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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 587
De 25/09 a 27/09/2009
 
 
 

Dia 25/09: 268.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1644, nascia Ole Romer, um astrónomo dinamarquês que foi responsável pela demonstração de que a velocidade da luz era finita contrariamente ao que se pensava à data.

Em 2008, a China lança a nave Shenzhou 7.
Observações: Aproveite a noite para tentar observar a Nebulosa da Hélice em Aquário.

Dia 26/09: 269.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 5:50.

Dia 27/09: 270.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 era lançada a sonda da ESA, Smart-1, a primeira tentativa de lançar naves espaciais de baixo custo.

Em 2008, o astronauta da agência espacial chinesa CNSA, Zhai Zhigang, torna-se no primeiro chinês a fazer um passeio espacial enquanto voava na Shenzhou 7.
Observações: Aproveite a noite para observar telescopicamente a Grande Mancha Vermelha em Júpiter.

 
 
  Um parsec equivale a 3,26 anos-luz. É a distância da Terra a um objecto astronómico que tem um ângulo de paralaxe de um arco-segundo.  
 
 
AIA 2009
 
 
  ÁGUA PODE AGARRAR-SE À SUPERFÍCIE DA LUA  
 

Uma grande porção da superfície da Lua pode estar coberta com água. Esta foi a surpreendente descoberta de um trio de sondas, que acharam traços da substância no solo lunar.

Muitos cientistas suspeitam que água gelada se encontra em crateras permanentemente à sombra nos pólos da Lua, que são também algumas das regiões mais frias do Sistema Solar.

Mas novos achados sugerem que uma pequena quantidade de água ainda existe no solo lunar por toda a superfície da Lua. A primeira detecção foi feita pela sonda Chandrayaan-1 da Índia. A sonda, que falhou em Agosto após menos de 10 meses em órbita, foi a primeira sonda lunar a transportar um instrumento capaz de medir quanta luz é absorvida por minerais que contenham água.

"Só pode ser água," diz Carle Pieters da Universidade de Brown em Providence, Rhode Island, EUA, líder do intrumento do Chandrayaan-1 que fez a detecção.

A sonda Chandrayaan-1 descobriu pistas de água pela superfície lunar quando mediu uma queda na luz reflectida num comprimento de onda absorvido apenas por água e por hidróxilo, uma molécula que contém um átomo de hidrogénio e um átomo de oxigénio.

Mas a equipa não ficou convencida que tinha descoberto água. "Levámos literalmente meses a estudar tudo o que poderia explicar esta característica, simplesmente porque não pensávamos que pudesse existir à superfície," afirma Pieters.

Para ajudar a verificar a assinatura, os membros da equipa viraram-se para os dados recolhidos pela sonda Cassini da NASA, que passou pela Lua em 1999 enquanto se dirigia para Saturno, e pela sonda Deep Impact, também da NASA, que passou pela Lua em Junho de 2009, a caminho do cometa Hartley 2. Ambas as sondas também mostraram evidências de água e hidróxilo, moléculas que provavelmente existem na Lua.

Mas apenas em não grandes quantidades. A recolha de água de uma área de solo com o tamanho de um campo de futebol daria-nos apenas "um bom copo de água," afirma Pieters. No entanto, poderá ser um importante recurso para os futuros exploradores lunares.

A descoberta de água na superfície muda a seca imagem da Lua, que tem sido desenhada desde os dias das missões Apollo. "Se tivesse dito a alguém há três semanas atrás que havia, nem que fosse uma minúscula quantidade de água na Lua, teriam-se rido," diz Jennifer Sunshine da Universidade de Maryland em College Park e investigadora principal da missão prolongada da Deep Impact.

As medições do Chandrayaan-1 sugerem que a água situa-se nos milímetros superiores da superfície lunar. Como resultado, Pieters e seus colegas favorecem um cenário no qual a água é criada quando átomos de hidrogénio transportados pelo vento solar colidem com materiais ricos em oxigénio na superfície da Lua, combinando-se para formar hidróxilo e água.

Uma ilustração que mostra a corrente de iões de hidrogénio transportados desde o Sol à Lua pelo vento solar. Os cientistas pensam que este processo pode explicar a possível presença de hidróxilo ou água na Lua.
Crédito: Universidade de Maryland/F. Merlin/McREL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É um resultado fascinante, interessante e útil," diz Paul Spudis do Instituto Lunar e Planetário em Houston, Texas, EUA. "Basicamente abriu um novo campo de estudo... que tem muitas mais perguntas que respostas."

Também existem provas que sugerem que a água possa estar em movimento. As observações da Deep Impact sugerem que a água possa ser mais prevalente durante as regiões mais frias do dia lunar que tem a duração de um mês, perto do nascer-do-Sol e do pôr-do-Sol. Isto indica que a água pode estar efectivamente a ser criada e destruída, ou que migra à medida que a luz solar a aquece o suficiente para a libertar dos minerais a que estava anteriormente ligada.

Se a água à superfície é móvel, poderá providenciar uma diferente fonte de água para as crateras polares permanentemente à sombra, cuja fonte principal de água pensa-se que seja cometas com água que colidiram com a Lua.

"Mesmo que leve uns quantos saltos, ou até mil ou um milhão, por fim [a água] pode acumular-se num bom local como estas áreas sempre à sombra, e uma vez que aí esteja já não vai a lado nenhum," diz Pieters.

Mas existe ainda um aceso debate acerca da existência de água nas escuras crateras da Lua. Os sinais de radar reflectidos das crateras polares mostraram alguns sinais tipo-gelo. E os neutrões detectados pela Lunar Prospector da NASA em 1998 sugeriram a presença de hidrogénio, embora não fosse claro se os átomos estavam fechados em água gelada ou sob outra qualquer forma.

A Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, que foi lançada em Junho, está agora à procura de assinaturas semelhantes.

Este mosaico, tirado de uma animação da NASA, mostra medições de altitude do pólo sul da Lua, obtidas pelo instrumento LOLA a bordo da Lunar Reconnaissance Orbiter. Algumas crateras, como Cabeus A que será atingida pela sonda LCROSS, são visíveis nesta imagem anunciada no passado dia 17 de Setembro.
Crédito: NASA/GSFC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A LCROSS da NASA, que irá colidir com uma cratera no pólo sul da Lua no dia 9 de Outubro, poderá potencialmente ajudar a resolver a questão. A sonda e o estágio de foguetão já gasto actualmente com ela, irão libertar plumas de detritos que a LRO e os telescópios terrestres irão estudar em busca de sinais de água gelada.

Links:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
Scientific American
Discover
Wired
Discovery Channel
BBC News
Reuters

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

Chandrayaan-1:
Página oficial
Wikipedia

Lunar Reconnaissance Orbiter:
NASA
Wikipedia

 
     
 
 
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  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

O que é aquele estranho arco? Enquanto observavam o enxame galáctico Abell 370, os astrónomos notaram um arco invulgar para a direita de muitas das galáxias do enxame. Embora curiosos, uma sua resposta inicial foi evitar comentários acerca do arco porque nunca tinha sido observado nada igual. Em meados dos anos 80, melhores imagens permitiram aos astrónomos identificar o arco como um protótipo de um novo fenómeno astrofísico -- o efeito de lente gravitacional de um enxame galáctico em galáxias de fundo. Hoje em dia, sabemos que este arco consiste na realidade de duas imagens distorcidas de uma galáxia bastante comum que se situa muito para trás do gigantesco enxame. A gravidade de Abell 370 faz com que a luz da galáxia de fundo -- e outras -- se espalhe e que atinja o observador ao longo de múltiplos percursos, não muito diferente de como uma luz distante aparece distorcida através de um copo de vinho. Em meados de Julho, os astrónomos usaram o recém-actualizado Hubble para observar Abell 370 e a sua lente gravitacional com um detalhe sem precedentes. Quase todas as zonas amareladas da imagem são galáxias no enxame Abell 370. No entanto, um olho mais astuto pode notar muitos outros arcos e semi-arcos distorcidos que são na realidade imagens de galáxias mais distantes. O estudo de Abell 370 e das suas imagens proporciona aos astrónomos uma janela única da distribuição de matéria normal e escura nos enxames galácticos e no Universo.

 


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