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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 676
De 27/08 a 30/08/2010
 
 
 
 

Dia 27/08: 239.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançada com êxito a sonda Mariner 2 de Cabo Canaveral com destino a Vénus, 15 semanas depois.

A 14 de Dezembro de 1962 tornou-se na primeira sonda a passar com sucesso por Vénus, sendo a sua aproximação máxima 34,833 km. Encontra-se agora numa órbita solar. 
Em 1999 é encontrada água extraterrestre num meteorito. Usando várias formas de análise, os cientistas do JSCencontram água nos cristais de halite de um meteorito que caiu na Terra (Texas) a 22 de Março de 1998. A água capturada nos cristais pode ser mais antiga que o Sol e que os planetas.
Em 2003, Marte faz a sua maior aproximação da Terra em quase 60.000 anos, passando a 55.758.005 km de distância. 
Observações: Baixo a Oeste-sudoeste ao lusco-fusco, Vénus forma um dos vértices de um triângulo composto por o mais ténue Marte e a estrela Espiga um pouco para cima. Binóculos ajudam.
Júpiter brilha para a direita da Lua após nascerem.

Dia 28/08: 240.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789 Herscheldescobria a lua de SaturnoEncelado.

Em 1859, uma tempestade geomagnética provoca auroras boreais tão fortes que puderam ser claramente observadas em partes dos EUA, Europa e até Japão.
Observações: O triângulo Vénus-Espiga-Marte, baixo a Oeste-Sudoeste ao lusco-fusco está a ficar distorcido, pois Vénus aproxima-se de Espiga.

Dia 29/08: 241.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Vega é a estrela brilhante por cima das nossas cabeças após o anoitecer esta semana. Arcturo é a igualmente brilhante estrela a Oeste. A um terço do caminho entre Vega e Arcturo encontrará a constelação de Hércules. A dois-terços do caminho está o semicírculo da Coroa Boreal.

Dia 30/08: 242.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1984, o vaivém Discovery fazia a sua viagem inaugural, a missão STS-41.

Em 1999, aproximação máxima do cometa Forbes (0.978 UA).
Observações:  A área entre as constelações de Sagitário e Escorpião é extremamente rica em objectos estelares. Porquê? Porque é na sua direcção que está localizado o coração da nossa Via Láctea: o Centro Galáctico. Ao observar esta zona com uns meros binóculos poderá observar muitos enxames abertos, alguns enxames fechados e algumas nebulosas.

 
 
 
Geralmente diz-se que a estrela mais brilhante e avermelhada da constelação de Escorpião, Antares, corresponde ao seu coração. Tecnicamente falando, isto é incorrecto, porque os escorpiões não têm um coração propriamente dito.
 
 
 
  MISSÃO KEPLER DA NASA DESCOBRE DOIS PLANETAS QUE TRANSITAM A MESMA ESTRELA  
 

A sonda Kepler da NASA descobriu o primeiro sistema planetário com mais de um planeta orbitando em frente, ou transitando, a mesma estrela.

As assinaturas do trânsito de dois planetas distintos foram observadas nos dados da estrela tipo-Sol designada Kepler-9. Os planetas foram chamados de Kepler-9b e 9c. A descoberta incorpora sete meses de observações de mais de 156.000 estrelas como parte de uma pesquisa contínua em busca de planetas do tamanho da Terra para lá do nosso Sistema Solar. As descobertas foram ontem publicadas na revista Science.

Impressão de artista que ilustra os dois planetas com o tamanho de Saturno descobertos pelo telescópio Kepler da NASA em torno da estrela Kepler-9. Um terceiro planeta, com apenas 1,5 vezes o tamanho da Terra, pode também orbitar a estrela. Este é o primeiro sistema estelar descoberto com múltiplos planetas em trânsito.
Crédito: NASA/Ames/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A câmara ultra-precisa do Kepler mede pequenos decréscimos no brilho das estrelas, que ocorrem quando um planeta passa em frente delas. O tamanho do planeta pode ser derivado a partir destas quebras temporárias.

A distância do planeta à estrela pode ser calculada através da medição do tempo entre as diminuições sucessivas à medida que o planeta orbita a estrela. As pequenas variações na regularidade destas quebras de brilho podem ser usadas para determinar as massas dos planetas e detectar outros planetas que não transitam no sistema.

Em Junho, os cientistas da missão submeteram os seus achados para revisão por seus pares, que identificaram mais de 700 candidatos a planetas nos primeiros 43 dias dos dados do Kepler. Os dados incluíam cinco sistemas candidatos adicionais que pareciam exibir mais de um planeta transeunte. A equipa do Kepler recentemente identificou um sexto alvo exibindo trânsitos múltiplos e acumularam suficientes dados para confirmar este sistema multi-planetário.

"Os dados de alta qualidade do Kepler e a sua cobertura contínua de objectos permite-nos fazer medições únicas das estrelas e dos seus sistemas planetários," afirma Doug Hudgins, cientista do programa Kepler na sede da NASA em Washington.

Os cientistas refinaram as estimativas das massas dos planetas usando observações do Observatório Keck no Hawaii. As observações mostram que Kepler-9b é o maior dos dois planetas, e ambos têm massas similares mas menores que Saturno. Kepler-9b é o planeta mais próximo da estrela, com uma órbita de aproximadamente 19 dias, enquanto Kepler-9c tem uma órbita de cerca de 38 dias. Ao observar vários trânsitos por cada dos planetas ao longo dos sete meses dos dados, foi possível analisar o tempo entre cada trânsito sucessivo.

"Esta descoberta é a primeira detecção clara de mudanças significativas nos intervalos de um trânsito planetário para outro, o que podemos chamar de variações temporais em trânsitos," afirma Matthew Holman, cientista da missão Kepler do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, Massachusetts, EUA. "É prova da interacção gravitacional entre os dois planetas."

Além dos dois gigantes confirmados, os cientistas do Kepler também identificaram o que parece ser uma terceira assinatura, muito mais pequena, nas observações de Kepler-9. Essa assinatura é consistente com os trânsitos de um planeta tipo-Terra com cerca de 1,5 vezes o raio da Terra numa escaldante órbita de 1,6 dias. São precisas mais observações para determinar se este sinal é de facto um planeta ou um fenómeno astronómico que imita a aparência de um trânsito.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Sky & Telescope
SpaceRef.com
Universe Today
National Geographic
BBC News
MSNBC
Wired

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
     
 
 
  DESCOBERTO O SISTEMA PLANETÁRIO MAIS RICO EM PLANETAS CONHECIDO ATÉ AGORA  
 

Com o auxílio do instrumento HARPS do ESO, uma equipa de astrónomos descobriu um sistema planetário com, pelo menos, cinco planetas em órbita de uma estrela do tipo solar, HD 10180. Os investigadores têm também fortes evidências da existência de mais dois planetas, sendo que um deles terá a menor massa encontrada até agora. Este facto tornará este sistema semelhante ao nosso próprio Sistema Solar em termos do número de planetas (sete planetas em vez dos nossos oito). Adicionalmente, a equipa encontrou evidências de que as distâncias dos planetas à sua estrela seguem um padrão regular, como é o caso do Sistema Solar.

"Descobrimos o que parece ser o sistema com mais planetas descobertos até à data," diz Christophe Lovis, autor principal do artigo científico que apresenta os resultados. "Esta descoberta extraordinária também enfatiza o facto de estarmos agora a entrar numa nova era da investigação de exoplanetas: o estudo de sistemas planetários complexos e não apenas de planetas individuais. Estudos dos movimentos planetários no novo sistema revelam interacções gravitacionais complexas entre os planetas e dão-nos informações sobre a evolução do sistema a longo prazo."

Impressão de artista do sistema planetário em torno da estrela tipo-Sol, HD 10180.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa de astrónomos utilizou o espectrógrafo HARPS, montado no telescópio de 3,6 metros do ESO, em La Silla, no Chile, durante um período de seis anos, para estudar a estrela do tipo solar, HD 10180, situada a 127 anos-luz de distância, na constelação austral da Hidra. HARPS é um instrumento com grande precisão e de extrema estabilidade nas medições, sendo o descobridor de exoplanetas mais bem sucedido do mundo.

Graças a 190 medições individuais obtidas pelo HARPS, os astrónomos detectaram os minúsculos movimentos, para a frente e para trás, da estrela, causados pelas atracções gravitacionais complexas de cinco ou mais planetas. Os cinco sinais mais fortes correspondem a planetas com massas do tipo de Neptuno - entre 13 e 25 massas terrestres - que orbitam a estrela com períodos que vão dos 6 aos 600 dias. Estes planetas estão situados a uma distância da sua estrela central que corresponde a cerca de 0,06 a 1,4 vezes a distância Terra-Sol.

"Temos também boas razões para acreditar que mais dois planetas estejam presentes," diz Lovis. "Um será do tipo de Saturno (com uma massa mínima de 65 massas terrestres) com um período de 2200 dias. O outro será o exoplaneta de menor massa descoberto até agora, com uma massa de cerca de 1.4 vezes a massa da Terra. Encontra-se muito próximo da estrela hospedeira, a apenas 2% da distância Terra-Sol. Um "ano" neste planeta durará somente 1,18 dias terrestres.

"Este objecto origina uma oscilação na estrela de apenas 3 quilómetros por hora - mais devagar que a velocidade do simples movimento de andar a pé - e este movimento é bastante difícil de medir," diz o membro da equipa Damien Ségransan. Se confirmado, este objecto poderá ser outro exemplo de um planeta quente rochoso, semelhante a Corot-7b.

O sistema de planetas recém-descoberto em torno de HD 10180 é único em diversos aspectos. Primeiro que tudo, com pelo menos cinco planetas do tipo de Neptuno localizados numa distância equivalente à órbita de Marte, este sistema encontra-se mais povoado na sua região interior que o nosso Sistema Solar, com mais planetas de grande massa nessa região. Adicionalmente, o sistema não possui provavelmente gigantes gasosos do tipo de Júpiter. Finalmente, todos os planetas parecem ter órbitas praticamente circulares.

Comparação do nosso Sistema Solar com HD 1080 e outros com pelo menos três planetas. As linhas negras indicam o intervalo de distância devido às suas órbitas excêntricas.
Crédito: C. Lovis et al./Astronomy & Astrophysics
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Até agora, os astrónomos conhecem quinze sistemas com, pelos menos, três planetas. O último detentor do recorde foi 55 Cancri, que contém cinco planetas, dois dos quais gigantes. "Sistemas com planetas de pequena massa como o que se encontra em torno de HD 10180, parecem ser assaz comuns, mas a sua história de formação permanece um mistério," diz Lovis.

Utilizando a nova descoberta ao mesmo tempo que dados de outros sistemas planetários, os astrónomos encontraram um equivalente da lei de Titius-Bode existente no nosso Sistema Solar: as distâncias dos planetas às suas estrelas parecem seguir um padrão regular. "O que pode ser uma assinatura do processo de formação destes sistemas planetários," diz o membro da equipa Michel Mayor.

Outro resultado importante obtido é a descoberta da existência de uma relação entre a massa de um sistema planetário e a massa e a composição química da estrela hospedeira. Todos os sistemas planetários de grande massa são encontrados em torno de estrelas de grande massa e ricas em metais, enquanto que os quatro sistemas de menor massa conhecidos foram encontrados em torno de estrelas de baixa massa e pobres em metais. Tais propriedades confirmam os modelos teóricos actuais.

A descoberta foi anunciada Terça-feira passada no colóquio internacional "Detection and dynamics of transiting exoplanets", no Observatoire de Haute-Provence, França.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
Sky & Telescope
Astronomy Now
Scientific American
Nature
PHYSORG.com
Popular Science
Universe Today
National Geographic
AFP
MSNBC
BBC News
Diário de Notícias
Expresso

HD 10180:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
     
 
 
     
  M27: Não Um Cometa - Crédito: Matthew T. Russell  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Enquanto pesquisava o céu de França do século XVIII em busca de cometas, Charles Messier assinalou este objecto com o número 27 no seu catálogo de objectos que definitivamente não eram cometas. Mas o que é este objecto? Hoje dizemos que se trata de uma nebulosa planetária, que é um objecto que resulta da morte de uma estrela de massa solar. No final da sua vida, as estrelas como o Sol emitem para o espaço o gás das suas camadas transformando-se em anãs brancas enquanto o gás se afasta da estrela que lhe deu origem. A radiação ultravioleta intensa que é emitida pela anã branca é responsável, através da sua interacção com o gás, pelo brilho visível do gás que se afasta do objecto central. Conhecida pelo nome popular de Nebulosa do Haltere (devido às primeiras imagens que dela foram captadas), esta nebulosa encontra-se a 1200 anos-luz na direcção da constelação da Raposa (Vulpecula). Esta impressionante imagem a cores salienta detalhes dentro da bem estudada-região central, também com detalhes mais ténues do halo exterior da nebulosa. Inclui imagens de banda-estreita registadas usando filtros sensíveis à emissão dos átomos de oxigénio, em tons de azul-esverdeado, e átomos de hidrogénio em vermelho.

 


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