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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 463
De 01/11 a 04/11/2008
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  O PRINCÍPIO DO FIM PARA A SONDA PHOENIX
   

À medida que o Sol se põe na sonda Phoenix, literalmente e figurativamente, os engenheiros da missão começaram a desligar alguns dos instrumentos e aquecedores da sonda para conservar a pouca energia que lhe resta.

A sonda Phoenix, originalmente desenhada para durar 90 dias após a sua aterragem no dia 25 de Maio no Planeta Vermelho, completou o seu quinto mês de exploração no ártico marciano. Ao longo da sua missão, a sonda recolheu amostras de solo e de gelo por baixo das planícies árticas de Marte e analisou-as em busca de sinais de potencial habitabilidade passada.


Esta fotografia combina mais de 400 imagens tiradas durante as primeiras semanas após a sonda Phoenix da NASA ter aterrado nas planícies árticas de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/Universidade A&M do Texas
(clique na imagem para ver versão maior)

Mas à medida que o hemisfério norte de Marte transita do Verão para o Outono, a sonda gera cada vez menos energia enquanto os dias se tornam mais curtos, reduzindo as horas de luz solar que alcançam os seus painéis solares.

Para a Phoenix aguentar o máximo de tempo possível, os controladores da missão irão gradualmente desligar quatro aquecedores durante as próximas semanas, um de cada vez, para conservar energia. Os aquecedores mantêm a sonda e os seus instrumentos dentro dos limites adequados para o seu bom funcionamento.

"Se não fizéssemos nada, não demoraria muito até que a energia necessária para operar a sonda ultrapassasse a quantidade de energia que gera diariamente," disse o gestor do projecto Phoenix, Barry Goldstein, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Ao desligar alguns aquecedores e instrumentos, podemos prolongar a vida da sonda algumas semanas e ainda fazer alguma ciência."

Os engenheiros enviaram comandos para desligar o primeiro aquecedor na Terça-feira passada, que aquece o braço robótico da Phoenix, a câmara do braço robótico e o instrumento TEGA (Thermal and Evolved-Gas Analyzer), que coze amostras e "cheira" os vapores libertados para ajudar a determinar a sua composição. Ao desligar este aquecedor, os cientistas esperam conservar 250 W/h de energia por dia marciano.

A equipa da Phoenix estacionou o braço robótico no chão, com o instrumento TECP (Thermal and Electrical-Conductivity Probe) - localizado no pulso do braço - em cima do solo. O TECP irá continuar a medir a temperatura e a condutividade do solo (ou como o calor e a electricidade se movem pelo solo), bem como a humidade atmosférica perto da superfície (este instrumento não precisa de um aquecedor para funcionar e deverá continuar a enviar dados durante as próximas semanas).

No entanto, o braço robótico já não irá recolher mais amostras de solo.

"Desligámos este importante instrumento com a certeza de que excedeu claramente as nossas expectativas e de que fez tudo o que nós lhe pedimos," disse o co-investigador do braço robótico, Ray Arvidson, da Universidade de Washington em St. Louis.

A Phoenix recolheu todas as suas amostras a semana passada e os cientistas da missão continuarão a analisá-las até à morte esperada da Phoenix.

Também na Terça-feira, a sonda Phoenix entrou num "modo de segurança" inactivo, despoletado por um agravamento das condições meteorológicas. A sonda inesperadamente mudou para um segundo conjunto de componentes electrónicos redundantes e desligou uma das suas baterias. Pensa-se que o local da Phoenix tenha sido varrido por uma tempestade de areia, que reduziu a capacidade de recolha de energia.

Isto impossibilitou as comunicações entre os controladores da missão e a sonda, que na Quinta foram capazes de enviar um comando para ligar a bateria. No entanto, a sonda só respondeu às tentativas de comunicação graças à sonda Mars Odyssey na Sexta de manhã.


Impressão de artista da Mars Phoenix Lander.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)

À medida que os níveis energéticos continuam a descer, os engenheiros da Phoenix irão gradualmente desligar os outros três aquecedores. O segundo aquecedor serve a unidade de início pirotécnico e espera-se que prolonge a missão por mais quatro ou cinco dias. O terceiro aquece a câmara principal da Phoenix e os seus instrumentos meteorológicos. Os componentes electrónicos que operam esses instrumentos deverão gerar calor suficiente para os manter, e à câmara, funcionando mais algum tempo.

O quarto aquecedor - um de dois aquecedores fulcrais que aquecem a sonda e as suas baterias - será desligado no passo final. Isto deixará apenas um aquecedor fulcral a funcionar até ao fim.

"Nesse ponto, a Phoenix estará à mercê de Marte," disse Chris Lewickie do JPL e o gestor principal do projecto.

Os engenheiros estão também a preparar-se para a conjunção solar, quando o Sol estiver directamente entre a Terra e Marte. Isto acontecerá entre 28 de Novembro e 13 de Dezembro e irá bloquear as transmissões de rádio entre a sonda e a Terra. Não irão ser enviados comandos directos à Phoenix durante esse tempo, mas as ligações entre a Phoenix irão continuar através das sondas Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter, em órbita do planeta.

Por agora, os controladores da missão não têm a certeza se o quarto aquecedor será desligado antes ou depois da conjunção.

"É apenas uma questão de dias, ou semanas, antes que a energia diária gerada pela Phoenix seja menor que a necessária para a manter em funcionamento," afirmou Lewickie. "Temos apenas uma quantas opções para reduzir o consumo energético."

Links:

Notícias relacionadas:
11/10/2008 - Phoenix aproxima-se do fim (Núcleo de Astronomia do CCVAlg)
JPL (comunicado de imprensa - 1)
JPL (comunicado de imprensa - 2)
JPL (comunicado de imprensa - 3)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Universe Today - 1
Universe Today - 2
SPACE.com - 1
SPACE.com - 2
New Scientist
PHYSORG.com - 1
PHYSORG.com - 2
Science Daily
Discover Magazine
Reuters
UPI
The Associated Press
CNN

Phoenix:
Página oficial (Universidade do Arizona)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Assombrando Cefeu - Crédito: Giovanni Benintende
Formas fantasmagóricas parecem assombrar esta zona estelar, vagueando pela noite na constelação de Cefeu. Claro, as formas são nuvens de poeira cósmica tenuamente visíveis devido à pequena luz estelar reflectida. Bem longe da nossa vizinhança aqui da Terra, situam-se na fronteira da nuvem molecular de Cefeu, a uns 1200 anos-luz de distância. Com mais de 2 anos-luz de comprimento e mais brilhante que outras aparições fantasmagóricas, a nebulosa conhecida como Sh2-136 perto do centro da imagem até consegue ser observada na radiação infravermelha. Também catalogada como glóbulo de Bok CB230, o núcleo dessa nuvem está a colapsar e provavelmente contém um sistema binário em inícios de formação.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 01/11: 306.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, as comunicações com a sonda soviética Mars 1 falham.

Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objectos gelados, conhecida como a Nuvem de Oort e a Cintura de Kuiper, que reside no Sistema Solar exterior.
Observações: Ao anoitecer, baixos a Sudoeste, a Lua Crescente encontra-se a cerca de 4-5º para a esquerda de Vénus.

Dia 02/11: 307.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelas, enxames e do centro da Via Láctea.

Corajosamente e correctamente afirmava que os enxames globulares se encontravam à volta da Galáxia, e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direcção de Sagitário. Foi director do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Observações: Antes do amanhecer, se observar Saturno por um telescópio, encontrará não muito longe (0,08º) a estrela de quarta magnitude, Sigma Leonis.

Dia 03/11: 308.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1679 ocorre o pânico generalizado na Europa com a aproximação de um grande cometa.
Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2 e morre depois de uma semana em órbita.

Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de Fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas.
Observações: Ao cair da noite, encontrará Júpiter por cima da Lua, baixos a Sudoeste.

Dia 04/11: 309.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida.

Observações:
Ao início da noite, olhe bem para cima , perto do zénite, e observe o Grande Quadrado de Pégaso. Para a sua esquerda, encontra-se a constelação de Andrómeda. Aí, está situada a melhor galáxia visível do Hemisfério Norte: a famosa Galáxia de Andrómeda, ou M31. Utilize uns binóculos e com a ajuda de um mapa estelar, tente observá-la.

 
 
CURIOSIDADES:

Após um mês de paragem, o Telescópio Espacial Hubble está de novo a funcionar. A missão de serviço, que já tinha sido adiada para o próximo mês de Fevereiro, foi novamente adiada para Maio de 2009.
 
 
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