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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 443
De 23/08 a 26/08/2008
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  VEJA UM TRIO DE PLANETAS AO PÔR-DO-SOL
   

O planeta Vénus passou a conjunção com o Sol no dia 9 de Junho e está agora a emergir para observação no céu nocturno a Oeste. Mas será um processo longo e tedioso. Mesmo no fim de Setembro este planeta estará ainda muito baixo ao pôr-do-Sol.

Procure Vénus à medida que o dia acaba, mas não espere muito tempo, pois põe-se menos de uma hora depois do pôr-do-Sol. Procure por cima do horizonte a Oeste cerca de 20 a 30 minutos do Sol se pôr. Os binóculos irão certamente ajudar a descobrir o brilho prateado de Vénus no céu ainda brilhante. À medida que a estação arrefece, Vénus irá lentamente subir para mais alto, até que brilhe como uma resplandecente "estrela da noite" nos crepúsculos de Inverno.

Mas Vénus não está sozinho actualmente, pois lá perto encontram-se os planetas Mercúrio e Saturno.

Ao longo da semana passada estes três planetas têm-se aglomerado razoavelmente perto uns dos outros. Infelizmente, a sua proximidade ao Sol faz com que estes conjuntos sejam dificilmente visíveis contra o brilhante fundo do lusco-fusco. Estão ainda relativamente perto esta semana. Embora todos os três estejam muito baixos no horizonte a Oeste e profundamente imersos no brilho do pôr-do-Sol, pode debater-se que - à excepção de Vénus - os outros dois planetas sejam observáveis.

A sua melhor aposta é usar binóculos e pesquisar perto do horizonte a Oeste cerca de 15 a 30 minutos após o pôr-do-Sol.


No dia 23 de Agosto, a partir do Algarve, Saturno fica perdido no pôr-do-Sol, mas procure o brilhante Vénus e use-o para avistar para Mercúrio. Marte está um pouco mais acima em Virgem e estará visível ainda algum tempo depois do pôr-do-Sol.
Crédito: Miguel Montes, via Starry Night Pro 6

Em Setembro, Saturno desaparece nos fogos do pôr-do-Sol e é substituído no trio de planetas por Marte. Por isso serão Vénus, Mercúrio e Marte que irão passar grande parte de Setembro intimamente juntos. Infelizmente, a sua proximidade ao Sol continuará a ser um problema, por isso continuarão a ser visíveis apenas com dificuldade contra o brilho do crepúsculo.

Usando binóculos e pesquisando o horizonte um pouco para Sul a partir de Oeste cerca de 15 a 30 minutos após o pôr-do-Sol a 1 de Setembro, poderá conseguir avistar Vénus, Mercúrio e Marte formando um triângulo. E por baixo e para a esquerda deste trio de planetas estará uma fina Lua Crescente apenas 2,1 depois da sua fase nova.

A 7 de Setembro, o grupo de Vénus-Mercúrio-Marte parecer-se-á com um triângulo isósceles, com os lados Marte-Mercúrio e Marte-Vénus medindo medindo cerca de 2,5 graus e o lado de Mercúrio-Vénus cerca de 4. E situada cerca de 10 graus (mais ou menos o comprimento do seu punho à distância do braço esticado) para a esquerda e para cima do triângulo estará Espiga, a estrela mais brilhante da constelação de Virgem.

Vénus e Marte irão estar separados por apenas 0,2 graus (menos que o diâmetro aparente da Lua) a 11 de Setembro. Se conseguir localizar Vénus com binóculos no crepúsculo, Marte estará situado mesmo por baixo e para a esquerda de Vénus. Marte aparecerá apenas com 1/174 do brilho do espantoso Vénus, por isso não espere observá-lo logo à primeira vista.

Na noite seguinte, Vénus está em conjunção com Mercúrio, mas estão mais separados, a 3,3 graus; Mercúrio irá aparecer por baixo e para a esquerda de Vénus. Com magnitude +0,2, Mercúrio é muito mais brilhante que Marte, mas mesmo assim com 1/44 do brilho de Vénus. Para Este ainda se situa Espiga, cerca de 7 graus para a esquerda e para cima dos três planetas.


Observe este trio de planetas e a estrela mais brilhante de Virgem, Espiga, a Sudoeste após o pôr-do-Sol no dia 18 de Setembro.
Crédito: Miguel Montes, via Starry Night Pro 6

No dia 18 de Setembro, Vénus, Mercúrio e Marte formarão um triângulo equilátero, cujos lados medem 4 graus em comprimento. E Espiga torna-se agora parte do grupo, situada apenas a uns poucos graus para a esquerda do triângulo. Se conseguirá na realidade observá-lo, ou até o mais ténue Marte contra o céu ainda brilhante do anoitecer, no entanto, é discutível.

Mas ter três planetas e uma estrela brilhante agrupadas numa zona relativamente pequena do céu não acontece muitas vezes, por isso aconselhamos que tente observá-los. Não perde nada!

Links:

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  QUÍMICA HETEROGÉNEA NA ATMOSFERA DE MARTE
   


O rover Opportunity da NASA capturou esta imagem de uma vasta e poeirenta planície e de nuvens a alta-altitude, enquanto explorava a Cratera Victória.
Crédito: Mars Exploration Rover Mission, Cornell, JPL, NASA, unmannedspaceflight.com
(clique na imagem para ver versão maior)

Um novo estudo sugere que as nuvens de água gelada que vagueiam por cima da superfície marciana "comem" algum do ozono da atmosfera de Marte, dando novas pistas aos cientistas sobre o ambiente químico e o clima do vizinho mais próximo da Terra.

Marte tem uma atmosfera relativamente estável de 95% de dióxido de carbono (a atmosfera da Terra tem apenas 0,004% de CO2).

Os cientistas tiveram dificuldade em modelar certos aspectos da atmosfera de Marte e alguns suspeitaram que as reacções entre os gases atmosféricos e as partículas de gelo nas nuvens possam explicar as diferenças entre os seus modelos e as observações de satélite, particularmente as concentrações de ozono.

As nuvens de água gelada na atmosfera da Terra são factores-chave na perda de ozono por cima dos pólos e podem perturbar a química nas camadas de ar por baixo. Como tal, pensam alguns cientistas, nuvens semelhantes em Marte podem afectar os níves de ozono na atmosfera de Marte.

Franck Lefèvre da Universidade Pierre et Marie Curie em Paris e seus colegas, usaram novas observações de ozono a partir da sonda Mars Expresss da ESA, que já orbita o Planeta Vermelho desde 2003, para testar a teoria. Os seus resultados estão detalhados na edição de 21 de Agosto da revista Nature.

Estes incluem reacções ao ozono com químicos destrutivos chamados radicais de hidrogénio nas nuvens de água gelada, que explicaram algumas das inconsistências observadas nos modelos.

Os radicais de hidrogénio são também importantes para a reciclagem do dióxido de carbono na atmosfera marciana, tornando o ozono num pesquisador sensível à química da atmosfera de Marte.

A existência de água gelada subsuperficial nas regiões árticas de Marte foi confirmada pela sonda Phoenix Mars Lander da NASA no dia 31 de Julho.

Links:

Artigo científico:
Nature (requer subscrição)

Mars Express:
ESA
Wikipedia

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Nebulosa da Trífida - Crédito: R. Jay GaBany (Cosmotography.com)
Tanto beleza indescritível como inimaginável confusão podem ser encontradas juntas na Nebulosa da Trífida. Também conhecida como M20, esta nebulosa fotogénica é visível com bons binóculos na direcção da constelação de Sagitário. Os processos energéticos de formação estelar criam não apenas as cores, mas também o caos. O brilhante gás avermelhado vem de luz estelar altamente energética colidindo com o hidrogénio interestelar. Os filamentos de poeira escura que entrelaçam M20 foram criados nas atmosferas de frias e gigantes estrelas e nos detritos de explosões de supernova. Quais as estrelas que iluminam a nebulosa de reflexão azul é ainda um assunto em discussão. A luz de M20 que vemos hoje saíu de lá há talvez 3000 anos atrás, embora a distância exacta permaneça ainda desconhecida. A luz demora cerca de 50 anos a atravessar M20.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 23/08: 236.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 estreia a série televisiva, "The Jetsons", uma produção da Hanna-Barbara que introduziu a uma geração um futuro com base na tecnologia.

Em 2001, um fogo causa estragos na ordem dos 2.5 milhões de dólares ao Planetário Bishop em Brandenton, Flórida, EUA.
Observações: Io, uma das luas de Júpiter, é ocultada pelo planeta a partir das 23:00.

Dia 24/08: 237.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492 Cristovão Colombo partia pela segunda vez para o Novo  Mundo.
Em 1852 era apresentado ao mundo o primeiro dirigível.

Em 1966, a Luna 11 era lançada de uma plataforma em órbita da Terra. Esta missão soviética tinha como objectivo estudar a composição química e anomalias gravitacionais da Lua.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 0:50.

Dia 25/08: 238.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864 nascia Ole Romer, astrónomo dinamarquês que propôs a primeira determinação da velocidade da luz.
Em 1981, flyby da Voyager 2 por Saturno.
Em 1989, flyby da Voyager 2 por Neptuno.
Em 2000, a revista Science anuncia descobertas a partir de dados do magnetómetro da sonda Galileu que providenciam as mais sólidas provas da existência de um oceano de água líquida salgada por baixo da superfície de uma das luas de Júpiter, Europa.

No mesmo ano, o Telescópio Espacial Hubble faz um censo de anãs castanhas galácticas. A câmara NICMOS do Hubble revela a baixa energia das anãs castanhas, estrelas que não têm massa suficiente para começar a fusão nuclear.
Observações: Com o Verão já avançado, o Grande Quadrado de Pégaso já é visível a Este após o anoitecer. Procure-o, suportado por um dos seus vértices. É maior que o seu punho à distância de um braço.

Dia 26/08: 239.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999 são registadas as primeiras imagens de calibração do telescópio de raios-X mais poderoso do mundo, o Observatório Chandra da NASA.

Estas incluem os espectaculares restos de uma supernova, Cassiopeia A, que explodiu há 300 anos atrás, uma concha de gás quente com 10 anos-luz de diâmetro e temperaturas de 50 milhões de graus, com um ponto de luz que pode ser uma estrela de neutrões ou um buraco negro no centro de uma explosão estelar. Outra imagem que fascinou os observadores foi o grande jacto energético do quasar PKS 0637-752 a 6 mil milhões de anos-luz. O Chandra continuou com as suas calibrações nas semanas seguintes.
Observações: Aproveite a noite para observar as constelações do Sul (Escorpião e Sagitário) escrutinando o centro da Via Láctea.

 
 
CURIOSIDADES:

Se o Sol fosse do tamanho do ponto na letra "i", a estrela mais próxima estaria a cerca de 16 km de distância.
 
 
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