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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 306
21 de Fevereiro de 2007
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ECLIPSE LUNAR TOTAL - 3 DE MARÇO

Imagine: o ano é 2025 e está na Lua. "Casa" encontra-se a 100 metros de distância - um posto no limite da Cratera Shackleton. A NASA começou a construí-lo cinco anos antes, e está a crescer rapidamente. É um dos construtores.

Como sempre, nestas regiões polares, o Sol não sobe muito no horizonte. Ajusta o seu visor. Surpreende-se quão brilhante um Sol baixo pode ser quando não há atmosfera para o atenuar.

E subitamente, as luzes apagam-se.

No céu, um grande disco negro cobre o Sol. Um "anel de fogo" vermelho aparece onde este estava momentos antes, e o seu brilho torna o chão por baixo dos seus pés, vermelho.

Estava esperando por este momento. É um eclipse.


Na Lua, o chão torna-se vermelho durante um eclipse lunar. Esta foto foi tirada em Palm Beach, Flórida, durante o eclipse lunar total de 27 de Outubro de 2004.
Crédito: Doug Murray
(clique na imagem para ver versão maior)

Os astronautas na Lua irão observar eclipses regularmente uma ou duas vezes por ano: a Terra coloca-se em frente do Sol, tornando o dia lunar numa espécie de noite avermelhada. Será um dos pontos altos de qualquer passeio lunar.

O charme do eclipse vem da Terra. O nosso planeta é grande o suficiente (diâmetro aparente três vezes maior) para cobrir a totalidade do Sol mas, curiosamente, isto não causa escuridão total. Raios de luz são distorcidos nos limites da Terra, filtrando-os pela atmosfera. Da Lua, os limites da Terra brilham de vermelho, tal como se de um pôr-do-Sol se tratasse - um anel de fogo - uma das mais lindas visões do Sistema Solar. (uma animação simplificada do processo, com 1.2 MB, pode ser aqui observada. Crédito: Artista gráfico Larry Koehn)

Não consegue esperar até 2025? O próximo eclipse está mesmo ao virar da esquina: Sábado, 3 de Março, 2007. Presos na Terra, não poderemos ver o anel de fogo, mas conseguiremos, sim, observar o brilho avermelhado que o nosso planeta produz na Lua. O fenómeno será visível em partes de todos os sete continentes.


Mapa de visibilidade do eclipse lunar de 3 de Março de 2007.
Crédito: Fred Espenak, NASA/GSFC
(clique na imagem para ver versão maior)

Em Portugal, o eclipse será totalmente visível. Começará por volta das 20:16, o início da totalidade será pelas 21:30, esta acabará mais ou menos às 01:12, e o fim do eclipse acontecerá às 02:25. À medida que a noite passa, imagine como seria estar na Cratera Shackleton, observando o eclipse na direcção oposta.

Não é um sonho assim tão rebuscado. A NASA planeia regressar à Lua não mais tarde do que 2020. A partir da sua base polar, os humanos irão explorar as redondezas em busca de recursos para com que possam "viver à base da terra". Estudarão a geologia da Lua, aprendendo mais sobre o potencial único do nosso satélite revelar segredos da Terra e do Sistema Solar. Irão também testar tecnologias necessárias para as missões futuras em Marte.

E ocasionalmente, quando o chão ficar vermelho, farão uma pausa e olharão para o anel brilhante no céu.

3 de Março é uma boa noite para imaginar isso.

Links:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Shadow & Substance
iTWire
PhysOrg.com

Eclipses lunares:
Wikipedia
NASA
MrEclipse.com

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

 
 

CANAIS SUBTERRÂNEOS CONDUZIAM ÁGUA EM MARTE

De acordo com novas imagens de fracturas tipo-canos em rochas, tiradas pela mais poderosa câmara em órbita de Marte, água pode já ter fluido alguns quilómetros debaixo da superfície marciana.

Os cientistas geralmente focam a sua caça por sinais de água em Marte em potenciais leitos de rio, possíveis antigos lagos e "gullies". Agora, estas fracturas poderão proporcionar aos cientisas planetários um novo local para pesquisar sinais de água passada em Marte - e potencialmente vida.

"Estas áreas subterrâneas mais profundas poderão ter sido um oásis para qualquer tipo de actividade biológica que pudesse estar a ocorrer," diz Chris Okubo, cientista planetário da Universidade do Arizona em Tucson, EUA.

A câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) a bordo da sonda da NASA, Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), observou riscas longas, direitas e escuras nas paredes de Candor Chasma, que faz parte do gigante sistema de desfiladeiros, Valles Marineris.


Fracturas tectónicas dentro da região Candor Chasma de Valles Marineris, Marte. Isto aponta para episódios passados de alteração por fluídos ao longo das fracturas e revela pistas sobre o passado molhado e condições geoquímicas por baixo da superfície.
Crédito: NASA/JPL/Univ. do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

Estas riscas, com cerca de meio metro de largura e com alguns quilómetros em comprimento, são fendas no chão que podem ter sido formadas a partir do peso de rocha sobreposta que desde aí sofreu erosão. Uma outra hipótese explica que as fracturas podem ter sido causadas pelos processos que formaram Valles Marineris, com 4000 quilómetros.

Os cientistas acreditam que as fendas já lá estavam quando um líquido - muito provavelmente água de um aquífero subterrâneo - flui por elas há centenas de milhões de anos até mil milhões de anos.

As provas dessa existência de água vêm de várias observações. As fendas são flanqueadas por bandas claras, chamadas halos, com 5 a 10 metros de largura.

A sua cor clara pode ser explicada por uma espécie de branqueamento ou descoloração. Água ácida que corria ao longo das fracturas pode ter corroído os escuros minerais ricos em óxido de ferro da rocha, tornando-a mais clara em cor.


Imagem da câmara HiRISE a bordo da sonda MRO, mostrando os halos ao longo das fracturas expostas em Meridiani.
Crédito: NASA/JPL/Univ. do Arizona
(clique na imagem para ver parte 1, e aqui para ver parte 2)

Os minerais na água poderão também ter sido depositados na rocha, cimentando os grãos e tornando-os mais fortes e menos vulneráveis à erosão. Isto pode explicar o porquê dos halos estarem tão bem preservados enquanto a rocha em redor sofreu erosão ao longo dos milhões de anos.

Observações prévias também encontraram sinais de água em Candor Chasma. Em 2005, o Observatoire pour la Mineralogy, l'Eau, les Glaces et l'Activité (OMEGA), um instrumento hiperespectral a bordo da sonda europeia Mars Express, detectou sulfatos ricos em cálcio nessa zona.

Estes sulfatos formam-se na presença de água ao longo de um grande período de tempo, por isso além de um aquífero subterrâneo, a água também poderá ter existido em "oceanos" à superfície.

Desde que as imagens iniciais foram registadas, a HiRISE já notou extensivas evidências deste género de características em sedimentos rochosos noutro local do planeta, principalmente perto do equador de Marte.

Por exemplo, já observou características de fluídos na cratera Victória, mesmo a Sul do equador, onde o rover da NASA, Opportunity, está rolando ao longo do seu limite. Estas fracturas parecem estar rodeadas por rocha cimentada no limite Este da cratera e na sua base.


Imagem do limite Este da cratera Victória, em Meridiani Planum, Marte.
Crédito: NASA/JPL/Univ. do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

Um dos objectivos da NASA para a Opportunity é alcançar esse lado da cratera. Se for capaz de lá chegar, a Opportunity poderá providenciar algumas observações microscópicas da rocha, de modo a confirmar se a rocha foi de facto cimentada por fluídos.

Okubo diz que sondas futuras, tal como o Laboratório Científico de Marte da NASA, que se espera seja lançado em 2009, poderão aterrar em alguns destes depósitos sedimentares e observá-los mais de perto.

Desde que tirou estas imagens, a HiRISE tem na realidade tido alguns problemas com os seus detectores, e os gestores da missão estão preocupados com o agravar da situação.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Spaceflight Now
Voice Of America
BBSNews
New York Times
Astrobiology Magazine
ABC Online
Reuters
Discovery Channel
The Register
National Geographic
BBC News

MRO:
Página oficial da NASA
Página oficial do JPL
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Nova no Irão - Crédito: Mohammad Rahimi
Uma brilhante e nova "nova" está sendo estudada pelos astrónomos. Com o nome oficial de Nova Scorpii 2007, nos últimos dias ficou tão brilhante que é agora visível à vista desarmada. Os entusiastas terão que se levantar ainda cedo para poder observá-la em céus escuros, na direcção da constelação de Escorpião, mesmo por baixo de Júpiter e Antares. A imagem do lado poderá ajudar como um mapa celeste. Uma nova com este brilho é rara e são causadas por explosões termonucleares que libertam as camadas exteriores de uma estrela anã branca. Registada na Sexta-feira passada (dia 16), a nova estava sendo estudada através de um pequeno telescópio à medida que aparecia no Deserto de Varzaneh em Isfahan, Irão. A nova irá provavelmente diminuir de brilho mas permanecerá visível com binóculos pelo menos durante mais uns dias.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
  ESPAÇO ABERTO 2007:  
 
Observação astronómica, dia 24 de Fevereiro de 2007, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 21/02: 52º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1901 é observada a primeira brilhante nova do século XX. É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0.2 a 23 de Fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio do brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Observações: Esta noite, duas das três mais brilhantes estrelas de Carneiro encontram-se para cima e para a direita da Lua. Estão alinhadas quase verticalmente.

Dia 22/02: 53º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1995, o asteróide 1995CR passa a 7.2 milhões de quilómetros da Terra.
Observações: Aproveite o caír da noite para observar Vénus.

Dia 23/02: 54º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1950, descoberta do asteróide (29075) 1950 DA. Foi observado durante 17 dias e depois diminuiu de brilho até não poder ser visto durante meio século. No fim do ano 2000 (31 de Dezembro), um objecto foi reconhecido como sendo o há muito perdido 1950 DA. Observações do objecto descrevem a rocha como tendo 1.1 km de diâmetro e uma rotação de 2.1 horas, a rocha com o período de rotação mais rápido já encontrada no nosso Sistema Solar.
Em 1987, supernova na Grande Nuvem de Magalhães visível a olho nu, resultado de uma explosão da supergigante azul Sanduleak 69. Conhecida como SN1987A, foi a primeira supernova "próxima" dos últimos três séculos.
Em 1999, conjunção de Júpiter com Vénus. As conjunções não são eventos raros. Mas as conjunções planetárias são raramente tão próximas e Vénus e Júpiter são os objectos mais brilhantes do céu, a seguir ao Sol e à Lua.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O primeiro homem no espaço foi o cosmonauta Yuri Gagarin, a 12 de Abril de 1961, 25 dias antes do americano Alan Shepard.
 
 
  PERGUNTE AO ASTRÓNOMO:  
 
Tem alguma dúvida sobre Astronomia no geral que gostaria de ver esclarecida? Pergunte-nos! Tentaremos responder à sua questão da melhor maneira possível.
 
 
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