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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 427
De 28/06 a 01/07/2008
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  PHOENIX ENVIA TESOURO DE DADOS CIENTÍFICOS
   

A sonda Phoenix da NASA anteontem desempenhou perfeitamente a sua primeira análise química do solo marciano, enviando imensos dados para a Terra, o que para os cientistas da missão foi como terem ganho a lotaria.

"Estamos envoltos numa grande riqueza de dados químicos," disse Michael Hecht do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, líder científico do instrumento MECA (Microscopy, Electrochemistry and Conductivity Analyzer) da Phoenix. "Estamos a tentar perceber como é a composição química do solo em Marte, quão ácido ou alcalino é. Com os resultados que recebemos da Phoenix, podemos começar a ver quais os aspectos do solo que podem suportar vida."

"Esta é a primeira análise química deste género jamais feita em Marte ou noutro planeta que não a Terra," disse o co-investigador da Phoenix, Sam Kounaves da Universidade Tufts, líder da equipa de investigação química.


Algum do solo marciano, entregue ao laboratório de análise química da sonda Phoenix (esquerda), mostra condições favoráveis à vida.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade do Texas A e M
(clique na imagem para ver versão maior)

Cerca de 80% da primeira experiência química da Phoenix já está completa. A phoenix tem mais três células químicas para uso posterior na missão.

"Este solo parece ser análogo aos solos superficiais encontrados nos vales secos da Antártica," disse Kouvanes. "A alcalinidade do solo neste local é verdadeiramente notável. Neste lugar em concreto, a dois centímetros e meio da superfície, o solo é muito básico, com um pH entre oito e nove. Também descobrimos uma variedade de componentes de sais que não tivémos ainda tempo para analisar e identificar, mas estes incluem magnésio, sódio, potássio e cloreto."

"O facto de existirem estes sais só prova a existência de água. Também descobrimos um número razoável de nutrientes, ou químicos necessários para a vida tal como a conhecemos," disse Kounaves. "Ao longo do tempo, cheguei à conclusão que Marte é espectacular não só por ser um mundo extraterrestre, mas porque em muitos aspectos, tal como na mineralogia, é muito parecido com a Terra."

Outro instrumento analítico da Phoenix, o TEGA (Thermal and Evolved-Gas Analyzer), aqueceu a sua primeira amostra de solo até aos 1000 graus Celsius. Até agora, nunca nenhuma amostra de solo de outro planeta tinha sido aquecida até tão alta temperatura.

Os cientistas do TEGA começaram a analisar os gasos libertados num determinado intervalo de temperaturas para identificar a composição química do solo e do gelo. A análise é complicada, demorando várias semanas.

Mas "os dados científicos que estamos a receber do instrumento têm sido espectaculares," disse o co-investigador da Phoenix, William Boynton da Universidade do Arizona, líder científico do TEGA.

"Neste ponto, podemos dizer que o solo claramente interagiu com água no passado. Não sabemos se essa interacção ocorreu nesta área em particular ou em toda a região polar norte, ou se pode ter acontecido noutro sítio e ter sido transportado pelo vento para esta área como poeira."


Esta imagem mostra uma vista microscópica do material fino recolhido pelo braço robótico.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Instituto Max Planck
(clique na imagem para ver versão maior)

Leslie Tamppari, cientista do projecto Phoenix do JPL, salienta o que a Phoenix já alcançou durante os seus primeiros 30 dias marcianos da missão, e sublinhou os planos para o futuro.

A câmara "Stereo Surface Imager" completou já cerca de 55% do seu panorama de 360-graus do local de aterragem da Phoenix, disse Tamppari. Também já analisou duas amostras no seu microscópio óptico bem como as primeiras amostras no TEGA e no laboratório químico. A Phoenix recolheu informações diárias sobre as nuvens, poeira, ventos, temperaturas e pressões na atmosfera, bem como as primeiras medições atmosféricas nocturnas.

As câmaras da sonda confirmaram que os pedaços claros expostos durante a escavação das trincheiras eram bocados de água congelada porque sublimaram em apenas poucos dias. O braço robótico da Phoenix escavou e retirou as amostras, e irá continuar a fazê-lo na trincheira "Branca de Neve" situada no centro de um polígono no terreno.

"Acreditamos que este é o melhor lugar para criar um perfil da superfície desde o topo até à antecipada camada gelada," disse Tamppari. "Este é o plano que queríamos fazer quando propusémos a missão há muitos anos atrás. Queríamos um local como este, onde pudéssemos retirar amostras do solo até à possível camada de gelo."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
PHYSORG.com
National Geographic
ScienceNews
Science Daily
Universe Today
Reuters
MSNBC
New York Times
AFP

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
M81: Alimentando um Buraco Negro - Crédito: Raios-X: NASA/CXC/Wisconsin/D.Pooley & CfA/A.Zezas;
Óptico: NASA/ESA/CfA/A.Zezas; UV: NASA/JPL-Caltech/CfA/J.Huchra et al.; Infravermelho: NASA/JPL-Caltech/CfA
Este impressionante mosaico a cores mostra a galáxia espiral M81 ao longo do espectro electromagnético. Combina dados em raios-X (azul) do Observatório Chandra, no infravermelho (cor-de-rosa) do Telescópio Espacial Spitzer, e uma imagem ultravioleta (púrpura) do satélite GALEX, com uma imagem no visível (verde) do Hubble. O recorte ampliado salienta os raios-X de alguns dos buracos negros de M81, incluindo buracos negros em sistemas binários com cerca de 10 vezes a massa do Sol, bem como o buraco negro supermassivo central com mais de 70 milhões de massas solares. A comparação dos modelos informáticos da libertação energética do buraco negro gigante com os dados dos vários comprimentos de onda sugere que a alimentação de tal monstro cósmico é relativamente simples -- a energia e radiação é gerada à medida que o material na região central rodopia para dentro formando um disco de acreção. De facto, o processo parece ser tal como os processos de acreção dos buracos negros de massa estelar de M81, embora o buraco negro central seja milhões de vezes mais massivo. A própria galáxia M81 tem cerca de 70.000 anos-luz em comprimento e situa-se a apenas 12 milhões de anos-luz na direcção da constelação da Ursa Maior.
Ver imagem em alta-resolução
 
ESPAÇO ABERTO 2008

Observação astronómica, dia 28 de Junho de 2008, na açoteia do CCVAlg, entre as 21:30 e as 23:30. Acesso pelo portão do jardim. Entrada gratuita.
Observação dependente das condições atmosféricas
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EFEMÉRIDES:

Dia 28/06: 180.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1911, rochas do meteorito Nakhla caíram na Terra, perto de Alexandria, Egipto.

Descobriu-se mais tarde que estas 40 pedras vieram de Marte. A origem das rochas que caíram para a Terra pode ser determinada através da sua análise química. As rochas marcianas têm uma composição semelhante.
Observações: Esta noite, um pequeno telescópio, ou uns binóculos, irão mostrar uma estrela de magnitude 5,6 a apenas 6-7 arco-minutos Sudeste de Júpiter, como se fosse um satélite joviano fora do lugar. Entretanto, a lua Calisto, de brilho semelhante, encontra-se a 10' para Este do planeta, o máximo que se consegue afastar.
Aproveite também a noite para ir à observação no Centro Ciência Viva do Algarve, caso as condições meteorológicas sejam favoráveis.

Dia 29/06: 181.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961 era lançado o primeiro satélite a energia nuclear, o satélite americano Transit 4A.
Em 1971, três cosmonautas são encontrados mortos no seu veículo de regresso, Soyuz 11, depois de uma missão com problemas a Salyut 1.

A tripulação morreu devido a uma de fuga de ar através de uma válvula.
Observações: Aproveite a noite para observar, com binóculos, os inúmeros enxames das constelações de Escorpião, Sagitário e Escudo (M4, M6, M7, M8, M11, M16, M17, M20, M21 e M22.

Dia 30/06: 182.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1908, ocorria o grande impacto de Tunguska na Sibéria.
Em 2001, era lançado o WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) a partir do Centro Espacial Kennedy.

Observações: Marte passa a 3/4º de Régulo esta noite e também amanhã. Compare as suas cores!

Dia 01/07: 183.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2.3 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2.5 m chegou ao Monte Wilson.

O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Observações: A um terço da distância entre Arcturo e Vega encontra-se a constelação semi-circular da Coroa Boreal, com a sua modestamente brilhante estrela, Gemma. A dois-terços do caminho, está Hércules, sem estrelas mais brilhantes. Nesta constelação está um dos mais familiares objectos de céu profundos, o enxame globular M13.

 
 
CURIOSIDADES:

Em Agosto de 1996, o satélite espião francês Cerise desintegrou-se após chocar, a 50 mil quilómetros por hora, com um fragmento de um foguete Ariane lançado dez anos antes.
 
 
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