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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 242
30 de Junho de 2006
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INTERACÇÃO ENTRE GALÁXIAS GERA SUPERNOVA

Algumas galáxias chegam tão próximo das suas vizinhas que ficam muito distorcidas. Mas estes encontros entre galáxias possuem outro efeito: são responsáveis pela origem de novas estrelas, algumas das quais explodem. O telescópio VLT do ESO obteve uma imagem única de um par de galáxias enganchadas, nas quais houve a génese de uma supernova.

Devido à importância das supernovas para estudos cosmológicos, em particular das supernovas do tipo Ia, elas são um dos objectos celestiais mais pretendidos pelos astrónomos. Por este motivo, os astrónomos já apontaram por diversas vezes o VLT para regiões do espaço onde existem trios de galáxias.

Exemplo de fotografia e respectiva legenda
A interacção entre as duas galáxias.
Copyright: ESO

(clique na imagem para ver versão maior)
(para ver versão legendada clique aqui)

O objecto MCG-01-39-003 (parte de baixo à direita) é uma galáxia espiral peculiar que apresenta um gancho de uma dos lados, provavelmente devido à interacção com a sua vizinha, a galáxia espiral NGC 5917 (cima à direita). De facto, uma maior ampliação da imagem revela que a matéria é arrastada para fora de MCG-01-39-003 pela atracção de NGC 5917. Ambas as galáxias se encontram a cerca de 87 milhões de anos-luz na constelação de Balança.

A galáxia NGC 5917 (também conhecida como Arp 254 e MCG-01-39-002), é cerca de 750 mais ténue do que os objectos que podem ser observados à vista desarmada e tem cerca de 40,000 anos-luz de diâmetro. Foi descoberta em 1835 por William Herschel, que estranhamente parece não ter visto a sua companheira enganchada, apenas 2.5 vezes mais ténue.

Como é visto na parte de baixo à esquerda desta imagem excepcional do VLT, existe ainda uma outra bonita galáxia espiral barrada, ainda mais ténue e ainda sem nome, havendo ainda de fundo diversas pequenas galáxias que embelezam o fundo cósmico.

Mas a razão porque os astrónomos analisaram esta região foi devido ao facto de no ano passado uma estrela ter explodido nas vizinhanças do gancho. A supernova que foi chamada SN 2005cf, dado que foi a 84.ª a ser descoberta em 2005, foi avistada pelos astrónomos Pugh e Li usando o telescópio robótico KAIT a 28 de Maio. Parecia estar na ponte de material que liga MCG-01-39-003 a NGC5917. Uma análise posterior com o telescópio de 1,5 m do Observatório Whipple Observatory mostrou que esta supernova é do tipo Ia e que o material é ejectado a velocidades que vão até aos 15,000 km/s (ou seja, 54 milhões de quilómetros por hora!).

Imediatamente após a descoberta, a European Supernova Collaboration (ESC), liderada por Wolfgang Hillebrandt (do MPA em Garching, na Alemanha), começou uma campanha de observação a este objecto usando uma série de telescópios espalhados um pouco por todo o mundo.

Tem havido diversas indicações de que é de facto o contacto entre as galáxias que é responsável pelo aumento na formação de estrelas nestas regiões. Como consequência, espera-se que o número de supernovas do tipo Ia seja superior ao que se observa nas galáxias isoladas, pois a conjuntura favorece a explosão de estrelas massivas jovens. No entanto, a descoberta de pontes de contacto devido à interacção gravitacional entre as galáxias é um fenómeno relativamente raro. É por esta razão que a descoberta de SN2005cf próxima da matéria do gancho entre MCG-01-39-002 e MCG-01-39-003 constitui um caso muito interessante.

A supernova foi observada pela equipa da ESC durante toda a sua evolução. Agora, à medida que a supernova se torna cada vez mais ténue, são necessários telescópios cada vez maiores para a sua observação. Um ano após a sua descoberta, a supernova está já 700 vezes mais ténue.

A supernova foi observada pelo astrónomo do ESO Ferdinando Patat, que é membro da equipa liderada por Massimo Turatto (INAF-Padua, Italy), usando o VLT equipado com o instrumento FORS1. Os últimos estágios da evolução da supernova são muito importantes para analisar o material mais interior ejectado durante a explosão, de modo a poder compreender melhor o mecanismo da mesma.

“Curiosamente a supernova parece estar fora do material do gancho”, diz Ferdinando Patat. “O sistema original foi provavelmente arrancado de uma das duas galáxias e explodiu numa zona afastada do local onde havia nascido.”

A vida das galáxias não é fácil, mas a das estrelas também não.

Links:

Notícias Relacionadas:
ESO (Press Release)
Universe Today

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  

A Antena - Crédito: Daniel Verschatse (Antilhue Observatory)
A 60 milhões de anos-luz de nós, na constelação do Corvo, há duas grandes galáxias que colidiram formando o que se chama a Antena. Mas as estrelas das duas galáxias - NGC 4038 e NGC 4039 - não colidem no decurso do evento que decorre durante cerca de mil milhões de anos. Em vez disso, são as nuvens moleculares gigantes que chocam dando origem a violentos fenómenos de formação estelar. Esta imagem, que à distância a que se encontra a Antena representa uma abertura de 500 mil anos-luz, revela novos enxames estelares longe do local do acidente e que foram geradas pelas interacções garvitacionais ocorrentes ente as duas galáxias.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:00 e as 23:00, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 30/06: 181º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1908, ocorria o grande impacto de Tunguska na Sibéria.
Em 2001, era lançado o WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) a partir do Centro Espacial Kennedy.

Dia 01/07: 182º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2.3 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2.5 m chegou ao Monte Wilson. O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Observações: Lua no apogeu às 21h (hora local) a 404,448 km da Terra.
Palas em oposição às 21h (hora local).

Dia 02/07: 183º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, o satélite de raios-gama Vela foi lançado com a intenção de detectar explosões de bombas nucleares, mas tornou-se famoso pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1978, James Christy obtém uma fotografia de Plutão com uma forma distintamente alongada. Observações repetidas da forma e da sua variação foram provas suficientes para a descoberta do satélite de Plutão, Caronte.
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objectivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa. O primeiro encontro ocorreu a 13 de Março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Observações: Vénus a 4º N de Aldebarã às 21h (hora local).
Trânsito da Grande Mancha Vermelha de Júpiter cerca de 1h33 (hora local).

Dia 03/07: 184º dia do  calendário gregoriano.
História: Maior aproximação do Cometa C/1998 T1 (LINEAR) pela Terra (0.492 UA).

Observações: A Lua atinge o Quarto Crescente às 17h37 (hora local).
A Terra atinge o afélio às 24h (hora local) a cerca de 152.095.700 km do Sol.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O cometa mais brilhante de que há memória foi o Ikeya-Seki (C/1965 S1) decoberto em 1965 pelos astrónomos Kaoru Ikeya e Tsutomu Seki e que atingiu magnitude -7. O cometa brilhava tanto que chegou a ser visível em plena luz do dia. (clique aqui para ver imagem)
 
 
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