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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 689
De 12/10 a 14/10/2010
 
 
 

Dia 12/10: 285.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento do Voskhod 1, a primeira missão com uma tripulação de várias pessoas e o primeiro voo sem fatos espaciais. 

Em 1994, destruição da Magalhães na atmosfera de Vénus.
Em 2005, o segundo voo espacial da China. O Shenzhou 6 transportava dois astrounautas durante cinco dias em órbita.
Observações: Conhece o único objecto de Messier da constelação da Flecha? Descubra o "espalhado" enxame globular M71 com uns binóculos.

Dia 13/10: 286.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1773, Charles Messier descobria a Galáxia do Catavento (M51).

Em 1892, Edward Emerson Barnard descobre D/1892 T1, o primeiro cometa por meios fotográficos.
Em 1933, criação da Sociedade Interplanetária Britânica
Observações: Procure o Bule de Chá de Sagitário mesmo por baixo da Lua.

Dia 14/10: 287.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, a sonda soviética Mars 1960B falha a inserção na órbita da Terra. 
Em 1968 tem lugar a primeira transmissão televisiva em directo de uma nave espacial, a Apollo 7.

Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 22:27.

 
 
 
R136a1 é uma hipergigante azul, actualmente detentora do recorde da mais massiva estrela conhecida. Com uma massa estimada em 265 Sóis, é também a mais luminosa, com 8.700.000 vezes o brilho do Sol. Faz parte do superenxame R136 perto do centro de 30 Dourado (a Nebulosa da Tarântula) na Grande Nuvem de Magalhães. Na imagem, o Sol é a estrela amarela. Curiosamente, R136a1 não é a maior estrela em termos de volume; este prémio pertence a VY Canis Majoris, que tem entre 1800 e 2100 raios solares..
 
 
 
  ÁGUA DESCOBERTA EM SEGUNDO ASTERÓIDE, PODE SER AINDA MAIS COMUM  
 

De acordo com um novo estudo apresentado a semana passada, a água gelada nos asteróides pode ser mais comum do que se pensava.

Duas equipas de investigadores que, em Abril, tinham provado a existência de água gelada e moléculas orgânicas noutro asteróide, descobriram agora que o asteróide 65 Cybele contém o mesmo material.

As equipas usaram dois diferentes instrumentos da NASA: o Telescópio em Mauna Kea, Hawaii, e o Telescópio Espacial Spitzer. Os telescópios detectaram as assinaturas tantalizantes de água gelada e de material orgânico na superfície da rocha espacial.

"A descoberta sugere que esta região do nosso Sistema Solar contém mais água gelada do que antecipado," afirma o professor Humberto Campins, da Universidade da Flórida Central. "E suporta a teoria de que os asteróides podem ter atingido a Terra e trazido ao nosso planeta a água e os blocos da vida para aí se formar e evoluir."

Impressão de artista de um asteróide em torno de um corpo planetário.
Crédito: Gabriel Pérez, Instituto de Astrofísica das Canárias
 

O asteróide 65 Cybele é um pouco maior que o asteróide 24 Themis - o alvo do primeiro artigo da equipa. Cybele tem um diâmetro de 290 km. Themis tem um diâmetro de 200 km. Ambos estão na mesma região da cintura de asteróides entre Marte e Júpiter.

Não encontraram muito gelo - a camada de gelo do asteróide tem provavelmente menos de um micrómetro de espessura. A camada é também muito instável, por isso cobre o asteróide há apenas alguns milhares de anos. A equipa não sabe de onde veio, mas uma possibilidade é a subsuperfície da rocha.

Se o gelo realmente migrou desde o interior de 65 Cybele, a água poderá ser primordial, afirma Campins - restos da formação do Sistema Solar. Mas isto é apenas pura especulação.

Pensava-se, normalmente, que os asteróides eram muito secos, mas agora parece que quando os asteróides e os planetas formavam-se no início do Sistema Solar, o gelo encontrava-se até à cintura de asteróides principal, o que significa que água e material orgânico podem ser mais comuns perto da zona habitável de cada estrela.

A Terra tem uma história violenta, tendo sido bombardeada por rochas espaciais praticamente toda a sua vida. Em particular, pensa-se que uma grande rocha colidiu com a Terra há 4,5 mil milhões de anos, expelindo um grande bocado de material que eventualmente se tornou na nossa Lua.

Nessa altura, a colisão deve ter aquecido a Terra e a água que aí havia deve ter sido vaporizada. Então, como é que se formaram os oceanos?

Os cometas contêm grandes quantidades de água gelada, mas não são os candidatos ideais para encher os oceanos primordiais da Terra. A água cometária tende a ser de natureza diferente - os seus átomos têm uma configuração diferente - que a maioria da água na Terra.

Estes novos resultados reforçam a teoria dos asteróides como portadores de água para a Terra. Nos primeiros tempos do Sistema Solar, os asteróides provavelmente colidiram com a Terra a uma frequência muito maior que a actual. Se muitos destes asteróides tivessem gelo, a Terra poderia ter ficado algo "encharcada".

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade Central da Flórida (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
Space Daily
EurekAlert!
CNN
MSNBC

65 Cybele:
Wikipedia
Centro de Planetas Menores

 
     
 
 
     
  Enxame Globular NGC 6934 - Crédito: NASAESA, Telescópio Espacial Hubble  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Os enxames globulares vagueiam pelo halo da nossa Via Láctea. Presos pela gravidade, estes grupos esféricos de normalmente algumas centenas de milhar de estrelas são velhos, mais velhos até que as estrelas do disco galáctico. De facto, a medição das idades dos enxames globulares restringe a idade do Universo (tem que ser mais velho que as suas estrelas!) e as determinações precisas das distâncias dos enxames providenciam um degrau de escada na distância cósmica. O enxame globular NGC 6934 situa-se a cerca de 50.000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Golfinho. A essa distância, esta bonita imagem capturada pelo instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble cobre cerca de 50 anos-luz de comprimento. Estima-se que as estrelas do enxame tenham cerca de 10 mil milhões de anos.

 


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