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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 665
De 20/07 a 22/07/2010
 
 
 
 

Dia 20/07: 201.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin.

A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1994, o fragmento Q1 do Cometa Shoemaker-Levy 9 atinge Júpiter.
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Em 2001, a Cosmos 1, um teste de voo suborbital de uma vela solar, é perdida durante uma rara falha do terceiro estágio do foguetão.
Observações: A estrela mais brilhante a Oeste após o anoitecer é Arcturo, movendo-se lentamente na direcção do horizonte à medida que o Verão avança. Para a sua direita a noroeste está a Ursa Maior.

Dia 21/07: 202.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, Gus Grissom, pilotando a cápsula Liberty Bell 7 da Mercury 4, torna-se no segundo americano a entrar em órbita à volta da Terra.
Em 1969, a sonda soviética Luna 15, colide na superfície da Lua ao tentar aterrar.
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 4.

Alcança Marte em Fevereiro de 1974. No entanto, a sonda falha a entrada em órbita. Mesmo assim, consegue enviar alguns dados e imagens.
Em 1998 morria o astronauta Alan Shepard.
Observações: Após o anoitecer, procure Antares e as outras estrelas do topo de Escorpião para a direita da Lua.

Dia 22/07: 203.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, a Mariner 1 voa erraticamente durante vários minutos após o lançamento acabando por ter que ser destruída.

Observações: Esta noite a Lua encontra-se para a direita das nebulosas da Lagoa e da Trífida, em Sagitário, e para a esquerda de Ceres.

 
 
 
Uma câmara a bordo do próximo rover a ir para Marte registará em alta-definição cerca de dois minutos da sua aterragem na superfície. É a primeira vez que tal irá acontecer.
 
 
 
  NOVO MÉTODO DE PESQUISA EXTRASOLAR PODE DESCOBRIR PLANETAS TIPO-TERRA  
 

De acordo com um novo estudo, uma nova técnica de pesquisa de exoplanetas usada para detectar um exótico mundo pode ser sensível o suficiente para ajudar os astrónomos a descobrir planetas com o tamanho da Terra em órbita de outras estrelas.

O novo método, TTV (Transit Timing Variation), foi desenvolvido por uma equipa de astrónomos europeus liderados por Gracjan Maciejewski da Universidade de Jena na Alemanha.

A técnica foi usada para descobrir um planeta com 15 vezes a massa da Terra, localizada no sistema estelar WASP-3, a 700 anos-luz do Sol na direcção da constelação de Lira.

Esta imagem mostra a ténue estrela WASP-3 (magnitude 10,5 ou cerca de 60 vezes mais ténue do que o olho humano consegue observar) no centro, usando o telescópio de 35 polegadas do Observatório da Universidade de Jena. A estrela está ampliada com maior sensibilidade e resolução na imagem no canto inferior esquerdo. WASP-3 encontra-se a 700 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Lira. A imagem é uma composição de três imagens obtidas em três filtros diferentes (azul, visual e vermelho) e a pequena usa apenas o filtro vermelho.
Crédito: Gracan Maciejewski, Dinko Dimitrov, Ralph Neuhäuser, Andrzej Niedzielski et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No entanto, os investigadores afirmam que o alto grau de sensibilidade do método pode torná-lo uma ferramenta valiosa para localizar pequenos planetas com massas semelhantes à da Terra.

Os resultados do estudo foram aceites para publicação numa edição futura da revista mensal da Sociedade Astronómica Real.

A técnica TTV foi sugerida como uma proposta viável para a descoberta de planetas extrasolares - ou exoplanetas - há alguns anos. Tem como base o actual método de trânsito, em uso há já alguns anos, sobretudo pelas missões espaciais Kepler e CoRoT que pesquisam o cosmos por planetas tipo-Terra.

Os trânsitos ocorrem quando um planeta passa em frente da sua estrela-mãe, bloqueando temporariamente alguma luz estelar da perspectiva da Terra. Durante estes trânsitos, os astrónomos podem medir a quebra na luz da estrela, assinalando a passagem de um planeta.

O novo método permite aos astrónomos identificarem planetas mais pequenos cujos próprios trânsitos não são suficientes para reduzir significativamente a luz emitida pela estrela. No entanto, se planetas mais pequenos existirem em adição a um grande planeta, estes exercem um puxo gravitacional sobre o maior e alteram a sua órbita, provocando desvios no ciclo regular de trânsitos.

A técnica TTV compara estes desvios com previsões feitas a partir de vastos cálculos computacionais. As estimativas permitem aos astrónomos inferir a composição preliminar do sistema planetário em estudo - incluíndo a presença de possíveis planetas tipo-Terra.

Para o seu estudo, Maciejewski e a sua equipa de investigadores usaram os telescópios de 35 polegadas do Observatório da Universidade de Jena e o telescópio de 24 polegadas do Observatório Astrónomico Nacional de Rohzen na Bulgário, para estudar os trânsitos de WASP-3b, um grande planeta com uma massa 630 vezes a da Terra.

As suas observações levaram a uma descoberta inesperada.

"Nós detectámos variações periódicas no 'timing' do trânsito de WASP-3b," anunciou Maciejewski. "Estas variações podem ser explicadas por um planeta adicional no sistema, com uma massa de 15 Terras (ou a massa de Urano) e um período de 3,75 dias."

Esquema que mostra as órbitas dos dois planetas no sistema WASP-3.
Crédito: Maciejewski et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Este recém-descoberto planeta foi apelidado de WASP-3c, e está entre os exoplanetas mais pequenos descobertos até à data. É também um dos planetas menos massivos conhecidos a orbitar uma estrela mais massiva que o Sol.

Esta descoberta marca a primeira vez que um planeta extrasolar foi descoberto usando o método TTV.

Os investigadores acrescentaram que a detecção de planetas com menos de 15 vezes a massa da Terra torna o sistema WASP-3 muito interessante.

A órbita do novo planeta tem o dobro da do planeta mais massivo. Tal configuração é provavelmente o resultado da evolução do sistema planetário.

A capacidade do método TTV em detectar pequenos planetas pode ajudar os astrónomos a localizar mais destes exoplanetas tipo-Terra no futuro.

Por exemplo, um planeta com a massa da Terra irá puxar um gigante gasoso comum que orbita perto da sua estrela e provocar desvios cronológicos nos trânsitos destes objectos maiores até um minuto. Este efeito é suficiente para ser detectado com telescópios com 1 metro de abertura, ou seja, relativamente pequenos. Quaisquer potenciais descobertas podem então ser seguidas por instrumentos maiores.

Links:

Notícias relacionadas:
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
Astronomy Now Online

WASP-3:
Universidade de Jena
Exoplanet.eu
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
     
 
 
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  Rio Negro, Campo Largo - Crédito: Rogelio Bernal Andreo  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Um rio escuro de poeira parece correr do nosso Centro Galáctico e desaguar num campo estelar contendo muitas maravilhas estelares fotogénicas. Entre estes objectos está a brilhante e alaranjada Antares, uma nebulosa cabeça de cavalo azul (a cor do seu olho), o enxame globular M4, o brilhante e azulado sistema estelar Rho Ophiuchi, a Nebulosa do Cachimbo, castanha-escura, a avermelhada Nebulosa da Lagoa, a vermelha e azul Nebulosa da Trífida, a Nebulosa Pata de Gato e o multicolorido mas igualmente importante centro da nossa Galáxia. Esta imagem de campo-largo captura em grande detalhe cerca de 50 graus do céu nocturno, 100 vezes o tamanho da Lua Cheia, cobrindo constelações desde Sagitário até Ofíuco e passando por Escorpião. O próprio Rio Escuro pode ser identificado como a corrente castanha de poeira ligada a Antares e que se prolonga por aproximadamente 100 anos-luz. Dado que o Rio Escuro situa-se a cerca de 500 anos-luz de distância, que aparece como uma ponte para o muito mais distante Centro Galáctico, que na realidade está situado a cerca de 25.000 anos-luz.

 


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