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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 438
De 06/08 a 08/08/2008
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  EQUIPA DA PHOENIX ABRE JANELA DO PROCESSO CIENTÍFICO
   


Esta imagem foi adquirida pela Phoenix no dia 8 de Julho de 2008. Mostra a trincheira com o nome informal de Branca de Neve. Duas amostras foram entregues ao instrumento MECA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)

Os cientistas da missão Phoenix falaram no passado dia 5 de Agosto sobre uma pesquisa que diz respeito a uma investigação ainda em progresso da detecção de sais de perclorato no solo analisado pelo laboratório a bordo da sonda Phoenix da NASA.

"A descoberta de percloratos não é bom nem mau para a vida, mas obriga-nos a reavaliar o que sabemos sobre a vida em Marte," disse Michael Hecht do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA, líder da equipa que gere o instrumento MECA (Microscopy, Electrochemistry and Conductivity Analyzer), que inclui o laboratório químico.

A confirmar-se, o resultado é excitante, disse Hecht, "porque os diferentes tipos de sais de perclorato têm características interessantes que podem influenciar a maneira como as coisas funcionam em Marte se -- e este é um grande 'se' -- os resultados das nossas duas análises de colheres de chá de solo são representativas da totalidade de Marte, ou pelo menos de uma porção significativa do planeta."

A equipa da Phoenix queria confirmar a descoberta com outro instrumento da sonda, o TEGA (Thermal and Evolved-Gas Analyzer), que aquece o solo e analisa os gases daí oriundos. Mas enquanto essa experiência procedia a semana passada, começaram a surgir notícias especulativas dizendo que a equipa estava a reter uma grande descoberta relacionada com a habitabilidade de Marte.

"O projecto Phoenix decidiu seguir uma direcção invulgar" no que respeita à comunicação da sua pesquisa quando os seus cientistas estão apenas a meio da fase de recolha de dados e não tiveram ainda tempo para completar as suas análises ou fazer os necessários testes laboratoriais, disse o investigador principal da Phoenix, Peter Smith da Universidade do Arizona, em Tucson. Os cientistas estão ainda no estágio em que examinam múltiplas hipóteses, dadas as evidências de que o solo contém perclorato.

"Decidimos mostrar ao público a ciência em acção devido ao enorme interesse na missão Phoenix, que está à procura de um ambiente habitável nas planícies norte de Marte," acrescenta Smith. "Por enquanto, não sabemos se a descoberta de perclorato é uma boa ou má notícia para a possível vida em Marte."

O perclorato é um ião, ou partícula carregada, que consiste de um átomo de cloro rodeado por quatro átomos de oxigénio. É um oxidante, isto é, pode libertar oxigénio, mas não é muito forte. Os percloratos encontram-se na Natureza aqui na Terra em locais como o extremamente árido deserto de Atacama. Os compostos são relativamente estáveis e não destroem material orgânico em condições normais. Alguns microrganismos na Terra são alimentados por processos que envolvem os percloratos, e algumas plantas concentram esta substância. Os percloratos são também usados no combustível de foguetões e nos fogos-de-artifício.

O perclorato foi descoberto com um sensor multi-usos que detecta perclorato, nitrato e outros iões. A equipa do MECA viu o sinal do perclorato numa amostra tirada da trincheira Dodo-Goldilocks a 25 de Junho, ou Sol 30, no 30.º dia marciano após a aterragem da sonda, e novamente numa outra amostra recolhida na trincheira Branca de Neve a 6 de Julho, ou Sol 41.

Quando o TEGA aqueceu a amostra de solo retirada da trincheira Dodo-Goldilocks no Sol 25 a altas temperaturas, detectou uma libertação de oxigénio, disse William Boynton, líder científico do TEGA da Universidade do Arizona. O perclorato pode ser uma de várias possíveis fontes deste oxigénio, disse.

A semana passada, quando o TEGA analisou outra amostra, desta vez da trincheira Branca de Neve, a equipa do instrumento procurou o gás cloro. O instrumento não o detectou.

"Se o tivéssemos observado, a identificação do perclorato seria absolutamente clara, mas desta vez não vimos cloro. Podemos ter estado a analisar um sal de perclorato que não liberta cloro gasoso após ser aquecido," disse Boynton. "Não há nada nos dados do TEGA que possa contradizer as descobertas de perclorato do MECA."

Enquanto a equipa da Phoenix continua a sua investigação do solo ártico, o instrumento TEGA continuará a tentar validar a descoberta de perclorato e a determinar a sua concentração e propriedades.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Comunicado áudio de imprensa da NASA (em formato MP3)
SPACE.com
Science Daily
Universe Today
New Scientist
Scientific American
The Register
CNN
Reuters
MSNBC
AFP
Associated Press
BBC News
Science News

Perclorato:
Wikipedia

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
NGC 1818: Um jovem enxame globular - Crédito: Diedre Hunter (Obs. Lowell) et al., HST, NASA
Os enxames globulares já dominaram a Via Láctea. Há muito tempo atrás, quando a nossa Galáxia tinha apenas acabado de se formar, deambulavam por aqui talvez milhares de enxames globulares. Hoje em dia, existem talvez uns 200. Muitos enxames globulares foram destruídos ao longo dos milhares de milhões de anos, devido a encontros fatídicos uns com os outros ou com o Centro Galáctico. As relíquias que ainda hoje sobrevivem são mais antigas que qualquer fóssil na Terra, mais antigas que quaisquer outras estruturas na nossa Galáxia, e quase rivalizam com a própria idade do Universo. Existem poucos, se alguns, enxames globulares jovens na nossa Via Láctea porque as condições já não são as ideais para a sua formação. As coisas são muito diferentes na nossa vizinha do lado, a Grande Nuvem de Magalhães. Na imagem do lado está um enxame globular "jovem" aí residente: NGC 1818. As observações mostram que se formou há apenas 40 milhões de anos - um tempo de vida extremamente curto quando comparado com os 12 mil milhões de anos dos enxames globulares da Via Láctea.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 06/08: 219.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961 era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, o primeiro voo soviético com a duração de um dia.

Observações: Espiga é o nome da estrela que brilha um pouco para cima da Lua esta noite.

Dia 07/08: 220.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959 o Explorer 6 com uma massa de 64.4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra de órbita.

Em 2000, uma equipa internacional de pesquisa planetária descobre em Epsilon Eridani, a apenas 10.5 anos-luz da Terra, um novo planeta gasoso.
Observações: Os enxames globulares gémeos, M10 e M12, da constelação de Ofíuco, cabem no campo de visão de uns binóculos. Utilize este mapa para os descobrir no céu.

Dia 08/08: 221.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 era lançado o STS-28. A quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano. Tempo de duração: 5 dias, 1 hora, 0 minutos e 8 segundos.

Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 21:20.

 
 
CURIOSIDADES:

Vénus é o planeta mais quente do Sistema Solar, com temperaturas que chegam até aos 460º C. É tão quente que até pode derreter chumbo!
 
 
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