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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 564
De 24/07 a 26/07/2009
 
 
 
 

Dia 24/07: 205.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Apollo 11 regressava à Terra em segurança caindo a cápsula com os astronautas em segurança no Oceano Pacífico.

Observações: A fina Lua Crescente está para baixo de Saturno, ao anoitecer.

Dia 25/07: 206.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda russa Mars 5.

Em 1984 a cosmonauta russa Svetlana Savitskaya torna-se a primeira mulher a caminhar no espaço ao abandonar a estação Salyut 7.
Observações: Olhe para Saturno à direita da Lua. Quanto tempo depois do pôr-do-Sol consegue observá-los?

Dia 26/07: 207.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geoestacionário.

Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003.
Observações: Tem um telescópio com grande abertura e um céu escuro? Explore o enxame galáctico Abell 2199, a pouco mais de 4 graus de M13.

 
 
 
A nova "cicatriz" na atmosfera de Júpiter, noticiada no último boletim, tem aproximadamente o tamanho do Oceano Pacífico.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  LUA DE SATURNO MOSTRA EVIDÊNCIAS DE AMÓNIA  
 

Dados recolhidos durante dois voos rasantes da sonda Cassini da NASA pela lua de Saturno, Encelado, fornecem mais evidências acerca da presença de água líquida subsuperficial no mundo gelado. Os dados recolhidos pelo Espectómetro de Massa Iónica e Neutra da Cassini durante os flybys por Encelado, em Julho e Outubro de 2008, foram anunciados na edição de 23 de Julho da revista Nature.

"Quando a Cassini viajou através da pluma libertada por Encelado no dia 8 de Outubro do ano passado, o nosso espectómetro foi capaz de detectar muitos elementos químicos complexos, incluíndo alguns orgânicos, no vapor e nas partículas de gelo," disse Hunter Waite, cientista principal do espectómetro que trabalha no Instituto de Pesquisa do Sudoeste, em San Antonio, Texas, EUA. "Um dos elementos químicos definitivamente identificado foi a amónia."

A Cassini descobriu vapor de água e partículas expelidas de Encelado em 2005. Desde aí, os cientistas têm tentado determinar se a pluma é originária de uma fonte líquida no interior da lua ou se é devida a outras causas.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Na Terra, a presença de amónia assinala o potencial de um chão ou de uma bancada limpa. No espaço, a presença de amónia providencia fortes argumentos para a existência de pelo menos alguma água líquida.

Como é que a amónia equivale a água líquida dentro de uma lua coberta por gelo, numa das mais frias vizinhanças do nosso Sistema Solar? Tal como qualquer dona-de-casa interessada em manter a sua casa bem limpa sabe, a amónia dissolve-se rapidamente em água. Mas o que muitas pessoas não sabem, é que a amónia age como um anticongelante, mantendo a água líquida a temperaturas mais baixas do que, caso contrário, seria possível. Com a presença da amónia, a água pode existir em estado líquido a temperaturas de quase -100 graus Celsius.

"Dado que foram medidas temperaturas superiores a -93º C perto das fracturas em Encelado, de onde os jactos são emanados, nós pensamos ter um excelente argumento para um interior de água líquida," disse White.

Composição química da pluma libertada por Encelado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Cassini descobriu vapor de água e partículas expelidas de Encelado em 2005. Desde aí, os cientistas têm tentado determinar se a pluma é originária de uma fonte líquida dentro da lua ou se é devida a outras causas.

"A amónia é uma espécie de santo graal para o vulcanismo gelado," disse William McKinnon, cientista da Universidade de Washington em Saint Louis, Missouri. "Esta é a primeira vez que a descobrimos, de certeza, numa satélite gelado de um planeta gigante. Provavelmente está espalhada pelo sistema saturniano."

Quanta água realmente existe no interior gelado de Encelado, permanece um tema ainda em debate. Até agora, a Cassini fez cinco voos rasantes por Encelado, um dos alvos principais da missão prolongada da Cassini. Estão planeados mais dois voos para Novembro deste ano, e outros dois ainda mais próximos [do satélite] para Abril e Maio de 2010. Os dados recolhidos durante esses flybys futuros poderão ajudar a terminar o debate.

"Onde a água líquida e a química orgânica existem, será que existe vida?" perguntou Jonathan Lunine, cientista da Cassini da Universidade do Arizona, em Tucson. "Tal é o caso da Terra; o que se descobriu em Encelado aumenta as probabilidades da lua ter ambientes potencialmente habitáveis."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Discover
Universe Today

Encelado:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
  COMO A NASA ENVIARIA HUMANOS PARA MARTE  
 

À medida que as comemorações do 40.º aniversário da aterragem na Lua terminam, uma viagem a Marte permanece um dos grandes objectivos da NASA.

"Estamos ainda a olhar para a exploração humana de Marte como um dos grandes objectivos do futuro," disse Bret Drake, investigador do Centro Espacial Johnson da NASA em Houston. "A aterragem de um humano noutro planeta seria uma das maiores aventuras possíveis, um dos grandes momentos da História."

Uma missão tripulada ao Planeta Vermelho é um desafio avassalador que se situa quase no limite das capacidades tecnológicas actuais e possivelmente para lá dela. Mesmo assim, a NASA mantém a ideia de lá ir e constantemente se actualiza com novas ideias.

"Marte é um daqueles alvos da nossa fascinação que perdura há muito tempo," disse Drake.

Uma viagem a Marte demoraria cerca de 180 dias. Até agora a NASA está a explorar duas opções para a propulsão - um foguetão termonuclear e um motor químico.

O foguetão termonuclear, com base em desenhos dos anos 60 e 70, usaria um reactor nuclear para super-aquecer um gás e libertá-lo-ia pelos escapes para gerar velocidade. "É um veículo de alta performance, e que nós pensamos também ser muito seguro, não radioactivo no lançamento, mas não deixa de ser um sistema nuclear," disse Drake. "A ideia de um motor químico é semelhante àqueles usados no vaivém espacial, oxigénio líquido e hidrogénio líquido. É uma tecnologia já bem testada, mas não é tão eficiente quanto a termonuclear."

Para alcançar a superfície marciana, a NASA tem a ideia de um "lander" aerodinâmico que desce na direcção da superfície com a ajuda de motores. O veículo de subida, que leva a tripulação de volta para o espaço, para a viagem de seis meses de regresso a casa, provavelmente será suportado por um motor que utiliza uma combinação de metano e oxigénio líquido. "O oxigénio encontra-se na atmosfera marciana e no dióxido de carbono, e por isso podemos utilizar os recursos em Marte para fazer combustível," afirma Drake.

Antes da tripulação chegar a Marte, o plano é enviar tanta carga quanto possível antes do tempo.

"Desta maneira nós podemos saber se está a funcionar correctamente mesmo antes de enviarmos a tripulação," disse Drake. Uma missão a Marte não é como uma missão lunar, onde podemos ir para casa a qualquer altura - uma vez começada, a tripulação terá que lá ficar durante anos."

Segundo as estimativas da NASA, uma missão tripulada a Marte precisaria de levar para o espaço cerca do dobro da massa da ISS - aproximadamente 800 toneladas de tecnologia. Para lançar o equipamento, a NASA planeia usar o foguetão Ares V, desenhado para ser o foguetão mais poderoso jamais construído, que é capaz de transportar, de cada vez, até 188 toneladas de carga até uma órbita terrestre baixa.

"Vamos tentar minimizar a quantidade de montagens necessárias," disse Drake. "A grande capacidade de carga do Ares V irá ajudar a fazer encontros simples e automáticos em órbita, e à montagem dos componentes."

Impressão de artista da separação do estágio do Ares I, um evento cuidadosamente delineado baseado em níveis de aceleração.
Crédito: NASA/MSFC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A tripulação apanharia boleia num dos foguetões Ares I antes de começar a sua viagem até Marte.

"Ter humanos num determinado sítio é importante porque nos dá experiência, treino e a capacidade de pôr em contexto o que observam e de tomar decisões em tempo real, tudo coisas difíceis de alcançar com robots," afirma Drake.

O próprio habitat em que a tripulação iria ficar na superfície marciana seria enviado antes do tempo. "Também podemos fazer outras coisas como produzir e armazenar oxigénio dos recursos marcianos antes da chegada da tripulação e do veículo de subida. Também podíamos gerar água."

A NASA tem em mente uma tripulação de seis astronautas para a missão a Marte. "Este é o número necessário para as capacidades necessárias - um comandante, um cientista, engenheiro, oficial médico, e outros do género, bem como treinos em múltiplas áreas," disse Drake. "Precisam de conhecimentos num grande conjunto de disciplinas."

Actualmente, a NASA planeia uma estadia de longa duração para a tripulação em Marte, aproximadamente 500 dias.

"A autonomia da tripulação é vital, porque existe um atraso de 40 minutos nas comunicações entre a Terra e a tripulação devido à distância," realça Drake. "E a tripulação não tem capacidade de se reabastecer - terão apenas o que for enviado antemão ou o que trouxerem com eles - por isso se as coisas falharem, terão que ser capazes de as reparar. Têm quer ser auto-suficientes."

Para sobreviver à viagem, o ar e a água precisam de ser completamente e regularmente reciclados.


Os astronautas e as suas naves precisariam de melhores materiais de protecção se uma missão a Marte se tornasse prática.
Crédito: NASA

 

"Estamos a aprender muito na Estação Espacial Internacional, acerca da reciclagem do ar e da água," disse Drake. "O que apela acerca de Marte é que existe dióxido de carbono na atmosfera, e isso pode ajudar-nos a obter oxigénio e água para a tripulação. Em termos de comida, estamos a olhar para sistemas mais pequenos, 'máquinas de saladas,' para plantar vegetais para a tripulação. A comida fresca não só é boa para a nutrição, como também boa para a mente. Um tomate fresco pode realmente impulsionar a psicologia."

A complicada tarefa de ficar no espaço quase dois anos e meio, com apenas poucas pessoas num ambiente potencialmente letal, de certeza que irá testar a mente dos exploradores marcianos.

"Os russos estão actualmente a conduzir um teste que irá ajudar-nos a obter mais informações acerca do aspecto do comportamento científico de uma missão a Marte," acrescenta Drake. "A observação de outros locais remotos de exploração é também uma grande ajuda - na Antárctica ou em submarinos - tudo isso conta para os aspectos do comportamento humano na selecção da tripulação."

Uma preocupação fundamental para os astronautas, bem como para a estadia em Marte, é a perigosa radiação na forma de tempestades de partículas altamente energéticas do Sol, bem como os raios cósmicos do espaço profundo. "O melhor material para nos proteger desta radiação é o hidrogénio, ou a água, que é rica em hidrogénio," sublinha Drake.

Na superfície de Marte, a NASA planeia que a carga enviada antes dos astronautas possa produzir água antes desta lá chegar, para a usar como um escudo durante a sua estadia. No caminho para e de Marte, a nave pode ser configurada para que a água e a comida rodeiem áreas onde a tripulação passa a maior parte do seu tempo, mas "um 'abrigo de tempestades' a bordo da nave será uma parte importante para os pequenos eventos onde a radiação será letal," disse Drake.

Não há nenhuma data definitiva para uma potencial missão a Marte, mas permanece de alto interesse não só para a NASA, mas também para outros, como a China.

"É o próximo passo da Humanidade, para compreender e expandir a nossa presença no Sistema Solar. Nós vemos a exploração humana de Marte como um feito internacional, muito provavelmente não limitado a apenas um país, mas provavelmente à escala global," conclui.

Links:

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Ares I:
NASA
Wikipedia

Ares V:
NASA
Wikipedia

 
     
 
 
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