Left Marker
Logo
BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 280
11 de Novembro de 2006
Right Marker
Menu
 
 

TEMPESTADE GIGANTESCA EM SATURNO

Foi detectada em Saturno uma tempestade violentíssima com cerca de dois terços do diâmetro da Terra e diferente de tudo o que até hoje foi observado.


Um furacão de 8.000 km de diâmetro em torno do pólo Sul de Saturno.
Notem-se os contornos bem definidos.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute

(clique na imagem para ver maior)

A tempestade, com cerca de 8,000 quilómetros de diâmetro, tem o aspecto estranho do olho de um furacão terrestre [ver imagem]. No entanto, é substancialmente diferente de qualquer furacão terrestre, disseram hoje os cientistas.

A sonda Cassini da NASA fotografou a gigantesca tempestade que tem uma velocidade de rotação superior a 550 km/h junto ao pólo Sul do planeta: A altura das estruturas anelares que formam o olho tem entre 30 e 75 km, o que significa que são cerca de cinco vezes maiores que as que formam os furacões mais fortes da Terra.

"Parece um furacão mas não se comporta como um furacão," disse Andrew Ingersoll, um membro da equipa de Imagens da sonda Cassini do Instituto de Tecnologia da Califórnia. "O que quer que seja, vamos agora focar-nos no olho da tempestade para tentar saber o que faz aqui."

O olho da tempestade está completamente liberto de nuvens, tal como nos furacões da Terra. Os cientistas não sabem se existe ascensão de ar húmido a alimentar as nuvens, mas dizem que o olho da tempestade, a parede interna e os braços espirais são "tipo-furacão".

No entanto, os astrónomos dizem que o olho está sobre o pólo e que parece estar fixo no mesmo local. A estrutura é tanto mais singular porque nas outras tempestades de planetas descobertas como o Grande Olho vermelho de Júpiter e muitas outras mais pequenas descobertas em Júpiter e Saturno, nunca havia sido observado um "olho".

Esta tempestade fornece também uma janela para regiões mais profundas de Saturno que aquelas que normalmente se conseguem penetrar com as nuvens do planeta, o que permitiu observar um conjunto de nuvens densas no fundo do olho.

As anteriores observações do pólo Sul do planeta tinha revelado que esta região se encontrava a uma temperatura cerca de 2 graus Celsius mais elevada que as restantes partes do planeta.

"Os ventos diminuem com a altitude e a atmosfera está-se a afundar e a aquecer sobre o pólo Sul," disse Richard Achterberg, um elemento da equipa do espectrómetro compósito de infravermelho da Cassini que trabalha no Centro Espacial Goddard.

Para ver um pequeno video da tempestade clique aqui.

Links:
NASA (Nota de Imprensa)

 
 

ESTARÁ A LUA AINDA VIVA?

Na revista Nature publicada hoje, uma equipa de cientistas coordenada pelo Prof. Peter Schultz da Universidade de Brown anunciou evidências de actividade geológica recente na Lua. Embora o vulcanismo lunar seja suposto estar extinto há milhares de milhões de anos, existe pelo menos um local na Lua onde as erupções poderão ter ocorrido até mais recentemente e poderão mesmo ainda estar a ocorrer.(Schultz, Staid and Pieters, Nature, 444, 184).


Ina em cores falsas. A azul estão marcadas os basaltos ricos em titânio, enquanto a verde claro estão as regiões que estão praticamente inalteradas por colisões.
Crédito: NASA

(clique na imagem para ver maior)

O local é uma estrutura geológica estranha chamada Ina que fica situada no Lacus Felicitatis, um lago antigo de lava endurecida nas coordenadas lunares19o N, 5o E. "Ina foi notada pela primeira vez pelos astrónomos das missões Apollo," diz Schultz. Nas fotografias, "parece uma estrutura com a forma da letra "D" com cerca de dois quilómetros de diâmetro."

Existem três aspectos de Ina que apontam para uma actividade recente:

1º - Ina tem bordos extremamente bem definidos. Segundo Schultz, "uma coisa tão bem definida não duraria tanto tempo. Seria destruida em cerca de 50 milhões de anos". A destruição dos bordos definidos da cratera lunares é o bombardeamento constante da superfície por meteoritos.

2º - Ina quase não tem crateras. Enquanto pequenos meteoróides vão cravejando a superfície lunar ocorrem ocasionalmente meteoritos maiores que formam crateras. Quanto mais antiga for maior será o número de crateras numa dada região. "Ina é quase desprovida de crateras," nota Schultz. "Apenas encontramos duas crateras de impacto superiores a 30 metros no chão da estrutura".

3º - Ina é brilhante possui cores estranhas. As rochas e poeiras da superfície da Lua ficam cada vez mais escuras à medida que o tempo passa. O agentes responsáveis pelo obscurecimento são uma chuva contínua de raios cósmicos, a radiação solar e os meteoróides que atingem a Lua. Ina não regista este obscurecimento apresentando o brilho típico de uma cratera de impacto jovem. No entanto, é practicamente certo que Ina não é uma cratera de impacto.

Parecem haver novos motivos para continuar a observar a Lua. Schultz acredita que poderá ainda haver emissões de gases interessantes (água e dióxido de carbono) nesta estrutura e em quatro outras estruturas semelhantes.

"A Lua poderá afinal não estar morta", afirma Schultz.

Links:
NASA (Nota de Imprensa)

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 
M51 - Galáxia do Remoinho (Whirlpool) - Crédito: S. Beckwith (STScI) Hubble Heritage Team, (STScI/AURA), ESA, NASA
Sigam a cauda da Ursa Maior até chegar à última estrela brilhante (Alkaid). Então desviem o telescópio um pouco para Sul e para Oeste (assumindo a Ursa de cabeça para cima) e poderão observar este fabuloso par de galáxias em interacção que constitui a 51ª entrada do famoso catálogo de Charles Messier de objectos que não são cometas. O par NGC5194 e NGC5195, encontra-se a cerca de 31 milhões de anos-luz do Sol e encontra-se oficialmente na constelação Canes Venatici (Cães de Caça).
Ver imagem em alta-resolução
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 11/11: 315º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1572 Tycho Brahe observa uma nova no céu. Isto é uma prova contra a teoria de Aristóteles que os céus são imutáveis.
Observações: O cometa SWAN mantém-se um objecto interessante de observar.

Dia 12/11: 316º dia do calendário gregoriano.
História:  Em  1965, é lançada a sonda Venera 2 (USSR), com objectivo Vénus.
Em 1980, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Saturno.
Em 1981, lançamento STS-2 do vaivém Columbia.
Observações: Lua em Quarto Minguante às 19h. A Lua nasce tarde entre Saturno e Régulo esta noite. Esta noite também ocorrem as Tauridas, que se prevê venham a ser um espectáculo pobre.

Dia 13/11: 317º dia do  calendário gregoriano.
História:  Em 1833, deu-se a Grande Chuva de Meteoros Leónidas. Durante as quatro horas que precederam o nascer-do-dia, os detritos do cometa Tempel-Tuttle iluminaram o céu nocturno, causando pânico a quem os observava.
Em 1971, a sonda americana Mariner 9 torna-se na primeira a orbitar Marte.
Em 1999, a falha de um quarto giroscópio deixa em maus lençóis o Telescópio Espacial Hubble até que o encontro SM3A (missão STS-103 do vaivém espacial) o repara a 20 de Dezembro de 1999.
Observações: Ao início da noite o triângulo de Verão domina o céu nocturno a Oeste-noroeste.

Dia 14/11: 318º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da Apollo 12 às 11:22 EST do Centro Espacial Kennedy. A segunda aterragem lunar aterrou no Oceano das Tempestades, perto do local de aterragem da Surveyor 3.
Em 1999, primeira confirmação de um planeta extrasolar .
Observações: A cerca de 2º à direita de Altair encontra-se Tarazed (Gama Aquilae) que é cerca de 75 vezes mais brilhante que Altair, mas que se encontra a vinte vezes a distância. As distâncias a Altair e a Tarazed são 17 e 325 anos-luz, respectivamente. Será capaz de observar a radiação alaranjada de Tarazed?

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Numa colisão entre galáxias existe formação e desaparecimento de estrelas. No entanto a colisão é na sua maior parte colisão entre gás e poeiras e não colisão de estrelas entre si.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.
 
 
Fórum de Astronomia
 
Bottom thingy left  
Browser recomendado
 
RSS Feed - ainda não implementado
 
Página do Centro Ciência Viva do Algarve
  Bottom thingy right
Boletim informativo, p.f. não responda ao e-mail. Remover da lista.
Compilado por: Miguel Montes e Alexandre Costa
 
Leitor de e-mail recomendado Browser recomendado Calendário de actividades astronómicas Arquivos de todas as edições dos boletins astronómicos Fórum de discussão sobre Astronomia Página do Centro Ciência Viva do Algarve Browser recomendado Leitor de e-mails recomendado