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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 604
De 02/12 a 03/12/2009
 
 
 

Dia 02/12: 336.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, lançamento da missão STS-61 do vaivém Endeavour, a primeira missão de manutenção do Hubble.

Observações: Lua Cheia, pelas 07:32.

Dia 03/12: 337.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1904, Charles Dillon Perrine descobre a lua joviana Himalia.
Em 1958, o JPL era transferido do controlo do exército americano para o controlo da NASA.
Em 1971, a sonda soviética Mars 3 torna-se na primeira a aterrar com sucesso em Marte
Em 1973, a Pioneer 10 enviava para a Terra as primeiras imagens de Júpiter.
Em 1974, voo rasante da sonda Pioneer 11 por Júpiter.
Em 1999, a NASA perdia o contacto com a Mars Polar Lander, minutos antes da entrada na atmosfera de Marte.

Observações: Embora seja já Dezembro, o Triângulo de Verão está ainda alto no céu a Oeste após o anoitecer. A mais brilhante das três estrelas é Vega a Oeste-Noroeste. Deneb é a estrela mais brilhante para cima de Vega. Altair brilha para a esquerda de Vega.

 
 
 
O local de maior vulcanismo do sistema solar é Io, o satélite de Júpiter.
 
 
AIA 2009
 
 
  CIENTISTAS EXPLICAM ENIGMÁTICA ASSIMETRIA DE LAGOS EM TITÃ  
 

Investigadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, do JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA, e de outros institutos, sugerem que a excentricidade da órbita de Saturno em torno do Sol possa ser responsável pela distribuição invulgarmente assimétrica de lagos nas regiões polares sul e norte da maior lua do planeta, Titã. Um artigo descrevendo a teoria aparece na edição de 29 de Novembro da revista Nature Geoscience.

A órbita alongada de Saturno em torno do Sol expõe partes diferentes de Titã a diferentes quantidades de luz solar, o que afecta os ciclos de precipitação e evaporação nessas áreas. As variações semelhantes na órbita da Terra também leva a ciclos de idades do gelo a longo-termo no nosso planeta.

Os hemisférios norte e sul de Titã, que mostram a grande disparidade entre a abundância de lagos no norte e a sua escassez no sul. A hipótese apresentada favorece o fluxo longo-termo de hidrocarbonetos voláteis, predominantemente metano, de hemisfério para hemisfério. Recentemente, a direcção do transporte tem sido de sul para norte, mas o efeito foi o inverso há dezenas de milhares de anos atrás.
Crédito: NASA/JPL/Caltech/UA/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Como revelado por dados do instrumento SAR (Synthetic Aperture Radar) a bordo da sonda Cassini, os lagos de metano líquido e etano nas altas latitudes norte de Titã, cobrem uma área 20 vezes maior que a dos lagos nas altas latitudes a sul. Os dados da Cassini também mostram que existem mais lagos significativamente parcialmente cheios e agora vazios no norte (nos dados de radar, as características lisas -- como superfícies de lagos -- aparecem como áreas escuras, enquanto características mais irregulares -- como o fundo de um lago vazio -- aparecem brilhantes). A assimetria não é provavelmente um acaso estatístico devido à grande quantidade de dados recolhidos pela Cassini ao longo da sua missão já com cinco anos.

Os cientistas consideraram de início a ideia de que "há algo inerentemente diferente na região polar norte da sul, em termos de topografia, tal como precipitação, drenos ou infiltrações," afirma Oded Aharonson do Caltech, autor principal do artigo da Nature Geoscience.

No entanto, Aharonson nota que não existem diferenças substanciais conhecidas entre as regiões norte e sul para suportar esta possibilidade. Alternativamente, o mecanismo responsável por esta dicotomia regional poderá ser sazonal. Um ano em Titã dura 29,5 anos terrestres. A cada 15 anos terrestres, as estações em Titã invertem-se: chega o Verão num hemisfério e Inverno no outro. De acordo com esta hipótese de variação sazonal, a precipitação e a evaporação do metano varia em diferentes estações -- os lagos enchem-se a norte enquanto lagos esvaziam-se a sul.

O problema com esta ideia, disse Aharonson, é que explica o decréscimo de cerca de um metro por ano nas profundidades dos lagos no hemisfério de Verão. Mas os lagos de Titã têm profundidades médias na ordem das várias centenas de metros, e não ficariam vazios (ou cheios) em apenas 15 anos. Além do mais, a variação sazonal não pode explicar a disparidade entre os hemisférios no que toca ao número de lagos vazios. A região polar norte tem aproximadamente três vezes mais bacias de lagos vazias que a região sul e sete vezes mais lagos parcialmente cheios.

"O mecanismo sazonal pode ser responsável por parte do transporte global de líquido metano, mas não é a história toda." Uma explicação mais plausível, diz Aharonson e seus colegas, está relacionada com a excentricidade da órbita de Saturno -- e por isso de Titã, seu satélite -- em torno do Sol.

Tal como a Terra e outros planetas, a órbita de Saturno não é perfeitamente circular, sendo ao invés algo elíptica e oblíqua. Por causa disto, durante o Verão no hemisfério sul, Titã está 12% mais perto do Sol do que durante o Verão no hemisfério norte. Como resultado, os Verões no norte são longos e subjugados; os Verões no sul são curtos e intensos.

"Nós propomos que, nesta configuração orbital, a diferença entre a evaporação e a precipitação não é igual nas estações opostas, o que significa que existe um transporte de metano líquido do sul para o norte," disse Aharonson. Este desequilíbrio levaria a uma acumulação de metano -- e por isso à formação de muitos mais lagos -- no hemisfério norte.

Diagrama dos dois hemisférios de Titã. As cores azuis assinalam lagos.
Crédito: Oded Aharonson, NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta situação é apenas verdadeira de momento, ao que parece. Ao longo de escalas de tempo de dezenas de milhares de anos, os parâmetros orbitais de Saturno variam, por vezes aproximando Titã do Sol durante o Verão no norte, e mais longe durante o Verão no sul, e produzindo um transporte de metano inverso. Isto deveria levar a um aumento de hidrocarbonetos -- e uma abundância de lagos -- no hemisfério sul.

"Tal como a Terra, Titã tem variações climáticas que duram dezenas de milhares de anos, produzidas por movimentos orbitais," disse Aharonson. Na Terra, estas variações, conhecidas como ciclos de Milankovitch, estão ligadas a mudanças na radiação solar, que afectam a redistribuição global de água na forma de glaciares, e que se pensa ser responsável por idades do gelo. "Em Titã, existem ciclos climáticos a longo-termo no movimento global do metano, que produzem lagos e esculpem bacias de lagos. Em ambos os casos descobrimos um registo do processo embebido na geologia," acrescenta.

"Podemos ter descoberto um exemplo de mudança climática de longo-termo, análoga aos ciclos climáticos de Milankovitch na Terra, ou a outro objecto no Sistema Solar," conclui.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA/JPL (comunicado de imprensa)
Nature Geoscience (requer subscrição)
Science
Discover
Universe Today
Science Daily
PHYSORG.com

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Sol e Terra da ISS - Crédito: STS-129 Crew, NASA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Esta é apenas uma das muitas vistas espectaculares da Estação Espacial Internacional. O Sol, uma Terra crescente, e o longo braço de um painel solar, foram visíveis de uma janela quando o vaivém espacial Atlantis visitou o posto espacial a semana passada. Os reflexos da janela e os clarões hexagonais da câmara estão superpostos. O vaivém espacial aterrou na Sexta-feira, após uma missão de 10 dias para expandir e reabastecer a ISS. Com o número STS-129, a missão do vaivém espacial também foi o meio de transporte para trazer a astronauta Nicole Stott de volta à Terra, da sua estadia na ISS como Engenheira de Voo nas tripulações da Expedition 20 e 21.

 


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