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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 625
De 02/03 a 04/03/2010
 
 
 

Dia 02/03: 61.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a sonda americana Pioneer 10 é lançada. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteróides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).

A primeira sonda a sair do Sistema Solar. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileu indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa superfície de gelo.
Observações: Aproveite a noite para observar a Grande Nebulosa de Orionte (M42) com binóculos. Quantas estrelas consegue observar?

Dia 03/03: 62.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, é fundada a NACA, o antecessor da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.

Falhou a Lua por 59,500 km em vez dos esperados 32,000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger.
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objectivo de testar o módulo lunar.
Observações: Esta é a altura do ano em que Sirius está mais alta a Sul após anoitecer. Se tiver um telescópio com 8 polegadas ou mais, já alguma vez tentou observar a ténue companheira da estrela mais brilhante do céu nocturno? É um desafio algo complicado e necessita uma noite excelente e calma (pois é 10.000 vezes mais ténue que Sirius A), mas está agora a uns bons 9,1 arco-segundos Este da brilhante estrela primária - a maior distância entre as duas das últimas três décadas.

Dia 04/03: 63.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.

Em 1979, a sonda Voyager 1 descobre os anéis de Júpiter.
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, e as primeiras imagens de sempre do seu núcleo.
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita.
Em 1999, voo rasante do asteróide 1998 VD35 pela Terra (0.169 UA).
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhum resposta foi recebida.
Observações: Por volta das 20:30, a Ursa Maior está à mesma altura a Nordeste, que a Cassiopeia a Noroeste. A Primavera vem aí!

 
 
 
Número de planetas extra-solares descobertos até agora: 429.
 
 
 
  A "ESTRELA DA TARDE" ESTÁ DE VOLTA: COMO AVISTAR VÉNUS  
 

Desde o Verão passado que os planetas dominantes do céu nocturno têm sido Júpiter e mais tarde Saturno, mas isso agora mudou. Vénus está a emergir.

Vénus está mais perto do Sol do que a Terra, por isso o seu ano - o tempo que leva a dar uma volta ao Sol - é muito mais curto que o nosso. À medida que Vénus orbita o Sol, alterna entre o céu diurno e nocturno.

Após a sua última passagem pelo céu da manhã, Vénus pareceu passar por trás do Sol - o que os astrónomos chamam de "conjunção superior" - no dia 11 de Janeiro. Durante semanas não foi visível, embebido profundamente no brilho do Sol. A cada dia que passava, movia-se um pouco para Este e afastando-se da nossa estrela.

Vénus agora está baixo a Oeste ao pôr-do-Sol, uma "estrela da tarde" que fica mais alta a cada dia que passa. Quem tiver um horizonte limpo a Oeste, pode já avistar Vénus a olho nu, até mais ou menos uma hora após o pôr-do-Sol. Mas, descobri-lo baixo no horizonte e por entre o brilho cada vez menor do Sol, poderá ser complicado.

Posição do planeta Vénus, ao pôr-do-Sol, no dia 4 de Março.
Crédito: Miguel Montes, Stellarium
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Continuando a viajar para Este do Sol durante Março, Vénus em breve tornar-se-á bem visível no céu nocturno a Oeste, mesmo até para o mais casual dos observadores. Aparecendo como um objecto "estelar" esbranquiçado de magnitude -3,9, o nosso planeta-irmão põe-se uma hora depois do Sol no dia 4 de Março. Nesta escala de magnitudes, números mais pequenos representam objectos mais brilhantes, e Vénus é o objecto natural mais brilhante no céu, a seguir ao Sol e à Lua.

Vénus continuará a subir a cada noite, durante toda a Primavera e Verão. Na primeira semana de Junho, põe-se mais de duas horas e meia depois do Sol. A maior altitude do planeta ao pôr-do-Sol também será por volta desta altura.

Entre 28 de Março e 12 de Abril, Vénus e Mercúrio vão ser um par atractivo no céu a Oeste após o pôr-do-Sol. Entre estas duas datas, estes dois planetas estão a menos de 5 graus entre si, Vénus estando um pouco mais para a esquerda e para cima do mais ténue Mercúrio. A 3 de Abril, estarão à distância mais pequena, a apenas 3 graus entre si.

E no princípio de Agosto, Vénus será parte um "trio planetário," juntando-se aos mais ténues planetas, Marte e Saturno, baixos no céu a Oeste após o pôr-do-Sol.

Conjunção de três planetas, Vénus, Marte e Saturno, em Agosto.
Crédito: Miguel Montes, Stellarium
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Vénus alcança a sua maior elongação - a sua maior distância angular -, 46º Este do Sol, no dia 22 de Agosto.

Vénus estará mais brilhante no princípio do Outono, à medida que se aproxima novamente do Sol, alcançando o seu brilho máximo para esta órbita a 22 de Setembro, uma espectacular magnitude -4,56. Isto torna o planeta Vénus à volta de 20 vezes mais brilhante que Sirius, a estrela mais brilhante do céu nocturno. A partir daí, Vénus rapidamente baixa de magnitude, desaparecendo do céu em meados de Outubro, e passando a conjunção inferior a 28 de Outubro.

Em coisa de uma semana, ressurge como "estrela da manhã" a Sudeste.

Muitas pessoas não se apercebem que Vénus também tem fases, tal como a nossa Lua. Entre agora e Outubro, a observação repetida de Vénus com um pequeno telescópio vai mostrar toda a sua colecção de fases e tamanhos do disco.

Comparação entre o tamanho aparente de Vénus, nos dias 4 de Março, no final da Primavera e a 31 de Agosto, respectivamente. Note-se as diferentes fases do planeta.
Crédito: Miguel Montes, Stellarium
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O planeta aparece agora praticamente cheio (98% iluminado), e será um disco pequeno e deslumbrante. Ficará com uma forma mais gibosa e maior em tamanho aparente no final da Primavera. No final de Agosto, Vénus finalmente alcança o seu Quarto Crescente.

A partir daí, durante o resto do ano, fica cada vez maior em tamanho aparente e com uma fase mais fina, à medida que passa mais perto da Terra. De facto, se usar um telescópio irá notar que enquanto a distância Terra-Vénus diminui, o tamanho aparente do disco de Vénus aumenta, quase que duplicando o seu tamanho actual em 31 de Julho.

Quando Vénus duplicar novamente de tamanho a 23 de Setembro, a sua fase crescente deverá ser facilmente discernível, mesmo até em simples binóculos com 7x de ampliação.

Links:

Vénus:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

 
     
 
 
  NOVOS RESULTADOS DA MISSÃO STARDUST PINTAM IMAGEM CAÓTICA DO JOVEM SISTEMA SOLAR  
 

Embora se pense que os cometas sejam dos corpos mais antigos e primitivos no Sistema Solar, novas investigações do Cometa Wild 2 indicam que material do Sistema Solar interior foi transportado até à região de formação cometária pelo menos 1,7 milhões de anos após a formação dos sólidos mais antigos do Sistema Solar.

A pesquisa, por cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Livermore e colegas, providencia a primeira restrição da idade do material cometária de um cometa conhecido. Os achados foram publicados na edição de 25 de Fevereiro da revista Science Express.

Imagem da secção analisada neste estudo, que mostra minerais rodeados pelo aerogel comprimido.
Crédito: Laboratório Nacional Lawrence Livermore
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão Stardust da NASA ao Cometa Wild 2, lançada em 1999, foi desenhada em torno do pressuposto que os cometas preservam restos pristinos de materiais que ajudaram a formar o Sistema Solar. Em 2006, a Stardust enviou de volta as primeiras amostras de um cometa.

Embora se esperasse que a missão fornecesse um olhar único sobre o começo do Sistema Solar ao enviar amostras, grãos amorfos do meio interestelar e verdadeira poeira estelar (grãos cristalinos originários de estrelas distantes), os resultados iniciais pintaram uma imagem diferente. Ao invés, os materiais cometários consistiram de materiais de alta-temperatura, incluíndo inclusões ricas em cálcio-alumínio (CAI em inglês), os objectos mais antigos formados na nebulosa solar. Estes objectos formam-se nas regiões interiores da nebulosa solar e são comuns em meteoritos.

Mapa mineral em cores falsas sobreposto numa montagem de imagens obtidas pelo instrumento TEM (Transmission Electron Microscope).
Crédito: Laboratório Nacional Lawrence Livermore
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A presença de CAIs no cometa Wild 2 indica que a formação do Sistema Solar incluíu misturas em distâncias radiais muito maiores do que as reconhecidas pelos cientistas nos passado.

"O material do Sistema Solar interior no Wild 2 sublinha a importância do transporte radial do material a grandes distâncias na antiga nebulosa solar," afirma a autora principal do estudo, Jennifer Matzel, do laboratório do Instituto de Geofísica e Ciência Planetária e do Instituto Glenn T. Seaborg. "Estes achados também levantam importantes questões no que toca à escala de tempo da formação dos cometas e à relação entre o Wild 2 e outros objectos da nebulosa solar primitiva." As análises mostraram que os materiais do Sistema Solar interior formaram-se 1,7 milhões de anos depois do começo da formação das CAI.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
17 de Janeiro de 2006 - Pedaços de cometa aterram com sucesso na Terra
24 de Janeiro de 2006 - Cientistas abrem cápsula da Stardust
30 de Janeiro de 2008 - Cometa Wild 2 mais parecido com asteróides
14 de Janeiro de 2009 - Stardust regressa novamente a casa
19 de Agosto de 2009 - Aminoácido descoberto em amostras de cometa

Notícias relacionadas:
Lawrence Livermore National Laboratory (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
Universe Today
Astrobiology Web
SPACE.com
PHYSORG.com
Scientific American
Discover

Stardust:
Página da NASA
Wikipedia

Cometa Wild 2:
NASA
Wikipedia

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Exo-planeta sofre morte lenta (via The Kavli Foundation)
Um grupo internacional de astrofísicos determinou que um planeta massivo para lá do nosso Sistema Solar está sendo distorcido e destruído pela sua estrela-mãe - uma descoberta que ajuda a explicar o inesperado grande tamanho do planeta, WASP-12b. [Ler fonte]

 
     
 
     
  Perseguindo Carina - Crédito: Dieter Willasch  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Uma jóia do céu a Sul, a Grande Nebulosa Carina, também conhecida como NGC 3372, cobre uma área de aproximadamente 300 anos-luz. Perto do canto superior direito desta imensa paisagem celeste, é muito maior que a mais famosa Nebulosa de Orionte. De facto, a Nebulosa Carina é uma das maiores regiões de formação estelar da nossa Galáxia e o lar de estrelas jovens e extremamente massivas, incluíndo a ainda enigmática Eta Carinae, uma estrela variável com mais de 100 vezes a massa do nosso Sol. As nebulosas perto do centro do campo com 10 graus de comprimento são a NGC 3576 e NGC 3603. Perto do centro no topo está o enxame estelar NGC 3532. O enxame mais compacto, NGC 3766, o Enxame da Pérola, pode ser avistado à esquerda. Perto do canto inferior esquerdo da imagem está outra grande região de formação estelar, IC 2948, com o campo estelar embebido, IC 2944.

 


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