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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 344
29 de Agosto de 2007
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CURVATURA DE EINSTEIN DESCOBERTA EM TORNO DE ESTRELAS DE NEUTRÕES

A curvatura do espaço-tempo prevista por Einstein foi descoberta em torno de estrelas de neutrões, a matéria observável mais densa do Universo.

De acordo com astrónomos da NASA e da Universidade do Michigan, a curvatura aparece como linhas borradas de gás ferroso girando em torno das estrelas. O achado também indica um tamanho limite para estes objectos celestes.

Um artista ilustra um disco quente de gás girando em torno de uma estrela de neutrões. O gás na parte interior do disco gira tão depressa que sofre efeitos previstos pela teoria da relatividade de Einstein.
Crédito: NASA/Dana Berry

As mesmas distorções foram já descobertas em torno de buracos negros e até mesmo em volta da Terra, por isso embora a descoberta não seja nada surpreendente, é importante para responder algumas questões básicas da Física, diz o membro da equipa de estudo, Sudip Bhattacharyya do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland e da Universidade de Maryland, College Park.

"Este é um tema fundamental da Física," disse Bhattacharyya. "Podem existir tipos exóticos de partículas ou estados de matéria, tal como a matéria quark, nos centros das estrelas de neutrões, mas é impossível criá-las em laboratório. A única maneira de as descobrirmos é compreendendo as estrelas de neutrões."

As estrelas de neutrões podem conter mais material que uma estrela numa esfera com o tamanho de uma cidade. Umas poucas colheres do material das estrelas de neutrões pesariam mais do que o Monte Evereste. Os astrónomos usam estas estrelas colapsadas como laboratórios naturais de modo a estudar como esta matéria tão densa pode ser compactada nas mais extremas pressões que a Natureza pode proporcionar.

Para apenas começar a explicar o mistério do que se encontra dentro destas estrelas mortas, os cientistas têm que medir com precisão e detalhe os seus diâmetros e massas.

Em dois estudos simultâneos, astrónomos usando o Observatório de Raios-X da ESA, XMM-Newton, e o observatório de raios-X Japonês/NASA Suzaku, estudaram três binários com estrelas de neutrões: Serpens X-1, GX 349+2 e 4U 1820-30. Também estudaram as linhas espectrais de átomos de ferro quente que gira em torno de um disco para lá das superfícies das estrelas de neutrões a velocidades que alcançam 40% da velocidade da luz.


Muitas estrelas de neutrões estão acompanhadas por outra estrela, tal como ilustrado nesta imagem. A poderosa gravidade da estrela de neutrões atrai gás da companheira, que depois fica situado num disco espiral em torno da estrela de neutrões.
Crédito: NASA

Normalmente, as linhas espectrais medidas para os átomos de ferro superaquecido deveriam aparecer como um pico simétrico. No entanto, os seus resultados mostraram um pico assimétrico, indicativo da distorção resultante de efeitos relativísticos. O movimento extremamente rápido do gás (e a poderosa gravidade relacionada), dizem, faz com que as linhas pareçam borradas, desviando-as para maiores comprimentos de onda.

As medições permitiram determinar o tamanho máximo da estrela. "Estamos vendo o gás rodando mesmo por fora da superfície da estrela de neutrões," disse o membro da equipa do XMM-Newtron, Edward Cackett da Universidade do Michigan. "E dado que a parte interior do disco não pode obviamente orbitar mais próximo que a superfície da estrela de neutrões, estas medições dão-nos um tamanho máximo do diâmetro da estrela de neutrões." As estrelas de neutrões, diz, não podem ter mais que 33 quilómetros de diâmetro.

O artigo científico do XMM-Newton foi publicado no dia 1 de Agosto no Astrophysical Journal Letters. O outro artigo foi entregue para publicação no mesmo jornal.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (requer subscrição)
NASA (comunicado de imprensa)
Space Ref
Science Daily
SPACE.com
The Register
MSNBC

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

 
 

SONDA HAYABUSA RECUPERA TERCEIRO MOTOR IÓNICO

No final de 2005, esta newsletter mencionou por várias vezes a sonda Hayabusa, uma sonda japonesa que viajou até ao asteróide Itokawa, que supostamente terá aterrado e recuperado amostras. Não se sabe se de facto teve sucesso, visto ter sofrido à última da hora várias avarias e uma perda de contacto com a Terra. A sonda perdeu todo o seu combustível para os motores de impulsão devido a uma fuga, e por isso os controladores da missão têm desde aí tentado fazer regressar a Hayabusa usando os seus motores iónicos.

Estes motores ionisam o gás xénon e usam depois campos eléctricos para acelerar iões, providenciando um contínuo - embora fraco - impulso. Estavam apenas destinados a serem usados na viagem para longe do asteróide.


Concepção de artista da sonda japonesa Hayabusa, aterrando no asteróide e começando as operações de recolha de amostras.
Crédito: Space Robotics Lab/Universidade de Tohoku
(clique na imagem para ver versão maior)

Dois dos seus quatro motores iónicos foram testados em meados de 2006 e descobriu-se que estavam aptos a funcionar, e a Hayabusa começou a sua viagem de regresso em Abril de 2007. Mas estes motores estão em perigo de falhar - um já funciona há 13.500 horas, perto do seu limite de funcionamento de 14.000 horas.

Agora, os operadores da sonda conseguiram reavivar um terceiro motor iónico. O facto de ter outro motor a funcionar aumenta as hipóteses da sonda ser capaz de viajar até à Terra. De acordo com um comunicado de imprensa da Agência Espacial Japonesa (JAXA), o motor começou a disparar iões no passado dia 28 de Julho depois de alguns dias a aquecer a fonte de energia do motor. O terceiro motor apenas esteve ligado durante 7.000 horas, o que o deixa com um tempo de vida superior aos outros dois. O quarto motor actua como um motor de reserva caso os outros falhem.

A Hayabusa tinha o objectivo de recolher amostras do Itokawa ao disparar pequenas esferas metálicas, recolhendo os detritos libertados pela rocha de 535 metros. Mas os dados das duas aterragens em Novembro de 2005 sugerem que estes pequenos chumbos nunca foram disparados porque o computador de bordo da sonda enviou sinais conflituosos aos seus instrumentos de recolha.


O asteróide Itokawa. Ninguém sabe o porquê de não existirem crateras de impacto, embora existam duas teorias.
Crédito: ISAS/JAXA
(clique na imagem para ver versão maior)

Se a sonda regressar em 2010, como está planeado, os cientistas poderão finalmente descobrir se recolheu ou não as primeiras amostras de um asteróide durante as suas duas aterragens na pequena rocha espacial Itokawa.

Mesmo assim, os cientistas da missão esperam fazer regressar a sonda à Terra, caso algum pó do asteróide tenha sido recolhido por acaso. Se completar a viagem, espera-se que liberte uma cápsula que aterrará no deserto australiano em Junho de 2010.

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
04/11/05 - Apesar das imagens Hayabusa sofre retrocesso
22/11/05 - Hayabusa falha aterragem
29/11/05 - Missão Hayabusa com sucesso
13/12/05 - Missão Hayabusa provavelmente falhou

Sonda Hayabusa:
Página oficial (JAXA)
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
O Grande Vazio do Universo - Crédito: Bill Saxton, U. Minnesota, NRAO, AUI, NSF NASA
O que terá criado este grande vazio no Universo? Ninguém sabe com certeza, enquanto o "buraco" com cerca de mil milhões de anos-luz está a ser estudado. Não é um buraco no espaço tal como um buraco negro, mas uma vasta região do Universo que parece não ter matéria normal nem mesmo até matéria escura. No entanto, pensa-se que o vazio contenha energia escura, e é claramente atravessável pela luz. A existência deste vazio está sendo postulada seguindo a curiosidade científica sobre como áreas frias apareceram no mapa de radiação micro-ondas cósmica de fundo do WMAP. Uma possibilidade é que esta região não era de facto muito fria mas a luz do vazio de algum modo se tornou cosmologicamente mais desviada para o vermelho que o normal ao longo do percurso. Sabe-se que existem outros vazios no Universo, mas este parece ter um efeito gravitacional invulgarmente grande, e por isso poderá ser o maior do Universo visível. Durante a sua investigação, um estudo recente descobriu um número invulgarmente baixo de fontes cósmicas de rádio entre a Terra e o vazio, que levou à inferência deste grande vazio. Uma impressão de artista deste grande vazio cósmico está visível na imagem do lado.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
Até 15 de Setembro, todos os dias excepto às segundas-feiras, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.
 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 29/08: 241º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Se nunca viu a Lua por um telescópio, aproveite esta noite para a observar em quaisquer dos locais onde esteja a decorrer a Astronomia no Verão.

Dia 30/08: 241º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, aproximação máxima do cometa Forbes (0.978 UA).
Em 1984, o vaivém Discovery fazia a sua viagem inaugural, a missão STS-41.
Observações: Sempre que Vega se encontra perto do zénite, Arcturo, a outra brilhante estrela do Verão, está descendo a Oeste. A cerca de 1/3 da distância entre Acrturo e Vega, encontra-se a constelação da Coroa Boreal - um pequeno semi-círculo de estrelas. A dois terços da distância está situada a constelação de Hércules.

Dia 31/08: 242º dia do  calendário gregoriano.
Observações: A área entre as constelações de Sagitário e Escorpião é extremamente rica em objectos estelares. Porquê? Porque é na sua direcção que está localizado o coração da nossa Via Láctea: o Centro Galáctico. Ao observar esta zona com uns meros binóculos poderá observar muitos enxames abertos, alguns enxames fechados e algumas nebulosas.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
Sabia que o Google Earth agora também mostra o céu?
 
 
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