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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 272
14 de Outubro de 2006
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SOMBRA DE SATURNO LANÇA LUZ SOBRE OS ANÉIS

Os cientistas da NASA pensam que terão uma pista para onde encontrar as luas desaparecidas de Saturno: nos anéis próximos recentemente descobertos pela sonda Cassini.


Imagem dos anéis de Saturno obtida pela sonda Cassini.
Crédito: Cassini/NASA/ESA

(clique na imagem para ver maior)

Na última metade de Setembro o Sol esteve posicionado por trás de Saturno, o que proporcionou aos cientistas do projecto Cassini uma oportunidade sem precedentes para capturar imagens do planeta.

A coberto da sombra do planeta, todo o sistema de anéis de Saturno ficou visível nas imagens tendo surgido partículas microscópicas nunca anteriormente vistas.

A sonda descobriu um anel ténue nas órbitas das luas Jano e Epimeteu. Um segundo anel estreito foi descoberto na órbita onde a pequena lua Pallene seria descoberta uma semana mais tarde. São visíveis um terceiro e um quarto anel na Divisão de Cassini que é a grande falha no sistema de anéis principal de Saturno.


Imagem obtida pela sonda Cassini em que se vê o ténue anel de Pallene.
Crédito: Cassini/NASA/ESA
(clique na imagem para ver maior)

Os cientistas acreditam que um satélite poderá estar oculto próximo de um dos novos anéis.

“Tal como o velho ditado que diz que não há fumo sem fogo, em Saturno, onde há um novo anel há normalmente uma lua ligada a ele”, disse Jeff Cuzzi, um cientista do projecto Cassini que trabalha no Centro de Investigação Ames da NASA.

Os satélites mais pequenos de Saturno têm uma pequena gravidade e não conseguem reter qualquer matéria que seja libertada da sua superfície. Quando estes satélites são atingidos por meteoróides interplanetários a grande velocidade, o material da sua superfície é arrancado da superfície ficando em órbita em torno de Saturno criando anéis difusos ao longo do trajecto órbital do satélite.

Os trilhos também podem ter sido criados pelas colisões entre pequenos satélites. Por exemplo, o anel G de Saturno não parece ter qualquer satélite suficientemente grande para ser observável, o que poderá ser explicado pela desintegração recente de um satélite.

“Estamos a aproximar-nos no trilho destas pequenas luas,” disse Joe Burn, cientista de imagem do projecto Cassini na Universidade de Cornell. “Encontrar as luas e aprender acerca das interacções entre elas e os anéis ajudar-nos-á a compreender como se formaram as luas e talvez como se formou o sistema saturniano.”

A sonda Cassini também tirou vantagem da sua posição relativamente a Saturno para conseguir distinguir cores nos anéis. Estas diferenças podem indicar variações na composição e nas partículas microscópicas dos anéis. Também podem implicar que as partículas estão a ser separadas pela dimensão que possuem.

“O sistema principal dos anéis apresentam uma cor branca, enquanto o anel C é avermelhado e os anéis D e E são bastante azulados,” disse Phil Nicholson, outro cientista do projecto Cassini da Universidade de Cornell. “Ainda não compreendemos bem se estas variações são devidas à dimensão das partículas ou à sua composição, mas é bom ser surpreendido de vez em quando.”

A sonda Cassini continua obtendo imagens que talvez ajudem a clarificar este dilema até ao final da missão.

Links:

Notícias relacionadas:
Cassini-Huygens/NASA (Nota de imprensa)
SPACE.com

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 
Cadeia Markarian - Crédito: The Palomar-Quest Survey Team, CalTech
Através do cerne do enxame de galáxias de Virgem encontra-se uma cadeia de galáxias em linha que recebe o nome de Cadeia Markarian. A cadeia destaca-se pelo brilho das suas galáxias lenticulares sem pormenores que podem ser vistas no lado inferior direito da imagem que são as galáxias M84 e M86 e estende-se através de várias galáxias espirais até ao lado superior esquerdo, incluindo M88.O enxame de Virgem é o enxame mais próximo de nós e contém mais de 2000 galáxias. Tem uma acção gravitacional muito forte sobre o Grupo Local de Galáxias onde se encontra a nossa Via Láctea. O centro do enxame de Virgem encontra-se a 70 milhões de anos-luz de nós na direcção da constelação de Virgem.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 14/10: 287º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1960, a sonda soviética Mars 1960B falha a inserção na órbita da Terra.
Observações: Quarto Minguante às 01h (hora local).

Dia 15/10: 288º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, o papa Gregório XIII implementa o calendário gregoriano.
Em 1997, era lançada a sonda Cassini para Saturno a partir de Cabo Canaveral.
Observações: A estrela mais brilhante no céu perto do zénite depois do anoitecer (se viver em latitudes médias a Norte) é Deneb. Vega brilha para Oeste.

Dia 16/10: 289º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 2001, a sonda Galileu passava a 181 km de Io, uma das luas de Júpiter.
Observações: Saturno a 2º S da Lua às 15h (hora local), o que significa que estarão próximos na madrugada deste dia.

Dia 17/10: 290º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Mercúrio na máxima elongação Este (25º) às 05h (hora local). A melhor ocasião para observá-lo logo após o por-do-sol.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Saturno tem uma densidade média inferior à da água.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
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