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  Astroboletim #2271  
  12/12 a 15/12/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 12/12: 346.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1901, Marconi envia o primeiro sinal transatlântico de rádio (a letra "S" em código Morse), percursor das telecomunicações que hoje se utilizam no espaço.
Em 1970, lançamento do satélite Uhuru, o primeiro desenhado especificamente com o propósito de fazer astronomia em raios-X.
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A missão terminou em março de 1973. Levou a cabo o primeiro estudo intensivo de todo o céu em busca de fontes de raios X, com uma sensibilidade de aproximadamente 0,001 vezes a intensidade da Nebulosa do Caranguejo. 
Em 2012, a Coreia do Norte lança com sucesso o seu primeiro satélite, a Unidade 2 do Kwangmyŏngsŏng-3, usando um foguetão Unha-3.
HOJE, NO COSMOS:
Já alguma vez viu o nascer de Sirius? Encontre um local com o horizonte desimpedido a este-sudeste e observe o nascer de Sirius a cerca de dois punhos à distância do braço esticado por baixo da cintura de Orionte. Sirius nasce antes das 21:00, dependendo do local onde o observador vive.
Cerca de 15 minutos antes do nascer de Sirius, uma estrela mais fraca nasce logo à direita de onde Sirius vai nascer: Beta Canis Majoris ou Mirzam. O seu nome árabe significa "arauto", e o que Mirzam anuncia é Sirius. Não é fácil confundi-las; o arauto de segunda magnitude tem apenas 1/20 do brilho de Sirius, que nasce pouco depois.
Quando uma estrela está muito baixa tende a piscar lentamente, muitas vezes em cores vívidas. Sirius é brilhante o suficiente para mostrar bem esses efeitos, especialmente através de binóculos.

 

DIA 13/12: 347.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1867, nascia Kristian Birkeland, cientista norueguês, conhecido por ter sido o primeiro a elucidar a natureza da Aurora Boreal.
Em 1920, era medido o primeiro diâmetro estelar (Betelgeuse), por Francis Pease com um interferómetro no Mt. Wilson.
Em 1962, lançamento do Relay 1 da NASA, primeiro satélite de comunicações em órbita.
Em 1972, Eugene Cernan e Harrison Schmitt fazem o seu terceiro e último passeio lunar com o rover, durante a missão Apollo 17.
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HOJE, NO COSMOS:
O Triângulo de Verão está cada vez mais baixo a oeste e Altair é a primeira estrela a desaparecer (para observadores a latitudes médias norte). Comece por avistar Vega, de magnitude zero, a oeste-noroeste logo após o anoitecer. A estrela mais brilhante para cima de Vega é Deneb. Altair, a terceira estrela do Triângulo, está mais longe para a esquerda de Vega. Quão mais tarde na noite, ou nesta estação, consegue observar Altair?

 

DIA 14/12: 348.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1546 nascia Tycho Brahe.
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Nascido em Knudstrup, o astrónomo dinamarquês estabeleceu o primeiro observatório moderno e alterou muitas teorias Copernianas. Deu a Kepler o seu primeiro trabalho de campo.
Em 1782, o primeiro balão dos irmãos Montgolfier levanta voo no seu primeiro teste. 
Em 1962, a sonda americana Mariner 2 encontra Vénus e torna-se na primeira sonda interplanetária bem-sucedida.
Em 1972, Eugene Cernan torna-se na última pessoa a pisar a Lua, após ele e Harrison Schmidt completarem o terceiro e último EVA (atividade extra-veicular) da missão Apollo 17.
HOJE, NO COSMOS:
Pico da chuva de meteoros das Geminídeas. O céu está "livre" da Lua até cerca das 02:30 e mesmo assim a sua fase não vai causar muitos problemas. O pico está previsto para as 08:00 da manhã mas as horas que o antecedem deverão proporcionar um bom espetáculo - talvez um ou dois meteoros por minuto, em média, sob céus escuros.
Encontre um local com boas condições de observação e com pouca poluição luminosa. Deite-se numa cadeira reclinável, aqueça-se com roupa bem quente e olhe para o céu. A melhor direção a observar é onde o céu estará mais escuro, provavelmente para cima. Seja paciente.
Por falar da Lua... quando esta nascer, repare que está acompanhada pela "primaveril" estrela Espiga.

 

DIA 15/12: 349.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1852, nascia Henri Becquerel, físico que, juntamente com Marie e Pierre Curie, recebeu o prémio Nobel da Física pela sua descoberta da radioatividade. A unidade SI da radioativade, o becquerel (Bq), tem o seu nome.
Em 1911, Roald Amundsen escreve no seu diário o estranho comportamento do Sol no céu ao chegar ao polo sul (possivelmente o primeiro grupo a alcançar qualquer um dos polos).  
Em 1965 as Gemini 6 e 7 realizam o seu primeiro encontro entre duas naves em órbita da Terra.
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Os astronautas da Gemini 6 eram Walter Schirra e Thomas Stafford, e os da Gemini 7 Frank Borman e James A. Lovell Jr
Em 1970, a sonda soviética Venera 7 aterra em Vénus e torna-se na primeira sonda a transmitir dados da superfície de outro planeta. Embora esta transmissão tivesse durado apenas 23 minutos, possivelmente devido à sonda ter aterrado de lado por causa de uma avaria no seu para-quedas, os sensores de temperatura e pressão confirmaram que a pressão à superfície do planeta era noventa vezes maior que na Terra e a temperatura era de mais de 475 graus centígrados. 
Em 1984 era lançada a Vega 1 (missão para o planeta Vénus e Cometa Halley).
HOJE, NO COSMOS:
À medida que nos aproximamos do final do ano, a brilhante Capella já está alta a nordeste após o cair da noite. Olhe quase três punhos à distância do braço esticado para a sua direita e encontrará o enxame das Plêiades. Mais ou menos um punho para baixo das Plêiades brilha a alaranjada Aldebarã.
Logo para cima e para a direita de Aldebarã estão as estrelas espalhadas do enxame das Híades, maior e mais ténue do que as Plêiades. As Híades mais brilhantes e Aldebarã formam um V, que encontrará de lado nas noites de dezembro e janeiro.
Depois das Plêiades e das Híades, qual será o mais notável enxame estelar de Touro? Talvez NGC 1647, fraco e solto, entre os chifres de Touro poucos graus para a esquerda de Aldebarã e das Híades. Com boas condições de observação, consegue ser um objeto binocular. Tem 0,5º de diâmetro e as suas mais ou menos doze estrelas mais brilhantes têm apenas 9.ª e 10.ªs magnitudes. Visão periférica ajuda.

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Webb identifica a supernova mais antiga até à data e mostra a galáxia que a acolhe
 
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O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA identificou a fonte de um superbrilhante clarão de luz conhecido como uma explosão de raios gama: uma supernova que explodiu quando o Universo tinha apenas 730 milhões de anos. As imagens de alta resolução no infravermelho próximo, pelo Webb, também detetaram a galáxia hospedeira da supernova. As suas observações rápidas verificaram os dados obtidos por outros telescópios que seguiram a emissão brilhante de uma explosão de raios gama que entrou em cena em meados de março.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, A. Levan (IMAPP); processamento de Imagem - A. Pagan (STScI)
 

O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA confirmou a origem de um clarão de luz conhecido como uma explosão de raios gama, gerado pela destruição de uma estrela massiva quando o Universo tinha apenas 730 milhões de anos. Pela primeira vez, para um evento tão remoto, o telescópio permitiu a deteção da galáxia hospedeira da supernova. As observações rápidas do Webb confirmaram os dados obtidos por telescópios de todo o mundo que tinham estado a seguir a explosão de raios gama desde o seu início, que ocorreu em meados de março.

Com esta observação, o Webb também bateu o seu próprio recorde: a anterior supernova "vencedora" existiu numa época em que o Universo tinha 1,8 mil milhões de anos.

"Apenas o Webb pôde mostrar diretamente que esta luz é de uma supernova - uma estrela massiva em colapso", disse Andrew Levan, o autor principal de um dos dois novos artigos científicos publicados na revista Astronomy & Astrophysics Letters e professor na Universidade Radboud em Nijmegen, Países Baixos, e na Universidade de Warwick, no Reino Unido. "Esta observação também demonstra que podemos usar o Webb para encontrar estrelas individuais quando o Universo tinha apenas 5% da sua idade atual".

Ao passo que uma explosão de raios gama dura tipicamente entre segundos e minutos, uma supernova aumenta rapidamente de brilho ao longo de várias semanas antes de desvanecer lentamente. Em contraste, esta supernova brilhou durante meses. Uma vez que explodiu tão cedo na história do Universo, a sua luz foi esticada enquanto o cosmos se expandia ao longo de milhares de milhões de anos. À medida que a luz é esticada, também é esticado o tempo que os eventos demoram a desenrolar-se. As observações do Webb foram intencionalmente efetuadas três meses e meio após o fim da explosão de raios gama, uma vez que se esperava que a supernova subjacente fosse mais brilhante nessa altura.

"O Webb proporcionou o rápido e sensível acompanhamento de que precisávamos", disse Benjamin Schneider, coautor e investigador pós-doc no Laboratoire d'Astrophysique de Marseille, em França.

As explosões de raios gama são incrivelmente raras. As que duram alguns segundos podem ser causadas pela colisão de duas estrelas de neutrões ou de uma estrela de neutrões e um buraco negro. Explosões mais longas como esta, que durou cerca de 10 segundos, estão frequentemente ligadas à morte explosiva de estrelas massivas.

 
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Esta ilustração em duas partes representa a supernova GRB 250314A quando estava a explodir e três meses depois, quando foi observada por Webb. O Webb confirmou que a supernova ocorreu quando o Universo tinha apenas 730 milhões de anos.
À esquerda, os jatos característicos de uma explosão de raios gama podem ser vistos a perfurar o material que foi ejetado pela explosão da supernova.
À direita, a supernova brilha através do gás que continua a sair da explosão.
Ao fundo, a galáxia hospedeira da supernova contém várias regiões brilhantes de formação estelar.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, L. Hustak (STScI)
 

Investigação imediata e célere da fonte

O primeiro alerta soou a 14 de março de 2025. A notícia da explosão de raios gama de uma fonte muito distante veio da missão SVOM (Space-based multi-band astronomical Variable Objects Monitor), um telescópio franco-chinês lançado em 2024 e concebido para detetar eventos transientes.

No espaço de uma hora e meia, o Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, localizou a fonte de raios X no céu. Isso permitiu observações subsequentes que determinaram a distância para o Webb. Onze horas mais tarde, o NOT (Nordic Optical Telescope), nas Ilhas Canárias, Espanha, revelou um brilho remanescente infravermelho da explosão de raios gama, uma indicação de que os raios gama poderiam estar associados a um objeto muito distante. Quatro horas mais tarde, o VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, estimou que o objeto existia 730 milhões de anos após o Big Bang.

"Nos últimos 50 anos, apenas algumas explosões de raios gama foram detetadas nos primeiros mil milhões de anos do Universo", disse Levan. "Este evento em particular é muito raro e muito excitante".

Incrivelmente semelhante a supernovas próximas

Uma vez que esta é a supernova mais antiga e mais distante detetada até à data, os investigadores compararam-na com o que conhecem em grande detalhe - supernovas modernas e próximas. As duas revelaram-se muito semelhantes, o que os surpreendeu.

Porquê? Ainda pouco se sabe sobre os primeiros mil milhões de anos do Universo. É provável que as primeiras estrelas contivessem menos elementos pesados, fossem mais massivas e tivessem vidas mais curtas. Também existiram durante a Época da Reionização, quando o gás entre as galáxias era em grande parte opaco à luz altamente energética.

"Começámos com a mente aberta", disse Nial Tanvir, coautor e professor na Universidade de Leicester, no Reino Unido. "E eis que o Webb mostrou que esta supernova se parece exatamente com as supernovas modernas". Antes de os investigadores poderem determinar por que razão uma supernova tão antiga é semelhante às supernovas mais próximas, são necessários mais dados para identificar pequenas diferenças.

Primeiro olhar sobre a galáxia hospedeira da supernova

"As observações do Webb indicam que esta galáxia distante é semelhante a outras galáxias que existiram na mesma altura", disse Emeric Le Floc'h, coautor e astrónomo do CEA Paris-Saclay (Commissariat à l'Énergie Atomique et aux Énergies Alternatives) em França. Uma vez que a luz da galáxia está misturada em poucos pixéis, fazendo com que a galáxia pareça uma mancha avermelhada, o que podemos aprender sobre ela é ainda limitado. O mero facto de a conseguirmos observar é, em si, um avanço.

Os investigadores já têm planos para voltar a incluir o Webb no esforço internacional para aprender mais sobre as explosões de raios gama emitidas por objetos no Universo primitivo. A equipa foi aprovada para observar eventos com o Webb e tem agora um novo objetivo: aprender mais sobre galáxias no Universo distante, captando o brilho remanescente das próprias explosões de raios gama. "Esse brilho ajudará o Webb a ver mais e dar-nos-á uma 'impressão digital' da galáxia", disse Levan.

// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Astronomy & Astrophysics Letters)
// Artigo científico #2 (Astronomy & Astrophysics Letters)

 


Quer saber mais?

Supernova:
Wikipedia
Supernova do Tipo Ic (Wikipedia)

Explosão de raios gama (ou GRB, sigla inglesa para "gamma-ray burst"):
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

SVOM (Space-based multi-band astronomical Variable Objects Monitor):
Página principal
Wikipedia

Observatório Neil Gehrels Swift:
NASA
Wikipedia

NOT (Nordic Optical Telescope):
Página principal
Wikipedia

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia

 
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Buraco negro em erupção provoca ventos ultrarrápidos
 
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Esta impressão de artista representa o buraco negro no interior de NGC 3783. O "donut" rodopiante de material dourado é conhecido como disco de acreção: um anel de material que está a orbitar o buraco negro e que acabará por ser devorado, puxado para cada vez mais perto pela gravidade colossal do buraco negro. A secção brilhante assinala uma região superaquecida de material - um "ponto quente" que foi visto a libertar primeiro uma erupção de raios X em "loop" e depois o intenso fluxo de ventos visto a disparar para o topo da imagem.
Crédito: ESA, ATG Europe
 

Os principais telescópios espaciais de raios X, XMM-Newton e XRISM, detetaram uma extraordinária erupção de um buraco negro supermassivo. Numa questão de horas, o monstro gravitacional provocou ventos poderosos, lançando material para o espaço a uma velocidade impressionante de 60.000 quilómetros por segundo.

O gigantesco buraco negro esconde-se no interior de NGC 3783, uma bela galáxia espiral fotografada recentemente pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. Os astrónomos observaram um clarão brilhante de raios X que irrompeu do buraco negro antes de desvanecer rapidamente. À medida que desvanecia, surgiram ventos velozes, a um-quinto da velocidade da luz.

"Nunca antes tínhamos visto um buraco negro criar ventos tão depressa", diz o investigador principal Liyi Gu da SRON (Space Research Organisation Netherlands). "Pela primeira vez, vimos como uma rápida explosão de raios X de um buraco negro desencadeia imediatamente ventos ultrarrápidos, estes ventos formando-se em apenas um dia".

Material devorador

Para estudar NGC 3783 e o seu buraco negro, Gu e os seus colegas utilizaram simultaneamente o XMM-Newton da ESA e o XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission), uma missão liderada pela JAXA com a participação da ESA e da NASA.

O buraco negro em questão tem a massa de 30 milhões de sóis. À medida que devora material próximo, alimenta uma região extremamente brilhante e ativa no coração da galáxia espiral. Esta região, conhecida como Núcleo Galáctico Ativo (ou NGA), brilha com todos os tipos de luz e lança poderosos jatos e ventos para o cosmos.

"Os NGAs são regiões realmente fascinantes e intensas, e alvos chave tanto para o XMM-Newton como para o XRISM", acrescenta Matteo Guainazzi, cientista do projeto XRISM da ESA e coautor da descoberta.

"Os ventos em torno deste buraco negro parecem ter sido criados quando o campo magnético emaranhado do NGA se 'desenrolou' subitamente - semelhante às proeminências que irrompem do Sol, mas a uma escala quase demasiado grande para se imaginar".

 
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Imagem ótica de NGC 3783, obtida pelo Hubble, sobreposta com o espetro de raios X do seu buraco negro supermassivo obtido pelo XRISM/Resolve.
Crédito: Hubble (NASA) e XRISM (JAXA/NASA/ESA)
 

Um pouco menos alienígena

Os ventos do buraco negro assemelham-se a grandes erupções solares de material conhecidas como ejeções de massa coronal, que se formam quando o Sol lança fluxos de material sobreaquecido para o espaço. Desta forma, o estudo mostra que os buracos negros supermassivos agem por vezes como a nossa própria estrela, fazendo com que estes misteriosos objetos pareçam um pouco menos alienígenas.

De facto, no passado dia 11 de novembro e na sequência de uma erupção intensa, foi observada no Sol uma ejeção de massa coronal, com os ventos associados a este evento a atingirem velocidades iniciais de 1500 quilómetros por segundo.

"Os ventosos NGAs também desempenham um papel importante na forma como as galáxias que os acolhem evoluem ao longo do tempo e como formam novas estrelas", acrescenta Camille Diez, membro da equipa e bolseira de investigação da ESA.

"Por serem tão influentes, é fundamental saber mais sobre o magnetismo dos NGAs, e como provocam ventos como estes, para compreender a história das galáxias em todo o Universo".

Uma descoberta conjunta

O XMM-Newton é um explorador pioneiro do Universo quente e extremo há mais de 25 anos, enquanto o XRISM tem trabalhado para responder a questões-chave em aberto sobre como a matéria e a energia se movem através do cosmos desde o seu lançamento em setembro de 2023.

Os dois telescópios espaciais de raios X trabalharam em conjunto para descobrir este acontecimento único e para compreender a erupção e os ventos do buraco negro. O XMM-Newton seguiu a evolução da erupção inicial com o seu instrumento OM (Optical Monitor) e avaliou a extensão dos ventos utilizando o EPIC (European Photon Imaging Camera). O XRISM detetou a erupção e os ventos com o seu instrumento Resolve, estudando também a velocidade e a estrutura dos ventos e descobrindo como foram lançados para o espaço.

"Esta descoberta resulta de uma colaboração bem-sucedida, algo que é uma parte essencial de todas as missões da ESA", diz Erik Kuulkers, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.

"Ao fixarem-se num buraco negro supermassivo ativo, os dois telescópios descobriram algo que nunca tínhamos visto antes: ventos ultrarrápidos desencadeados por erupções, reminiscentes dos que se formam no Sol. Isto sugere que a física solar e de altas energias pode funcionar de forma surpreendentemente familiar em todo o Universo".

// ESA (comunicado de imprensa)
// SRON (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

 


Quer saber mais?

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NGAs (Núcleos Galácticos Ativos):
Wikipedia

NGC 3783:
Wikipedia

Ejeção de massa coronal (EMC):
Wikipedia
FAQ (Universidade Estatal do Montana)

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

XRISM (X-Ray Imaging and Spectroscopy Mission):
JAXA
NASA
ESA
Wikipedia

 
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Astrónomos encontram a primeira evidência direta de "estrelas monstruosas" na aurora cósmica
 
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Ilustração que mostra como as estrelas supermassivas se podem desenvolver.
Crédito: Devesh Nandal, Instituto de Teoria e Computação do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian
 

Há duas décadas que os astrónomos se interrogam sobre como é que os buracos negros supermassivos, que são alguns dos objetos mais brilhantes do Universo, podem existir menos de mil milhões de anos após o Big Bang. As estrelas normais simplesmente não conseguiriam criar buracos negros tão massivos com a rapidez necessária.

Agora, utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA, uma equipa internacional de astrónomos encontrou a primeira evidência convincente que resolve este mistério cósmico: existiram, no início do Universo, "estrelas monstruosas" com 1000 a 10.000 vezes mais massa do que o nosso Sol. A descoberta foi feita através da análise de assinaturas químicas numa galáxia chamada GS 3073.

Um estudo realizado pela Universidade de Portsmouth, em Inglaterra, e pelo Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, nos EUA, descobriu um desequilíbrio extremo entre o azoto e o oxigénio que não pode ser explicado por nenhum tipo de estrela conhecido.

Em 2022, os investigadores publicaram na revista Nature um trabalho que prevê que as estrelas supermassivas se formaram naturalmente em fluxos raros e turbulentos de gás frio no Universo primitivo, explicando como é que os quasares (buracos negros extraordinariamente brilhantes) puderam existir menos de mil milhões de anos após o Big Bang.

"A nossa mais recente descoberta ajuda a resolver um mistério cósmico com 20 anos", disse o Dr. Daniel Whalen do Instituto de Cosmologia e Gravitação da Universidade de Portsmouth. "Com GS 3073, temos a primeira evidência observacional de que estas estrelas monstruosas existiram.

"Estes gigantes cósmicos teriam brilhado intensamente durante um breve período de tempo antes de colapsarem em buracos negros massivos, deixando para trás as assinaturas químicas que podemos detetar milhares de milhões de anos mais tarde. Um pouco como os dinossauros na Terra - eram enormes e primitivos. E tiveram vidas curtas, durando apenas um-quarto de milhão de anos - um piscar de olhos cósmico".

A chave para a descoberta foi a medição da relação entre o azoto e o oxigénio em GS 3073. A galáxia contém um rácio de azoto para oxigénio de 0,46 - muito superior ao que pode ser explicado por qualquer tipo de estrela ou explosão estelar conhecida.

Devesh Nandal, do Instituto de Teoria e Computação do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian, explicou: "As abundâncias químicas atuam como uma impressão digital cósmica, e o padrão em GS3073 é diferente de tudo o que as estrelas normais podem produzir. O seu azoto extremo corresponde apenas a um tipo de fonte que conhecemos - estrelas primordiais milhares de vezes mais massivas do que o nosso Sol. Isto diz-nos que a primeira geração de estrelas incluía objetos verdadeiramente supermassivos que ajudaram a moldar as primeiras galáxias e podem ter dado origem aos atuais buracos negros supermassivos".

 
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Ao medir assinaturas químicas na galáxia GS 3073, os cientistas determinaram que a proporção de azoto para oxigénio era demasiado elevada para ser explicada por estrelas comuns. Em vez disso, os níveis extremos de azoto apontam para monstruosas estrelas primordiais com uma massa entre 1000 e 10.000 vezes superior à do Sol. Esta imagem simulada mostra o nascimento de um quasar primordial, ou buraco negro extraordinariamente brilhante, que foi possível graças a uma destas estrelas gigantes.
Crédito: Nandal et al
 

Os investigadores modelaram a forma como as estrelas com 1000 a 10.000 massas solares evoluiriam e que elementos produziriam. Descobriram um mecanismo específico que cria grandes quantidades de azoto:

  1. 1. Estas estrelas enormes queimam hélio nos seus núcleos, produzindo carbono;
  2. O carbono vaza para uma concha circundante onde o hidrogénio está a ser queimado;
  3. O carbono combina-se com o hidrogénio para criar azoto através do ciclo carbono-azoto-oxigénio;
  4. As correntes de convecção distribuem o azoto por toda a estrela;
  5. Eventualmente, este material rico em azoto é lançado para o espaço, enriquecendo o gás circundante.

O processo continua durante milhões de anos durante a fase de queima de hélio da estrela, criando o excesso de azoto observado em GS 3073.

Os modelos, publicados na revista The Astrophysical Journal Letters, também preveem o que acontece quando estas estrelas monstruosas morrem. Não explodem - em vez disso, colapsam diretamente em buracos negros massivos com milhares de massas solares.

Curiosamente, GS 3073 contém um buraco negro que se alimenta ativamente no seu centro - potencialmente o remanescente de uma destas primeiras estrelas supermassivas. Se confirmado, isto resolveria dois mistérios de uma só vez - de onde veio o azoto e como o buraco negro foi formado.

O estudo também descobriu que esta assinatura de azoto só aparece num intervalo de massa específico. Estrelas com menos de 1000 massas solares ou com mais de 10.000 massas solares não produzem o padrão químico correto para a assinatura, o que sugere a existência de um "ponto ideal" para este tipo de enriquecimento.

Estas descobertas abrem uma nova janela para as primeiras centenas de milhões de anos do Universo - um período cósmico a que os astrónomos chamam "Idade das Trevas", quando as primeiras estrelas se inflamaram e começaram a transformar a química simples do Universo primitivo na rica variedade de elementos que vemos hoje.

Os investigadores preveem que o Webb irá encontrar mais galáxias com excessos de azoto semelhantes à medida que continua a pesquisar o Universo primitivo. Cada nova descoberta reforçaria a hipótese destas primeiras estrelas ultramassivas.

// Universidade de Portsmouth (comunicado de imprensa)
// Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Simulação do nascimento de um quasar primordial (Nandal et al)

 


Quer saber mais?

Universo:
Wikipedia
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Universo (Wikipedia)
Fundo cósmico de micro-ondas (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)

Estrelas de População III:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Ciclo carbono-azoto-oxigénio:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
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STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
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NIRISS (NASA)
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Álbum de fotografias
A Nebulosa Cabeça de Cavalo

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: George Chatzifrantzis
 
Esculpida por ventos estelares e radiação, esta poeirenta nuvem molecular assumiu, por acaso, uma forma imediatamente reconhecível. Apropriadamente conhecida como a Nebulosa Cabeça de Cavalo, encontra-se a cerca de 1500 anos-luz de distância, inserida no vasto complexo de nuvens de Oríon. Com cerca de cinco anos-luz de "altura", a nuvem escura está catalogada como Barnard 33, identificada pela primeira vez numa chapa fotográfica tirada no final do século XIX. B33 é visível principalmente porque a sua poeira obscurante é silhuetada contra o brilho da nebulosa de emissão IC 434. As imagens do telescópio espacial Hubble do início do século XXI mostram estrelas jovens a formarem-se em B33. Claro, a magnífica nuvem interestelar vai mudar lentamente a sua forma aparente ao longo dos próximos milhões de anos. Mas, por agora, a Nebulosa Cabeça de Cavalo é um objeto atraente, embora difícil de observar com pequenos telescópios a partir do planeta Terra.
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