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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 686
De 01/10 a 04/10/2010
 
 
 

Dia 01/10: 274.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 04:52.

Dia 02/10: 275.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Aproveite a noite para observar Júpiter. O seu satélite Io, é ocultado pelo planeta das 21:30 às 23:50.

Dia 03/10: 276.º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1942, era lançado da Alemanha o foguete V-2/A-4, que se tornaria o primeiro artefacto humano a atingir o espaço.

Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 1985, o vaivém Atlantis fazia a sua viagem inaugural. 
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: Pouco depois do anoitecer nesta altura do ano, cinco constelações formam uma linha que desce do zénite até ao horizonte a Oeste-Noroeste. Perto do zénite está a estrela Deneb: a cauda do Cisne. A seguir temos Lira com a brilhante Vega, depois o ténue Hércules, a pequena Coroa Boreal e finalmente o grande Boieiro com a brilhante estrela Arcturo baixa a Oeste-Noroeste.

Dia 04/10: 277.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.

Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3(missão soviética de flyby pela Lua).
Em 2004, a SpaceShipOne ganha o prémio Ansari X, de voo espacial privado, ao ser a primeira nave privada a viajar no espaço.
Observações: Aproveite a noite para observar M31, a Galáxia de Andrómeda, o objecto mais distante que se consegue observar à vista desarmada.

 
 
 
Desde Leonardo da Vinci que se sabe que o brilho da Terra ilumina a Lua com um brilho 50 vezes superior ao da Lua Cheia. Isso explica porque é que nos dias logo após a Lua Nova a parte escura da Lua apresenta um brilho acinzentado.
 
 
 
  RECÉM-DESCOBERTO EXOPLANETA PODE SER O PRIMEIRO REALMENTE HABITÁVEL  
 

Ao que parece a notícia da semana passada foi demasiado conservadora: uma equipa de caçadores de planetas da Universidade da Califórnia e do Instituto Carnegie em Washington anunciou a descoberta de um planeta com três vezes a massa da Terra em órbita de uma estrela vizinha a uma distância que o coloca mesmo no meio da sua "zona habitável".

Esta descoberta foi o resultado de mais uma década de observações usando o Observatório Keck no Hawaii, um dos maiores telescópios ópticos do mundo. A pesquisa, patrocinada pela NASA e pela NSF, coloca o planeta numa área onde pode existir água líquida à superfície. A ser confirmado, este poderá ser o exoplaneta mais parecido com a Terra já descoberto e o primeiro forte caso de um planeta extrasolar potencialmente habitável.

Para os astrónomos, um planeta "potencialmente habitável" é um planeta que pode sustentar vida, não necessariamente onde seres humanos poderiam viver. A habitabilidade depende de muitos factores, mas a presença de água líquida e de uma atmosfera são os mais importantes.

Impressão de artista que mostra os quatro planetas interiores do sistema Gliese 581 e a sua estrela-mãe.
Crédito: Lynette Cook
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os novos achados têm como base 11 anos de observações da vizinha anã vermelha Gliese 581 através do espectómetro HIRES acoplado ao Telescópio Keck I. O espectómetro permite medições precisas da velocidade radial de uma estrela (o seu movimento ao longo da linha de visão da Terra), que pode revelar a presença de planetas. O puxo gravitacional de um planeta em órbita provoca alterações periódicas na velocidade radial da estrela-mãe. Planetas múltiplos induzem oscilações complexas no movimento da estrela, e os astrónomos usaram análises sofisticadas para detectar planetas e determinar as suas órbitas e massas.

"As observações a longo-termo das oscilações de estrelas vizinhas permitiram a detecção deste sistema multi-planetário," afirma Mario R. Perez, cientista do programa Keck na sede da NASA em Washington. "O Keck prova uma vez mais que é uma ferramenta fantástica para a pesquisa científica."

Steven Vogt, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia, e Paul Butler do Instituto Carnegie, lideraram o Estudo Exoplanetário de Lick-Carnegie. As novas descobertas da equipa foram publicadas na revista Astrophysical Journal.

"Os nossos achados oferecem um caso muito convincente de um planeta potencialmente habitável," afirma Vogt. "O facto de termos sido capazes de detectar este planeta tão rapidamente e tão perto diz-nos que planetas como este devem ser muito comuns."

O artigo explica a descoberta de dois novos planetas em torno de Gliese 581. Isto aumenta o número total de planetas conhecidos em torno desta estrela para seis, o mais numeroso sistema planetário além do nosso. Tal como o [nosso] Sistema Solar, os planetas em torno de Gliese 581 têm órbitas quase circulares.

As órbitas planetárias do sistema Gliese 581 em comparação com as órbitas dos planetas do Sistema Solar.
Crédito: NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O novo planeta, designado Gliese 581 g, tem uma massa três a quatro vezes a da Terra e orbita a sua estrela em apenas 37 dias. A sua massa indica que é provavelmente um planeta rochoso definitivamente com uma superfície e gravidade suficiente para suster uma atmosfera.

Gliese 581, localizada a 20 anos-luz de distância na direcção da constelação de Balança, tinha previamente outros dois planetas detectados e situados nas fronteiras da sua zona habitável, um no lado quente ou interior (planeta c) e outro no lado frio ou exterior (planeta d). Embora alguns astrónomos ainda pensem que Gliese 581 d possa ser habitável se tiver uma espessa atmosfera com um forte efeito de estufa para o aquecer, outros estão cépticos. O recém-descoberto planeta g, no entanto, situa-se mesmo no meio da zona habitável.

O planeta está preso à estrela por forças de marés, o que significa que um hemisfério está sempre virado para a estrela onde é perpetuamente de dia, enquanto no outro é perpetuamente de noite. Uma das consequências é, de acordo com Vogt, a estabilização dos climas à superfície do planeta. A zona mais habitável à superfície seria a linha entre a sombra e a luz (conhecida como "terminador").

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NSF (comunicado de imprensa)
UCSC (comunicado de imprensa)
Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)
Observatório Keck (comunicado de imprensa)
Vídeo-conferência do anúncio (via NSF)
Artigo científico (formato PDF)
Sky & Telescope
SPACE.com
Science
Universe Today
PHYSORG.com
New Scientist
Scientific American
Nature
Popular Science
Science Daily
Discover
EurekAlert!
Associated Press
Discovery News
National Geographic
BBC News
MSNBC
Wired
AFP
Jornal Digital
SIC
Diário IOL
Visão

Sistema Gliese 581:
Wikipedia
Gliese 581 g (Wikipedia)

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

Observatório Keck:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Avião em Frente da Lua - Crédito: Chris Thomas  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Se olhar atentamente à Lua, verá um grande avião passar em frente dela. Bem, nem sempre. OK, quase nunca. Mas se esperar dias com a sua câmara acoplada a um instrumento de seguimento da Lua num local onde sabe que passam aviões, poderá capturar uma boa fotografia. Bem, se tiver sorte. OK, muita sorte. A imagem acima foi obtida há duas semanas atrás em no Sudeste de Queensland, Austrália, usando uma exposição de 1/250 segundos e, segundo o fotógrafo, "nervos de aço".

 


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