E-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 684
De 24/09 a 27/09/2010
 
 
 

Inserida na Semana da Astronomia da Escola E.B. 2, 3 José Neves Júnior, o Núcleo de Astronomia do CCVAlg vai realizar uma observação astronómica na açoteia do CCVAlg no dia 1 de Outubro, entre as 21:30 e as 23:30.
Entrada livre. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
 

Dia 24/09: 267.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a primeira sonda não-tripulada, a soviética Luna 16, regressa da Lua com mais de um quilograma de material lunar.

Observações: Esta é a altura do ano em que, após o anoitecer, a ténue Ursa Menor (precisa de um céu escuro) parece "deitar" água para a Ursa Maior. Uma escapadela de Outono?

Dia 25/09: 268.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1644, nascia Ole Romer, um astrónomo dinamarquês que foi responsável pela demonstração de que a velocidade da luz era finita contrariamente ao que se pensava à data.

Em 2008, a China lança a nave Shenzhou 7.
Observações: Aproveite a noite para observar Júpiter e os seus satélites.

Dia 26/09: 269.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Plutão na sua quadratura Este, pelas 01:08.

Dia 27/09: 270.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 era lançada a sonda da ESASmart-1, a primeira tentativa de lançar naves espaciais de baixo custo.

Em 2008, o astronauta da agência espacial chinesa CNSA, Zhai Zhigang, torna-se no primeiro chinês a fazer um passeio espacial enquanto voava na Shenzhou 7.
Observações: Aproveite a noite para tentar observar a Nebulosa da Hélice em Aquário.

 
 
 
Existem mais de 170.000 kg de objectos artificais na Lua, restos de missões e sondas. Consulte aqui a lista.
 
 
 
  RELÂMPAGOS EM VÉNUS SEMELHANTES AOS DA TERRA  
 

Apesar das grandes diferenças entre as atmosferas de Vénus e da Terra, os cientistas descobriram que mecanismos muito semelhantes produzem relâmpagos nos dois planetas. A taxa de descarga, a intensidade e a distribuição espacial dos relâmpagos são comparáveis e por isso os cientistas esperam compreender melhor a química, dinâmica e evolução das atmosferas dos dois planetas. Estes resultados foram ontem apresentados pelo Dr. Christopher Russell no Congresso Europeu de Ciência Planetária.

Missões anteriores, como as sondas Venera, seguidas posteriormente pela Pioneer Venus e mais recentemente pela Galileu, transmitiram evidências de ondas ópticas e electromagnéticas em Vénus que podem ter sido produzidas por relâmpagos. Isto foi também confirmado por telescópios terrestres que capturaram relâmpagos em Vénus. Mas as diferenças nas duas atmosferas levaram alguns a afirmar que relâmpagos em Vénus seriam algo improváveis e o tópico tornou-se controverso. O lançamento da Venus Express e do seu magnetómetro, providenciou uma óptima oportunidade para confirmar inequivocamente a ocorrência de relâmpagos em Vénus e para estudar em detalhe o seu campo magnético a altitudes que variam entre os 200 e os 500 km.

Impressão de artista de relâmpagos em Vénus.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Fortes mas pequenos pulsos dos sinais esperados pela produção de relâmpagos foram vistos quase imediatamente à chegada a Vénus, apesar da normalmente infavorável orientação do campo magnético para a entrada dos sinais oriundos da ionosfera de Vénus à altitude das medições da Venus Express," afirma o Dr. Russell da Universidade da Califórnia, EUA. As ondas electromagnéticas que Russell e a sua equipa observaram são fortemente guiadas pelo campo magnético venusiano e podem ser apenas detectadas pela sonda quando o campo magnético oscila horizontalmente por mais de 15º. Isto é muito diferente da situação na Terra, onde os sinais dos relâmpagos são auxiliados na sua entrada na ionosfera pelo quase vertical campo magnético.

Quando as nuvens se formam, na Terra ou em Vénus, a energia que o Sol depositou no ar pode ser libertado numa descarga eléctrica muito forte. À medida que as partículas das nuvens colidem, transferem cargas eléctricas de partículas grandes para pequenas, e as grandes partículas caem enquanto as partículas pequenas são transportadas para cima. A separação das cargas leva aos relâmpagos. Este processo é importante para uma atmosfera planetária porque eleva a temperatura e a pressão de uma pequena porção da atmosfera para um valor muito alto, o que faz com que as moléculas se possam formar, o que não aconteceria a temperaturas e a pressões atmosféricas normais. Esta é a razão porque alguns cientistas especularam que os relâmpagos poderão ter ajudado ao nascimento da vida na Terra.

No nosso planeta ocorrem em média cerca de 100 relâmpagos por segundo, mas numa qualquer localização vemos muito menos. Similarmente, em Vénus não vemos o todo do planeta e temos que estimar a ocorrência total com alguns pressupostos acerca de quantos conseguimos observar. Graças a novos dados da Venus Express, Russell e seus colegas foram capazes de mostrar que os relâmpagos são semelhantes em força na Terra e em Vénus às mesmas altitudes. "Analizámos 3,5 anos terrestres de dados de relâmpagos em Vénus usando os dados de baixa-altitude da Venus Express (10 minutos por dia). Pela comparação das ondas electromagnéticas produzidas nos dois planetas, descobrimos sinais magnéticos mais poderosos em Vénus, mas quando convertidos para fluxos energéticos descobrimos forças de relâmpagos muito semelhantes," realça o Dr. Russell. Também parece que os relâmpagos são mais predominantes no lado diurno do que no nocturno e acontecem com mais regularidade a latitudes venusianas baixas, onde a entrada de luz solar na atmosfera é mais forte.

"Vénus e a Terra são normalmente denominados planetas gémeos devido ao seu tamanho, massa e estrutura interior parecidas. A produção de relâmpagos é mais outra maneira no qual Vénus e a Terra são gémeos fraternos," conclui Russell.

Links:

Notícias relacionadas:
Europlanet (comunicado de imprensa)
Slides da apresentação no Congresso (formado PDF)
SPACE.com
Astronomy
Astronomy Now
Science Daily
Universe Today
io9
MSNBC

Venus Express:
Página da ESA 
NSSDC (NASA)
Wikipedia

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Iluminando os casulos escuros dos berçários estelares (via NASA)
Astrónomos descobriram um novo fenómeno cósmico, a que derem o nome de "coreshine", que está a revelar novas informações sobre como as estrelas e os planetas se formam. [Ler fonte]

Modelos planetários pintam quadro extraterrestre do Sistema Solar (via NASA)
Novas simulações computacionais seguindo as interacções de milhares de grãos de poeira mostram como o Sistema Solar pode parecer para astrónomos extraterrestres em busca de planetas. Os modelos também providenciam um olhar de como este quadro pode ter sido alterado com o passar do tempo. [Ler fonte]

 
     
 
     
  Nebulosa da Lagoa (M8) - Crédito: NASA, ESA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Esta imagem do centro da Nebulosa da Lagoa (M8) mostra claramente as delicadas estruturas formadas quando a poderosa radiação de jovens estrelas interage com a nuvem de hidrogénio a partir da qual se formaram. Esta imagem foi criada com exposições obtidas pelo instrumento ACS a bordo do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. A luz dos átomos de hidrogénio tem tons avermelhados. A radiação do nitrogénio ionizado tem tons verdes e a luz obtida através de um filtro amarelo tem tons azulados. Os tempos de exposição variam entre os 1560, 1600 e 400 segundos respectivamente. O brilho azul-esbranquiçado no canto superior esquerdo da imagem é luz de uma estrela brilhante mesmo para lá do campo de visão, campo este que mede cerca de 3,3 por 1,7 arcominutos. A Nebulosa da Lagoa encontra-se a 4100 anos-luz na direcção da constelação de Sagitário.

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt