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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 437
De 02/08 a 05/08/2008
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  PHOENIX CONFIRMA: HÁ ÁGUA EM MARTE
   


Esta imagem parcial do panorama de 360º do local de aterragem mostra a sonda Phoenix e os padrões poligonais do chão. Imagem a cores aproximadamente verdadeiras.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade A&M do Texas
(clique na imagem para ver panorama completo)

Testes de laboratório a bordo da sonda Phoenix da NASA identificaram água numa amostra de solo. O braço robótico da sonda depositou a amostra Quarta-feira num instrumento que identifica vapores produzidos pelo aquecimento das amostras.

"Temos água," disse William Boynton da Universidade do Arizona, cientista do instrumento TEGA (Thermal and Evolved-Gas Analyzer). "Já tínhamos visto evidências de água gelada em observações da sonda Mars Odyssey e em bocados de solo observados pela Phoenix que desapareceram o mês passado, mas esta é a primeira vez que se tocou e provou a água marciana."

Com resultados excitantes e a sonda em boa forma, a NASA também anunciou que irá prolongar a missão até 30 de Setembro. Originalmente com uma duração de 3 meses, supostamente teria fim em Agosto. A extensão da missão adiciona cinco semanas aos 90 dias da missão principal.

"A phoenix está de boa saúde e as estimativas para a energia solar são boas, por isso queremos aproveitar este recurso num dos locais mais interessantes de Marte," disse Michael Meyer, cientista do Programa de Exploração Marciana na sede da NASA em Washington.

A amostra de solo veio de uma trincheira com aproximadamente cinco centímetros de profundidade. Quando o braço robótico alcançou pela primeira vez essa profundidade, encontrou uma camada dura de solo gelado. Duas tentativas de recolher algum deste gelo nos dias em que o material estava exposto foram impossibilitadas porque as amostras ficaram agarradas à pá. A maioria do material da amostra de Quarta-feira tinha sido exposta ao ar durante dois dias, deixando sublimar alguma desta água gelada e tornando o solo mais fácil de manejar.

"Marte está a dar-nos algumas surpresas," disse o investiador principal da Phoenix, Peter Smith da Universidade do Arizona. "Estamos excitados porque é das surpresas que vêm as descobertas. Uma surpresa é a maneira como o solo se comporta. As camadas ricas em gelo pegam-se ao fundo da pá quando equilibrada por cima da sonda ao Sol, contrariamente ao que esperávamos de todas as simulações de Marte que já fizémos. Isto proporciona-nos alguns desafios na entrega das amostras, mas estamos a descobrir maneiras de trabalhar com isso e estamos a recolher imensas informações para nos ajudar a compreender este solo."


Impressão de artista da Mars Phoenix Lander.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

Desde que aterrou no dia 25 de Maio, a Phoenix tem estudado o solo com um laboratório químico, TEGA, um microscópio, uma sonda de condutividade e com várias câmaras. Além de confirmar a descoberta em 2002, a partir de órbita, que água gelada encontra-se perto da superfície e decifrar o solo pegajoso recentemente observado, a equipa científica está a tentar determinar se a água gelada derrete o suficiente para estar disponível para a biologia e se os elementos químicos ricos em carbono e outros materiais necessários para a vida estão aí presentes.

A missão está a examinar o céu tanto quanto o chão. Um instrumento canadiano está a usar um feixe laser para estudar a poeira e as nuvens por cima da sonda. "Um lâmpada de 30-watts está a dar-nos um espectáculo laser em Marte," disse Victoria Hipkin da Agência Espacial Canadiana.

A sonda também já completou um panorama a 360º e a cores da região onde aterrou. "Os detalhes e padrões que vemos no chão mostram um terreno dominado por gelo que se prolonga até ao horizonte," disse Mark Lemmon da Universidade A&M do Texas, cientista do instrumento SSIC (Surface Stereo Imager camera) da Phoenix. "Ajudam-nos a planear as medições que estamos a fazer ao alcance do braço robótico e a interpretar essas medições numa escala maior."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
PHYSORG.com
Universe Today
Discover
Nature
BBC News
AFP
USA Today
Associated Press
Público
Euronews
Diário Digital
TSF

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  NASA CONFIRMA LAGOS EM TITÃ
   


Impressão de artista que mostra um lago na superfície da nublada lua de Saturno, Titã.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute

Cientistas da NASA concluíram que pelo menos um dos grandes lagos observados na lua de Saturno, Titã, contém hidrocarbonetos líquidos, e identificaram positivamente a presença de etano. Isto faz de Titã o único corpo do nosso Sistema Solar, além da Terra, que tem líquidos à sua superfície.

Cientistas fizeram a descoberta usando dados de um instrumento a bordo da sonda Cassini. O instrumento identificou diferentes materiais químicos com base na maneira como absorvem e reflectem a luz infravermelha. Antes da Cassini, os cientistas pensavam que Titã podia ter oceanos globais de metano, etano e outros hidrocarbonetos líquidos. Mais de 40 passagens rasantes da Cassini por Titã depois, e não se verificou a existência de oceanos globais, mas centenas de características escuras parecidas com lagos. Até agora, não se sabia se essas características eram líquidas ou simplesmente material escuro e sólido.

"Esta é a primeira observação que realmente prova que Titã tem um lago à superfície cheio de líquido," disse Bob Brown da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. Brown é o líder da equipa do instrumento visual e de mapeamento da Cassini. Os resultados foram publicados na edição de 31 de Julho da revista Nature.

O etano e vários outros hidrocarbonetos simples foram identificados na atmosfera de Titã, que contém 95% de nitrogénio, sendo metano os restantes 5%. O etano e outros hidrocarbonetos são produtos da química atmosférica provocada pela quebra do metano devida à luz solar.

Alguns destes hidrocarbonetos reagem e formam finas partículas de aerosol. Todas estas coisas na atmosfera de Titã dificultam a detecção e identificação dos materiais à superfície, porque estas partículas formam uma neblina ubíqua de hidrocarbonetos que dificulta a observação. O etano líquido foi identificado usando uma técnica que removeu a interferência dos hidrocarbonetos atmosféricos.

Visão parcial de Lacus Ontario (imagem à direita), a partir dos 1100 km de distância, mostra o que parece ser uma praia no canto inferior direito, por baixo da brilhante linha costeira. Uma imagem também foi tirada da mesma característica em Junho de 2005 (esquerda).
Crédito: Direita - NASA/JPL/Universidade do Arizona; Esquerda - NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

O instrumento visual e de mapeamento observou um lago, Lacus Ontario, na região polar sul de Titã durante um voo rasante da Cassini em Dezembro de 2007. O lago tem aproximadamente 20.000 quilómetros quadrados em área, ligeiramente maior que o Lago Ontario da América do Norte.

"A detecção de etano líquido confirma a ideia que os lagos e mares cheios com metano e etano existem em Titã," disse Larry Soderblom, cientista interdisciplinário da Cassini e do USGS em Flasgstaff, Arizona, EUA. "O facto que podemos detectar as assinaturas espectrais do etano no lago até mesmo quando estava tão mal iluminado, e num percurso de observação tão inclinado pela atmosfera de Titã, levanta esperanças para futuras descobertas de lagos com o nosso instrumento."

O etano encontra-se numa solução líquida com metano, outros hidrocarbonetos e nitrogénio. À temperatura da superfície de Titã, aproximadamente -180º Celsius, estas substâncias podem existir como líquido e como gás. Titã mostra impressionantes evidências de evaporação, chuva e canais que escoam até, neste caso, um lago de hidrocarbonetos líquidos.

A Terra tem um ciclo hidrológico baseado na água e Titã tem um ciclo baseado no metano. Os cientistas excluíram a presença de água gelada, amónia, hidrato de amónia e dióxido de carbono no Lacus Ontario. As observações também sugerem que o lago está a evaporar-se. É circundado por uma praia escura, onde o lago escuro se funde com a brilhante linha costeira. A Cassini também observou a exposição de uma plataforma e de uma praia à medida que o lago evaporava.

"Durante os próximos anos, a vasta rede de lagos e mares no pólo norte de Titã, mapeada pelo radar da Cassini, irá emergir da escuridão polar até à luz solar, dando ao instrumento infravermelho ricas oportunidades para observar mudanças sazonais nos lagos de Titã," disse Soderblom.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
SPACE.com
Sky & Telescope
Universe Today
PHYSORG.com
Discover
SpaceRef.com
National Geographic
The Register
Associated Press
Wired News
Scientific American

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
 
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 02/08: 215.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Um dia depois do eclipse, a finíssima Lua pode ser observada muito baixo no horizonte a Oeste após o pôr-do-Sol, para a esquerda de Vénus. Traga binóculos.

Dia 03/08: 216.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, o asteróide 1566 Icarus passava à distância mínima da Terra de 0.651 UA.
Observações: Ao pôr-do-Sol, a Lua faz um triângulo com Saturno e Marte.

Dia 04/08: 217.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Já alguma vez observou a pequena mas bonita constelação do Golfinho? Para o encontrar, descubra o Triângulo de Verão. Golfinho situa-se por baixo do meio entre Deneb e Altair. É composto por três estrelas mais próximas que fazem uma espécie de curva, com outra estrela mais para a direita, correspondente à barbatana do animal.

Dia 05/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864 Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II.)

E vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2).
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969 a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3518 km, enviando de volta 125 imagens.
Em 1973 é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de Março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida.
Em 2000, a quebra do cometa Linear 1999/S4 é capturada pelo Telescópio Espacial Hubble.
Observações: Ao pôr-do-Sol, encontre Vénus com binóculos mesmo por cima do horizonte a Oeste-Noroeste, e veja se consegue detectar a pequena e cintilante estrela Régulo a 1º para baixo e para a esquerda. Régulo tem menos de 1% do brilho de Vénus!

 
 
CURIOSIDADES:

O peso de um corpo na Lua é um sexto do seu peso na Terra.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

SDSSJ1430: Uma galáxia anel de Einstein
Crédito:
A. Bolton (UH/IfA) para o SLACS e NASA/ESA

Qual é a coisa, qual é ela, que é grande, azul e pode envolver-se à roda de uma galáxia inteira? Uma miragem de lente gravitacional. Na imagem do lado, a gravidade de uma galáxia branca normal foi gravitacionalmente distorcida pela luz de uma muito mais distante galáxia azul. Normalmente, tal luz curva os resultados em duas imagens discerníveis da galáxia longínqua, mas aqui o alinhamento da lente é tão preciso que a galáxia de fundo é distorcida num anel quase completo. Dado que tal efeito de lente foi previsto por Albert Einstein há mais de 70 anos atrás, anéis como SDSSJ1430 são agora conhecidos como Anéis de Einstein. SDSSJ1430 foi descoberto durante a campanha SLACS (Sloan Lens Advanced Camera for Surveys), um programa observacional que inspeccionava candidatos a lentes descobertos pelo SDSS (Sloan Digital Sky Survey), com o instrumento ACS do Telescópio Espacial Hubble. As fortes lentes gravitacionais como SDSSJ1440 são mais exóticas -- as suas propriedades múltiplas permitem aos astrónomos determinar a massa e o conteúdo de matéria escura das galáxias de frente. Com estas determinações, os dados do SLACS foram agora usados, por exemplo, para mostrar que a fracção de matéria escura aumenta com a massa da galáxia. As imagens mais pequenas à direita representam, do topo para baixo, uma imagem reconstruída em computador do que a galáxia de fundo realmente é, apenas a galáxia branca de frente, e apenas a lente da galáxia azul de fundo.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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