso. Yi Yang sabia que tinha de agir rapidamente e por isso, doze horas mais tarde enviou uma proposta de observação ao ESO. No seguimento de um processo de aprovação muito rápido, no dia 11 de abril o ESO apontou o seu telescópio VLT, instalado no Chile, à supernova, 26 horas apenas após a deteção inicial.
SN 2024ggi situa-se na galáxia NGC 3621, na direção da constelação da Hidra, a "apenas" 22 milhões de anos-luz da Terra, o que é próximo em termos astronómicos. Com um grande telescópio e o instrumento certo, a equipa internacional sabia que tinha uma oportunidade rara de desvendar a forma da explosão logo após a sua ocorrência. "As primeiras observações do VLT capturaram a fase durante a qual a matéria acelerada pela explosão perto do centro da estrela irrompeu pela superfície da estrela. Durante algumas horas, a geometria da estrela e a sua explosão puderam ser, e foram, observadas em conjunto", afirma Dietrich Baade, astrónomo do ESO na Alemanha e coautor do estudo publicado na revista Science Advances.
"A geometria de uma explosão de supernova fornece informações fundamentais sobre a evolução estelar e os processos físicos que levam a estes fogos de artifício cósmicos", explica Yang. Os mecanismos exatos por detrás das explosões de estrelas massivas, com mais de oito vezes a massa do Sol, sob a forma de supernovas, continuam a ser debatidos e permanecem uma das questões fundamentais abordadas pelos cientistas. A estrela progenitora desta supernova era uma supergigante vermelha, com uma massa 12 a 15 vezes superior à do Sol e um raio 500 vezes maior, o que faz de SN 2024ggi um exemplo clássico de explosão de uma estrela massiva.
Esta imagem mostra a localização da supernova SN 2024ggi na galáxia NGC 3621 e foi obtida no dia 11 de abril de 2024, apenas 26 horas após a deteção inicial da supernova, com o instrumento FORS2 montado no VLT do ESO. Entre outras capacidades, o FORS2 permite obter espetros em luz polarizada. Esta técnica, chamada espetropolarimetria, fornece-nos informações cruciais sobre a forma da explosão, mesmo apesar desta parecer um único ponto quando vista a partir da Terra.
Crédito: ESO/Y. Yang et al.
Sabemos que, durante a sua vida, uma estrela típica mantém a sua forma esférica como resultado de um equilíbrio muito preciso entre a força gravitacional, que tende a comprimi-la, e a pressão do seu motor nuclear, que tende a expandi-la. Quando a sua última fonte de combustível se esgota, o motor nuclear começa a falhar. Para estrelas massivas, isto marca o início da fase de supernova: o núcleo da estrela moribunda entra em colapso, as conchas de massa que o rodeiam caem sobre ele e ricocheteiam. Este choque de ricochete propaga-se para o exterior, destruindo a estrela.
Quando o choque irrompe da superfície estelar, são libertadas enormes quantidades de energia - a supernova brilha de forma dramática e pode então ser observada. Durante um período muito curto, a forma inicial da explosão pode ser estudada, antes da supernova começar a interagir com o material que rodeia a estrela moribunda.
Foi isso que os astrónomos conseguiram observar pela primeira vez com o auxílio do VLT do ESO, utilizando uma técnica chamada "espetropolarimetria". "A espetropolarimetria dá-nos informações relativas à geometria da explosão que outro tipo de observações não consegue, uma vez que as escalas angulares são demasiado pequenas", afirma Lifan Wang, coautor e professor da Universidade A&M do Texas, nos EUA, que foi estudante do ESO no início da sua carreira científica. Apesar da estrela que está a explodir parecer um único ponto, a polarização da sua luz contém pistas ocultas sobre a sua geometria, as quais a equipa conseguiu desvendar.
A única infraestrutura no hemisfério sul capaz de capturar a forma de uma supernova através deste tipo de medições é o instrumento FORS2 instalado no VLT. Com os dados do FORS2 (FOcal Reducer and low dispersion Spectrograph), os astrónomos descobriram que a explosão da matéria inicial apresentava a forma de uma azeitona. À medida que a explosão se espalhou para o exterior, colidindo com o material que circunda a estrela, a "azeitona" achatou-se, mas o eixo de simetria da matéria ejetada permaneceu o mesmo. "Estes resultados sugerem um mecanismo físico comum que impulsiona a explosão de muitas estrelas massivas e que manifesta uma simetria axial bem definida e atua a larga escala", explica Yang.
No seguimento desta descoberta, os astrónomos podem já descartar alguns dos atuais modelos de supernova e adicionar novas informações para melhorar outros, dando-nos pistas preciosas sobre as mortes explosivas de estrelas massivas. "Esta descoberta não só reformula a nossa compreensão das explosões estelares, como também demonstra o que pode ser alcançado quando a ciência transcende fronteiras", afirma o coautor do estudo e astrónomo do ESO Ferdinando Patat. "É uma poderosa lembrança de que a curiosidade, a colaboração e a ação rápida podem desvendar mistérios profundos da física que molda o nosso Universo".
Explicada a misteriosa fusão "impossível" de dois enormes buracos negros
Instantâneo de uma simulação computorizada da formação e evolução de um buraco negro.
Crédio:
Ore Gottlieb/Fundação Simons
Em 2023, os astrónomos detetaram uma enorme colisão. Dois buracos negros de uma massa sem precedentes tinham chocado um com o outro a uma distância estimada de 7 mil milhões de anos-luz. As enormes massas e as rotações extremas dos buracos negros intrigaram os astrónomos. Não era suposto existirem buracos negros como estes.
Agora, astrónomos do CCA (Center for Computational Astrophysics) do Instituto Flatiron e colegas descobriram como é que estes buracos negros se podem ter formado e colidido. As simulações exaustivas dos astrónomos - que seguem o sistema desde a vida das estrelas progenitoras até à sua morte final - revelaram a peça que faltava e que os estudos anteriores tinham ignorado: os campos magnéticos.
"Ninguém tinha considerado estes sistemas da forma como nós o fizemos; anteriormente, os astrónomos tomavam um atalho e negligenciavam os campos magnéticos", diz Ore Gottlieb, astrofísico do CCA e autor principal do novo estudo, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. "Mas quando temos em consideração os campos magnéticos, é possível explicar as origens deste acontecimento único".
A colisão detetada em 2023, agora conhecida como GW231123, foi observada pela colaboração LIGO-Virgo-KAGRA usando detetores que medem ondas gravitacionais, as ondulações no espaço-tempo causadas pelos movimentos de objetos massivos.
Na altura, os astrónomos não conseguiam perceber como é que estes grandes buracos negros de rotação rápida podiam existir. Quando as estrelas massivas chegam ao fim das suas vidas, muitas colapsam e explodem como supernovas, deixando para trás um buraco negro. Mas se a estrela estiver dentro de uma determinada gama de massas, ocorre um tipo especial de supernova. Esta explosão, chamada supernova por instabilidade de pares, é tão violenta que a estrela é aniquilada, não deixando nada para trás.
"Como resultado destas supernovas, não esperamos que se formem buracos negros entre 70 e 140 vezes a massa do Sol", diz Gottlieb. "Por isso, foi intrigante ver buracos negros com massas dentro deste intervalo".
Os buracos negros nesta gama de massas podem ser formados indiretamente, quando dois buracos negros se fundem para formar um buraco negro maior, mas no caso de GW231123, os cientistas pensaram que isso era improvável. A fusão de buracos negros é um acontecimento tremendamente caótico que frequentemente perturba a rotação do buraco negro resultante. Os buracos negros de GW231123 são os de rotação mais rápida já observados pelo LIGO, arrastando o espaço-tempo à sua volta quase à velocidade da luz. Dois buracos negros destas dimensões e com estas rotações são incrivelmente improváveis, pelo que os astrónomos pensaram que algo mais deveria estar a acontecer.
Infográfico que explica o processo de formação e evolução de um buraco negro com uma massa improvável de 70 a 140 sóis.
Crédito: Lucy Reading-Ikkanda/Fundação Simons
Gottlieb e colaboradores prosseguiram a sua investigação realizando duas fases de simulações computacionais. Primeiro, simularam uma estrela gigante com 250 vezes a massa do Sol durante a fase principal da sua vida, desde que começa a queimar hidrogénio até ao momento em que este se esgota e depois colapsa como supernova. Quando uma estrela tão massiva atinge a fase de supernova, já queimou combustível suficiente para ficar com uma massa 150 vezes superior à do Sol, o que a deixa ligeiramente acima da gama de massas e suficientemente grande para deixar um buraco negro.
Um segundo conjunto de simulações mais complexas, que tiveram em conta os campos magnéticos, lidou com as consequências da supernova. O modelo começou com os remanescentes de supernova, uma nuvem de detritos de material estelar com campos magnéticos e um buraco negro no seu centro. Anteriormente, os astrónomos supunham que toda a massa da nuvem cairia no buraco negro recém-nascido, fazendo com que a massa final do buraco negro coincidisse com a da estrela massiva. Mas as simulações mostraram algo diferente.
Depois de uma estrela não giratória colapsar para formar um buraco negro, a nuvem remanescente de detritos cai rapidamente para o buraco negro. No entanto, se a estrela inicial estiver a girar rapidamente, esta nuvem forma um disco giratório que faz com que o buraco negro gire cada vez mais depressa à medida que o material cai no seu abismo. Se existirem campos magnéticos, estes exercem pressão sobre o disco de detritos. Esta pressão é suficientemente forte para ejetar algum do material para longe do buraco negro quase à velocidade da luz.
Estes fluxos acabam por reduzir a quantidade de material no disco que eventualmente alimenta o buraco negro. Quanto mais fortes forem os campos magnéticos, maior será este efeito. Em casos extremos, com campos magnéticos muito fortes, até metade da massa original da estrela pode ser expelida. No caso das simulações, os campos magnéticos acabaram por permitir a formação de um buraco negro final na improvável gama de massas.
"Descobrimos que a presença de rotação e de campos magnéticos pode alterar fundamentalmente a evolução pós-colapso da estrela, fazendo com que a massa do buraco negro seja potencialmente muito inferior à massa total da estrela em colapso", afirma Gottlieb.
Os resultados, acrescenta, sugerem uma ligação entre a massa de um buraco negro e a velocidade a que gira. Campos magnéticos fortes podem abrandar um buraco negro e expulsar alguma da massa estelar, criando buracos negros mais leves e de rotação mais lenta. Campos mais fracos permitem buracos negros mais massivos e de rotação mais rápida. Isto sugere que os buracos negros podem seguir um padrão que liga a sua massa e rotação. Embora os astrónomos não conheçam outros sistemas de buracos negros em que esta ligação possa ser testada observacionalmente, esperam que observações futuras possam encontrar mais sistemas que confirmem tal ligação.
As simulações também mostram que a formação deste tipo de buracos negros cria explosões de raios gama, que podem ser observáveis. A procura destas assinaturas de raios gama ajudaria a confirmar o processo de formação proposto e revelaria a frequência destes buracos negros massivos no Universo. Em última análise, se esta ligação for confirmada, ajudará os astrónomos a compreender melhor a física fundamental dos buracos negros.
O nosso Sistema Solar está a mover-se mais depressa do que o esperado (via Universidade de Bielefeld)
A que velocidade e em que direção se move o nosso Sistema Solar no Universo? Esta pergunta, aparentemente simples, é um dos principais testes à nossa compreensão cosmológica. Uma equipa de investigação liderada pelo astrofísico Lukas Böhme da Universidade de Bielefeld encontrou agora novas respostas, que desafiam o modelo padrão estabelecido da cosmologia. Os resultados do estudo acabam de ser publicados na revista Physical Review Letters. Ler fonte
Álbum de fotografias Uma Super-Coroa Lunar
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Eric Houck
O que são aqueles anéis coloridos à volta da Lua? Uma coroa. Anéis como este aparecem por vezes quando a Lua é vista através de nuvens finas. O efeito é criado pela difração da luz em torno de gotículas de água individuais, numa nuvem interveniente, mas maioritariamente transparente. Uma vez que a luz de diferentes cores tem diferentes comprimentos de onda, cada cor é difratada de forma diferente. As coroas lunares são dos poucos efeitos de difração de cor que podem ser facilmente observados a olho nu. A imagem em destaque de uma coroa lunar foi captada por volta da Super-Lua cheia da semana passada, perto de Knight's Ferry, Califórnia, EUA. À direita da Lua Cheia está a estrela gigante cor de laranja Botein. As coroas semelhantes que se formam à volta do Sol são normalmente mais difíceis de ver devido ao grande brilho da nossa estrela.
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.
Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.