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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 685
De 28/09 a 30/09/2010
 
 
 

Inserida na Semana da Astronomia da Escola E.B. 2, 3 José Neves Júnior, o Núcleo de Astronomia do CCVAlg vai realizar uma observação astronómica na açoteia do CCVAlg no dia 1 de Outubro, entre as 21:30 e as 23:30.
Entrada livre. Observação dependente das condições atmosféricas.

 
 
 

Dia 28/09: 271.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, o Observatório de Raios-X Chandra da NASA anuncia uma espectacular imagem da Nebulosa do Caranguejo, os espectaculares restos de uma explosão estelar, revelando algo ainda nunca visto.

O brilhante anel à volta do coração da nebulosa são ondas de partículas altamente energéticas que parecem ter sido expulsas a uma distância de 1 ano-luz da estrela central, e os jactos de partículas afastam-se da estrela de neutrões numa direcção perpendicular à espiral.
Em 2008, a SpaceX lança sua a primeira nave espacial privada, a Falcon 1, para órbita.
Observações: Agora que a Lua saíu do céu nocturno, comece a tentar observar o Cometa Hartley 2. Tem aproximadamente magnitude 6 e está maravilhosamente colocado a Oeste da Cassiopeia. O Hartley 2 deverá chegar a magnitude 4,4 durante as próximas 3 semanas (maior aproximação da Terra no dia 20 de Outubro).

Dia 29/09: 272.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962 era lançado o Alouette 1, o primeiro satélite canadiano.
Em 1988 era lançada a missão STS-26 do vaivém Discovery.

Marca o resumo das missões depois do acidente 1986 51-L. Duração da missão: 97 horas e 11 minutos.
Em 2004, o asteróide 4179 Toutatis passa a quatro distâncias lunares da Terra. No mesmo ano, a nave SpaceShipOne de Burt Rutan faz o seu primeiro voo espacial, dos dois necessários para ganhar o Ansari X Prize.
Observações: Com o passar da noite e Júpiter alto a Sudeste, procure Fomalhaut, a estrela de Outono, brilhando para baixo e um pouco para a direita a Sul-Sudeste.

Dia 30/09: 273.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1880, Henry Drapertira a primeira fotografia da Nebulosa de Orion.

A exploração de M42 é ainda feita a partir de fotos do HST
Em 1999, aproximação máxima da Terra pelo asteróide 1992 SK(0.479 UA).
Observações: Deneb substitui Vega como a estrela mais brilhante perto do zénite (para observadores a médias latitudes Norte).

 
 
 
Dois anos de Mercúrio correspondem a um dia sinódico.
 
 
 
  PHOBOS PODE TER SIDO FORMADO POR EXPLOSÃO CATASTRÓFICA  
 

Os cientistas têm agora sólidas indicações que o satélite marciano Phobos formou-se relativamente perto da sua localização actual via re-acreção de material expelido para órbita de Marte devido a um evento catastrófico. Duas abordagens independentes de análises composicionais de espectros infravermelhos, uma da sonda europeia Mars Express e outra da Mars Global Surveyor da NASA, proporcionam conclusões muito similares. O cenário de re-acreção ganha ainda mais força com as medições da alta porosidade de Phobos a partir do instrumento MaRS (Mars Radio Science Experiment) a bordo da Mars Express. Os resultados foram apresentados a semana passada no Congresso Europeu de Ciência Planetária em Roma.

A origem dos satélites de Marte, Phobos e Deimos, há muito que é um puzzle. Foi proposto que ambas as luas poderiam ser asteróides formados nas partes exteriores da cintura principal de asteróides (entre Marte e Júpiter), subsequentemente capturados pela gravidade de Marte. Cenários alternativos sugeriram que ambas as luas tivessem sido formadas no seu local actual pela re-acreção de detritos rochosos expelidos para órbita após um grande impacto ou por re-acreção de restos de uma antiga lua destruída pelas forças de marés de Marte. "É fundamental compreender a composição das luas marcianas para ir excluíndo estas teorias de formação," afirma o Dr. Giuranna do Instituto Nacional de Astrofísica em Roma, Itália.

As observações prévias de Phobos no visível e perto do infravermelho têm sido interpretadas para sugerir a possível presença de meteoritos condritos carbonáceos, materiais "ultra primitivos" ricos em carbono, normalmente associados com os asteróides dominantes da secção do meio da cintura de asteróides. Este achado suporta o cenário de captura de asteróides. No entanto, observações recentes no infravermelho com o espectómetro da Mars Express mostram uma pobre conformidade com qualquer classe de meteoritos condritos. Sugerem por isso cenários de formação "in-situ".

"Detectámos pela primeira vez um tipo de mineral chamado filossilicatos na superfície de Phobos, particularmente nas áreas a nordeste da Stickney, a sua maior cratera de impacto," afirma Giuranna.

Localizações espaciais de Phobos usadas para as análises composicionais.
Crédito: Giuranna e Rosenblatt
 

"Esta detecção é muito intrigante porque implica a interacção de materiais de silicato com água líquida no corpo original, anterior à incorporação em Phobos. Alternativamente, os filossilicatos podem ter-se formado no satélite, mas isso implicaria que Phobos teria tido aquecimento interno suficiente para permitir água líquida estável. Para resolver esta questão, seriam precisas medições com um 'lander' ou uma missão de recolha de amostras," acrescenta.

Outras observações parecem coincidir com os tipos de minerais identificados na superfície de Marte. Por isso, a composição derivada de Phobos parece assemelhar-se mais com Marte do que com outros objectos noutras partes do Sistema Solar.

"Os cenários de captura de asteróides também têm dificuldades em explicar as órbitas quase circulares e quase equatoriais de ambas as luas," afirma o Dr. Rosenblatt do Observatório Real da Bélgica.

A equipa do instrumento MaRS, liderada pelo Dr. Martin Pätzold do Instituto Rheinisches para Pesquisa Ambiental da Universidade de Köln, Alemanha, usou variações nas frequências de rádio entre a sonda e as estações de seguimento terrestres para reconstruír com precisão o movimento da sonda à medida que era perturbada pela atracção gravitacional de Phobos. A partir daqui a equipa foi capaz de deduzir a massa de Phobos. "Obtivémos a melhor medição da sua massa até à data, com uma precisão de 0,3%", salienta o Dr. Rosenblatt. As estimativas passadas do volume de Phobos foram também melhoradas graças às câmaras a bordo da Mars Express. A equipa do MaRs foi por isso também capaz de derivar a melhor estimativa para a densidade de Phobos, 1,86±0.02 g/cm^3. "Este número é significativamente inferior à densidade do material meteorítico associado com os asteróides. Implica uma estrutura tipo-esponja com espaços vazios constituíndo entre 25-45% do interior de Phobos," afirma. "É necessária uma alta porosidade para absorver a energia de um grande impacto que gerou a cratera Stickney sem destruír o corpo," confirma o Dr. Giuranna. "Em adição, uma alta porosidade no interior de Phobos suporta os cenários de formação através de re-acreção."

Um asteróide altamente poroso provavelmente não teria sobrevivido se tivesse sido capturado por Marte. Alternativamente, um Phobos altamente poroso poderia ter resultado da re-acreção de blocos rochosos na órbita de Marte. Durante a re-acreção, os maiores blocos agregam-se primeiro devido à sua massa superior, formando um núcleo com grandes rochas. Seguidamente, os detritos mais pequenos juntam-se mas não preenchem os buracos deixados pelos detritos maiores devido à baixa gravidade do pequeno corpo em formação. Finalmente, uma superfície relativamente macia camufla os espaços vazios no interior do corpo, que podem a partir daí ser detectados apenas indirectamente. Assim sendo, um interior altamente poroso em Phobos, como o proposto pela equipa do MaRS, suporta os cenários de formação através de re-acreção.

A origem de ambas as luas marcianas não está, no entanto, definitivamente descoberta, pois a densidade por si só não pode providenciar a verdadeira composição do seu interior. A futura missão russa Phobos-Grunt (uma missão de recolha de amostras), com lançamento previsto para 2011, irá certamente contribuír para o nosso conhecimento acerca da origem de Phobos.

Links:

Notícias relacionadas:
Europlanet (comunicado de imprensa)
SPACE.com
MarsToday.com
BBC News
Discovery News
Astronomy Now
Discover
Universe Today

Phobos:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

Mars Express: 
Página oficial da ESA 
Wikipedia

Phobos-Grunt:
Vídeo do projecto Phobos-Grunt (cortesia YouTube; em russo)
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Auroras em Saturno - Crédito: Equipa VIMSJPLESANASA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

O que é que alimenta as auroras em Saturno? Para ajudar a responder à questão, os cientistas estudaram centenas de imagens infravermelhas de Saturno obtidas pela sonda Cassini com outros propósitos, tentando descobrir imagens suficientes aurorais para correlacionar mudanças e fazer animações. Alguns destes filmes mostram claramente que as auroras Saturnianas podem mudar não só com o ângulo do Sol, mas também à medida que o planeta roda. Adicionalmente, algumas alterações aurorais parecem estar relacionadas com ondas na magnetosfera de Saturno, provavelmente provocadas pelas luas de Saturno. A imagem em cores falsas foi obtida em 2007 e mostra Saturno em três bandas do infravermelho. Os anéis reflectem luz solar azul, enquanto o próprio planeta brilha com energia mais avermelhada. A banda auroral no hemisfério Sul está com tons esverdeados. O estudo de muitas outras imagens de Saturno poderá ajudar a melhor compreender as auroras do "Senhor dos Anéis" e até da Terra.

 


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