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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 569
De 05/08 a 06/08/2009
 
 
 
 

Dia 05/08: 217.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1864 Giovanni Donati faz as primeiras observações espectroscópicas de um cometa (Tempel, 1864 II.)

E vê o que é agora conhecido como as bandas Swan (3 delas), devido ao carbono molecular (C2).
Em 1930 nascia Neil Armstrong, o primeiro ser humano na Lua.
Em 1969 a sonda americana Mariner 7 passa por Marte a 3518 km, enviando de volta 125 imagens.
Em 1973 é lançada a sonda soviética Mars 6. A 12 de Março de 1974, a Mars 6 aterra suavemente em Marte a 24º S, 25º O. Enviou dados atmosféricos durante a descida.
Em 2000, a quebra do cometa Linear 1999/S4 é capturada pelo Telescópio Espacial Hubble.
Observações: Os enxames globulares gémeos, M10 e M12, da constelação de Ofíuco, cabem no campo de visão de uns binóculos. Utilize este mapa para os descobrir no céu.

Dia 06/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961 era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, o primeiro voo soviético com a duração de um dia.

Observações: Lua Cheia, pelas 2 da manhã. Esta noite há um pequeno eclipse lunar parcial, entre a meia-noite e as 3.

 
 
 
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AIA 2009
 
 
  ROVER ESTUDA MAIOR METEORITO JÁ DESCOBERTO EM MARTE  
 

O rover Opportunity está actualmente a analisar o maior meteorito já descoberto no Planeta Vermelho. A rocha, com o tamanho de uma bola de praia, é um meteorito ferroso, e os cientistas esperam estudá-lo em busca de sinais de ferrugem para obter informação acerca da história da água em Marte.

No dia 18 de Julho, o Opportunity avistou a rocha, que sobressaía num terreno liso, quase estéril, de Meridiani Planum, uma planície coberta por areia que o rover tem explorado desde que aterrou em Marte em Janeiro de 2004.

A planície está cheia de rochas com o tamanho de um punho, que se pensa serem meteoritos ou fragmentos de uma rocha maior que criou a vizinha cratera Victória, de 800 metros. Mas este objecto - denominado "Block Island" - é consideravelmente maior, medindo cerca de 0,6 metros de comprimento e 0,3 de altura - cerca do dobro de qualquer outro meteorito já descoberto em Marte. "É grande," disse Ray Arvidson, membro da equipa do rover, da Universidade de Washington em St. Louis, Missouri, EUA.

Esta imagem de "Block Island" foi tirada a 28 de Julho de 2009. Os cientistas irão estudar a rocha com um espectómetros de raios-X para obter medições da sua composição para confirmar que é de facto um meteorito.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Quando conduzimos por planícies relativamente lisas e chatas durante muito tempo, qualquer coisa que se parece com uma rocha decente, grita, 'Vem ter comigo!'" diz Albert Yen, membro da equipa e cientista planetério do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. Por isso, mesmo que a rocha estivesse na direcção oposta à que a Opportunity tinha na altura, os líderes da missão teriam dado ordens ao rover para a investigar. "Este alvo era demasiado bom para não o estudar," realçou Arvidson.

A semana passada, as imagens da rocha, obtidas pelas câmaras do rover, sugeriram que a rocha está coberta por alguma poeira. "Mas onde a poeira não está muito espessa, é brilhante e tem um aspecto metálico," afirmou Arvidson.

Ao longo do fim-de-semana, o rover estudou uma secção da rocha com o seu instrumento APXS (Alpha Particle X-Ray Spectrometer), que mede composições químicas. Na Segunda-feira, os dados enviados de volta pelas observações confirmaram que a rocha é um meteorito de ferro, disse Yen.

Os rovers já descobriram outros meteoritos ferrosos, que devido à sua aparência brilhante e às suas propriedades espectrais, são mais fáceis de identificar do que os meteoritos "rochosos" mais comuns. Foram descobertos dois meteoritos ferrosos pelo rover Spirit em Junho de 2006 com base nas suas reflectividades, ao passo que em Janeiro de 2005, o Opportunity confirmou que um objecto brilhante situado perto do seu escudo térmico abandonado, era de facto um meteorito de ferro.

Esse objecto com 0,3 metros de comprimento, anteriormente denominado "Heat Shield Rock" e agora com o nome de "Meridiani Planum", era até agora o maior meteorito descoberto em Marte.

Poderão estes dois meteoritos ferrosos, descobertos praticamente na mesma região de Marte, fazer parte do mesmo corpo? Possivelmente, dizem os membros da equipa do rover, embora seja ainda demasiado cedo para o dizer com certeza.

As primeiras observações com o APXS sugerem que têm diferentes quantidades de níquel, embora seja possível que as concentrações de níquel variem em diferentes locais dentro dos meteoritos. Na Segunda, os membros da equipa planearam usar o APXS para estudar a composição de um segundo local de estudo no "Block Island", que poderia revelar se o níquel varia de lugar para lugar no meteorito.

A aparência física da rocha é também diferente. "A rocha 'Heat Shield' parece-se mais com o lado esquerdo de 'Block Island' - mais macia, típica do que vemos nos meteoritos ferrosos," diz Yen. "O lado direito de 'Block Island' tem grandes protrusões e texturas." Essas características podem ter sido provocadas por erosão química, afirma.

Ampliação do meteorito, e a cores.
Crédito: NASA/JPL, Stuart Atkinson
(clique na imagem para ver versão maior)
 

De facto, os cientistas estão ansiosos por descobrir quanta desta erosão a rocha já sofreu. Dado que o meteorito contém ferro, quaisquer sinais de ferrugem na rocha poderão indicar mais dados acerca da história da água em Marte.

O meteorito pode ter caído em Marte algures durante os últimos 3,5 mil milhões de anos, um período no qual a rocha poderá ter entrado em contacto com água na atmosfera ou nas camadas superiores do solo. Alternativamente, pode ter caído na superfície durante o primeiro milhar de milhão de anos da história do planeta, quando, de acordo com outros estudos efectuados pelo rover, Meridiani Planum poderia ter estado coberta periodicamente por lagos, realça Arvidson.

Pistas sobre água poderão chegar dentro de uma semana, quando os cientistas esperam fazer observações com o espectómetro Mössbauer do rover, que estuda a composição e a abundância de minerais que contêm ferro. Se os sulfatos de ferro, que se formam em condições ácidas, forem descobertos, isso pode indicar a formação de ferrugem quando o meteorito entrou em contacto com água líquida ácida, que se pensa ter existido na superfície de Marte há milhares de milhões de anos atrás.

Os investigadores também esperam que o tamanho da rocha possa dizer-lhes algo mais acerca da atmosfera marciana - que é agora fina mas que poderá ter sido mais espessa no passado, diminuíndo com o passar do tempo devido ao vento solar ou aos impactos de meteoróides.

Se a atmosfera era muito fina e a rocha estava a viajar muito depressa, a atmosfera poderia não ter proporcionado um grande efeito de aerotravagem.

"Se tivéssemos um corpo deste tamanho, provavelmente não restaria muito dele [quando alcançasse a superfície]," acrescenta Yen. "Atingiria o chão a uma velocidade muito alta - alta o suficiente para a fragmentar completamente e derreter rochas desta natureza." Ao modelar as diferentes velocidades de impacto e a espessura atmosférica, os cientistas esperam usar o tamanho do meteorito para limitar como é que a atmosfera seria no passado.

A descoberta do meteorito salienta o papel que a sorte desempenha na descoberta, afirma Arvidson. O rover estava a dirigir-se para uma grande cratera denominada Endeavour a cerca de 15 km de distância quando avistou este meteorito.

Nós não levámos o Opportunity para a Cratera Endeavour para descobrir meteoritos, mas descobrimos um que até é grandinho," afirma Arvidson. "Pode dizer-nos mais acerca do meteorito, e mais importante, pode dizer-nos mais acerca de Marte."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universe Today
SPACE.com
Spaceflight Now
PHYSORG.com
New Scientist
Discovery Channel
MSNBC
The Register

Rovers marcianos da NASA:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

 
     
 
 
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