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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 584
De 18/09 a 20/09/2009
 
 
 

Dia 18/09: 261.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a Vanguard 3 é lançada para órbita terrestre.

Em 1977, a Voyager 1 tira a primeira fotografia da Terra e da Lua juntas.
Em 1980, a Soyuz 38 transporta 2 cosmonautas (1 cubano) para a estação espacial Salyut 6.
Observações: Lua Nova, pelas 19:45.

Dia 19/09: 262.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1848, A lua de Saturno, Hyperion, é descoberta por William Cranch Bond.

Em 1988, Israel lança o seu primeiro satélite.
Observações: Um pouco antes da meia-noite, já consegue observar a Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Pouco tempo depois, poderá observar a sombra de Io passar pela atmosfera do planeta gigante.

Dia 20/09: 263.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, Galileu Galilei é julgado diante a Congregação da Doutrina da Fé por ensinar que a Terra orbita o Sol.
Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos restos de três explosões de supernovas.

Observações: Conjunção inferior de Mercúrio, pelas 11:09.

 
 
 
Cada metro quadrado da superfície do Sol emite uma energia equivalente a 700 automóveis. Cerca de um bilionésimo desta energia chega à Terra.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  OBSERVE JUNO COM BINÓCULOS  
 

Lá para o final de Setembro, o Sol apontará o seu holofote sobre o asteróide Juno, dando ao pequeno corpo rochoso uma rara oportunidade para realmente brilhar no céu nocturno. Aqueles que têm acesso a um céu escuro, sem poluição, serão capazes de avistar a cor prateada do asteróide, perto do planeta Urano, com um par de binóculos.

"Pode geralmente ser observado com um bom telescópio amador, mas poucas pessoas para além dos astrónomos, têm uma real oportunidade de o observar," disse Don Yeomans, gestor do Programa NEO (Near Earth Object) do JPL da NASA. "Juno estará no seu brilho máximo até 2018."

O asteróide Juno foi fotografado em 2003 com um sistema de ópticas especiais acoplado ao Telescópio Hooker no Observatório de Monte Wilson, EUA. Os cientistas do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica que tiraram as imagens usaram vários comprimentos de onda, medido em nanómetros, começando com ciano e indo para o infravermelho.
Crédito: Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica
 

Pensa-se que Juno, um dos primeiros asteróides a ser descoberto, seja o pai de muitos dos meteoritos que caem na Terra. O asteróide é composto principalmente por duras rochas de silicato, fortes o suficiente para que fragmentos quebrados por colisões possam regularmente sobreviver à viagem através da atmosfera da Terra.

Embora marcado por encontros com outros asteróides, Juno é grande; de facto, é o décimo maior. Mede cerca de 234 km em diâmetro, cerca de 1/15 do diâmetro da Lua.

O asteróide, que orbita o Sol num percurso entre Marte e Júpiter, estará mais brilhante no dia 21 de Setembro, quando viajar em torno da nossa estrela a cerca de 22 km/s. Nessa altura, a sua magnitude aparente será de 7,5, cerca de duas vezes e meia mais brilhante que o normal. O brilho extra vem da sua posição, numa linha directa com o Sol e a sua proximidade com a Terra. (o asteróide ainda estará a cerca de 180 milhões de quilómetros, por isso não há problemas de caír na direcção da Terra.)

Por volta de 21 de Setembro, procure Juno após a meia-noite, uns poucos graus Este do planeta Urano na constelação de Peixes.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Entusiastas do céu com telescópios podem provavelmente observar Juno até ao fim do ano, mas é mais visível com binóculos no fim de Setembro. Por volta de 21 de Setembro, procure Juno perto da meia-noite uns poucos graus Este de Urano e na constelação de Peixes. Será um ponto cinzento no céu, e a cada noite que passa, deslocar-se-á mais para Sudoeste da sua posição anterior. A 25 de Setembro, estará mais perto da constelação de Aquário e a melhor altura para o observar será antes da meia-noite.

Links:

Juno:
Wikipedia
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica

 
     
 
 
  PRIMEIRAS SÓLIDAS PROVAS DA EXISTÊNCIA DE UM PLANETA EXTRASOLAR ROCHOSO  
 

O mais longo conjunto alguma vez feito de medições HARPS estabeleceu firmemente a natureza do planeta extrasolar mais pequeno e veloz conhecido, CoRoT-7b, revelando a sua massa de cinco vezes a da Terra. Em conjunção com o raio conhecido de CoRoT-7b, que é menos do dobro do nosso planeta, diz-nos que a densidade do planeta extrasolar é muito parecida à da Terra, sugerindo um mundo sólido e rochoso. A grande quantidade de dados também revela a presença de outra "super-Terra" neste sistema planetário.

"Isto é a Ciência no seu melhor," disse Didier Queloz, líder da equipa que fez as observações. "Fizémos tudo o que podíamos para aprender mais acerca do objecto descoberto pelo satélite CoRoT, e descobrimos um sistema único."

Em Fevereiro de 2009, a descoberta, pelo satélite CoRoT, de um pequeno planeta extrasolar em torno de uma estrela vulgar denominada TYC 4799-1733-1, foi anunciada um ano após a sua detecção e vários meses de duras medições com muitos telescópios terrestres, incluíndo alguns do ESO. A estrela, agora conhecida como CoRoT-7, está localizada na direcção da constelação de Unicórnio a uma distância de aproximadamente 500 anos-luz. Ligeiramente mais pequena e fria que o nosso Sol, também se pensa que CoRoT-7 seja mais jovem, com uma idade estimada em cerca de 1,5 mil milhões de anos.

A cada 20,4 horas, o planeta eclipsa apenas uma pequena fracção (1/3000) da luz da estrela, durante pouco mais de uma hora. Este planeta, apelidado de CoRoT-7b, está a apenas 2,5 milhões de quilómetros da sua estrela-mãe, ou 23 vezes mais perto que Mercúrio está do Sol. Tem um raio aproximadamente 80% maior que o da Terra.

Um dos métodos de detecção exoplanetária é o estudo da diminuição do brilho que provocam quando passam em frente da sua estrela-mãe. Tal alinhamento celeste é conhecido como trânsito planetário. Da Terra, tanto Mercúrio como Vénus ocasionalmente passam em frente do Sol. Quando tal acontece, parecem pequenos pontos negros passando pela brilhante superfície. Tais trânsitos bloqueiam uma pequena fracção da luz que o COROT é capaz de detectar.
Crédito: CNES
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O conjunto inicial de medições, no entanto, não conseguiu determinar a massa do exoplaneta. Tal resultado requer medições extremamente precisas da velocidade da estrela, que sofre apenas uma pequeníssima força de atracção despoletada pelo planeta em órbita. O problema com CoRoT-7b é que estes pequenos sinais são escondidos pela actividade estelar sobre a forma de "manchas estelares" (tal como as manchas solares do Sol), que são regiões mais frias na superfície da estrela. Sendo assim, o sinal principal está ligado à rotação da estrela, que completa uma volta em torno de si própria a cada 23 dias.

Para obter uma resposta, os astrónomos tiveram que utilizar o melhor instrumento para caçar planetas extrasolares do mundo, o espectógrafo HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) acoplado ao telescópio de 3,6 metros do ESO no Observatório La Silla, no Chile.

"Embora o HARPS seja certamente imbatível no que toca à detecção de exoplanetas pequenos, as medições do CoRoT-7b foram tão difíceis que tivémos que reunir 70 horas de observações da estrela," diz o co-autor François Bouchy.

O HARPS fez a sua tarefa, permitindo aos astrónomos filtrar o sinal de 20,4 horas nos dados. Este número levou-os a determinar que o CoRoT-7b tem uma massa de aproximadamente cinco massas terrestres, colocando-o na posição rara de planeta extrasolar mais leve já descoberto.

"Dado que a órbita do planeta está alinhada com a Terra, podemos vê-lo a atravessar a face da sua estrela-mãe - a este fenómeno dá-se o nome de trânsito - e assim medir, não apenas inferir, a massa do exoplaneta, que é a mais pequena já medida para um planeta extrasolar," dise Claire Moutou, membro da equipa. "Mais: como temos o raio e a massa, podemos determinar a densidade e obter uma melhor ideia da estrutura deste planeta."

Com uma massa muito mais parecida à da Terra do que, digamos, as 17 massas terrestres do planeta Neptuno, o CoRoT-7b pertence à categoria de "super-Terras". Já foram detectados cerca de uma dúzia destes corpos, embora no caso do CoRoT-7b, esta seja a primeira vez que foi medida a densidade de tal pequeno exoplaneta. A densidade calculada é próxima da da Terra, sugerindo que a composição do planeta é similarmente rochosa.

"CoRoT-7b resultou de inúmeras e difíceis medições astronómicas. As excelentes curvas de luz do telescópio espacial CoRoT deram-nos a melhor medição do raio, e o HARPS a melhor medição da massa de um planeta extrasolar. Ambos foram necessários para descobrir um planeta rochoso com a mesma densidade da Terra," diz o co-autor Artie Hatzes.

O planeta extrasolar CoRoT-7b orbita tão perto da sua estrela-mãe que deve sofrer de condições extremas.Tem cinco vezes a massa da Terra e é o exoplaneta que mais perto orbita a sua estrela. É também por isso o mais rápido - mais 750.000 km/h. A temperatura provável no seu lado diuno é de 2000 graus, e de -200 no nocturno. Esta impressão de artista mostra CoRoT-7b, a sua estrela, ao fundo, o seu irmão, CoRoT-7c.
Crédito: ESO/L. Calcada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O CoRoT-7b recebe ainda outra distinção como o planeta extrasolar mais próximo da sua estrela-mãe, o que o torna também no mais rápido - orbita a sua estrela a uma velocidade de mais de 750.000 km/h, mais de sete vezes a velocidade da Terra em torno do Sol. "De facto, o CoRoT-7b está tão próximo que parece um inferno, com uma temperatura superficial no seu lado 'diurno' estimada em mais de 2000 graus, e -200 para o seu lado nocturno. Os modelos teóricos sugerem que o planeta possa ter oceanos de lava na sua superfície. Com tais condições extremas, este planeta é definitivamente um local desprovido de vida," diz Queloz.

Como mais outro testamento da incrível precisão do HARPS, os astrónomos descobriram, nos seus dados de CoRoT-7, que o sistema contém outro planeta um pouco mais afastado que CoRoT-7b. Designado CoRoT-7c, orbita a sua estrela-mãe em 3 dias e 17 horas e tem uma massa de cerca de oito vezes a da Terra, por isso está também classificado como uma super-Terra. Ao contrário de CoRoT-7b, este seu irmão não passa em frente da sua estrela, visto da perpectiva da Terra, por isso os astrónomos não podem medir o seu raio e em consequência, a sua densidade.

Com estes achados, CoRoT-7 torna-se na primeira estrela que se sabe ter um sistema planetário composto por duas super-Terras de curto período, com uma que transita a estrela.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
4 de Fevereiro de 2009 - CoRoT descobre o planeta extrasolar mais pequeno até agora

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Sky & Telescope
SPACE.com
New Scientist
Universe Today
PHYSORG.com
Nature
Discover
Scientific American
EurekAlert!
CNN
BBC News
Reuters
Wired
The Associated Press
MSNBC

CoRoT-7b:
Wikipedia
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

CoRoT:
Página oficial
ESA
Wikipedia

 
     
 
 
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