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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 590
De 05/10 a 06/10/2009
 
 
 

Dia 05/10: 278º dia do  calendário gregoriano.
História:
Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões
Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orion. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atracção gravitacional das outras estrelas.
Observações: O enxame globular NGC 6934 na constelação do Golfinho (Delphinus) é um bom desafio para quem possua um telescópio médio/grande.

Dia 06/10: 279º dia do  calendário gregoriano.
História:
Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASA, Ulysses, a partir do vaivém Discovery. Em Fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica. Completou a sua missão principal de vigiar os dois pólos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o pólo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa. A missão durará até 2007.
Observações: Mercúrio atinge a sua máxima elongação Oeste (18º). Esta noite ocorre também uma ocultação de Io a Europa.

 
 
  No século XIX acreditava-se que as nuvens moleculares escuras eram buracos no céu.  
 
 
AIA 2009
 
 
  HERSCHEL DESCOBRE NOVAS PÉROLAS DE FORMAÇÃO ESTELAR  
 

O telescópio espacial Herschel enviou para a Terra várias imagens espetaculares de nuvens de gás frio próximas do plano da Via Láctea, revelando uma actividade intensa e completamente inesperada. A região escura e fria é pontilhada com imensas fábricas estelares, que surgem como pérolas numa corda cósmica.

Exemplo de fotografia e respectiva legenda

Cinco imagens de infravermelho em cores falsas da região do Cruzeiro do Sul, localizada próximo do plano da Galáxia, a milhares de anos-luz da Terra .
Crédito: ESA e o Consórcio SPIRE & PACS
(clique na imagem para ver versão maior)

A 3 de Setembro, o telescópio Herschel apontou para um reservatório de gás frio na constelação do Cruzeiro do Sul perto do plano galáctico. À medida que o telescópio varria o céu, o seu receptor e espectrógrafo de infravermelhos, SPIRE, e os instrumentos de fotovarrimento e espectrometria PACS obtinham imagens digitalizadas desta região. A região está localizada a cerca de 60° a partir do Centro Galáctico, a milhares de anos-luz da Terra.

As cinco imagens originais no infravermelho têm sofrido modificações de cor para permitir que os cientistas diferenciem material extremamente frio (vermelho) do material envolvente, um pouco mais quente (azul).

As imagens revelam a estrutura do material frio da nossa galáxia, de um modo nunca antes visto, e mesmo antes de uma análise detalhada, os cientistas têm recolhido informação sobre a quantidade de material, a sua massa, a sua temperatura, a sua composição e se a matéria está em colapso para formar novas estrelas.

Que uma área escura e fria como essa pudesse ter uma actividade tão evidente, foi inesperado. Mas as imagens revelam uma surpreendente quantidade de turbulência: o material interestelar está a condensar-se em filamentos contínuos e interligados que brilham com a luz emitida por estrelas recém-nascidas em diferentes fases de desenvolvimento. A nossa galáxia parece incansável continuamente a forjar novas gerações de estrelas.

As estrelas formam-se em ambientes frios e densos e nestas imagens é fácil localizar as estrelas, formando-se em filamentos que seriam muito difíceis de isolar através uma imagem singular resultante de um comprimento de onda único.

Tradicionalmente, numa região muito povoada como esta, que está situada no plano da nossa Galáxia e que contém muitas nuvens moleculares ao longo da linha de visão, os astrónomos têm tido muitas dificuldades em resolver os detalhes. Mas o telescópio Herschel e os seus sofisticados instrumentos de aquisição no infravermelho não tiveram muito trabalho com esta tarefa de observar através da poeira que é opaca à luz visível, um tipo de observação astronómica impossível a partir do solo. O resultado obtido pelo Herschel é o de uma incrível rede de estruturas filamentosas, que indicam uma cadeia de quasi-estrelas com eventos de formação simultâneos, e que brilham como colares de pérolas no fundo da nossa Galáxia.

Links:

ESA:
ESA (notícia original)

 
 
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Astronomia Artística (via AIA2009)
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  M42 e o Cometa - Crédito: Rolando Ligustri (CARA Project, CAST)  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Estes duas imagens coloridas apresentam ambas uma paisagem astronómica familiar: o berçário estelar conhecido como a Grande Nebulosa de Orionte (M42). Também oferecem um detalhe intrigante e invulgar: a passagem de um cometa no campo da nebulosa. Fotografadas no fim-de-semana passado com um telescópio operado remotamente no Novo México, a imagem da direita foi tirada a 26 de Setembro e a da esquerda a 27 de Setembro. O cometa 217P Linear tem uma cauda esverdeada e está acima da nebulosa de reflexão azulada Running Man perto do topo de ambas as imagens. Movendo-se rapidamente através do céu nocturno, a posição do cometa muda claramente comparativamente às nebulosas e estrelas de fundo de uma noite para outra. De facto, o cometa estava a apenas 5 minutos-luz de distância da Terra a 27 de Setembro, uma distância muito pequena quando comparada com os 1.500 anos-luz para a Nebulosa de Orion. Demasiado fraco para ser visto a olho nu, o cometa 217P Linear é um pequeno cometa periódico com um período orbital de aproximadamente 8 anos. No seu ponto mais distante do Sol, pensa-se que a órbita do cometa vai além da órbita de Júpiter e que no seu ponto mais próximo do Sol, o cometa ainda está um pouco para além da órbita da Terra.

 


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