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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 454
De 01/10 a 03/10/2008
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  AVARIA NO HUBBLE EMPURRA MISSÃO DE SERVIÇO PARA 2009
   

Uma falha crítica no Telescópio Espacial Hubble forçou a NASA a atrasar a sua missão para reparar e actualizar o observatório até pelo menos Fevereiro de 2009. De acordo com os cientistas, isto permitirá à NASA testar e preparar uma peça sobresselente até ao lançamento.

A agência tinha planeado enviar o vaivém Atlantis numa missão para reparar e actualizar o telescópio daqui a apenas duas semanas. Mas no Sábado passado os operadores descobriram problemas com um aparelho que regista e transmite a maioria dos dados científicos do telescópio.

Existem na verdade duas versões idênticas do instrumento, com o nome de CU/SDF (Control Unit/Science Data Formatter), no telescópio. O lado A falhou, mas os engenheiros esperam ligar o idêntico lado B nas próximas semanas para continuar com as actividades científicas do telescópio.


O instrumento CU/SDF (Control Unit/Science Data Formatter), à esquerda.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Mesmo assim, isto deixará o Hubble sem capacidades de restauro do sistema crucial. Por isso a NASA planeia enviar um substituto de todo o instrumento, que se encontra actualmente armazenado no Centro Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland.

"Queremos ter a certeza de que deixamos o Hubble tão saudável quanto possível," disse Ed Weiler, administrador científico associado da NASA.

A peça sobresselente, que foi usada pela última vez em 2001 para testar outro instrumento, irá necessitar de uma grande quantidade de testes para determinar se está pronta para o lançamento. Se tudo correr conforme planeado, o instrumento pode ser enviado para o Centro Espacial Kennedy na Flórida no começo de Janeiro, diz o gestor do Hubble Preston Burch do Centro Goddard.

Mas encaixar a sua instalação na missão de serviço pode ser complicado. Os cinco passeios espaciais do Atlantis estão já sobrelotados com planos para substituír dois instrumentos, reparar dois outros, e instalar novos giroscópios, baterias e insulação. Esta actualização pode deixar o Hubble com o seu melhor "olho" até agora e prolongar a vida do telescópio até pelo menos 2013.

A unidade de controlo, com 60 kg, está desenhada para ser manipulada por astronautas e pode potencialmente ser instalada em menos de duas horas. A instalação pode ser alcançada no quinto passeio espacial, parte do qual foi posto de lado caso os astronautas precisem de mais tempo para concluir as reparações da câmara ACS (Advanced Camera for Surveys) do telescópio, afirma Burch.

Os engenheiros estão ainda a investigar o que provocou a falha. "Não houveram indicações de uma potencial falha," disse Burch. A unidade funciona a uma temperatura mais alta que outros componentes, o que pode ter criado alguns problemas, salientou.

O atraso no lançamento pode custar à NASA mais de 10 milhões de dólares por mês e pode ser um desafio para o já apertado calendário de lançamento da NASA, dado que os vaivéns espaciais serão retirados de serviço em 2010.

Mas Burch nota que a altura podia ainda ser pior. Se ocorresse depois da missão de serviço, o telescópio poderia ter ficado incapacitado por apenas mais uma falha. "Se isto tivesse obrigatoriamente que acontecer, não podia acontecer numa melhor altura," disse.

A NASA ainda planeia seguir com a próxima missão do vaivém Endeavour até à Estação Espacial Internacional, que agora poderá ser lançada tão cedo quanto 14 de Novembro.

O vaivém Endeavour actuava, na missão de serviço do Hubble, como uma nave de resgate, para o caso do vaivém Atlantis ficar em apuros durante a reparação do Hubble. Agora, o vaivém Discovery irá desempenhar esse papel.


O vaivém Atlantis (no pano da frente) situa-se na plataforma de lançamento A e o Endeavour na plataforma de lançamento B do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida. Pela primeira vez desde 2001, dois vaivéns estão nas plataformas ao mesmo tempo. O Endeavour servirá como uma nave de resgate na invulgar ocasião que seja necessário durante a missão do Atlantis até ao Hubble, que tinha como data de lançamento o dia 10 de Outubro.
Crédito: NASA/Troy Cryder
(clique na imagem para ver versão maior)

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
01/11/06 - Hubble acaba de ser salvo
09/01/08 - "Super"-Hubble será 90 vezes mais poderoso
09/08/08 - STS-125: a última visita ao Hubble

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NASA (arquivo em formato PDF que descreve o instrumento CU/SDF)
SPACE.com
New Scientist
Sky & Telescope
Universe Today
NASASpaceFlight.com
Science News
PHYSORG.com
Spaceflight Now
Discover Magazine
Scientific American
BBC News
CNN
AFP
Reuters
Associated Press
Jornal de Notícias
SIC
Sol
TSF
Diário Digital
TV NET

STS-125:
NASA
ESA
Documento PDF sobre a missão
Wikipedia
Filme IMAX (para 2010)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

 
  CAI NEVE EM MARTE
   

A sonda Phoenix da NASA detectou neve a caír de nuvens marcianas. As experiências de solo da sonda também providenciaram evidências de interacção passada entre minerais e água líquida, processos que ocorrem na Terra.

Um instrumento laser desenhado para recolher informações sobre como a atmosfera e a superfície interagem em Marte detectou neve oriunda de nuvens a cerca de 4 quilómetros por cima do local de aterragem da sonda. Os dados mostram que a neve vaporiza-se antes de alcançar o chão.

Esta sequência combina 32 imagens de nuvens a passar para Este por cima do horizonte marciano. As imagens foram obtidas pela Phoenix no dia 18 de Setembro, durante o início da tarde do 113.º dia marciano da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade A&M do Texas

"Nunca tinha sido observado nada do género em Marte," disse Jim Whiteway, da Universidade de York, em Toronto, líder científico da Estação Meteorológica Canadiana na Phoenix. "Estaremos à procura de sinais de que a neve possa chegar ao chão."

As experiências da Phoenix também forneceram pistas apontando para o carbonato de cálcio, o composto principal do giz, e partículas que podem ser argilas. A maioria dos carbonatos e das argilas na Terra apenas se formam na presença de água líquida.

"Estamos ainda recolhendo dados e temos muitas análises por fazer, mas estamos avançando na direcção das grandes questões que delineámos," disse o investigador principal da Phoenix, Peter Smith da Universidade do Arizona em Tucson, EUA.

Desde que aterrou no passado dia 25 de Maio, a Phoenix já confirmou que uma dura camada à subsuperfície no seu local de aterragem bem para Norte, contém água gelada. Saber se esse gelo descongela pode ajudar a responder à questão se o ambiente aí já foi favorável à vida, um objectivo-chave da missão.

As provas de carbonato de cálcio nas amostras de solo recolhidas a partir de trincheiras escavadas pelo braço robótico da Phoenix vêm de dois instrumentos laboratoriais chamados TEGA (Thermal and Evolved Gas Analyzer) e MECA (Microscopy, Electrochemistry and Conductivity Analyzer)

"Descobrimos carbonatos," disse William Boynton da Universidade do Arizona, líder científico do instrumento TEGA. "Isto aponta para episódios de interacção com água no passado."

As provas de carbonato de cálcio do TEGA vieram de uma libertação a alta-temperatura de dióxido de carbono das amostras de solo. A temperatura da libertação coincide com uma temperatura que se sabe decompõe o carbonato de cálcio e liberta o gás dióxido de carbono, que foi identificado pelo espectómetro do instrumento.

As provas do MECA vieram de um efeito característico do carbonato de cálcio obtido na análise química do solo. A concentração medida do cálcio foi exactamente a esperada para uma solução de carbonato de cálcio.

Tanto o TEGA como a parte microscópica do MECA descobriram pistas de uma substância tipo-argila. "Estamos a ver partículas laminadas e macias com o microscópio atómico, não inconsistentes com a aparência de partículas de argila," disse Michael Hecht, líder científico do instrumento MECA no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.


Esta sequência de nove imagens tiradas pela sonda Phoenix mostram o nascer-do-Sol no 101.ª dia marciano após a aterragem.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidado do Arizona/Universidade A&M do Texas
(clique na imagem para ver versão maior)

A missão da Phoenix, originalmente com um prazo planeado de três meses em Marte, está agora no seu quinto mês. No entanto, sofre um declínio de energia solar que se espera corte e termine as actividades da sonda antes do final do ano. Antes da energia acabar, a equipa da Phoenix irá tentar activar um microfone na sonda para possivelmente capturar sons em Marte.

"Durante quase três meses após a aterragem, o Sol nunca se pôs," disse Barry Goldstein, gestor do projecto Phoenix para o JPL. "Agora esconde-se por trás do horizonte durante mais de quatro horas cada noite, e a energia que recolhemos com os painéis solares decresce a cada semana. Antes do final de Outubro, não haverá energia suficiente para continuar a usar o braço robótico."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
Nature
PHYSORG.com
National Geographic
Bloomberg
Associated Press
Reuters
UPI
Wired
TVI

Phoenix:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 01/10: 275.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA.

Observações: No lusco-fusco, olhe para Oeste-Sudoeste por baixo de Vénus para observar a finíssima Lua Crescente.

Dia 02/10: 276.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Aproveite a noite para observar M31, a Galáxia de Andrómeda, o objecto mais distante que se consegue observar à vista desarmada.

Dia 03/10: 277.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1942, era lançado da Alemanha o foguete A-4, que se tornaria o primeiro artefacto humano a atingir o espaço exterior.

Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: Ao pôr-do-Sol, procure a estrela Antares ainda brilhando no céu a Sul-Sudoeste. Encontra-se para a esquerda da Lua e um pouco para cima.

 
 
CURIOSIDADES:

O planeta Saturno tem uma densidade de 0.69, o que significa que se conseguíssemos fazer uma banheira suficientemente grande cheia de água, Saturno flutuaria no seu interior.  Saturno é o único planeta do sistema solar com uma densidade inferior à da água.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Planetas à vista!
Crédito: Mike Salway (IceInSpace)
Consegue avistar os quatro planetas rochosos do Sistema Solar? Na imagem do lado, tirada a 20 de Setembro, todos estão visíveis num único olhar, mas alguns podem não ser o que pensa. O objecto mais alto e mais brilhante no céu é o planeta Vénus. O objecto mais baixo no céu é o planeta Marte, enquanto o objecto mais para a esquerda é o planeta Mercúrio. O ponto de luz restante é... a brilhante estrela Espiga, que leva à questão -- onde está o quarto planeta rochoso? Esse é a Terra, especificamente uma parte da Austrália, visível na parte de baixo da imagem.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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