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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 636
De 09/04 a 12/04/2010
 
 
 

Dia 09/04: 99.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a NASA anuncia a selecção dos primeiros sete astronautas dos Estados Unidos, a quem a comunicação social rapidamente apelida de "Mercury Seven".

Em 1994, lançamento da missão STS-59 do vaivém Endeavour.
Observações: Mercúrio permanece para a direita da Vénus ao pôr-do-Sol (3,4º).

Dia 10/04: 100.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1981, primeira tentativa de lançamento da missão STS-1 (a primeira missão de um vaivém espacial).

Este falhou no último momento quando os computadores «crasharam». Os astronautas Crippen e Young finalmente levantaram voo a 12 de Abril. À volta de 100 milhões de pessoas viram este evento.
Observações: Quando a Primavera começou, a Ursa Maior situava-se bem alta a Nordeste, balançando na ponta da sua "pega" após o anoitecer. Agora que é Abril, a Ursa Maior inclina-se para a esquerda. As suas duas estrelas mais altas, que formam a frente da frigideira, apontam para baixo e para a esquerda para a razoavelmente ténue estrela Polar.

Dia 11/04: 101.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862 nascia William Wallace Campbell, observador pioneiro dos movimentos estelares e das suas velocidades radiais. Director do Observatório Lick entre 1901 e 1930, também foi presidente da Universidade da Califórnia e da Academia Nacional de Ciências.
Em 1905, Albert Einstein revela a sua Teoria da Relatividade (relatividade especial).
Em 1960, era iniciada a primeira pesquisa no rádio em busca de civilizações extraterrestres, por Frank Drake (Projecto Ozma).
Em 1970, lançamento da Apollo 13.

Em 1986, a 65 milhões de quilómetros, o Cometa Halley faz a sua maior aproximação da Terra durante esta viagem, a 30ª vez que visita a nossa vizinhança planetária.
Em 2002 morre Yuji Hyakutake, astrónomo amador japonês que em 1996 descobriu o "Cometa Hyakutake", com 51 anos. Descobriu este cometa com um par de binóculos na cidade de Hayato em Kagoshima.
Observações: Ao amanhecer, observe a fina Lua Minguante, e um pouco para baixo está o planeta Júpiter.

Dia 12/04: 102.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1817, morre o astrónomo francês Charles Messier.
Em 1849, de Gasparis descobre o asteróide Hygiea.
Em 1961, o cosmonauta Yuri Alekseyevich Gagarin torna-se no primeiro homem no espaço.

Orbita a Terra apenas uma vez a bordo da nave Vostok 1. O voo dura 1 hora e 48 minutos, num percurso elíptico com um apogeu de 327 km e um perigeu de 180 km.
Em 1981, começa a era do Vaivém espacial. Lançamento da missão STS-1 do vaivém Columbia, adiado desde 10 de Abril. O comandante John Young e o piloto Robert Crippen orbitam a Terra 37 vezes durante dois dias antes de regressarem. Os objectivos principais do voo inaugural eram testar os sistemas principais, completar uma ascensão até órbita com sucesso, e regressar à Terra em segurança.
Observações: Aproveite a noite para observar Marte. Apontando para lá com uns binóculos, siga então um pouco para a esquerda até encontrar um bonito grupo de estrelas. Este é o enxame do Presépio (M44), que está a cerca de 500 anos-luz de distância.

 
 
 
A Lua afasta-se do nosso planeta cerca de 3 cm por ano.
 
 
 
  MAIS AVALANCHES EM MARTE  
 

Em 2008, a câmara HiRISE a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter estava a estudar uma certa região de Marte em busca de variações nos padrões de geada à medida que a Primavera progredia, e capturou uma avalanche em acção. Este ano, a equipa da HiRISE tem estado alerta, pronta para capturar mais avalanches no hemisfério norte de Marte.

Pois bem, a sua busca foi bem sucedida! Esta espectacular imagem foi capturada a 27 de Janeiro de 2010, mostra um íngreme desfiladeiro na região polar norte de Marte, e pelo menos três nuvens isoladas de partículas caíndo pelo desfiladeiro. A equipa diz que estas nuvens, rolando ou pairando perto do chão, provavelmente alcançaram dezenas de metros em altura.

Nuvens provocadas por avalanches.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As avalanches são o resultado de geada de dióxido de carbono que se agarra às escarpas na escuridão do Inverno, e quando a luz solar aí chega na Primavera, liberta a geada e cai. O desfiladeiro, com aproximadamente 700 metros de altura, é composto por várias camadas de água gelada com conteúdos diversos de poeira, mais ou menos semelhante às calotes polares na Terra.

Outra avalanche observada em 2010.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Aqui está outra avalanche capturada a 12 de Janeiro de 2010. A equipa da HiRISE afirma que ao observar todas estas avalanches individuais, está a juntar um mosaico de acontecimentos deste processo, desde o começo (material que cai pelo desiladeiro) até ao fim (vagarosas nuvens de poeira).

Com base nas observações deste ano, estes eventos acontecem sobretudo no meio da Primavera, mais ou menos o equivalente a Abril ou princípios de Maio cá na Terra. Ao que parece, este é um processo primaveril normal para o pólo norte de Marte e pode ser esperado todos os anos - a estação das avalanches! Estas informações, em conjunto com os resultados dos modelos de comportamento dos materiais envolvidos, vão ajudar-nos a saber mais sobre estes dramáticos eventos.

Links:

Notícias relacionadas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg (05/03/08)
Scientific American

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

MRO:
Página oficial da NASA
Página oficial do JPL
HiRISE
Wikipedia

 
     
 
 
  REVELADOS SEGREDOS DE OBSCURO SISTEMA ESTELAR  
 

Novas imagens de duas estrelas estranhas, onde uma passa em frente da outra para periodicamente bloquear a sua luz (da perspectiva da Terra), começam a revelar os segredos deste intrigante par estelar.

O sistema estelar, denominado Epsilon Aurigae, passa por um eclipse a cada 27 anos. Pela primeira vez, os cientistas observaram directamente a escura companheira que bloqueia a luz da estrela principal.

Os astrónomos observam este par de estrelas desde o século XIX. Com o passar do tempo, notaram que a estrela principal parece mais ténue do que deveria ser, dada a sua massa, e que o seu brilho diminui ainda mais durante cerca de um ano a cada várias décadas. O sistema situa-se a cerca de 2000 anos-luz da Terra (um ano-luz é a distância que a luz percorre num ano).

Imagens reconstruídas que mostram o progresso do eclipse 2009-2010 de epsilon Aurigae, capturadas com a rede CHARA.
Crédito: John D. Monnier, Universidade do Michigan
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas tinham anteriormente concluído que a estrela brilhante tinha uma companheira oculta que bloqueava a sua luz, e as novas observações confirmam isso mesmo.

"Ver é crer," afirma o estudo do líder John Monnier, astrónomo da Universidade do Michigan.

Os astrónomos também se perguntam o porquê desta companheira estelar ser tão difícil de observar.

Alguns investigadores têm sugerido que é uma estrela ténue com uma nuvem espessa de poeira em órbita, obscurecendo alguma da sua luz. Mas o alinhamento da nuvem, da estrela, da sua companheira e da Terra, tem que ser ideal para isto ocorrer.

E de facto, os novos dados suportam esta ideia.

"Isto realmente mostra que o paradigma básico estava correcto, apesar da baixa probabilidade," afirma Monnier. "É espectacular termos conseguido capturar isto. Não há outro sistema como este. E ainda por cima, parece estar numa rara fase da sua vida estelar. E está muito perto de nós. Tivémos muita sorte."

Os astrónomos usaram o instrumento MIRC (Michigan Infra-Red Combiner) para combinar a luz que entrava nos quatro telescópios da rede CHARA da Universidade Estatal da Georgia. O efeito é um telescópio virtual, muito maior que os seus quatro constituíntes.

Os cientistas relatam as suas descobertas na edição de 8 de Abril da revista Nature.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade do Michigan (comunicado de imprensa)
NSF (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
National Geographic
Discover
EurekAlert!
UPI
BBC News
MSNBC

Epsilon Aurigae:
Wikipedia

CHARA:
Universidade Estatal da Georgia

 
     
 
 
  NASA COMEÇA A CONSTRUÍR NOVA SONDA PARA VISITAR JÚPITER  
 

A NASA começou a montar a sua nova sonda Juno, em preparação para uma missão a Júpiter, com o objectivo de ajudar os cientistas a melhor compreender a origem e evolução do maior planeta do Sistema Solar.

A montagem, fase de testes e fase de preparações para o lançamento da sonda Juno teve início no dia 1 de Abril no LMSS (Lockheed Martin Space Systems) em Denver, Colorado, EUA. Os engenheiros e técnicos irão passar os próximos meses a montar os instrumentos e o equipamento de navegação na sonda.

Nesta imagem, trabalhadores preparam o módulo de propulsão da sonda Juno da NASA, com destino Júpiter. A montagem começou dia 1 de Abril em Denver, Colorado. Tem lançamento previsto para Agosto de 2011.
Crédito: NASA/JPL/Lockheed Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A missão, liderada pelo astrónomo Scott Bolton do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em San Antonio, Texas, tem lançamento previsto para Agosto de 2011 e deverá alcançar Júpiter em 2016.

Júpiter é um gigante gasoso e o maior planeta do Sistema Solar. Por baixo do seu denso manto nublado, o planeta guarda segredos dos processos básicos e das condições que existiram durante a formação do Sistema Solar.

Como o nosso exemplo principal de um planeta gigante, Júpiter pode também fornecer conhecimentos críticos para ajudar os cientistas a melhor compreender os sistemas planetários descobertos em torno de outras estrelas.

A missão Juno da NASA é a primeira missão dedicada a Júpiter desde o lançamento da sonda Galileu em 1989. O voo da Galileu terminou em 2003, quando intencionalmente colidiu com o gigante gasoso para ser destruída pela terrível pressão da sua atmosfera.

Impressão de artista da sonda Juno em órbita de Júpiter.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ao contrário da Galileu, que era alimentada por um gerador térmico nuclear, a sonda Juno receberá a sua energia graças a painéis solares.

A sonda vai transportar nove instrumentos científicos com o objectivo de estudar a existência de um núcleo planetário sólido, mapear o intenso campo magnético de Júpiter, medir a quantidade de água e amónia na atmosfera profunda e observar as auroras do planeta.

"Nós planeamos fazer muitos testes durante os próximos meses," afirma Jan Chodas, gestor do projecto Juno no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Queremos ter a certeza que a sonda está pronta para a longa viagem até Júpiter e para sobreviver no rigoroso ambiente que a espera."

A LMSS está a construír a sonda para a NASA e a agência espacial italiana (ISA) em Roma está a contribuír com um espectómetro infravermelho e uma parte da experiência científica no rádio.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)

Sonda Juno:
NASA
Universidade do Wisconsin
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Vénus e Mercúrio a Oeste - Crédito: Manu Arregi Biziola  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Nesta paisagem celeste ao pôr-do-Sol, um moínho de vento é testemunha silenciosa de um lindo par de planetas a Oeste. A imagem foi capturada no dia 5 de Abril em Gallegos del Campo, Zamora, Espanha. Vénus (esquerda) e Mercúrio (direita) estão perto da muito antecipada conjunção ao início da noite. Mesmo nestes dias que se aproximam, estas duas "estrelas da tarde" estarão bastante perto uma da outra no céu a Oeste ao lusco-fusco. De facto, tendo Vénus como guia, os observadores do céu terão uma excelente ajuda para avistar o vizinho Mercúrio, um planeta muitas vezes escondido pelo brilho do Sol.

 


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