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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 566
De 29/07 a 30/07/2009
 
 
 
 

Dia 29/07: 210.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, A. De Gasparis descobria o asteróide 15 Eunomia.
Em 1898, nascia o físico Isidor Isaac Rabi, que recebeu o prémio Nobel da Física em 1944, pelo seu método de ressonância para registar as propriedades magnéticas do núcleo atómico.

Em 2005, astrónomos anunciam a descoberta de Éris.
Observações: Tem um telescópio com grande abertura e um céu escuro? Explore o enxame galáctico Abell 2199, a pouco mais de 4 graus de M13.

Dia 30/07: 211.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, os astronautas da Apollo 15 aterram na Lua.
Observações: Antares brilha para a esquerda da Lua após o pôr-do-Sol.

 
 
 
O nosso Sol está movendo-se a 320 m/s na direcção da constelação de Hércules.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  COMETAS, NÃO ASTERÓIDES, SÃO OS CULPADOS PELA SUPERFÍCIE CRATERADA DA LUA  
 

Um novo estudo de rochas antigas da Gronelândia sugere que foram os cometas gelados - não os asteróides - que lançaram um tremendo assalto à Terra e à Lua há cerca de 3,85 mil milhões de anos. O trabalho sugere que muita da água da Terra foi trazida para o planeta por cometas.

"Podemos ver crateras na superfície da Lua a olho nu, mas ninguém sabe com certeza como é que se formaram - será que foram rochas, ferro, ou gelo?" diz Uffe Gråe Jørgensen, um astrónomo do Instituto Niels Bohr em Copenhaga, Dinamarca. "É excitante descobrir sinais que apontam para o gelo."

As evidências sugerem que a Terra e a Lua formaram-se há cerca de 4,5 mil milhões de anos. Mas quase todas as crateras na Lua datam de um período mais recente, o "Último Grande Bombardeamento", entre 3,8 e 3,9 mil milhões de anos, quando aproximadamente 100 mil biliões de toneladas de rocha ou gelo colidiram com a superfície lunar. A Terra teria também sido atingida pelos detritos, embora as placas tectónicas do nosso irrequieto planeta tenham desde aí apagado essas cicatrizes.

O nosso único satélite natural, a Lua é um corpo rochoso com imensas crateras e "mares", partes mais escuras e planas, compostas de basalto.
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Stefan Seip
 

Para descobrir se os culpados principais do bombardeamento foram os asteróides ou os cometas, Jørgensen decidiu medir os níveis do elemento irídio em rochas terrestres antigas. O irídio é raro na superfície da Terra porque está quase todo ligado ao ferro e afundou-se para o núcleo da Terra pouco depois da formação do planeta. Mas o irídio é relativamente comum nos cometas e nos meteoritos.

A sua equipa calculou a quantidade de irídio que os asteróides teriam deixado na Terra e na Lua, quando comparada com a dos cometas. Dado que os cometas têm elementos mais voláteis e velocidades de impacto maiores, graças às suas órbitas mais elongadas em torno do Sol, criariam gigantescas plumas durante o impacto, permitindo que mais irídio escapasse para o espaço do que durante impactos de asteróides.

A equipa previu que o bombardeamento por asteróides teria deixado níveis de irídio entre as 18.000 e as 10.000 partes por bilião nas rochas na Terra e na Lua respectivamente, enquanto os mesmos valores para o bombardeamento cometário seriam por volta dos 130 e 10.

Rochas antigas trazidas pelas missões Apollo da NASA já confirmaram que os níveis de irídio lunar rondam as 10 partes por bilião ou menos. Para descobrir o valor terrestre, a equipa de Jørgensen tirou amostras de algumas das rochas mais antigas da Gronelândia, com uma idade por volta dos 3,8 mil milhões de anos, e pediu a um laboratório japonês para determinar os seus níveis de irídio com uma precisão até à data não atingida. Elas continham níveis de irídio de 150 partes por bilião.

Estes valores sugerem fortemente que os cometas, e não os asteróides, provocaram o violento bombardeamento.

Se assim for, a equipa de Jørgensen calcula que caíram por volta de 3400 toneladas de material gelado cometário por cada metro quadrado na Terra. Cerca de metade deste material cometário teria feito ricochete de volta para o espaço em gigantes plumas, deixando para trás aproximadamente um total de mil milhões de quilómetros cúbicos de água cometária.

Esta é uma quantidade semelhante àquela dos oceanos da Terra, embora não seja ainda claro se já cá existia água devido a reacções químicas, antes do bombardeamento.

Michael Mumma, especialista em cometas do Centro Aeroespacial Goddard da NASA, que não esteve envolvido com a pesquisa, diz que o novo trabalho é interessante: "O artigo irá certamente estimular um intenso debate."

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Lua:
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Wikipedia

 
     
 
 
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