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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 398
De 19/03 a 21/03/2008
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  IO CRIA MANCHAS EM JÚPITER
   


Imagem em ultravioleta do pólo norte de Júpiter, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. Entre muitas outras estruturas aurorais, a pegada de Io é a característica mais próxima do equador, perto do centro da imagem. Esta mancha está sempre localizada perto dos pés das linhas do campo magnético ligadas ao satélite Io.
Crédito: LPAP/Universidade de Liège


O Telescópio Espacial Hubble obteve esta imagem do pólo de Júpiter no ultravioleta. Nesta configuração, a pegada de Io consiste de duas manchas no meio das imagens. A mancha mais ténue é a recém-descoberta mancha principal.
Crédito: LPAP/Universidade de Liège

Júpiter é um local com manchas. Até existe a famosa Grande Mancha Vermelha - uma enorme e duradoura tempestade - que todos nós conhecemos, e de vez em quando nascem novas tempestades, criando características interessantes para os astrónomos, profissionais e amadores, observarem. A mais recente fornada de novas manchas só pode ser observada no ultravioleta, mas acrescentam um nível completamente novo de complexidade para os cientistas estudarem.

Io, uma das muitas luas de Júpiter, é vulcanicamente activo. Aí, erupções libertam grandes quantidades de enxofre para o sistema. Este enxofre é então ionizado e recolhido pela forte magnetosfera de Júpiter. As interacções entre os iões e a magnetosfera provocam auroras no espectro UV, semelhantes aos fenómenos que provocam as auroras boreais cá na Terra. Io deixa desta maneira uma 'pegada' em Júpiter e cria uma forma espiral que brilha nos dois pólos do planeta.

A rotação de Júpiter provoca a forma espiral da aurora: Io está 'ligada' numa mancha, e à medida que Júpiter roda, desenha um redemoinho que brilha no ultravioleta em torno do pólo. Os astrónomos tinham já previamente observado manchas na direcção contrária à mancha principal provocadas pela interacção com Io, mas estas novas imagens mostram uma mancha em frente da principal, essencialmente na direcção do fluxo de partículas que provoca o fenómeno.


Exemplo de uma mancha principal (a) no hemisfério Norte e (b) no hemisfério Sul.
Crédito: União Geofísica Americana

As manchas foram descobertas por uma equipa da Universidade de Liège na Bélgica, a partir de imagens de Júpiter tiradas no ultravioleta pelo Telescópio Espacial Hubble. Descobriram que quando existem ténues manchas num dos hemisférios, existiam manchas múltiplas no outro. Os cientistas propuseram que um feixe de electrões estivesse a ser transferido de um hemisfério para outro, causando o aparecimento de manchas mais ténues. Os resultados do estudo foram publicados na edição mais recente das Geophysical Research Letters.

A imagem em baixo ilustra os diferentes mecanismos que criam as manchas aurorais. O grande disco em torno de Júpiter é a pluma de enxofre criada por Io. A linha azul entre Io e Júpiter é onde está ligada pelo enxofre ionizado, atraído e canalizado pela magnetosfera de Júpiter. As linhas vermelhas ilustram os possíveis feixes de electrões ligando os pólos, que criam as recém-descobertas manchas.


Ilustração tridimensional do mecanismo proposto para explicar as manchas principal e secundária da pegada de Io. O toro de plasma, formado por partículas ionizadas, vem do vucanismo de Io. O sistema formado pelas ondas de plasma geradas pelo movimento de Io na corrente de plasma está representado a azul. É a causa principal para a mancha principal em cada hemisfério. Os feixes de electrões estão representados a vermelho. Pensa-se que sejam a causa da mancha principal (Norte) e da mancha secundária (Sul).
Crédito: LPAP/Universidade de Liège

Quando o Hubble estiver reparado em Agosto, os cientistas esperam estudar com mais detalhe este fenómeno e melhor compreender esta complexa interacção.

Links:

Notícias relacionadas:
Geophysical Research Letters (requer subscrição)
SPACE.com
Science Daily
Universe Today
Science Centric
MSNBC

Io:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
M78 e as nuvens de reflexão em Orionte - Crédito: Martin Pugh
Um fantasmagórico brilho azul e colunas de poeira escura salientam M78 e outras nebulosas azuis de reflexão na constelação de Orionte. A poeira escura não só absorve a luz, mas também reflecte a luz de várias estrelas azuis que se formaram recentemente na nebulosa. Das duas nebulosas de reflexão na imagem à esquerda, a mais famosa é M78, mais para a direita, enquanto NGC 2071 pode ser vista à esquerda. O mesmo tipo de dispersão que dá cor ao céu diurno faz sobressair a cor azul. M78 mede sensivelmente cinco anos-luz em comprimento e é visível através de um pequeno telescópio. M78 aparece apenas como era há 1600 anos atrás, no entanto, porque é esse o tempo que a luz demora a viajar de lá até aqui. M78 pertence ao maior Complexo da Nuvem Molecular de Orionte, que contém a Grande Nebulosa de Orionte e a Nebulosa Cabeça de Cavalo.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 19/03: 74.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915 era fotografado pela primeira vez Plutão, que no entanto não foi identificado como planeta.

Observações: Aproveite a noite para observar a grande constelação de Orionte, bem como as suas nebulosas de tirar o fôlego.

Dia 20/03: 75.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1916, era publicada a Teoria da Relatividade Geral na sequência das lectures apresentadas à Academia Prussiana de Ciências a 25 de Novembro de 1915.
Em 1964 era criada a ESRO (European Space Research Organization) percursora da ESA (Agência Espacial Europeia).
Observações: Equinócio do Sol, quando o Sol atravessa o equador, começando a desviar-se para Norte. Marca o início da Primavera no Hemisfério Norte, e o Outono no Hemisfério Sul.

Dia 21/03: 76.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1901 é observada a primeira brilhante nova do século XX.

É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0.2 a 23 de Fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio do brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Observações: Lua Cheia, pelas 18:40.

 
 
CURIOSIDADES:

No passado dia 9 de Março, dois estudantes universitários (Robbyn Kindle e Ryan Gallagher) descobriram um asteróide nas suas astrofotografias, um feito raro até para astrónomos amadores. A União Astronómica Internacional deu-lhe a designação temporária de 2008 EB61.
 
 
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