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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 482
De 07/01 a 09/01/2009
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  RETROSPECTIVA ASTRONÓMICA DE 2008: CONTINUAÇÃO
   

2008 foi um ano de extremos. Os astrónomos observaram a maior explosão jamais registada, descobriram o maior e o mais pequeno buraco negro conhecidos, e descobriram intrigantes detecções do que poderá ser matéria escura.


Em Março, os telescópios avistaram a maior e mais poderosa explosão cósmica de sempre - uma explosão de raios-gama que se pensa ter ocorrido quando uma estrela massiva terminou a sua vida ao libertar jactos de matéria a alta-velocidade a partir dos seus pólos. Alguns astrónomos suspeitam que esta explosão foi assim tão brilhante porque um jacto estava a apontar directamente para a Terra.


O buraco negro mais pequeno que se conhece pertence a um sistema binário de nome XTE J1650-500. Tem cerca de 3,8 vezes a massa do Sol, e é orbitado por uma estrela companheira, tal como ilustrado na imagem.
Crédito: NASA/CXC/A. Hobar
(clique na imagem para ver versão maior)

Os astrónomos descobriram o mais pequeno buraco negro conhecido, com apenas 3,8 vezes a massa do Sol, e confirmaram que o maior buraco negro de "massa estelar" - um formado pelo colapso de uma única estrela - tem cerca de 33 vezes a massa do Sol.


Os caçadores de planetas extrasolares também fizeram grandes descobertas em 2008. Duas equipas de astrónomos registaram o que podem ser as primeiras fotos de planetas em torno de outras estrelas. Outros grupos já tinham obtido imagens de possíveis planetas, mas estes últimos estudos foram os primeiros a discernir o movimento dos planetas, confirmando que estavam realmente orbitando as suas estrelas-mãe.


Imagem obtida pelo Keck II do sistema planetário HR 8799, mostrando três planetas.
Crédito: Observatório W.M. Keck
(clique na imagem para ver versão maior)

Notícias:
17 de Setembro - Astrónomos capturam primeira imagem de um planeta em torno de uma estrela tipo-Sol
15 de Novembro - Grandes descobertas: primeiras imagens de planetas em torno de outras estrelas

A observação das ligeiras oscilações nos movimentos das estrelas também revelou uma surpresa: um grande número de super-Terras, planetas rochosos com várias vezes a massa do nosso. A maioria dos planetas extrasolares descobertos até agora têm sido gigantes gasosos, mas há quem estime que estas super-Terras possam ultrapassar o número de corpos com o tamanho de Júpiter na nossa Galáxia numa proporção de três para um.

Notícias:
20 de Fevereiro - Muitas, talvez a maioria das estrelas tipo-Sol podem formar planetas rochosos
4 de Junho - Descoberto planeta extrasolar com apenas três vezes a massa da Terra
18 de Junho - Descoberto trio de super-Terras em torno de uma estrela

Os astrónomos descobriram o planeta mais quente conhecido - um mundo tão massivo quanto Júpiter que orbita a sua estrela aproximadamente a cada 24 horas e é aquecido até uma incrível temperatura de 2250 ºC - tão quente como algumas estrelas.

Moléculas orgânicas - na forma de metano e de dióxido de carbono - foram detectadas pela primeira vez em planetas fora do nosso Sistema Solar. Estes compostos foram detectados em gigantes que se situam demasiado perto da sua estrela-mãe para assinalar vida, mas a detecção proporciona esperança que os astrónomos possam um dia ser capazes de analisar as atmosferas de mundos tipo-Terra.


Os cientistas também avançaram o estudo dos componentes "escuros" do Universo. Descobriram efeitos tantalizantes da energia escura - a misteriosa entidade que está a acelerar a expansão do Universo - no brilho remanescente do Big Bang, chamado radiação cósmica de fundo, e no desenvolvimento de colossais enxames de galáxias ao longo dos últimos 5,5 mil milhões de anos. No entanto, a origem desta energia escura ainda permanece um mistério.

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Júpiter Eclipsa Ganimedes - Crédito: NASA, ESA, e E. Karkoschka (U. Arizona)
Quão nublada é a atmosfera superior de Júpiter? Para responder a esta questão, os astrónomos apontaram o Telescópio Espacial Hubble até Júpiter, para observar o eclipse da sua lua Ganimedes. Embora Ganimedes complete uma órbita em torno do gigante uma vez por semana, geralmente passa por cima ou por baixo do planeta, por isso um bom eclipse ocorre mais raramente. Tal foi capturado em grande detalhe visual em Abril de 2007. Quando se encontra perto do limbo de Júpiter, Ganimedes reflecte luz solar através da atmosfera superior de Júpiter, permitindo aos astrónomos procurar neblina notando uma breve atenuação em diferentes cores. Um resultado da investigação foi esta espectacular imagem, onde são claramente vísiveis as bandas de nuvens que circulam Júpiter, bem como gigantescos sistemas de tempestades, tais como a famosa Grande Mancha Vermelha. Ganimedes, na parte de baixo da imagem, também mostra notáveis detalhes na sua gelada e escura superfície. Dado que Júpiter e Ganimedes são muito brilhantes, muitas vezes estes eclipses são facilmente observados cá na Terra até com pequenos telescópios.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 07/01: 7.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, Galileu Galilei observava pela primeira vez as quatro grandes luas de Júpiter.

Observações: Esta noite as Plêiades encontram-se à direita (menos de 1,5º) da Lua, com Aldebarã por baixo.

Dia 08/01: 8.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977 era lançada a missão espacial soviética Luna 21.
Em 1994, o cosmonaut russo Valeri Polyakov na Soyuz TM-18 parte para a Mir.

Permanecerá na estação espacial até 22 de Março de 1995, completando um recorde de 437 dias no espaço.
Observações: Embora estejamos ainda no princípio de Janeiro, um sinal da distante Primavera já se encontra no céu nocturno. Procure a Ursa Maior apoiada na sua "pega" a Nordeste. A Ursa Maior começou a sua longe viagem sazonal até se situar bem alta em Maio e Junho.

Dia 09/01: 9.º dia do calendário gregoriano.
Observações: A Lua brilha perto dos pés de Gémeos, a meio do caminho entre Capela (alta para cima e para a esquerda da Lua ao começo da noite) e Procyon (para baixo e para a direita da Lua).

 
 
CURIOSIDADES:

O Cometa Ikeya-Seki de 1965 foi o cometa mais brilhante desde 1935. Teve magnitude -10 e chegou a ser visível durante o dia.
 
 
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