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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 633
De 30/03 a 01/04/2010
 
 
 

Dia 30/03: 89.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 AC foi registada a primeira passagem n o periélio do cometa Halley.

Em 1982, acaba a missão STS-3, com a aterragem do Columbia no Novo México.
Observações: Lua Cheia, pelas 03:26.
Marte encontra-se hoje no afélio, o seu ponto mais afastado na órbita de 1,88 anos, razoavelmente elíptica, em torno do Sol.

Dia 31/03: 90.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Urano, o primeiro planeta a ser descoberto desde a era pré-histórica da Babilónia, é identificado por William Herschel.
William Herschel (Fonte: Wikipedia)
Em 1966, lançamento da sonda soviética Luna 10, que mais tarde se torna na primeira a orbitar a Lua.
Em 1970, a Explorer 1 reentra na atmosfera da Terra (após 12 anos em órbita).
Observações: Por volta das 23, 24 horas, Vega, a "estrela do Verão", está já baixa a Nordeste. Assim que Vega passe a espessa camada atmosférica perto do horizonte, é quase igual a Arcturo, a "estrela da Primavera", agora brilhando alta a Este.

Dia 01/04: 91.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960 os Estados Unidos lançavam o primeiro satélite meteorológico, TIROS-1.

Em 1976, o efeito gravitacional Joviano-Plutoniano é pela primeira vez observado pelo astrónomo Patrick Moore.
Em 1997, o Cometa Hale-Bopp passa o seu periélio.
Observações: Aproveite o caír da noite para observar o planeta Vénus, baixo a Oeste.

 
 
 
Júpiter (Zeus na mitologia grega) era um deus muito namoradeiro.
Em diversos episódios da mitologia greco-romana são citadas as suas paixões por humanas.
Por esta razão, embora se previsse que Júpiter viesse a possuir muitas luas, foi decidido dar às luas de Júpiter os nomes das amantes desse deus romano.
 
 
 
  ÍCONE DE VIDEOJOGO DOS ANOS 80 BRILHA NUMA LUA DE SATURNO  
 

Um mapa de temperaturas com a mais alta resolução já obtida e imagens da lua gelada de Saturno, Mimas, registadas pela sonda Cassini, revelam padrões surpreendentes na superfície da pequena lua, incluíndo regiões quentes inesperadas que se assemelham com um "Pacman a comer um ponto", e bandas impressionantes de luz e escuridão nas paredes de crateras.

"Outras luas normalmente ganham mais protagonismo, mas ao que parece Mimas é mais bizarra do que pensávamos," afirma Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Certamente deu-nos novos puzzles para resolver."

A Cassini recolheu os dados no passado dia 13 de Fevereiro, durante a sua passagem mais rasante pela lua, marcada por uma enorme cicatriz denominada Cratera Herschel que se assemelha com a Estrela da Morte do filme "Guerra das Estrelas."

Esta figura ilustra o padrão inesperado e bizarro de temperaturas diurnas na lua de Saturno, Mimas.
Crédito: NASA/JPL/GSFC/SWRI/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas que trabalham com o espectómetro infravermelho da sonda, o instrumento que mapeou as temperaturas de Mimas, esperavam temperaturas ligeiramente variantes, máximas à tarde perto do equador. Ao invés, a região mais quente o era de manhã, ao longo do terminador do disco da lua, o que compôs uma forma "Pacman" bastante definida, com temperaturas a rondar os 92 Kelvin. As restantes partes da lua eram muito mais frias, por volta de 77 K. Uma mancha mais quente e pequena - o ponto na boca do Pacman - apareceu em torno da Herschel, com uma temperatura por volta dos 84 K.

A mancha quente na cratera faz sentido porque as paredes altas das crateras (cerca de 5 km) podem aí capturar calor. Mas os cientistas ficaram completamente surpreendidos pelo padrão em forma de V.

"Nós suspeitamos que as temperaturas são diferenças reveladoras na textura da superfície," afirma John Spencer, membro da equipa do espectómetro infravermelho da Cassini, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado.

O gelo mais denso rapidamente conduz o calor do Sol para longe da superfície, tornando-a fria durante o dia. O gelo quebradiço é mais isolante e captura o calor do Sol na superfície, por isso ela aquece.

Mesmo que as variações na textura da superfície estejam por trás das diferenças de temperatura, os cientistas ainda não percebem porque é que existem limites tão bem definidos entre as regiões. É possível que o impacto que criou a Cratera Herschel tenha derretido gelo e espalhado água pela lua. O líquido pode ter congelado à superfície num ápice. Mas é difícil compreender o porquê desta camada superior ter permanecido intacta quando os meteoritos e outros detritos espaciais já a deveriam ter pulverizado, realça Spencer.

Cratera Herschel em 3-D.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Spray" gelado do anel-E, um dos anéis exteriores de Saturno, deve também manter Mimas relativamente clara em termos de cor, mas as novas imagens obtidas no visível pintam uma imagem de contrastes impressionantes. Os cientistas da equipa de imagem da Cassini não esperavam ver riscas escuras nas paredes brilhantes das crateras ou detritos estreitos e concentrados na base de cada parede.

O padrão pode existir devido à maneira como a superfície de Mimas envelhece, afirma Paul Helfenstein, associado da equipa de imagem da Cassini, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque. Com o passar do tempo, a superfície da lua parece acumular um fino véu de minerais de silicato ou partículas ricas em carbono, possivelmente por causa de poeira meteórica que cai para a lua, ou impurezas já embebidas no gelo superficial.

À medida que os quentes raios solares e o vácuo do espaço evaporam o gelo mais brilhante, o material mais escuro concentra-se e é deixado para trás. A gravidade puxa o material escuro para baixo na cratera, expondo o gelo fresco por baixo. Embora efeitos similares possam ser observados noutras luas de Saturno, a visibilidade destes contrastes numa lua continuamente re-pavimentada com pequenas partículas do anel-E ajuda os cientistas a estimar rácios de mudança noutros satélites.

"Estes processos não são únicos em Mimas, mas as novas imagens em alta-definição são como a Pedra de Roseta da sua interpretação," afirma Helfenstein.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA/JPL (comunicado de imprensa)
Universe Today
Spaceflight Now
PHYSORG.com
BBC News
MSNBC
UPI

Mimas:
CICLOPS
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
     
  M16: Pilares da Criação - Crédito: J. Hester, P. Scowen (ASU), HST, NASA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Esta imagem tornou-se numa das mais famosas dos tempos modernos. Obtida pelo Telescópio Hubble em 1995, mostra glóbulos gasosos em evaporação emergindo de pilares de poeira e hidrogénio gasoso molecular. Os gigantescos pilares medem anos-luz em comprimento e são tão densos que o gás no seu interior contrai gravitacionalmente para formar estrelas. No fim de cada pilar, a intensa radiação de jovens e brilhantes estrelas faz com que o material de baixa densidade evapore, deixando expostos berçários estelares densos. A Nebulosa da Águia, associada com o enxame estelar aberto M16, situa-se a aproximadamente 7000 anos-luz da Terra. Os pilares da criação foram observados novamente pelo Observatório de Raios-X Chandra, e descobriu que estes glóbulos gasosos não são fortes emissores de raios-X.

 


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